Bombas: Demanda ativa projeta bons negócios para 2002

O setor das bombas industriais no País deve fechar 2001 com um faturamento estimado em R$ 550 milhões, empatando com o do ano anterior. As previsões são do presidente da Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Gilberto Chiarelli, também diretor comercial da KSB. “Esperávamos para 2001 um crescimento de 5% a 7%, mas já consideramos positivo não ter havido nenhum decréscimo”, avaliou, evando em conta os efeitos negativos causados pela crise energética do primeiro trimestre, a derrocada Argentina e o terrorismo de setembro, marcado pelo ataque às torres do World Trade Center, em Nova Iorque, EUA.

Química e Derivados: Bombas: Chiarelli - câmbio favoreceu exportação.
Chiarelli – câmbio favoreceu exportação.

Neste mês, porém, a indústria brasileira de bombas industriais dá indício de haver retomado o bom rumo dos negócios ditado pelas perspectivas de investimentos.

O certo é que os segmentos não deixaram de investir. Os de papel e celulose, mineração, petróleo e petroquímica continuam fortes e até ensaiam ampliação. A Petrobrás manteve seus investimentos implementados e alavancados com os projetos das termoelétricas.

Para os irmãos Corrado e Marzio Vallo, da Omel, os responsáveis pelo crescimento de 20% a 25% do seu faturamento também foram os setores energéticos e de petróleo.

Com relação à crise de energia, houve uma adaptação do empresariado com mudanças de turnos, remanejamento dos postos de trabalho e investimentos em geradores. Na opinião de Marzio, a atual conjuntura internacional atrapalhou o mercado: “Fizemos uma série de orçamentos no setor de petróleo, mas nem tudo se realizou. As pessoas estão com medo de investir; se os Estados Unidos entram em crise, reflete aqui. O ano que vem é uma incógnita”, observa.

O gerente de marketing da Sulzer Marcos Koyama discorda de Marzio. Para ele, o impacto dessa crise tem sido neutro nos negócios da empresa. Cauteloso, Marzio diz que tem tomado extremo cuidado na área financeira. “Passamos a controlar com mais rigor as despesas, contratações e compras”, enfatiza.

Química e Derivados: Bombas: Marzio (d.) e Corrado Vallo - crescimento superior a 20%.
Marzio (d.) e Corrado Vallo – crescimento superior a 20%.

De acordo com Koyama, o problema de energia no País fez deslanchar os investimentos nacionais na geração termoelétrica e cogeracão. Outro ponto positivo é que as exportações de bombas na alimentação de caldeiras, para plantas de ciclo combinado, especialmente para o mercado norte-americano, foram maiores em 2001. Para ele, “esses dois fatores combinados trouxeram um aumento significativo nas encomendas”. O câmbio também contribuiu para um resultado favorável nas exportações, que cresceram 50%.

A Sulzer atua na linha de bombas de processo API 610 de um e múltiplos estágios, bombas de alta pressão na alimentação de caldeiras para cogeração e termoelétricas de ciclo combinado, bombas de extração de condensado, as verticais de grande vazão para aplicação em saneamento, irrigação, resfriamento, bombas bipartidas de médio e grande porte para saneamento e indústria. Koyama conta que as encomendas cresceram 30%, por causa dos investimentos realizados pela Petrobrás, tanto em produção, como em refino.

O setor petrolífero tem merecido destaque e atenção especial. Tanto assim que o Grupo Netzsch resolveu separar as atividades da área em uma nova empresa. Com sede na Alemanha, tem como presidente o também gerente-geral da Netzsch do Brasil Silvio Beneduzzi Filho. O primeiro aniversário da nova empresa foi comemorado em agosto de 2001 e, segundo seu presidente, já atingiu o ponto de equilíbrio. Conta que tem 48 bombas vendidas para os Estados Unidos e Canadá, com entrega marcada entre março e maio de 2002. “Nosso produto pode ser encontrado a uma temperatura de – 45ºC, na Sibéria, ou permanentemente, a +45ºC, em Omã ou Catar”, disse. Para ter essa flexibilidade é preciso fazer adaptações, adotando óleos específicos para lubrificação. Motor e gaxeta também devem ser ajustados para atender uma ou outra opção climática. “É um produto brasileiro colocado no exterior por meio de uma empresa centrada na Alemanha”, explicou.

