Bombas: Melhora o desempenho das bombas nacionais

Equipamentos feitos no país conquistam novos mercados, adotam motores de alto rendimento e dispositivos de controle modernos, além de selagem mais eficiente

Química e Derivados: Bombas: bombas_abre.A demanda por bombas para processos industriais no Brasil cresceu desde o ano 2000, mas não explodiu. Os investimentos da Petrobrás, estimados em US$ 100 bilhões até 2010, somados à implantação da Rio Polímeros, além de polpudas inversões de capital em mineração, seriam suficientes para justificar aumento exponencial de vendas. No entanto, a desaceleração de parte de segmentos, como o de papel e celulose – pesados investidores há poucos anos – e do saneamento básico, seguraram as vendas. Um outro fator esfriou as pretensões dos fornecedores nacionais: a importação de bombas como parte de sistemas completos, ou em instalações do tipo turn key, embaladas por financiamentos internacionais atraentes e favorecidas por regime especial de internação, no caso da indústria petroleira.

“De 2000 para cá, tivemos anos bons de vendas, mas não excepcionais”, resumiu Gilberto Chiarelli, diretor comercial da KSB e ex-presidente da Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM) da Abimaq. “Para nós, 2003 é uma grande incógnita; há muitos projetos aguardando definições e, se confirmados, garantirão excelentes resultados.”

Química e Derivados: Bombas: Chiarelli - bombas nacionais são competitivas.
Chiarelli – bombas nacionais são competitivas.

O faturamento médio anual do setor evoluiu da casa dos R$ 500 milhões, em 2000, para algo entre R$ 600 milhões a R$ 700 milhões. Apesar disso, segundo Chiarelli, a ociosidade das fábricas nacionais do ramo ainda é elevada, beirando os 30%, considerando dois turnos de trabalho. A situação é mais ou menos constante entre as 43 associadas do CSBM, mais da metade do total estimado de 75 produtores de bombas instalados no Brasil.

Ele salientou que a entidade setorial não pede a volta da reserva de mercado havida no passado, considerada “um atraso que não reverte benefícios para toda a sociedade”. Mas o setor não concorda com o quadro atual de permitir a importação de bens de capital que gozam de financiamentos favorecidos no país de origem, isenção de tributos federais como o IPI e o imposto de importação, além de poderem recolher o ICMS em prazo muito dilatado. “Está havendo um protecionismo ao contrário no Brasil”, criticou. “Dessa forma, é mais vantajoso importar bombas, válvulas e outros equipamentos do que comprá-los no País.”

Na avaliação de Chiarelli, as bombas brasileiras são mundialmente competitivas, tanto técnica, quanto comercialmente. A própria KSB local já exporta perto de 12% de seu faturamento total, com meta de chegar a 20% nos próximos anos. E as bombas apresentam índices de nacionalização de 95%, inclusive nos fundidos, com unidade própria para isso em Americana-SP. “Faltam algumas peças, como rolamentos, resinas e ligas especiais, que precisam ser importadas”, explicou.

Química e Derivados: Bombas: Beneduzzi - rotor redesenhado abre nichos para a helicoidal.
Beneduzzi – rotor redesenhado abre nichos para a helicoidal

A competitividade do produto nacional também é atestada pela Netzsch do Brasil, para quem as exportações representam perto de 30% do faturamento total, expresso em reais.

“Temos preços muito bons, principalmente com o dólar caro em relação ao real, e bombas com qualidade igual à das produzidas na Alemanha”, confirmou Silvio Beneduzzi Filho, gerente-geral da unidade de negócios de bombas. “Já somos a maior filial da Netzsch fora da Alemanha.”

Especializada no tipo Nemo (bomba com rotor helicoidal e estator de borracha), a Netzsch colhe os frutos do longo trabalho realizado junto à Petrobrás para desenvolver equipamentos adequados à produção de petróleo, setor que responde por 25% a 30% das vendas da companhia no Brasil. “A Petrobrás é, hoje, o maior cliente individual da Netzsch em todo o mundo”, disse Beneduzzi. Ele explicou que a companhia alemã era pouco afeita à produção de petróleo. Foi a aproximação da filial brasileira com a estatal, a partir de 1978, que incentivou a desenvolver essa aplicação, tornando-se centro de competência mundial do grupo na atividade.

De modo a aproveitar melhor as sinergias entre as filiais e outras unidades de negócios, a companhia criou, em agosto de 2000, a Netzsch Oilfield Products, com sede na Alemanha, presidida pelo próprio Beneduzzi. “Vendemos bombas e acessórios, muitos dos quais fabricados no Brasil, para vários países, em uma faixa ampla de temperatura, desde os 45ºC em Omã, até os -45ºC na Rússia”, comentou.

O ano de 2002 ficará marcado pela expectativa criada em torno das eleições brasileiras e das flutuações cambiais. Segundo Beneduzzi, até maio as vendas ao mercado interno apresentaram boa evolução, seguidas de um período de estagnação. “Parece que os compradores ainda querem ver como vai ser o novo governo para deslanchar os projetos de investimento”, comentou. A estratégia da filial brasileira foi reforçar as exportações, favorecida pela desvalorização do real. “Isso foi uma vantagem relativa, pois alguns dos componentes, como os rolamentos, são importados e outros, como o aço inoxidável, têm preços dolarizados, embora sejam fabricados no Brasil”, explicou.

