Bombas – Fabricantes mantém o ritmo de inovações

Demanda local segue firme e estimula inovações

Uma combinação de fatores deu bons resultados aos fabricantes de bombas industriais instalados no Brasil em 2020. Apesar dos efeitos trágicos da pandemia do coronavírus, a demanda se manteve e a concorrência com similares importados diminuiu. Sucessivos lockdowns e falhas logísticas globais dificultaram as importações. Além disso, a forte desvalorização do real deu um fôlego adicional para os produtores locais.

“Fechamos 2020 com faturamento recorde em moeda local”, comemorou Biaggio Pugliese, diretor comercial da KSB Bombas Hidráulicas. Ele informou ter sido um ano atípico, com uma parada de negócios em março e abril, quando a doença começou no Brasil.

“Tínhamos uma carteira de pedidos saudável, fomos tocando os projetos até que os clientes se organizassem e voltassem a demandar produtos”, explicou. Isso aconteceu depois de maio e num ritmo forte.

Pugliese salienta que, por ser um dos centros de competência global da companhia para o setor de óleo e gás (o outro fica na Índia), a unidade brasileira registrou um alto volume de vendas para subsidiárias de outros países (intercompany), além de exportações para clientes diretos.

“As vendas em dólares, com a taxa de câmbio favorável, foram muito boas, fazemos 99% das bombas aqui mesmo”, comentou. Apesar disso, houve compressão da margem de lucro, pois o preço do aço subiu muito em todo o mundo, bem como o de outros insumos.

A Netzsch do Brasil registrou em 2020 faturamento 10% superior ao do ano anterior, em moeda local, com volume de pedidos em alta, chegando a ocupar entre 80% e 85% a sua capacidade produtiva, instalada em Pomerode-SC.

“Historicamente, mantemos a média de 40% das vendas para o exterior, tanto para outras unidades do grupo, quanto para terceiros, isso gera bons resultados”, avaliou o diretor geral Osvaldo Ferreira.

 



Antes da pandemia, a Netzsch iniciou 2020 com previsão de crescimento de negócios, tanto que pretendia instalar uma linha de montagem de bombas de fusos para óleos, voltada para exportação, mediante investimento de R$ 15 milhões.

Química e Derivados - Bombas: Fabricantes mantém ritmo de inovações para suprir mercado local aquecido ©QD Foto: Divulgação Netzsch
Ferreira: linha Notos chega para completar o portfólio

“Quando apareceu a Covid-19, esse projeto foi suspenso, e nos concentramos em melhorar nossa eficiência operacional interna; retomaremos mais tarde esse projeto”, ressaltou Ferreira.

Passado o período mais crítico de março e abril, os clientes voltaram a comprar.

“Os segmentos de energia, biogás, celulose e papel tiveram desempenho muito bom, mas outros enfrentaram dificuldades”, comentou o diretor geral.

Na sua avaliação, o dólar caro barrou a entrada de concorrentes, mas houve problemas com a elevação dos preços de materiais como aço, cobre e elastômeros, todos atrelados ao dólar, e uma escassez global de insumos. Isso obrigou a empresa a antecipar compras de insumos, formando estoques para garantir o atendimento aos pedidos.

“Foi preciso formar esse estoque, mas isso pressionou o nosso caixa”, disse. Outro efeito colateral da pandemia é a maior dificuldade para manter contato pessoal com os clientes. “Isso dificulta a prospecção de novos negócios”, explicou.

De forma geral, a companhia toda se adaptou rapidamente às normas de higiene e segurança, sem enfrentar muitos casos de contaminação.

Foi adotado o sistema de dois turnos, de modo a manter mais afastados os funcionários da fábrica, e dois terços do pessoal administrativo passou a trabalhar de casa.

A KSB também adotou protocolos de higiene e segurança eficazes, incluindo a remodelação dos escritórios e revisão dos procedimentos no refeitório.

“Todos o pessoal pertencente a grupos de risco foi mantido em casa, com tudo isso, dos 850 funcionários no Brasil, só tivemos 40 casos de Covid-19, nenhum deles grave”, salientou.

“Como testamos todo o pessoal próximo a cada caso registrado, comprovamos que o ambiente dentro da empresa é seguro, as contaminações ocorreram fora do local de trabalho.”

Mesmo operando apenas com equipamentos importados de unidades do grupo em vários países, a Watson Marlow registrou em 2020 aumento de venda de 30% em relação a 2019 e segue acelerando. “Nos primeiros três meses de 2021, o ritmo de vendas é duas vezes maior que o do ano passado”, comentou Renato Monticelli, gerente geral para o Brasil.

A Watson Marlow opera com bombas com características diferentes dos equipamentos centrífugos, mais conhecidos.

Seu carro-chefe são as peristálticas mecânicas ou eletrônicas, para uma faixa de vazão de 0,1 ml/minuto a 1.800 litros/minuto, sendo capaz de impulsionar líquidos límpidos ou contendo até 70% de sólidos, a exemplos de lodos e lamas.

Trata-se de uma bomba de deslocamento progressivo, com um rotor central dotado de sapatas que pressionam mangueiras situadas ao seu redor para impulsionar o material desejado.

