Equipamentos e Máquinas Industriais

Bombas: Retração dos grandes projetos preocupa fabricantes e estimula a ampliar a lista de aplicações

Marcelo Fairbanks
4 de novembro de 2014
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    Química e Derivados, Corpo forjado de bomba de alta pressão para injeção em poços de petróleo, da KSB, em teste hidrostático

    Corpo forjado de bomba de alta pressão para injeção em poços de petróleo, da KSB, em teste hidrostático

    Os fabricantes de bombas industriais instalados no Brasil estão com as carteiras robustas, pelo menos para os próximos seis meses. Depois disso, porém, sobram incertezas. O clima eleitoral indica a presença de ventos de mudança e sofre com os desarranjos de um modelo de negócios que exige a a intermediação de empresas de engenharia, compras e construção (os epecistas), deixando no ar a impressão de que uma nova onda de grandes projetos – e das suas respectivas encomendas – vai demorar.

    A redenção e a perdição do setor de bombas – e de quase todo o setor de equipamentos sob encomenda no Brasil – responde pelo nome de Petrobras. Desde a descoberta das reservas de óleo de gás na camada do pré-sal, trombeteada com grande dose de exagero, a estatal petroleira anunciou um aumento vertiginoso dos seus planos de investimentos quinquenais. Cifras gigantescas, mesmo descontado o pedágio do Petrolão, foram destinadas a construir sondas, plataformas submarinas, navios-plataformas, tubulações e também refinarias, além de uma pletora de instalações complementares. Todos esses investimentos contêm quantidades variáveis de bombas, de variados tipos de tamanhos.

    A Petrobras já era, antes dessa fase, uma grande compradora de equipamentos não seriados. Anabolizada pela intenção megalômana de operar o setor de petróleo em um país convertido de importador a exportador desse recurso em quantidades sauditas, a estatal se tornou a maior compradora dessas bombas do país. Com um porém: as compras para os novos projetos foram concentradas nas mãos dos epecistas.

    Esse porém não é nada desprezível porque, como se ficou sabendo mais tarde, ele representou a entrada em um dos círculos do inferno. Os contratos continham todas as pesadas exigências impostas pelo cliente final, mas os pagamentos (assim como toda a relação comercial) passaram a ser feitos por intermediários, que nem sempre pagam em dia, para desespero dos fabricantes, embora sequestrem parte da margem de lucro dos fornecedores, depois de pressionarem para baixo os seus preços.

    Equipamentos engenheirados não custam barato. Os fabricantes precisam investir em recursos humanos qualificados, desde o projeto até a sua execução, precisam ter equipamentos e instalações adequadas, entre elas bancadas de testes hidráulicos avançados, além de comprar os insumos necessários à produção, como ligas metálicas especiais, aço inoxidável, entre outros. Todo isso consome capital de giro. Os sucessivos e constantes atrasos de pagamento afetam muito os resultados financeiros dessas empresas.

    Indiretamente, o setor petroleiro também levou a pique outro grande cliente dos fabricantes nacionais de bombas: o setor sucoalcooleiro. O congelamento do preço da gasolina praticamente inviabilizou a produção de etanol, cujo custo de produção subiu nos últimos doze meses e não pôde ser repassado para os consumidores. Com mais de 400 unidades produtoras de álcool e açúcar no país, o setor representava uma demanda anual estável e atraente para as bombas não seriadas.

    Química e Derivados, Vallo: ampliação do portfólio deve compensar retração estatal

    Vallo: ampliação do portfólio deve compensar retração estatal

    Mercado fraco – Um conjunto de fatores pode ser apresentado para explicar a atual situação do mercado de equipamentos industriais, entre eles a indústria de bombas. A pesada intervenção do governo federal no câmbio, mantendo o real valorizado frente ao dólar, a queda abrupta das encomendas da Petrobras, a falta de proteção aos produtos nacionais, os quais pagam impostos muito superiores aos exigidos dos importados, além das notórias deficiências de infraestrutura, são elementos típicos desse conjunto.

    “O melhor ano que tivemos, em valor de vendas, foi 2009”, comentou Corrado Vallo, diretor da Omel Bombas e Compressores, conceituado fabricante de capital nacional, instalado em Guarulhos-SP. Segundo informou, as vendas de 2013 foram equivalentes à metade do valor alcançado naquele ano. “E estamos lutando para fechar 2014 com o mesmo valor de vendas do ano passado”, afirmou.

    Também diretor da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Vallo avalia que a demanda nacional por bens de capital mecânicos está fraca, prejudicada pela falta de confiança dos empresários e pelos indicadores macroeconômicos ruins do país. Dessa forma, ainda há procura por bombas de médio e pequeno porte, com pedidos bem pulverizados. “O câmbio também não nos ajuda e facilita a entrada de bombas seriadas, as engenheiradas nem tanto, porque os clientes temem ficar sem assistência técnica e peças para manutenção”, comentou.



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