Dessa forma, os resultados da Netzsch precisam ser avaliados de duas formas diferentes. “Do ponto de vista local, o resultado é bom, pois ampliamos o faturamento em reais”, disse. “Mas, para a matriz, que recebe os números em dólares ou euros, o resultado ficou abaixo do esperado, embora o volume produzido seja considerável.”

Nem mesmo as contratações de plataformas por meio de concorrência internacional tiram o humor de Beneduzzi. O custo das importações e a necessidade de o fornecedor manter estrutura qualificada de serviços e de peças de reposição no local, além da competitividade nacional, garantem vitória nas propostas, mesmo quando as plataformas são montadas em outros países. “Temos sete filiais no Brasil, todas com profissionais treinados e estoque de peças”, explicou o gerente-geral.

Química e Derivados: Bombas: Bomba API com acessórios vai para refinaria.
Bomba API com acessórios vai para refinaria.

A título de comparação, o Hydraulic Institute (EUA) divulgou previsões de fabricantes de bombas, indicando que a demanda mundial por bombas para fluidos deverá crescer 5,8% ao ano até 2006, quando alcançará faturamento total superior a US$ 35 bilhões. No entanto, o mercado norte-americano inicia período de desaquecimento, crescendo apenas 4,1% até 2005, ano no qual serão vendidos US$ 7,5 bilhões desses equipamentos.

Nova diretoria – Corrado Vallo, membro do conselho de administração da Omel Bombas e Compressores, assumiu em 6 de novembro a presidência do CSBM da Abimaq elogiando seus antecessores – Chiarelli, da KSB, e João Burin, da Mark Peerless –, com promessa de manter a linha de trabalho por eles iniciada. Durante o mandato de dois anos, Corrado pretende apoiar iniciativas de desenvolvimento de tecnologia nacional capitaneadas pela associação, com destaque para o recém-criado Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Máquinas (IBPDMaq), formado com apoio da Sociedade Brasileira Pró Inovação Tecnológica (Protec).

O novo instituto gerenciará verbas obtidas do Fundo Verde-Amarelo, criado pela Medida Provisória 66, e de fundos setoriais, aplicando-as no financiamento do desenvolvimento tecnológico de produtos, envolvendo fabricantes de equipamentos e seus clientes. “Estamos pleiteando algum incentivo financeiro oficial para o instituto, que, mais tarde, poderá viver com a cobrança de royalties referentes aos trabalhos criados”, afirmou. Na sua opinião, as pequenas e médias indústrias nacionais precisam de apoio para desenvolver diferenciais tecnológicos que as mantenham competitivas em relação aos concorrentes internacionais. “Hoje, o grosso das verbas de pesquisa do País é canalizado para as universidades, que preferem a chamada ‘pesquisa pura’, desvinculada das necessidades das empresas”, criticou. A formação de institutos a partir das associações setoriais seguiu o modelo coreano.

Quanto aos negócios, Corrado não alimenta boas expectativas. “Já prevíamos que 2003 seria um ano difícil, tanto para Lula quanto para Serra, dada a necessidade de promover ajustes econômicos, além do período de adaptação do novo governo”, comentou. Os resultados de 2001 foram razoáveis, enquanto 2002 começou bem, mas teve as vendas quase paralisadas com o início da campanha eleitoral.

Química e Derivados: Bombas: Marzio (e.), Giovanni e Corrado - empresa renovada.
Marzio (e.), Giovanni e Corrado – empresa renovada

O grande filão do mercado é a demanda da Petrobrás, seja direta ou indireta, por meios das empresas de EPC (engineering, procurement and construction).

“O problema é que a Petrobrás exige mais dos fabricantes locais do que dos estrangeiros, fora a diferença no tratamento tributário”, criticou. Segundo o líder setorial, algumas normas internas da companhia, como a N553, são ainda mais rigorosas do que a norma API 610, 8a. Edição, e até da 9a. Edição, que entrará em vigor em 2003. “E ela ainda exige que o fornecedor seja certificado com ISO e se submeta às inspeções, que não são feitas quando se trata de fornecedor estrangeiro”, comentou.

Pior, para ele, são os grandes projetos, como o da Rio Polímeros, que conseguem financiamento do tipo supply credit no exterior e, por isso, importam grande parte dos equipamentos. Projetos de envergadura já são raros no setor químico e petroquímico nacional, para desgosto dos fabricantes de bombas.

“Com a retração dos negócios, a guerra de preços se torna inevitável, embora não traga benefícios para ninguém”, afirmou Marzio Vallo, também conselheiro da Omel. No passado, os fabricantes de bombas conseguiam alguns ganhos na reposição de peças e manutenção de equipamentos, mercados hoje dominados por empresas “piratas”. “A indústria nacional precisa aprender a conviver com os ‘piratas’; nos Estados Unidos os grandes fabricantes até compram essas empresas para disputar uma faixa de clientes de baixa qualidade, sem comprometer as marcas principais”, comentou.