Química e Derivados - Bombas: Fabricantes mantém ritmo de inovações para suprir mercado local aquecido ©QD Foto: Divulgação Netzsch
Monticelli: bomba peristáltica suporta fluidos agressivos

“Quanto mais agressivo e complicado o fluido, melhor para nós”, afirmou Monticelli. Como o fluido tem contato apenas com a mangueira e esta pode ser construída com materiais adequados (os mais comuns são o EPDM e o Viton).

Com isso, o corpo da bomba fica protegido contra desgaste, apresentando durabilidade elevada, a ponto de dispensar bombas de reserva.

O gerente geral observa que as mangueiras são fabricadas pela Watson Marlow em várias camadas, mediante processo especial que evita o seu deslizamento entre elas.

Sua parte externa é usinada até ficar perfeitamente lisa, de modo a não prejudicar a passagem das sapatas.

“A construção da mangueira garante que ela se feche sob a pressão das sapatas, mas depois se abra totalmente com facilidade.”

Química e Derivados - Bombas: Fabricantes mantém ritmo de inovações para suprir mercado local aquecido ©QD Foto: Divulgação Netzsch
Bomba peristáltica suporta fluidos agressivos ©QD Foto: Divulgação

As bombas peristálticas têm função dosadora, garantido elevada precisão e repetibilidade, mas também encontram aplicações de transferência de fluidos.

Dada a sua construção, permitem operação em contrapressão, ou seja, lançar o fluido dentro de tubos ou vasos sob pressão.

Essas características habilitam o uso de bombas peristálticas em segmentos diversos, desde a fabricação de medicamentos e vacinas, até a dosagem de cloro em estações de tratamento de água, passando por mineradoras e indústrias de alimentos, entre outros clientes.

“Os segmentos farmacêutico, alimentos, bebidas e de saneamento estão muito fortes, com demanda firme”, comentou.

No mundo, a metade das vendas da Watson Marlow se dirige ao setor bioquímico e farmacêutico, enquanto no Brasil esse ramo representa apenas 25% dos negócios da companhia.

Petróleo e gás

Grande comprador de bombas e outros equipamentos industriais de grande porte e elevada sofisticação tecnológica, a produção de óleo e gás não levou alento à indústria de bens de capital do Brasil.

“O maior player desse ramo, a Petrobras, está repensando a sua participação no refino, já está vendendo algumas refinarias; com isso, só comprou bombas para manutenção e reposição em 2020 nessas aplicações”, comentou Pugliese.

Ele espera que os adquirentes dessas instalações invistam em modernização e ampliação de capacidades, aumentando a demanda por equipamentos em geral.

O segmento de exploração e produção de óleo e gás manteve a atividade, mas as características de negociação são diferentes.

“Em E&P, as vendas mais importantes são feitas por meio de epecistas que fazem consultas internacionais e forçam concorrências muito acirradas, incluindo fornecedores instaladas na Coreia do Sul, Cingapura e China, por exemplo”, explicou.

“Mesmo assim, vendemos bombas para os FPSOs da Petrobras que estão sendo construídos no exterior.”

Historicamente, segundo o diretor, um terço do faturamento da KSB do Brasil é obtido com vendas para óleo e gás, petroquímica e química, clientes que exigem equipamentos engenheirados e construídos sob normas rígidas. Essa posição está sendo ameaçada.

O setor químico/petroquímico, por exemplo, vem investindo pouco nos últimos anos e não há expectativas de grandes projetos para os próximos cinco anos.

Osvaldo Ferreira, da Netzsch, considera o setor de óleo e gás como um dos mais importantes clientes da companhia. “O setor investe muito em produção e em proteção ambiental, gerando bom volume de negócios”, salientou.

Ele apontou um mercado interessante no aumento de produção em campos terrestres, em parte decorrentes da desmobilização de ativos da Petrobras, que se concentrou nos campos ultraprodutivos do pré-sal.

“Em compensação, a área de saneamento básico está comprando bastante e deve ampliar sua demanda a partir do Novo Marco Regulatório”, avaliou Pugliese.

Ele informou que a companhia está desenvolvendo novos equipamentos para tratamento de esgotos, buscando oferecer bombas de maior porte e mais eficientes, com desempenho hidráulico superior, obtido mediante projetos tridimensionais (3D) e simuladores.

A chamada “indústria geral” vem apresentando ritmo firme de investimentos. Pugliese cita o avanço da produção de etanol de milho como exemplo de cliente ativo no último ano.

Química e Derivados - Bombas: Fabricantes mantém ritmo de inovações para suprir mercado local aquecido ©QD Foto: Divulgação Netzsch
Pugliese: faturamento de 2020 bateu recorde na companhia

“Temos boas expectativas também no setor de alimentos e bebidas, especialmente em sucos naturais – ramo no qual o país é líder mundial – e cerveja”,afirmou, salientando que a KSB tem linha de bombas centrífugas de execução sanitária para esses segmentos.

Há oportunidades para desenvolver também no setor de energia, que precisa receber mais investimentos. O avanço da construção da usina nuclear de Angra III é acompanhado com atenção.

“A KSB da Alemanha forneceu há décadas as bombas originais que precisam ser revisadas e atualizadas antes da instalação”, disse.

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