Bombas – Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes

O mercado de bombas industriais registra um crescimento explosivo de demanda, com o perdão do trocadilho. Os pesados investimentos anunciados para exploração e refino de petróleo e para aproveitamento do gás natural nos próximos anos, conjugados com os planos de expansão de algumas atividades industriais, evidenciam um futuro muito promissor para os fabricantes desses equipamentos.

O lado triste desse enredo se esconde na defasagem da taxa cambial, nas deficiências estruturais (o Custo Brasil), nas taxas de juros elevadas e nos excessos tributários, que conspiram contra o crescimento da produção nacional. Em alguns casos, a importação de equipamentos tende a ser mais viável que fabricar no país.

“Falta uma política industrial de longo prazo para o setor de bens de capital, sem a qual corremos o risco de os produtores locais se transformarem em meros importadores”, alertou Corrado Vallo, membro do conselho de administração da Omel Bombas e Compressores Ltda. e diretor estratégico do grupo de política industrial da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). A entidade concluiu recente estudo sobre o impacto do custo Brasil sobre produtos nacionais e chegou a um sobrepreço de 43,8% em relação aos similares fabricados na Alemanha e nos Estados Unidos. Quando comparados a itens de origem chinesa, a diferença se aproxima de 100%, sem mencionar o impacto cambial. “Por mais que a indústria nacional se empenhe em ganhar eficiência, assim fica difícil ser competitivo”, salientou. A estimativa da Abimaq para a defasagem cambial chegou a 44%, com base na cotação do dólar em novembro de 2009.

“Investimos muito nos últimos anos para aumentar a capacidade e a eficiência da produção, temos uma fábrica no melhor padrão mundial de qualidade e, mesmo assim, só estamos conseguindo manter nossas exportações entre 15% e 20% das vendas totais com um esforço extraordinário, às vezes com rentabilidade irrisória”, comentou Carmelo Moldes, presidente da KSB Bombas Hidráulicas, filial do grupo alemão, com produção no Brasil há mais de cinquenta anos. O esforço é explicado pela dificuldade de abrir portas no mercado externo, sendo preferível manter satisfeitos os clientes já conhecidos. Ele estima a defasagem cambial em 25%, atribuindo a ela as dificuldades encontradas para ser competitivo globalmente, embora ele também sinta o peso dos tributos e dos custos de insumos.

Por participar de um grupo internacional, a KSB brasileira enxerga bem as diferenças entre ela e as demais unidades da companhia. “Nossos preços de bombas estão muito próximos aos dos Estados Unidos e da Europa, mas o peso dos impostos aqui é mais alto”, comentou. Ele ressaltou que a KSB conta com fundição própria e altamente especializada, em Americana-SP, sendo capaz de operar com aços e ligas nobres, como o superduplex, que exige tratamento térmico específico.

Apesar desses obstáculos, ambos os entrevistados demonstraram otimismo quanto à evolução das vendas de bombas da linha industrial. As perspectivas são animadoras a ponto de atrair players internacionais a montar operações locais, como a ITT Industrial Process, que comprou no ano passado as operações da brasileira Canberra, por sua vez herdeira de antigas operações da Goulds (hoje uma das marcas mundiais da ITT). Além dela, a Weatherford (Johnson Screens) comprou a gaúcha Bombas Geremia, e a Flowserve mantém ativa a unidade produtiva brasileira que comprou da Dresser (Worthington).

A razão de tamanho interesse está nas aplicações de petróleo e gás natural. Além do plano quinquenal de investimentos da ordem de US$ 224 bilhões da Petrobras, esse setor deve contar com a atuação de outras companhias, como a OGX. Caso queiram dispor de financiamentos especiais do BNDES, os investidores precisam observar o conteúdo nacional mínimo nos projetos. As bombas (ou motobombas, pois o equipamento geralmente é vendido com o motor acoplado) são o tipo de equipamento ideal para ser suprido localmente, dada a necessidade de contar com suporte técnico e peças de reposição próximos.