O mercado químico, que sempre primou pela qualidade de seus equipamentos, construídos sob severas normas Ansi e DIN, mudou de perfil. “As grandes companhias ainda exigem normas construtivas e de qualidade, mas a maioria hoje só quer saber de preços”, lamentou Marzio, alertando que essa atitude pode ter conseqüência na segurança dos operadores e no custo elevado das paradas não previstas. Conforme explicou, os usuários norte-americanos atualmente dão mais atenção para o tempo médio entre manutenções (MTBS) do que o tempo médio entre falhas (MTBF).

Outra conseqüência da mentalidade orientada pelo preço pode ser observada na queda da demanda por equipamentos produzidos com ligas especiais. “Acaba sendo mais fácil importar a bomba desses materiais do que esperar a importação da liga para fundir as peças aqui no Brasil”, disse Corrado. “A diferença de preço incentiva o usuário a comprar duas ou três bombas de aço, de menor vida útil nessas aplicações, do que usar uma só, feita de ligas especiais.”

Concentrar ou especializar – Durante os últimos dez anos, o panorama mundial de negócios foi dramaticamente alterado, favorecendo a modelagem de grandes conglomerados industriais, de preferência com atuação global. Esse movimento, puxado pelo mercado de ações, se espalhou por todos os ramos empresariais, com destaque para a indústria química e também para os fabricantes de equipamentos. A indústria brasileira de bombas industriais acompanhou à distância esse processo, que chegou ao mercado local por meio de subsidiárias de empresas internacionais, como a Flowserve e a Weir.

Química e Derivados: Bombas: Demanda atual exige transmissores de pressão nas dosadoras.
Demanda atual exige transmissores de pressão nas dosadoras.

“O grupo Flowserve optou, em âmbito mundial, por fornecer aos clientes soluções em equipamentos por meio de sistemas completos”, explicou Jorcelino Diniz, diretor da divisão de bombas da empresa no Brasil. Segundo ele, a Flowserve já havia promovido a integração de marcas tradicionais como a Ingersoll Rand, Worthington, Pacific e Byron-Jackson com outros 16 nomes de peso em diferentes campos de atuação. Além disso, o processo de consolidação incluiu o fabricante de selos mecânicos Durametallic, e as produtoras de válvulas Valtek, Worcester e Invensys. “Ficamos muito fortes na área de processos industriais”, afirmou.

A Flowserve mantém produção nacional de bombas, no Rio de Janeiro, na unidade antes operada pela Dresser/Worthington, além da produção de válvulas e selos mecânicos, agora instaladas juntas no prédio antes ocupado pela Worcester, em São Caetano do Sul-SP. “A variação cambial não nos afetou muito pelo fato de as nossas importações e exportações serem feitas dentro da estrutura do grupo, como pacotes”, explicou. “Desse modo, uma operação compensa a outra.”

O criticado caso do fornecimento para a Rio Polímeros, concorrência vencida pela Flowserve, foi explicado por Diniz. “A importação das bombas não será total, pois faremos um terço do pedido, em valor, aqui no Brasil”, disse. Segundo ele, o projeto dispunha de incentivos e financiamentos na Itália, Estados Unidos e Brasil. Para aproveitá-los, era preciso contar com unidades produtoras nos três países, característica que facilitou a vitória da proposta da companhia. Cada uma das unidades responderá por partes equivalentes do pedido, com entrega dos equipamentos marcada para maio de 2003.

Essa vitória, somada às encomendas da Petrobrás, garantiu o bom resultado da Flowserve brasileira, com crescimento de vendas da ordem de 25% a 30% sobre 2001, compensando a retração da indústria em geral e a diminuição dos investimentos em saneamento básico.

Apesar disso, Diniz informa que a venda de pacotes completos de sistemas de transporte de fluidos, incluindo bombas, válvulas e selos mecânicos, ainda não se estabeleceu. “A tendência mundial parece caminhar para o fornecimento de pacotes, mas, por enquanto, as empresas de EPC ainda cotam os produtos um a um”, comentou. A venda integrada é justificada pela redução dos custos de cotação, pela responsabilidade concentrada em um só fornecedor e pela maior facilidade de obter serviços de manutenção e peças. “O cliente também exige obter alguma vantagem no preço”, considerou.

Diniz acrescenta que a união com o fornecedor de selos mecânicos não significa exclusividade de fornecimento. “Os selos são vendidos à parte, dependem das necessidades e das preferências dos compradores das bombas”, informou. “Cotamos os selos em todos os fornecedores, em regime normal de competição, sem favorecimento para nossa divisão.”