Química e Derivados: Bombas: Koyama - difícil conversar com empresas de EPC.
Koyama – difícil conversar com empresas de EPC.

Beneduzzi comentou que a Netzsch iniciou parceria com a Petrobrás há 20 anos. Comercializaram bombas horizontais, oleodutos e até as atuais bombas de exploração nas quais o acionamento fica na superfície e pode extrair petróleo até mil metros de profundidade. A novidade está por conta da linha NM…L, bomba com vazão de até 500 m³/h e pressão de 4 ou 6 bar, capaz de atuar em temperaturas de –40°C até 200ºC. Essa bomba helicoidal de cavidade progressiva apresenta fluxo contínuo, sem pulsação, é compatível com alta viscosidade e alto teor de sólidos, tem bom desempenho no transporte de meios abrasivos, alto rendimento mesmo em baixas velocidades, boa capacidade de aspiração, e não necessita de válvulas. Além disso, deve ter flexibilidade na montagem e baixo valor NPSH requerido. Só na Petrobrás, afirma Beneduzzi, têm mais de mil unidades.

Além da helicoidal, a Netzsch produz as bombas centrífugas sanitárias, de lóbulos, de fusos e dosadoras. As de fusos são usadas nas hidroelétricas, em lubrificação de turbinas, mercado animado com a crise energética no País. Beneduzzi conta que há tempo a empresa operava nesse setor. As usinas iniciadas a partir do racionamento vão demorar para entrar em funcionamento. Ele explica que uma turbina leva de 24 a 36 meses para ser produzida, além de todo sistema de lubrificação, limpeza e balanceamento. “Muitos clientes nossos fecharam contrato de geração de energia com a Petrobrás e certamente vão precisar de bombas, mas só de 2003 para frente”, conta.

A tecnologia avançada nas bombas para extração de petróleo requer estudos, pesquisa e desenvolvimento. Um novo produto exige experiência de seis meses a um ano, para depois ser usado e aprovado. O gerente geral da Netzsch do Brasil explica que a ligação entre a bomba e o acionamento é feito através de hastes de 20 a 30 pés. Depois de enroscadas, elas podem descer até atingir a profundidade necessária. Cada interferência que ela sofre chega a custar cinco vezes mais que o seu preço. Recentemente a Netszch fechou um contrato de 16 bombas horizontais para óleo sujo e pesado, no valor de US$ 1 milhão, por meio de um fornecedor americano, para uma nova plataforma da Petrobrás, em Campos-Rj.

Química e Derivados: Bombas: Warnecke - eleição faz crescer os gastos públicos.
Warnecke – eleição faz crescer os gastos públicos.

A Tetralon, representante das norte-americanas Wilden e Viking, traz uma novidade: a bomba de lóbulo industrial da alemã Börger. Ela serve para bombeamento de produtos abrasivos, carregados de sólidos. Tem como característica única as pontas dos lóbulos removíveis. O presidente da empresa Martin Warneke, diz que a vantagem consiste em não comprar novos lóbulos, mas somente as pontas.

A Viking já ocupa, na Tetralon, o segundo lugar em faturamento. A Wilden mantém o primeiro, com 40% do total do faturamento, contra 20% da Viking. Suas bombas são de engrenagem interna e tem diversas opções de materiais e de selagem. Isso permite que elas sejam fabricadas e adequadas para cada tipo de aplicação. Ela é indicada para produtos viscosos, resinas e altas temperaturas. “Temos aplicações na petroquímica, na área de tintas, em adesivos e nos produtos alimentícios viscosos, como o chocolate”, explica Warneke.

Exportações – As empresas do setor estão cada vez mais voltadas para as exportações. Segundo Chiarelli, tanto as indústrias nacionais como as internacionais se lançaram no mercado internacional, incentivadas pelo câmbio favorável. Na sua opinião, as nacionais têm grande para dificuldade abrir novos mercados, objetivo que exige alguns requisitos, como oferecer assistência técnica. Ele espera ambiente ainda melhor em 2002.