“Direta ou indiretamente, cerca de 55% das nossas vendas vão para a Petrobras”, comentou Corrado Vallo. Durante décadas, a Omel evitou que as encomendas da estatal passassem de 20% da carteira, por razões estratégicas. Vallo explicou que a estatal é o grande consumidor atual de equipamentos, enquanto a exportação vai perdendo fôlego. “Fora a Petrobras, os outros segmentos de mercado estão em compasso de espera”, comentou.

Quimica e Derivados, Corrado Vallo, membro do conselho de administração da Omel Bombas e Compressores, Bombas - Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes
Corrado Vallo: falta uma política industrial para o setor

Ele salientou ter havido uma forte recuperação de atividade industrial entre 2007 e 2008. A crise mundial chegou ao Brasil apenas no segundo semestre de 2009, mas ainda não foi totalmente superada. “Registramos uma queda de vendas de 30% a 35% no primeiro semestre de 2010 em comparação com igual período de 2009”, informou. Além disso, embora tenha carteira para manter a
fábrica operando normalmente pelos próximos quatro meses, Vallo comentou que novas encomendas da estatal deixaram de ser feitas desde abril e estão suspensas até que se resolva a questão da capitalização da companhia, efetivada apenas em setembro. “Depois disso, os pedidos devem voltar a aparecer”, prognosticou.

Carmelo Moldes confirma o bom momento da indústria petroleira, cuja participação no mix de vendas da KSB, companhia com portfólio muito diversificado, fica na faixa de 25% a 30%. “Desde 2007 esse setor está em alta, tanto nas refinarias quanto nas plataformas, porém outros segmentos não estão tão bem”, afirmou. É o caso do setor sucroalcooleiro, que teve um pico de investimentos em 2008, depois desacelerado nos anos seguintes. A indústria química nacional, depois de anos em compasso de espera, voltou a reagir e conta com projetos de grande envergadura. Nesse tipo de cliente, podem ser encontradas algumas bombas magnéticas e herméticas, que a KSB importa da matriz, na Alemanha.

Quimica e Derivados, Carmelo Moldes, presidente da KSB Bombas Hidráulicas, Bomas - Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes
Carmelo Moldes mantém as exportações, mas câmbio tira rentabilidade

Dedicada à produção de bombas centrífugas especiais, geralmente de grande porte, a Sulzer apresenta uma forte concentração de negócios no setor de petróleo e gás. “Quase 85% da nossa carteira de pedidos está voltada para encomendas da Petrobras e esse setor está muito mais ativo que os demais”, comentou Jonas Lessa, diretor de vendas da Sulzer Brasil. Ele sentiu que a estatal reduziu um pouco o ritmo de encomendas desde o início de 2010, mas isso se deve à maturação mais lenta dos projetos de grande porte.

A alta concentração em um segmento de mercado motiva a companhia a fazer planos para diversificar suas operações, buscando clientes em segmentos igualmente sofisticados como a indústria química de base e a petroquímica, que consomem equipamentos construídos sob normas Ansi ou API. “Já temos produtos para isso”, disse. Ele espera que o desenvolvimento da produção de petróleo e do parque de refino gere um consequente aumento da atividade química no Brasil, ampliando a demanda. Hoje, o setor petroleiro ocupa 80% da capacidade de produção da fábrica da Sulzer em Jundiaí-SP, contando com fundição própria e especializada.

Mesmo com a ativação dos vários planos da estatal e das atividades a jusante, Lessa não vê a possibilidade de justificar grandes investimentos em novas capacidades produtivas, mas apenas em algumas ampliações. “Os projetos não saem todos juntos, há um timming que permite acomodar as encomendas”, disse. Algumas demandas específicas podem ser supridas por unidades da Sulzer em outros países. Lessa apontou a dificuldade de absorver o imposto de importação que chega a 20% nos equipamentos para refinarias, sem mencionar as exigências de conteúdo local. “Nós concorremos hoje com fornecedores de todo o mundo, em certames organizados pelos epecistas, e somos competitivos, pois ninguém paga mais caro para um equipamento brasileiro nas plataformas de exploração de petróleo”, comentou. A companhia venceu concorrências internacionais para suprir bombas de combate a incêndio e injeção de água para as plataformas P-58 e P-62. Quando se trata de plataformas sob bandeira estrangeira, seria maior a possibilidade de usar equipamentos importados, mas há outras exigências da estatal, como os manuais e documentação que devem ser fornecidos em Português. “A Petrobras está facilitando a entrada de novos players no mercado, sem observar a isonomia com quem já está produzindo por aqui”, criticou.