“A concentração de empresas é uma onda que já passou”, disse Gilberto Chiarelli, da KSB. Para ele, não se pode considerar que houve uma tendência clara e generalizada rumo à integração de fabricantes de bombas e outros equipamentos. “Algumas empresas tomaram esse rumo, outras preferiram se especializar por segmentos de mercado.” Líder no mercado nacional de bombas, com faturamento de R$ 87 milhões em 2001, que deve subir até R$ 97 milhões neste ano, a KSB sempre se pautou pela diversificação da linha de bombas e também fornece alguns tipos de válvulas, mas as vende de forma independente. Como exemplo de atuação, ele indica a recente nacionalização de bombas para lamas (slurry) de minérios, desenvolvidas pela G&W, adquirida pela KSB, adotada para disputar encomendas de grande porte no País.

Para Chiarelli, os fabricantes de bombas podem ampliar um pouco o leque de produtos, mas não devem se tornar integradores de sistemas, com raras exceções. “Já existem empresas de EPC atuantes, como a Setal, Promon e Confab; nós devemos trabalhar junto com eles, não entrar em conflito”, defendeu. Na atual situação de mercado, os grandes negócios são feitos por meio dos “epecistas”.

O novo presidente da CSBM considera que os grandes fabricantes mundiais de bombas ainda estão retocando o conceito de integração na área de transferência de fluidos. “O movimento de concentração está refluindo nas principias bolsas de valores do mundo”, disse Corrado. Para a Omel, o trabalho de cobrir segmentos de mercado que não podem ser atendidos com a produção própria é realizado por meio da subsidiária Vallair, que importa bombas de deslocamento positivo, como a peristáltica seca (dispensa o banho de glicerina) importada da Itália, indicada para bombeamento suave de produtos químicos, tintas, efluentes e alimentos, capaz de atingir vazões até 80 m³/h.

“Essa bomba consegue movimentar uvas inteiras sem estragá-las, e também tem aplicações em vacinas, enzimas e massas alimentícias”, explicou. A linha inclui dosadoras eletrônicas italianas da Seko, e há um ano assumiu as válvulas de diafragma da própria Omel. Como se trata de itens importados, a flutação cambial deste ano prejudicou os negócios da subsidiária. “O melhor mesmo é transferir etapas intermediárias de produção para outras empresas”, disse o presidente do conselho de administração da Omel, Giovanni Vallo, pai de Corrado e Marzio. Projetista mecânico formado na Itália, integrou a marinha italiana durante a 2a. Guerra Mundial, ao final da qual emigrou para o Brasil. “Comecei em 1950, fabricando um brinquedo, um tipo de pebolim, além de cofrinhos para crianças, feitos com chapas tiradas de latas usadas de óleo de cozinha”, recordou-se.

Ainda na década de 50, passou a fabricar válvulas de mangote e bombas de vácuo, a partir de modelos muito antigos, requisitados por indústrias do porte da Eletrocloro e Matarazzo. Em seguida, recebeu encomendas para fabricar máquinas para a Pirelli, cujos fornecedores originais estavam impossibilitados de produzir, destruídos pela guerra. “Essas encomendas mantiveram o negócio por mais de dez anos”, disse. Na época, instalado na Moóca, contava com dois tornos, uma plaina e uma furadeira, encomendando serviços complementares para mais de 16 fornecedores, antecipando o que hoje se chama de terceirização.

Percebendo a carência de equipamentos industriais no País, Giovanni visitou várias vezes as repartições públicas que cuidavam de comércio exterior, descobrindo um mercado promissor, atendido por importações: as bombas químicas. Já em 1963, foi buscar tecnologia mais moderna de bombas de vácuo na Itália, trazendo uma licença para fabricação local desses produtos. Em seguida foi a vez de investir na linha química de bombeamento. A forte demanda de equipamentos para construção do parque nacional de refino de petróleo e da indústria petroquímica, na década de 70, levou à especialização no ramo e permitiu construir a fábrica atual, em Guarulhos-SP, com capital próprio.

Acompanhou a divergência entre os filhos, que levou à separação de negócios na década de 90, ao final da qual voltaram a se compor. “Superamos essa fase de conflitos que existiu no passado”, salientou Marzio. Unidos enfrentaram as bruscas transformações de mercado, com acirramento da concorrência internacional. “Tivemos anos difíceis de 1996 até 2001, quando reformulamos a companhia”, explicou Corrado. Ele atribui os méritos da recuperação da empresa a Márcio Custódio, também membro do conselho de administração. Oriundo da área financeira, ele promoveu mudanças internas e instituiu um planejamento tributário eficiente. “Éramos muito focados na produção, mas nosso ponto fraco era outro”, comentou Corrado, esperançoso no bom desempenho de seus compressores, bombas e válvulas.

Quem melhor resume a situação atual do setor de equipamentos é o fundador da empresa. “Produzir não é o problema, hoje o importante no Brasil é ser muito bom em vendas”, comentou Giovanni Vallo, do alto dos seus 85 anos, mais de 50 dedicados à empresa na qual comparece todos os dias.

