Brasil perde capacidade de atrair investimento produtivo – Economia

Sem receber grandes investimentos, o cenário brasileiro não parece melhorar neste ano.

Química e Derivados - Brasil perde capacidade de atrair investimento produtivo - Economia ©QD Foto: iStockPhoto

Sem receber grandes investimentos enquanto vê muito capital externo sair do país devido às incertezas políticas e econômicas, o cenário brasileiro não parece melhorar neste ano. Para Rubens Barbosa, ex-embaixador em Londres e Washington,

“em 50 anos de atuação no governo nunca vi uma situação tão delicada e tão pouco perceptível pelas autoridades”.

Ele também comentou a relação entre EUA e China, além de perspectivas para o país durante debate promovido em março, em São Paulo, pela Ourinvest.

Barbosa aponta como sinal de deterioração da confiança mundial no país a falta de investimentos chineses em 2020.

Para ele, o Brasil precisa arrumar o cenário interno para começar a pensar em recuperar capital que deixou o país no ano passado, pois hoje no Brasil não há previsibilidade de risco.

A pandemia, da forma como foi combatida até agora, é um fator de risco para os investidores, além da falta de agenda política e econômica por parte das lideranças do país.

Em comparação, os EUA, que também tiveram problemas no combate ao vírus, receberam vários investimentos devido às expectativas com o governo de Joe Biden, trazendo novas perspectivas para o mundo após quatro anos de Donald Trump.

Barbosa acredita que o governo Biden, no entanto, não irá mudar tanto sua relação com a China. Para ele, os EUA devem ver o país asiático como adversário estratégico. O mundo já decidiu que não se trata de escolher um lado entre Estados Unidos e China, pois existe hoje uma dependência de ambos.

O embaixador ainda avalia que EUA e China alternarão três tipos de relacionamento: competição, cooperação e de adversário.

Voltando ao Brasil, a falta de investimentos e de entrada de capital em 2020 teve suas consequências, como a alta do dólar. O embaixador acredita que apesar do câmbio favorável para exportação de commodities, o país depende de uma concentração em poucos produtos para o mercado externo, e isso pode trazer riscos para o futuro da economia brasileira.

“Apesar do câmbio favorável, o Brasil não aumenta a exportação de manufaturados por falha de evolução sistêmica”, afirmou.

Além disso, Barbosa criticou a discussão da volta do auxílio emergencial sem contrapartidas de corte de gastos por parte do governo.

Vale lembrar que o Brasil já compromete mais de 90% do orçamento com gastos obrigatórios, percentual que avançou muito em 2020.

Texto: Vitor Queiroz



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