Quimica e Derivados, Jonas Lessa, diretor de vendas da Sulzer Brasil, Bomas - Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes
Jonas Lessa pede isonomia na disputa com bomba de petróleo importada

Além do petróleo – Nem só de petróleo e gás natural vivem as bombas industriais. “Bombas são o segundo equipamento mais usado no mundo todo, ficando atrás apenas dos motores elétricos”, comentou Johnny Sepúlveda, gerente nacional para o Brasil da divisão de processos industriais da ITT. O conglomerado industrial possui negócios nas áreas de defesa e telecomunicações, tecnologia de fluidos e sistemas de acionamento. Em tecnologia de fluidos, atua em três áreas: água, efluentes e processos industriais. “Essas três divisões atuam no Brasil, sendo a linha industrial voltada para equipamentos com algum grau de customização, direcionados para os setores de química, petróleo e mineração, principalmente”, explicou Sepúlveda.
Entre as bombas para processos, tem destaque a marca Goulds,criada em 1848, uma das primeiras bombas centrífugas de uso industrial no mundo. “As bombas da Goulds serviram de base para as primeiras normas Ansi”, comentou. Em 1974, a Goulds montou uma fábrica no Brasil, em Salto-SP, que vendeu em 1986 para a nacional Canberra. Mais tarde, a ITT comprou a Goulds em âmbito mundial e, em 2009, adquiriu a Canberra, assumindo a fábrica e um acervo de mais de 20 mil bombas instaladas no Brasil.

Química e Derivados, Johnny Sepúlveda, gerente nacional para o Brasil da divisão de processos da ITT, Bombas - Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes
Johnny Sepúlveda: mercado requer menor custo total de propriedade

Segundo Sepúlveda, as instalações e equipamentos são muito similares aos de outras fábricas da Goulds no mundo. “Até a divisão das vendas com participação mais relevante dos segmentos químicos, de petróleo e sucroalcooleiro é parecida com a de outros lugares”, afirmou. A empresa está atualizando os produtos e processos produtivos, adotando as técnicas de lean manufacturing (produção leve, sem “gorduras”), com células de trabalho e lay out com o mesmo padrão mundial da ITT. A linha a ser produzida localmente inclui bombas feitas sob normas API, Ansi, sanitárias, entre outras, além de equipamentos de grande porte, usados em saneamento básico. “Iniciaremos com os produtos usuais da Canberra e adicionaremos a linha da ITT conforme a demanda se apresentar”, explicou. Todas as unidades da companhia estão interligadas, com acesso às tecnologias em todas as regiões do planeta.

“A aquisição da Canberra foi feita com base em uma estratégia de médio e longo prazo de crescimento, com foco nos países em desenvolvimento”, explicou. Nesse horizonte, a taxa cambial é um fenômeno de curto prazo, pouco significativo. Antes da compra, a ITT importava as bombas de outras procedências e acoplava a ela motores e acessórios feitos no Brasil, com engenharia totalmente nacional. No caso dos fundidos, Sepúlveda afirma contar com fornecedores locais qualificados para a maioria das ligas usadas nas bombas. Casos especiais, como titânio, podem exigir importações de fundidos. “Nossos fornecedores também terão mais facilidade para exportar para outras unidades da ITT”, afirmou.

O mercado potencial de bombas no Brasil é considerado enorme pelo gerente da ITT. “Caso todos os projetos anunciados pela Petrobras saiam do papel ao mesmo tempo, pode ser que faltem bombas”, afirmou.

Corrado Vallo, da Omel, acha que a produção nacional poderia dar conta de pelo menos 70% de todas as necessidades da Petrobras, mesmo com a ativação simultânea dos projetos. “Cerca de 90% da indústria nacional de bens de capital trabalha com um só turno, ou seja, dá para duplicar a produção sem grandes investimentos”, afirmou. “Além disso, os prazos de entrega são escalonados e longos, permitindo adaptar a produção.”