Diversificação controlada – Embora tenha se dedicado às bombas helicoidais do tipo Nemo, a Netzsch apresenta portfólio variado, incluindo bombas de fusos, muito usadas na indústria naval, atividade em franco recuperação no País. A fábrica de Pomerode-SC produz bombas de fusos totalmente nacionalizadas até 16 bar e 300 m³/h. Tamanhos maiores exigem a importação dos fusos, incorporando aqui o acionamento e a estrutura da bomba, segundo Beneduzzi. Os modelos de fusos também servem para lubrificar as turbinas de geração hidrelétrica. Outras linhas incluem dosadoras helicoidais feitas de plástico, de modo a evitar corrosão, indicadas para a área de saneamento básico, além de dosadoras de pistão e membrana, com motores e redutores feitos no Brasil e cabeçotes alemães. A indústria de tintas consome bombas pneumáticas com duplo diafragama, importadas dos Estados Unidos. Completam a linha, as bombas de aplicação sanitária para a indústria de alimentos, com rotores centrífugos ou de lóbulos. Essas bombas usam elementos internos fornecidos pela APV (grupo Invensys), mediante acordo internacional. Outras divisões da Netzsch fornecem instrumentos de análises e testes, válvulas e filtros, atuando de forma autônoma, para respeitar as particularidades de cada produto, da forma como são vistas pelos clientes.

“Um conceito que desenvolvemos aqui no Brasil e depois repassamos para a matriz foi o de fornecer alguns sistemas completos”, comentou Beneduzzi. “Notamos que ficávamos vulneráveis quando o cliente desejava uma solução completa de sistema, como no caso dos sistemas de lubrificação de turbinas hidrelétricas.” Contando com engenharia qualificada, a empresa projeta e constrói os sistemas adequados aos parâmetros informados pelo comprador, integrando produtos das divisões internas e de fornecedores igualmente qualificados. “São projetos de maturação mais lenta”, admite.

Tecnologia evolui – Os conceitos hidráulicos envolvidos no bombeamento de fluidos não mudaram, mas os equipamentos sofrem, a cada ano, modificações para aumentar eficiência de operação, vida útil e segurança. A principal mudança nos novos produtos é evidenciada pela faixa de rotação cada vez mais elevada. “Nos Estados Unidos já é comum encontrar bombas operando a mais de 5 mil rpm, enquanto no Brasil se fala em 3,5 mil rpm”, observou Chiarelli.

A velocidade elevada permite alcançar maior eficiência, porém exige construir equipamentos com tolerâncias mais restritivas. Desbalanceamentos mínimos, antes imperceptíveis, agora se tornam relevantes, motivando a investir na qualificação contínua da produção. “As exigências sobre materiais construtivos também ficaram mais severas, justificando o uso de materiais como os cerâmicos”, explicou Chiarelli, salientando que a demanda dessa linha ainda é pouco expressiva no Brasil.

Como resultado, os novos conjuntos moto-bombas ocupam menos espaço nas linhas produtivas, embora desempenhem e até superem o serviço das antecessoras. Para tanto, os projetos devem prever detalhes construtivos para dissipação de calor, por exemplo. “As filiais das multinacionais aqui instaladas teriam condições de produzir essas bombas no Brasil, bastando receber alguns investimentos”, disse o diretor da KSB.

Além da busca da maior eficiência, as bombas evoluem por pressão das normas construtivas (API, Ansi, DIN) que exigem modificações freqüentes. “A 6a. e 7a. edições da API 610, por exemplo, aceitavam limites mais amplos para velocidade específica de sucção, cargas nos mancais hidrodinâmicos e nos bocais”, explicou Chiarelli. “Já a 8a. edição foi muito mais conservadora, levando à confecção de bombas mais robustas, seguras e duráveis em relação às anteriores.” A KSB está certificada na norma ISO 9001, preparando-se para a auditoria da nova versão (ISO 9001:2000) e atua dentro dos padrões da ISO 14000, embora não tenha buscado a certificação nesta. “Seguimos a política ambiental do grupo, que é muito severa”, disse.

Além das pressões das normas, Chiarelli menciona uma importante mudança na demanda, provocada pela crise de energia elétrica do ano passado, que redundou no aumento do custo do insumo. “É crescente a procura e a aceitação de propostas incluindo motores elétricos de alto rendimento, que permitem economia capaz de justificar o preço um pouco mais alto do conjunto”, explicou. Ele elogiou os esforços da catarinense Weg, líder inconteste no fornecimento nacional de motores de baixa tensão, com importante posição na média tensão, que desenvolveu produtos compatíveis com o conceito, sendo, inclusive aceitos no mercado norte-americano. A partir de 2003, informou o diretor, o Inmetro exigirá requisitos mais firmes de eficiência desse tipo de motor, o que, certamente, incentivará ainda mais a migração.

Corrado Vallo, da Omel, confirma a melhor aceitação dos clientes pelas propostas dos motores de alto rendimento, embora mais caros que os convencionais. Ele salienta os esforços em acompanhar as evoluções das normas construtivas e também um desenvolvimento da própria empresa em um sistema de bombeamento com triplo diafragma, protegido por patente. “O diafragma central funciona como separador dos outros dois, flexíveis”, explicou. O vácuo é gerado entre os diafragamas, acionando-os. Dessa forma, se um dos elementos se rompe, a bomba não pára de funcionar, mas um sensor acusa o rompimento, permitindo fazer a manutenção com segurança, sem vazamentos, nem paradas bruscas.

