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Brasileiro é o primeiro latino-americano a ganhar o Prêmio Jeremy Knowles – CFQ

Quimica e Derivados
30 de junho de 2020
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    Norberto Peporine Lopes é pós-doutor em espectrometria de massa pela Universidade de Cambridge

    O professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), da USP, doutor Norberto Peporine Lopes é o primeiro brasileiro a ser laureado com o Prêmio Jeremy Knowles da Sociedade Real de Química – RSC (Royal Society of Chemistry). O prêmio é concedido em reconhecimento à originalidade e impacto da pesquisa ou pela contribuição de cada vencedor para a indústria de ciências Químicas ou educação.

    O ex-presidente e atual conselheiro da Sociedade Brasileira de Química (SBQ) se diz surpreso e honrado com a notícia. “Nem nos meus sonhos, imaginava fazer parte da lista de indicados, imagine ser vencedor”. As premiações da RSC são concedidas após indicação de currículos de profissionais com carreiras científicas de notada contribuição social e impacto científico.

    Norberto Peporine Lopes é pós-doutor em espectrometria de massa pela Universidade de Cambridge

    Norberto Peporine Lopes é pós-doutor em espectrometria de massa pela Universidade de Cambridge

    O prêmio Jeremy Knowles faz parte da categoria Biologia Química e é concedido desde 2009 a cientistas que trabalham em pesquisas inter e multidisciplinares entre a Química e as ciências da vida.

    A carreira do professor Lopes sempre foi baseada no esforço e dedicação. E a paixão pela Química vem da infância. “Meu pai e meu tio eram professores universitários, ambos trabalhando com a fitoquímica da família Asteraceae, as flores do campo que a gente conhece. Desde criança, participei de expedições de coleta, algo que me fascinou. Logo o próximo passo foi trabalhar com a Química relacionada à biologia”, lembra ao explicar o motivo pelo qual escolheu a Farmácia como primeira área de formação.

    Em seguida, fez mestrado em Farmacognosia pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas-USP e doutorado em Química Orgânica pelo Instituto de Química-USP, com estágio no Instituto de Química Biológica da Universidade Estadual de Washington EUA. Ele também possui pós-doutorado em espectrometria de massa no Departamento de Química da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

    Lopes analisa sua carreira e pesquisas sob dois pontos de vista: carinho e impacto científico. “Uma pesquisa pela qual tenho um carinho muito especial é o estudo no qual utilizamos as ferramentas de espectrometria de massas para caracterizar a toxina da carambola. Foram quase dez anos estudando esse aminoácido modificado. E o motivo pelo qual gosto tanto desse trabalho são os e-mails, mensagens ou ligações que recebo de pessoas dizendo que levaram os artigos que escrevi sobre o assunto até médicos que então puderam salvar a vida de alguém intoxicado”, isso é muito gratificante. “Sinto que cumpri missão na terra; pude fazer o bem”, enfatiza.

    Do ponto de vista de impacto científico, ele cita algumas pesquisas em que busca integrar plataformas ômicas – genômica, trascriptômica, proteômica e a metabolônica. “Uma mais recente, sobre a luminescência da rã, quebrou um dos dogmas da biologia de que no ambiente terrestre a fluorescência existiria apenas em insetos. Quebrar um dogma não é algo rotineiro”, destaca.

    Outra pesquisa do professor mostra o primeiro efeito de simbiose de um vertebrado e bactérias, evidenciando o sistema de atração e identificação do comportamento animal que passa pelo sistema.

    “O desenvolvimento dessas técnicas a gente usa em tudo. Isso porque, uma das propostas do nosso trabalho – o professor sempre usa a primeira pessoa do plural enfatizando a importância da equipe de alunos evolvidos nas pesquisas – foi desenvolver uma plataforma que não diferencie origem. A plataforma estuda organismos. Não interessa se é uma água-viva ou um paciente de Covid-19”.

    Segundo o professor, esse trabalho é multifacetado e permite estudar com o mesmo modelo matemático, por exemplo, a degradação de fármacos, entender estratégias de ecologia e fazer propostas de preservação.

    Sobre ser laureado, ele diz que a maior satisfação tem sido receber mensagens de pessoas que viram nesse prêmio um motivo para seguir acreditando na carreira acadêmica e na ciência.

    O prêmio Jeremy Knowles faz parte da categoria Biologia Química e é concedido desde 2009 a cientistas que trabalham em pesquisas inter e multidisciplinares entre a Química e as ciências da vida.

    O prêmio Jeremy Knowles faz parte da categoria Biologia Química e é concedido desde 2009 a cientistas que trabalham em pesquisas inter e multidisciplinares entre a Química e as ciências da vida.

     



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    Um Comentário


    1. Carla

      Parabéns, Dr. Norberto Peporine Lopes!
      Com certeza, foram muitos anos de estudo e dedicação, e aí está o resultado disso tudo: o reconhecimento de um trabalho simplesmente espetacular!



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