“Nos últimos anos, a despeito da crise mundial, investimos R$ 30 milhões em infraestrutura, máquinas de última geração e pessoal especializado para inaugurar a nossa fábrica 2, com sete mil metros quadrados de área construída, no início deste ano”, afirmou Sílvio Beneduzzi, diretor-geral da Netzsch do Brasil. Essa fábrica é uma extensão da unidade pioneira, dentro de um terreno de 19 mil m², em Pomerode-SC. “Temos condições de aumentar a nossa produção em 30% sem nenhuma dificuldade, ou seja, temos condições de atender a toda a demanda futura.”

Quimica e Derivados, Silvio Beneduzzi, diretor-geral da Netzsch do Brasil, Bomas - Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes
Silvio Beneduzzi: além das bombas, Netzsch produz conjuntos para lubrificação

Especialista mundial em bombas helicoidais de deslocamento positivo, do tipo Nemo, mas também fabricante de equipamentos pneumáticos, de fusos e dosadoras, a Netzsch será indiretamente beneficiada pelo “Eldorado” do pré-sal. “Temos conseguido bons contratos com estaleiros navais, com demanda aquecida pelos investimentos em petróleo e gás”, comentou. Além disso, a companhia reforçou sua atuação nos sistemas de lubrificação de turbinas em hidrelétricas, para os quais também produz tanques, trocadores de calor, válvulas de controle, painéis e tubulações.

As compras da Petrobras são tão fortes que a estatal é a maior cliente mundial do grupo Netzsch, segundo Beneduzzi, compreendendo itens fornecidos pela fábrica de Pomerode, pela matriz alemã e filiais dos Estados Unidos, Cingapura e China. “Concluída a capitalização, acredito que a Petrobras vai voltar às compras, mesmo porque tem projetos arrojados para os próximos cinco anos”, salientou. Porém, Beneduzzi faz questão de ressaltar que os demais segmentos de mercado não serão de forma alguma preteridos. “O setor de petróleo tem um time exclusivo de engenharia, produção e coordenação de projetos”, explicou.

A KSB reorganizou toda a sua produção de bombas, com a inauguração de uma fábrica em Vinhedo-SP, em 2009, onde passaram a ser produzidos os equipamentos seriados, destinados à construção civil e distribuição de água. “A fábrica de Várzea Paulista ganhou espaço para aumentar a fabricação de bombas engenheiradas”, comentou Biagio Pugliese, diretor-comercial de petróleo, energia e saneamento da companhia. O investimento em Vinhedo foi da ordem de US$ 10milhões.

 

Com espaço de sobra, a unidade de Várzea ganhou novo layout de produção, com divisão de trabalhos focada na maior agilidade dos processos. A unidade conta com banco de provas para equipamentos até 5 mil kW de potência.

Além de ampliar a produção, a KSB também investiu na qualificação de pessoal e na implantação de centros de prestação de serviços de assistência técnica mais próximos dos clientes, em vários locais do país. A companhia opera com três turnos nas unidades consideradas como gargalos de produção e dois turnos nas demais. “Temos muito espaço para crescer”, disse Moldes.

A Sulzer também forneceu bombas para o projeto do Rio São Francisco e possui alguns contratos na área de saneamento básico. “Atuamos nesse segmento, nas encomendas de grande porte, mas esse setor tem recebido poucos investimentos”, comentou Jonas Lessa. Há mais negócios na geração de termeletricidade. A companhia está fabricando doze bombas altamente engenheiradas para termelétricas no Nordeste, incluindo os projetos de Pecém-CE e Itaqui-MA, unidades projetadas para gerar 300 MW cada.

A global Weatherford (Johnson Screens) atua no Brasil no setor de bombas por meio da Geremia, de São Leopoldo-RS, especializada em bombas helicoidais de deslocamento positivo. Possui modelos desde dosadoras até equipamentos de alta vazão, com elevado índice de customização. Embora a Weatherford conte com ampla linha de bombas no exterior, por enquanto a companhia reforça a posição dos produtos tradicionais da Geremia, que podem ser aplicados em saneamento, indústrias em geral e produção de petróleo.