A adoção de motores de alto rendimento completou um trabalho de avanço tecnológico iniciado pela Netzsch em 1999. “A geometria do rotor foi profundamente alterada, permitindo alcançar ganhos de vazão de até três vezes”, comentou Beneduzzi. Basicamente, o desenho do rotor helicoidal teve inicialmente o passo alongado (distância entre cristas), duplicando a vazão, embora reduzisse de 12 bar para 6 bar a pressão diferencial (entrada/saída).

Em seguida, a empresa remodelou o rotor, usinando-o no formato de duplo helicóide. Isso permitiu ganho de vazão de 50% para a mesma pressão de 12 bar, quando mantido o passo dos helicóides igual ao do convencional. Ao se conciliar o passo alongado com o novo desenho é que se obteve o ganho de 200% de vazão, embora com pressão diferencial de 6 bar. A nova geometria dos rotores implicou modificar o perfil dos estatores, que adotaram a forma triangular de seção transversal. A oferta de todas essas alternativas permite ampliar o leque de segmentos atendidos pelas bombas Nemo.

O uso de motores de alto rendimento “casa bem” com as bombas da Netzsch, segundo Beneduzzi. “O único cuidado é apresentar para o cliente, ao mesmo tempo, as cotações com o motor convencional e com o econômico, para não perder negócios em ambiente tão concorrido”, aconselhou. Embora recomende conjuntos moto-bomba que consumam menos energia, ele verificou que alguns compradores permanecem mais sensíveis ao preço de aquisição, mentalidade que pode mudar com o oferecimento de incentivos fiscais para redução de consumo elétrico, já disponíveis em alguns Estados.

Controles modernos – Até há alguns anos, conjuntos de bombeamento industrial eram considerados sistemas tipicamente mecânicos, com operação em regime constante. “O uso disseminado de softstarters e de inversores de freqüência mudou a engenharia do sistema e também o trabalho de campo, exigindo profissionais que também entendam de eletrônica”, explicou Chiarelli.

Os inversores de freqüência adequam o ponto de trabalho com os requisitos do sistema, fazendo com que o conjunto de bombeamento opere na faixa de maior eficiência. Além de serem solicitados junto com os equipamentos novos, esses dispositivos também são requisitados nos retrofittings.

Segundo Chiarelli, também estão disponíveis ao mercado sistemas de monitorização para bombas, de modo a controlar vibração, temperatura e deslocamento do conjunto, de modo a prevenir desgastes prematuros e acidentes. “Colocamos sensores, transdutores e transmissores nos equipamentos e deixamos uma saída de sinal para ser acoplada ao sistema supervisório do cliente”, afirmou.

Corrado salientou que a adoção de sistemas de automatização são mais freqüentes nas dosadoras, de modo a acompanhar alterações de processo e também informar ocorrências como rupturas de diafragma. “As bombas API também contam com sensores de desgaste de rolamentos, de vibrações e de temperatura, oferecendo maior segurança para os usuários”, comentou. Na área de comandos, ele confirma a evolução da demanda por inversores de freqüencia interligados a sistemas supervisórios em todos os equipamentos industriais.

O comando das bombas Nemo foi muito alterado nos últimos seis anos, segundo Beneduzzi. “O uso de inversores junto com o CLP do equipamento permitem aumento de eficiência dos conjuntos, e também o ajuste individual e a operação integrada de todas as bombas de processo”, comentou. O CLP da bomba é oferecido aos compradores como opcional, sendo bem aceito até mesmo porque seu custo é considerado baixo. Com o objetivo de proteger o equipamento, a Netzsch pode colocar sensor de temperatura no estator, impedindo danos ao equipamento caso venha a operar a seco (vazio). “Isso nos permitiu ingressar em alguns mercados, nos quais esse risco era impeditivo”, explicou.

Segurança ambiental faz evoluir sistema de selagem

A pressão crescente para a pro­teção ambiental, além de ofe­recer garantias para a segurança dos trabalhadores, impulsionou o mercado de vedações em bombas. Os requisitos atuais podem ser atendidos pelas bombas herméticas, pelas de acionamento magnético ou pela apli­cação dos modernos selos mecâ­nicos. As antigas gaxetas ainda en­contram aplica­ções em sistemas de bombeamento de baixa pressão com líquidos não perigo­sos, como água, mas, ainda nesses casos, há argumentos para a substituição, seja pela redução de vazamentos, seja pelo custo de ma­nutenção.

Química e Derivados: Bombas: Minutti - selo seco não se desgasta, mas ainda é pouco conhecido.
Minutti – selo seco não se desgasta, mas ainda é pouco conhecido.

“As gaxetas já podem ser con­sideradas um produto em fase terminal, que não evoluiu mais desde o lança­mento dos tipos trançados e impreg­nados”, comentou Norberto Schö­nenberger, gerente-geral da Burgmann do Brasil. O estado-da-arte em selagem de bombas e compressores é o selo a gás, também chamado selo seco. Nesse caso, as faces de contato são cortadas a laser, formando sulcos espiralados com milésimos de milímetro de profun­didade.