Os exemplos pipocam. A Omel, até este ano exportava 4% do total de seu faturamento. A partir de 2002, um dos projetos dos irmãos Vallo visa incrementar essa opção. “Queremos chegar a 10% dentro de dois anos”, garante Marzio. Corrado comenta o recém-celebrado contrato de quase US$ 1 milhão com a Toyo do Japão para o fornecimento de bombas centrífugas para produtos de petróleo e bombas dosadoras. As centrífugas são de grande altura manométrica e especiais para pequenas vazões. São produzidas de acordo com a Norma ABI 610, 8ª edição. “A Toyo as comprou para instalá-las na gaúcha Refap”, disseram. “Elas foram desenvolvidas em parceria com a Petrobrás.”

Os irmãos Corrado e Marzio Vallo há seis meses decidiram virar a mesa. Deixaram seus cargos de diretores e criaram um Conselho Administrativo, ao qual se filiaram. “Estávamos muito envolvidos no dia-a-dia da Omel e, com isso, perdíamos oportunidades de negócios”, analisa Marzio. Além disso, o novo formato facilitará a sucessão na empresa familiar.

A Diretoria é formada por um diretor-comercial, um administrativo e outro industrial, todos com 20 anos de empresa. “Fizemos uma passagem de poder na parte operacional”, explica Corrado. “Ficamos de fora, olhando o caminho que estão seguindo, passando pelas máquinas, vendo o que está acontecendo, mas só comentando com o responsável, sem intromissão direta”.

A palavra de ordem é crescer e a Netzsch pretende aumentar de 28% para 40% suas exportações. Beneduzzi tem como modelo a Embraer, que fabrica produtos de qualidade. “Queremos ser a Embraer das bombas”, enfatiza.

Uma das maiores dificuldades que as empresas têm para exportação é a alta carga tributária imposta pelo governo.

Química e Derivados: Bombas: Beneduzzi - bomba suporta temperatura baixa ou alta.
Beneduzzi – bomba suporta temperatura baixa ou alta.

Mas, para Beneduzzi, isso não chega a ser problema, muito embora também a considere pesada. “Temos os mesmos equipamentos da matriz, além de mão-de-obra qualificada; somos no ferro fundido 20% mais baratos e, no inox, 5%, e a moeda americana facilita as negociações. Tudo isso compensa os encargos”, opinou.

Para ele, não se deve depender tanto do mercado interno. Esse conceito Beneduzzi trabalha desde 1990, quando a matriz determinou que a filial no Brasil atendesse a América do Sul. O gerente-geral abriu, imediatamente, uma filial na Argentina e outra na Colômbia e criou representações nos demais países. Naquela ocasião, a Deutzsch do Brasil passou a vender também para os Estados Unidos a mando da matriz. “Preparamos a empresa para servir ao mercado americano, que sempre foi exigente”, recorda-se. “Foi nosso primeiro contato com as exportações.”

A filial brasileira se desenvolveu tão bem, que é considerada um centro de competência do grupo no mundo. Quando começou atender a América do Sul, a Argentina representava 5% a 7% do seu faturamento global. Hoje, mesmo com a crise que atravessa, ela representa 25%.

Mas nem todos comungam da opinião do gerente da Netzsch. Koyama observa que os investimentos no setor termoelétrico no País, por exemplo, substancialmente feito por empresas mundiais de engenharia (EPC), não contam incentivo oficial para a indústria nacional. E reclama: “Nem mesmo quando nós, após dura busca, logramos conseguir uma consulta com essas companhias, não é possível desonerar as vendas a essas empresas dos nossos impostos locais.”