Evolução de produtos – O potencial de negócios também impõe modificações nos equipamentos. A Omel investiu entre US$ 5 milhões e US$ 6 milhões durante os três últimos anos para atualizar maquinário e as instalações de sua fábrica em Guarulhos, quantia oriunda de capital próprio. Em 2010, mais US$ 1 milhão será aplicado no negócio, com a chegada de outra unidade de usinagem por comando numérico de alta precisão e produtividade. “Vamos investir em 2011 mais US$ 3 milhões para montar um novo banco de provas para bombas até dois mil quilowatts ou três mil cavalos vapor”, afirmou Vallo.

O empresário justificou o investimento pelo fato de a Omel se dedicar ao projeto de equipamentos de maior porte, que devem apresentar aumento importante de demanda nos próximos dez anos. “Precisamos estar preparados”, comentou. Bombas maiores apresentam diferencial de preços muito maior que a escala de vazão. “Se um equipamento médio custa X, um outro duas vezes maior vale três ou quatro vezes X”, explicou. O rumo dos equipamentos de grande porte é a saída para aumentar o faturamento e a rentabilidade.

Vallo também pretende enfocar nichos especiais de mercado, nos quais a concorrência com os produtores asiáticos não é tão intensa. É o caso das bombas com acionamento magnético, já fabricadas com tecnologia da própria Omel. “As bombas magnéticas têm certificação API, têm alta segurança operacional e ambiental, e já estão sendo aceitas pela Petrobras em algumas refinarias”, informou. Algumas petroquímicas também demandam esse tipo de bomba. A Omel também pode fornecer equipamentos herméticos, da Hermetic alemã, mas a demanda por eles é muito baixa, não sendo aceitos pela estatal.

“Temos alguns desenvolvimentos interessantes, como as bombas low flow, de baixa vazão e alta pressão, usadas na alimentação de reatores de processos petroquímicos e em algumas áreas de petróleo e gás natural”, informou. Essas características são contraditórias em equipamentos centrífugos, nos quais pressão e vazão costumam ser proporcionais à velocidade de rotação. “Conseguimos esse efeito usando mais palhetas no rotor que tem perfurações desenhadas para induzir a recirculação de parte do bombeado sem provocar aquecimento”, explicou. Esse tipo de bomba vai de 200 litros por hora a 40 mil l/h.

Química e Derivados, Biagio Pugliese, diretor comercial de petróleo, energia e desenvolvimento da KSB, Bombas - Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes
Biagio Pugliese: pré-sal exige bombas para pressões ainda mais

Vallo admite que a tecnologia básica de bombeamento com equipamentos centrífugos não sofreu alterações nas últimas décadas. A evolução dos conjuntos pode ser encontrada nas vedações, nos acionamentos e nos complementos. A tecnologia das low flow, por exemplo, nasceu na Alemanha, durante a segunda guerra, para alimentação dos motores das bombas V-1 e V-2. No fim da guerra, os ingleses ficaram com a patente dessa bomba, segundo Vallo.

Também as ligas metálicas especiais passaram a ser usadas amplamente. “A Petrobras compra muita coisa em duplex e superduplex, ligas nobres que exigem ter uma boa fundição”, comentou. A evolução também caminhou para tamanhos maiores e para conjuntos com maior rendimento, com melhor desenho na parte hidráulica, melhor execução (redução de atrito) e motores mais eficientes, visando economia de energia.

O desenvolvimento de novos produtos ficou facilitado com os mais recentes softwares de engenharia. “O cálculo de uma bomba dá uma precisão de uns 70%, os 30% restantes eram determinados experimentalmente, por tentativa e erro, o que representava um custo elevado com a produção de modelos e testes”, afirmou. Os programas atuais simulam a operação hidráulica das bombas com alta precisão, reduzindo os custos com modelagem e testes. Mas a introdução de modificações profundas ainda impõe um custo elevado, pela necessidade de alterar os moldes de fundição dos corpos e dos internos. “Nem sempre vale a pena mexer na bomba”, avaliou. Para ele, a evolução tecnológica também depende de o país contar com umapolítica industrial adequada.