Quando em movimento, esses sulcos capturam e impelem o gás de barreira (geralmente, pequena quanti­dade de nitrogênio, mas pode ser o vapor do próprio líquido de bombeamento, dependendo de suas caraterísticas) de modo a formar um colchão de ar entre as faces do selo, impedindo qualquer tipo de vazamento. Além disso, como não há contato entre as faces, não há desgaste, implicando baixo custo de manutenção, maior durabilidade e confiabilidade.

“Os selos a gás podem ser usados em bombas até 25 kgf/cm² e, nos com­pressores, até 300 kgf/cm², sem grandes restrições de temperatura”, explicou Cesar A. Minutti, gerente-técnico da empresa. A configuração da selagem depende de aplicação, podendo servir em selo simples ou nos duplos, preferen­cialmente opostos (back to back).

Compressores aceitam montagens em tandem (consecutivos). Em alguns casos, um selo seco é montado depois de um selo convencional, a título de dispositivo de segurança. “Ainda é um produto novo, desenvolvido há menos de dez anos, nem sempre conhecido pelos clientes”, comentou Minutti. Muita vezes o selo a gás assusta potenciais compradores pelo seu custo inicial, principalmente quando compa­rado aos selos simples convencionais. “Em relação aos selos duplos, que exigem circuito externo para o líquido de barreira e um grande número de acessórios, o selo seco até apresenta alguma vantagem de custo inicial”, afirmou Schönenberger.

Química e Derivados: Bombas: Schönenberger - manutenção dos selos ganhou estrutura própria.
Schönenberger – manutenção dos selos ganhou estrutura própria.

Ele ressaltou que toda a linha de selos evoluiu muito nos últimos cinco anos, passando a suportar condições de pressão e temperatura antes limitantes. “As exigências atuais são mais rigorosas, exigindo materiais de face e de vedação mais sofisticados”, disse o gerente-geral. Atualmente as faces dos selos são de carbeto de silício, atendendo à norma API-682, compatível com todos os líquidos e gases. Os o’rings de elastô­meros, antes um ponto fraco dos selos, passaram a ser confeccionados de Kalrez (perfluoreslastômero registrado pela Du Pont), ganhando resistência às condições críticas dos processos. Esses materiais são importados, enquanto o restante das partes é confeccionado e montado no Brasil, característica importante em épocas de forte oscilação cambial, além de permitir a adaptação aos desenhos das bombas feitas no País. No caso dos selos a gás a situação é diferente: eles são totalmente importados.

A John Crane, divisão de selagens e acoplamentos do grupo inglês Smiths, reforçou o portfólio de produtos a partir da aquisição da Flexibox, Safematic e Sealol, empresas que exerciam liderança de mercado em alguns nichos, como o setor de papel e celulose, por meio de tecnologias específicas. Presente no Brasil há 40 anos, a empresa já nacio­nalizou boa parte da linha de selos mecânicos, à exceção dos selos a gás, cujo volume de vendas ainda não justifica esse investimento.

“Mas já montamos dentro da fábrica de Rio Claro-SP um centro de serviços para selos a gás, o único da América do Sul capaz de realizar todas as etapas de manutenção desses produtos”, informou Eliane Costa, gerente de marketing da John Crane Brasil. A localização dessa unidade de excelência em selos mecânicos é justificada pela forte demanda da Petrobrás, em especial para equipar seus compressores. “Essa aplicação é mais crítica que a das bombas”, explicou. O rol de clientes inclui as centrais petroquímicas brasileiras, indústrias de celulose e papel, além de usinas de açúcar e álcool.

Ela estima que o mercado de selos mecânicos no Brasil cresça aproxima­damente 10% ao ano, embora admita que seja muito difícil determinar esse número com precisão. “Muitos selos integram equipamentos importados dentro de pacotes do tipo turn key”, afirmou. “Às vezes só os descobrimos quando o cliente nos procura, anos depois, para manutenção.” Mesmo assim, Eliane verifica o aumento da demanda pelas vedações avançadas, em detrimento das gaxetas, até em setores antes resistentes à mudança, como papel e celulose. “Esse segmento se inspira nos países nórdicos, como a Finlândia, onde temos selos da Safematic operando há oito anos sem precisar de manutenção”, disse.

Química e Derivados: Bombas: Eliane - até clientes conservadores preferem selos.
Eliane – até clientes conservadores preferem selos.

O maior mercado está ligado ao fornecimento para fabricantes de equipa­mentos novos (OEM), que supera o de manutenção e retrofitting. “Os selos estão sendo padronizados por força de normas construtivas, e estão ficando muito parecidos”, comentou Eliana. Por contar com grande base instalada, o volume de serviços de manutenção e atualização é elevado.

