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Meio Ambiente (água, ar e solo)

Brasil se prepara para confinar CO2 em caverna de armazenagem

Maroni J. Silva
22 de janeiro de 2019
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    Química e Derivados, Brasil se prepara para confinar CO2 em caverna

    Entre 2020 e 2021, o Brasil poderá estar habilitado para construir sua primeira caverna de armazenagem de CO2 na camada de sal da área explorada e conhecida como pré-sal. O projeto em andamento no RCGI representa uma solução sustentável para manter parte desse gás resultante da exploração de petróleo longe da atmosfera, evitando pressionar ainda mais o aquecimento global. Calcula-se que a caverna terá capacidade para estocar cerca de 8 milhões de toneladas do dióxido de carbono a uma profundidade de seis quilômetros da superfície do mar.

    Dadas às condições físicas do local, a caverna poderá resistir inclusive a pressões motivadas por terremotos, disse o diretor do RCGI, professor doutor Júlio Meneghini, em entrevista ao final da III Sustainable Gas Research Innovation. Ele prevê também a hipótese de que o reservatório se transforme em uma rocha carbonática, afastando o risco de concentração de gás na atmosfera.

    Química e Derivados, Maneghini: gás será armazenado com segurança na camada de sal

    Maneghini: gás será armazenado com segurança na camada de sal

    Satisfeito com o balanço do evento, em que foram apresentados 45 projetos em sessões orais e pôsteres por pesquisadores brasileiros e estrangeiros, Meneghini citou a possibilidade de o Brasil produzir combustíveis sintéticos de altíssima pureza com base em outras duas iniciativas em estudo no RCGI. Ambas envolvem, respectivamente, a utilização do CO2 do ar e efluente da geração termoelétrica. Feita a captura e a conversão, o gás pode reagir com o hidrogênio, formando hidrocarbonetos sintéticos de alto valor, a exemplo de óleo diesel sintético e querosene, ambos com diferenciais competitivos inclusive em termos de sustentabilidade. Por ser puro, o diesel sintético não gera particulados na queima, enquanto o querosene sintético apresenta alta qualidade.

    “Nenhuma solução será a única para enfrentar o aquecimento global”, afirmou David Torres, vice-presidente da área de gás e abatimento de carbono da Shell. Ao participar da conferência que é organizada anualmente pelo Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) e pelo Sustainable Gas Institute (SGI), vinculado ao Imperial College London, ele se mostrou sensível à necessidade de enfrentar esse desafio, mas em várias frentes.

    “Imagino que tenhamos de jogar com todas as cartas, em diferentes partes do mundo e em situações diversas. Haverá momentos em que a CCS (Carbon Capture and Storage) será eficiente, talvez até para a recuperação de solos. Em outros casos, poderemos utilizar o CO2 de forma mais eficiente em estufas ou converter em um produto químico”, disse Torres.

    Considerando-se o tamanho do setor energético, completou Rob Littel, diretor geral da área de tecnologia de abatimento de carbono da Shell, “mesmo se utilizássemos o CO2 de muitas formas, a CCUS (Carbon Capture Utilization and Storage) sozinha não daria conta. Portanto, a CCUS tem um papel importante, mas há múltiplas soluções”, afirmou.

    Química e Derivados, Littel: volume de emissões exige usar soluções múltiplas

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    Para o presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimarães, a substituição dos combustíveis fósseis por renováveis, no Brasil, passa pela superação do baixo investimento do setor privado em inovação. Algumas situações concretas mostram que essa tendência é alimentada em grande parte por certas contradições que caracterizam o perfil do setor produtivo brasileiro.

    “O Brasil é o maior produtor de suco de laranja do mundo, mas importa ácido cítrico, o principal componente do seu processo produtivo. Da mesma forma, é um grande player de sacarose de cana-de-açúcar, mas importa glicose. É difícil entender por que isso ocorre no país”, afirmou Guimarães.

    Química e Derivados, Guimarães: recursos para pesquisas no Brasil ainda são insuficientes

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    Ainda segundo ele, o status da indústria farmacêutica no Brasil também não corresponde ao grau de investimento em inovação do setor, situação que se reproduz, igualmente, na indústria química. Em face desse cenário, o presidente da Embrapii considera quase impossível que o país atinja o patamar de 2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento, conforme os discursos apresentados por alguns candidatos à presidência da República. Para que isso aconteça seria necessário inverter o quadro atual, em que o setor público responde por 60% dos investimentos em P&D e as empresas, 40%.



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