Carmelo Moldes concorda com a direção dos desenvolvimentos apontada por Vallo. “Nosso mix de produtos cresceu, acompanhando a demanda, incluindo tamanhos maiores de bombas, com maior grau de sofisticação em todos os segmentos atendidos”, comentou. Isso se reflete até mesmo no setor de saneamento básico, no qual estão sendo entregues os equipamentos de bombeamento do projeto de transposição do Rio São Francisco, com motobombas verticais com peso total de 75 toneladas cada.

“A Petrobras exige pressão cada vez mais elevada”, disse Pugliese. Antes a estatal demandava bombas para menos de 100 bar, enquanto hoje há pedidos para 400 bar para as plataformas do pré-sal. “As exigências da estatal incluem menor vibração, eixos mais robustos, rotor com balanceamento mais preciso, melhor lubrificação dos mancais e uso de materiais superiores, buscando maior vida útil dos equipamentos e maior segurança ocupacional e ao meio ambiente”, comentou. Para evitar as emissões fugitivas, há vários desenhos de sistemas de selagem com diferentes graus de segurança, adequados aos produtos bombeados.

Nesse contexto, a KSB lançou a sofisticada bomba CHTR, adequada à norma API 610, com rotor multiestágio inserido dentro de um barril forjado feito de aço inoxidável, aço cromo, aço austenítico, duplex ou superduplex, dotado de selos duplos e vários sistemas auxiliares, para injeção de fluido de barreira e circulação de lubrificante dos mancais. “Essa bomba chega a 400 bar e pode ser usada em plataformas, para injeção de água do mar nos poços, ou em caldeiras de alta pressão, ou processo de refino”, explicou Moldes. A CHTR foi desenvolvida no Brasil com apoio da KSB da Alemanha, país onde é mais aplicada em geradores de vapor.

Outro desenvolvimento recente é a bomba bipartida axialmente RDLO, aplicada em sistema de distribuição de água, irrigação, alimentação de termelétricas e indústrias de grande porte. É fabricada segundo normas ASTM/DIN, podendo ser montada horizontal ou verticalmente.

Um ponto comum a todos os clientes diz respeito à economia de energia. “Usamos motores elétricos de alta eficiência como padrão, geralmente de procedência nacional”, comentou Moldes. Além disso, a KSB oferece um sistema de monitoramento de bombas, com vários graus de complexidade. “O uso de sistemas de automação, controle e monitoramento está crescendo em alguns setores e é uma tendência para o futuro, já consolidada na Europa”, informou o presidente da KSB Bombas. A versão mais completa, o PumpMeter, controla todos os parâmetros operacionais do conjunto motobomba, como pressão, vazão, rotação, temperatura de mancal, potência consumida, permitindo identificar variações que exijam modificações de processo ou intervenções de manutenção. Em geral, esses sistemas se apresentam como pequenas caixas com sistemas eletrônicos que geram sinal que pode ser captado a distância.

A ITT desenvolveu um sistema de monitoramento aplicável a qualquer equipamento rotativo, mediante a colocação de um sensor de vibração no motor, que emite sinais sem fios (wireless) para um receptor que pode aceitar até cinquenta sensores em um raio de dois km de distância. Esse receptor deve ser conectado à internet para transferência de informações para o cliente e também para a ITT. “Sabendo os dados de vazão, vibração e temperatura do motor, podemos identificar se uma bomba está operando fora de sua curva padrão, indicando situações anormais de processo ou necessidade de manutenção”, comentou Johnny Sepúlveda.

Esse tipo de sistema, o ProSmart, é indicado para equipamentos de criticidade intermediária. As linhas críticas têm monitoramento dedicado em tempo real e as não-críticas podem dispensar essa alternativa. “Nosso sistema gera leituras a cada cinco segundos, 24 horas por dia”, afirmou. O histórico dos dados e sua comparação com equipamentos semelhantes permitem avaliar a situação real do equipamento monitorado.

Além disso, Sepúlveda apontou a necessidade de atender a novos requisitos de demanda. “Há alguns anos, ninguém reclama do ruído das bombas, hoje temos de respeitar o limite de 85 decibéis em muitos casos”, comentou. A segurança das vedações também foi incrementada, chegando a adotar sistemas de acoplamento magnético nos casos mais críticos. “Quando o líquido não pode vazar de jeito nenhum, as bombas magnéticas são uma boa solução”, avaliou.