Dificuldades – As dificuldades não se fixam somente na carga tributária brasileira. O diretor comercial da KSB alerta para o aumento dos custos dos insumos de fundição, como as ligas e resinas, bem como os auxiliares de produção na fundição, a areia. Na parte de laminados, o aço carbono e o inoxidável e, até mesmo, a energia encareceram. “Pressionaram nossos custos e não estamos conseguindo repassá-los, o que deteriora nossas margens de lucro”, critica. De acordo com Chiarelli, em 2001, essas margens deverão ser de 10% a 20% menores que em 2000. Só no segundo semestre deste ano, ele diz que os fundidos subiram em 12%. “Temos que trabalhar em outras frentes, como o aumento da produção”, recomenda. Corrado Vallo, da Omel, observa outro problema: a degradação dos preços. Para ele, “quando se entra em concorrência, um fabricante tenta passar por cima do outro, diminuindo seus preços até não ter lucro nenhum.

Com relação às margens de lucro, Beneduzzi também se mostra insatisfeito. “Estamos com uma lucratividade em torno de 2% a 5%; o ideal seria 10%”, diz. Sua expectativa é de, pelo menos, manter esse patamar, sem acreditar em aumento.” Já o presidente da Tetralon Martin Warneke, declara que vai fechar o ano com 5% a menos em seu faturamento, comparado a 2000. Ele recorda que, em 1999, houve queda muito grande nos primeiros meses do ano e uma retomada rápida. Em 2001, a queda não foi tão brusca, mas a volta do crescimento está mais lenta.

Outro obstáculo do mercado é o crescimento dos “piratas”. Esse “fornecedor alternativo” tem uma firma pequena, usa a tecnologia e os desenhos das indústrias tradicionais e, por ter uma despesa pequena pode oferecer preço menor. A qualidade não é a mesma, mas o usuário compra pelo menor preço. “Se os compradores analisarem, verão que quem rouba são os “piratas”, porque eles colocam cerca de 20% abaixo do nosso preço de venda quando deveriam reduzir, em média, 70%”, comenta Corrado. “Eles não têm estrutura de projeto, pesquisa e desenvolvimento, controle de qualidade e, quem compra de uma indústria, está adquirindo tudo isto com a mercadoria.”

Para Chiarelli, do ponto de vista jurídico a legislação brasileira é permeável, sendo muito difícil coibir essa prática. O presidente da CSBM diz que a KSB é uma das mais visadas pelos “piratas”. Certa vez, uma de suas bombas caiu nas mãos de um pirata. A parte hidráulica foi “clonada” e a parte de acionamento, modificada. “Para todos efeitos era um produto novo, mas não passava de uma cópia mal feita”, observa seu diretor.

No banco de espera – Os investimentos anunciados pelo governo federal, em 2001, atenderam aos programas de abastecimento (redes de água) e coleta de esgotos sanitários com pouca repercussão nas bombas. Muitos projetos não saíram do papel. De qualquer maneira, espera-se crescimento nas obras de saneamento. O presidente da CSBM estima que os investimentos fiquem por volta de R$ 40 bilhões, o que representa cinco anos de trabalho.

Na opinião de Koyama, os projetos realizados efetivamente são aqueles motivados por extrema urgência. “Os argumentos de que, em geral, se ganha no atendimento, extensão das redes de abastecimento e diminuição com perdas não impedem a proximidade do racionamento que deve afetar a população mais profundamente que a crise de energia”, alerta o gerente da Sulzer.

Há investimentos no setor, como em Ribeirão Preto-SP, Bahia e Paraná, onde as estatais foram privatizadas. “As privatizações deverão ser retomadas”, aposta Beneduzzi. Ele conta que a Netzsch já forneceu bombas para a Sabesp e outras companhias de água estaduais, como Caesb (DF), Cedae (RJ), Embasa (BA), Sanepar (PR) e Cesan (SC). Corrado, da Omel, também já vendeu algumas bombas dosadoras para a Sabesp, além de compressores para areação. “Os projetos não saem do papel por falta de vontade política”, garante.

Perspectivas para 2002 – Warneke acredita que, para 2002, a economia mundial e os investimentos dos Estados Unidos devem aumentar. “É um ano eleitoral, o que significa aumento dos gastos públicos no Brasil; além disso, o problema da Argentina deverá ser equacionado”, prevê. Conto com um crescimento de 10 a 15%.”

Em geral, as expectativas para o próximo ano são otimistas. Todos apostam na aceleração da economia, com investimentos nos setores petroquímico, óleo, papel e celulose, mineração e também no saneamento básico.

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