Em geral, os problemas com selos mecânicos decorrem ou de erros de projeto, induzidos por informação deficiente prestada pelo cliente, ou de operação incorreta do equipamento. “Como a rotatividade de pessoal das empresas é grande, estamos treinando operadores para alguns clientes, de modo a prevenir erros que reduzam a vida útil dos selos”, explicou a gerente de marketing. Conforme informou, o alinhamento do eixo da bomba e do selo precisa ser perfeito para não provocar desgaste da vedação. Problemas opera­cionais geram vibrações, que afetam os selos. “Oferecemos um serviço de análise de vibração e alinhamento para os clientes, e aproveitamos para monito­rar o desempenho do selo”, concluiu Eliane. Esse serviço ainda é incipiente, e concorre com o trabalho de empresas de manutenção ou de fabricantes de rolamentos.

Atenta às necessidades dos clientes, a Burgmann lançou em 2000, na Ale­manha, o módulo de diagnóstico de sistema, capaz de detectar falhas na selagem antes de elas realmente acon­tecerem. “O módulo mede a temperatura na face do selo e a pressão do produto bombeado, registrando os dados e comparando-os ao longo do tempo”, explicou Schönenberger.

“Ao detectar alguma anormalidade, o módulo envia um sinal para o sistema supervisório da planta e a luz indicadora ao lado do selo, geralmente verde, passa para amarela ou vermelha, conforme o caso.” Dessa forma, a equipe de manutenção pode programar-se para reparar o problema. Segundo o gerente-geral, esse produto não é à prova de explosão, impedindo sua colocação em áreas classificadas. Isso limita o interesse, por exemplo, da Petrobrás. “Mas há vários usuários com aplicações críticas que estão interes­sados.” Segundo ele, transmissores eletrônicos de nível e pressão estão sendo acoplados aos circuitos de fluido de barreira dos selos duplos, com interligação aos sistemas de controle e automação dos clientes.

Quanto aos serviços de manutenção, a Burgmann só os realiza para seus próprios selos, nacionais ou importados. “Não é possível avaliar o trabalho de terceiros, quando não temos os parâ­metros originais de dimensionamento para fazer uma análise adequada da falha e daquilo que a provocou”, justificou Schönenberger. Quando é preciso atender um cliente nessas condições, é preferível sugerir a troca por um selo da companhia.

A manutenção da base instalada é uma atividade importante para a filial brasileira, tanto para a satisfação dos clientes, quanto pelo aspecto econômico. “Valorizamos tanto a manutenção que criamos uma área semi-independente da companhia para cuidar disso”, co­mentou. Essa divisão é dotada de maquinário e estoque de peças próprio, além de pessoal especializado. O gerente-geral explicou que a atividade de manutenção merece tratamento especial, pois a seqüência de operações e os prazos são muito diferentes dos da fábrica. “O técnico de manutenção também é diferenciado, pois precisa ser polivalente e mais flexível”, afirmou.

O cuidado com esse serviço evita dissabores futuros. “A manutenção é sempre a porta de entrada dos fornecedores piratas”, alertou. Há quase quatro anos, a Burgmann percebeu que estava perdendo vendas de peças e reparos para os fornecedores informais, fato que a motivou a reestruturar a atividade. “Recuperamos a fatia que estávamos perdendo e até crescemos nesse negócio”, aduziu.

Atualmente, de 60% a 70% das vendas de selos no­vos toma o rumo da produção de petróleo e derivados, seguido pelas vendas de reposição de se­los antigos na in­dústria química e pela moder­ni­zação das fábricas de alimentos. E os nú­meros crescem a cada ano. A Burgamnn está sediada no bairro de Barão Geraldo, em Campinas-SP, e man­tém fi­lial de vendas e servi­ços em Lauro de Freitas-BA, mon­tada para atender à refinaria da Mataripe e ao Pólo Petroquímico de Cama­çari. Há outra filial com unidade de serviços em Jaboticabal-SP, voltada para usinas sucroalcoleiras, além de escritó­rios de vendas em Porto Alegre, Forta­leza, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife. “Até o final do ano, abriremos mais uma unidade de ser­viços”, revelou o gerente-geral.

Também direcionadas à proteção ambiental, as bombas de acionamento magnético constituem uma alternativa, em especial nos produtos mais peri­gosos. Os fabricantes de bombas com­pram os acionamentos de fabricantes espe­cia­lizados, geralmente produtos importados,  para depois instalá-los nos equipamentos, desenhados para isso. “O problema é que esses acionamentos custam muito caro”, disse Chiarelli, da KSB.

As bombas herméticas, alternativa considerada a mais segura contra vazamentos de produtos agressivos, padecem do mesmo problema, sendo recomendadas apenas em situações extremas. “A norma ISO 14000 já exige as herméticas em algumas situações, pois é a alternativa mais segura”, comentou Corrado Vallo, da Omel, representante da Hermetik alemã. A Omel chegou a produzir, no passado, alguns desses equipamentos, mas optou por importá-los. Quanto ao mercado, ele considera que as magnéticas já tenham um nível de vendas razoável, principalmente por não serem tão caras quanto as her­méticas. “É preciso considerar que os selos mecânicos também me­lhoraram muito e ficaram mais seguros”, afirmou.

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