Na visão da ITT, é preciso ir além do custo dos equipamentos para atender melhor os clientes. “Nós nos propomos a reduzir o custo total de propriedade dos nossos equipamentos”, afirmou Sepúlveda. Isso se faz mediante a entrega de equipamentos mais duráveis, com menor número de intervenções de manutenção, maior intervalo entre falhas e monitoramento do consumo de energia. “A aquisição representa apenas 10% do custo total de operação da bomba, cerca de 35% é referente à manutenção e o resto é consumo de energia durante a sua vida útil”, explicou.

Em comparação com uma bomba dos anos 80, quando a Goulds deixou o Brasil, Sepúlveda nota que houve ganhos de eficiência e de confiabilidade notáveis. “O interior dos fundidos ficou menos rugoso, reduzindo o atrito, as caixas de mancais foram aumentadas para resfriar melhor, além do uso de selos labirinto para lubrificar melhor os mancais”, considerou.

Química e Derivados, bomba de barril da KSB para petróleo chega a 400 bar, Bombas - Produção nacional investe para atender os clientes mais exigentes
Bomba de barril da KSB para petróleo chega a 400 bar

A evolução dos produtos da Netzsch se mantém constante. Em 2009, a companhia lançou linha completa de bombas que proporcionam economia de energia elétrica.“Em 2010, lançamos uma bomba para produção de petróleo de parede uniforme de borracha que está sendo bem recebida pela Petrobras e por petroleiras da Argentina, México e Venezuela”, comentou Sílvio Beneduzzi. A cada ano surgem modificações, geralmente atendendo a demandas dos clientes.

O desenvolvimento de novas bombas para o setor petroleiro impõe sofisticações de engenharia e de segurança. “Os sistemas de selagem, principalmente, são muito mais complexos do que eram há cinco anos”, avaliou Lessa, da Sulzer. Ele criticou o excesso de inspeções e requisitos de qualidade aplicados aos fabricantes nacionais de produtos para refinarias. “Somos inspecionados e testados em um nível de exigência maior do que os fornecedores estrangeiros”, afirmou. Ele pleiteia isonomia, principalmente por operar dentro de todas as normas mundiais de construção e qualidade e contar com referências em outros refinadores globais. “É preciso achar um ponto de equilíbrio, não para ir além das normas API, porque isso se reflete em custos, atrasos de entrega e prejuízos ao fluxo de caixa dos fabricantes”, explicou. A construção das plataformas geralmente requer o cumprimento das normas API, sem adicionais.

Além disso, as compras da área de exploração e produção da Petrobras revelam uma tendência clara pela padronização de equipamentos. Para Lessa, essa atitude é elogiável, por permitir a redução de inventário, simplificação de especificações, maior agilidade na produção e redução do índice de erros, com diminuição global de custos. “O caminho escolhido pela área de E&P é melhor que o das refinarias, e saliento que as bombas para plataformas são mais complexas, chegando a 7 MW de potência”, afirmou.

A Sulzer entrou no pré-sal, pelo campo de Tupi, para o qual tem bombas de injeção de água com potência entre 6 e 7 MW. “A Bacia de Campos consome equipamentos até 5 MW e o pré-sal começou com 7 MW e deve aumentar a potência requerida”, avaliou. Por conta das novas exigências, a Sulzer preparou seu banco de provas para chegar a 15 MW, avanço que exige uma nova subestação elétrica que estará pronta até março de 2011. “Não tem ninguém da América Latina que consiga testar bombas com essa potência superior”, explicou.

Lessa observa que a procura por equipamentos de acionamento magnético tem crescido, principalmente no manuseio de líquidos tóxicos e perigosos. “Uma planta industrial com duzentas a trezentas bombas terá no máximo cinquenta magnéticas”, ponderou. Ele recomenda usar essa alternativa em potências abaixo de 50 kW, preferindo usar sistemas de selagem avançada acima desse limite de trabalho.

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