Biotecnologia – Primeira patente verde em cosméticos

Parceria recebe primeira patente verde em cosméticos obtidos de bactérias

A obtenção da primeira patente verde concedida a uma empresa de cosméticos no Brasil é um dos principais frutos da parceria entre o IPT e a Natura na busca de um tensoativo produzido por bactérias para substituir os de origem sintética, derivados do petróleo.

A produção dessas moléculas por microrganismos já é bem conhecida, mas a novidade está na sua produção a partir de resíduos de sementes oleaginosas naturais da Amazônia, aplicação inédita no processo produtivo da Natura.

Esse diferencial torna um resíduo agroindustrial em nutriente para as bactérias produzirem a molécula, em consonância com os conceitos da economia circular, informa a bióloga Patrícia Léo, gerente técnica do projeto e do Laboratório de Biotecnologia Industrial do IPT.

“As substâncias tensoativas, por suas propriedades de emulsificação, espumação, detergência, umectação, dispersão ou solubilização, são amplamente utilizadas na fabricação de cosméticos e produtos de limpeza e higiene pessoal. Anteriormente, os resíduos de oleaginosas eram destinados à adubação e aterro, e com a inovação retornam ao processo. Com isso a empresa encerra a sua cadeia produtiva com elevado grau de sustentabilidade e ainda agrega o conceito de uso integral de matéria-prima vegetal”, ressalta a pesquisadora.

As moléculas biodegradáveis e menos nocivas ao meio ambiente podem ser obtidas de diferentes substratos, como óleos vegetais, açúcares, glicerol ou hidrocarbonetos.

Ao serem utilizadas como insumo para cosméticos, produtos de limpeza e higiene pessoal, elas tornam o processo mais sustentável.

Química e Derivados - Biotecnologia - Primeira patente verde em cosméticos ©QD Foto: iStockPhoto
Patrícia Léo, gerente técnica do projeto e do Laboratório de Biotecnologia Industrial do IPT

“A inserção das sustâncias no mercado depende do desenvolvimento de processos mais baratos e do uso de materiais renováveis e de baixo custo”, acrescenta Patrícia.

O conhecimento desenvolvido durante a parceria com o IPT vem sendo aplicado para promover outros projetos da Natura com foco em biotecnologia, informa Antonio Carlos de Oliveira Machado, especialista em biotecnologia da companhia.

Machado acrescenta que “criar novas rotas fermentativas baseadas no aumento de produtividade interessa a todos os grupos que fazem uso da biotecnologia para expandir seu portfólio de ingredientes. Além de possibilitar o desenvolvimento de rotas verdes para produção de novos ingredientes, os processos biotecnológicos são mais brandos em relação às condições de operação do sistema e contribuem para reduzir a emissão de CO2”.

Um dos objetivos da empresa com as estratégias de inovação é acelerar a obtenção de resultados. Contudo, o impacto do conhecimento no seu faturamento depende da vocação do novo ingrediente na cadeia produtiva, avaliada por testes de eficácia, como observa Machado.

“Só assim é possível direcionar sua aplicação e entender em qual marca ele será formulado e quantos SKUs (stock keeping units) serão lançados. Ainda estamos conversando com as marcas para entender como direcionar o uso desse material e, assim, em uma etapa posterior, avaliar os impactos na receita da empresa”, afirma o especialista da Natura.

Outro caso de sucesso sobre o impacto da biotecnologia na performance econômica das empresas do setor químico foi citado por Thiago Falda Leite, presidente-executivo da Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI).

Trata-se da família I’m Green de polietilenos desenvolvida pela Braskem a partir de etanol, um produto de fermentação do caldo de cana-de açúcar.

“O processo consiste na desidratação do etanol, a fim de se obter o eteno pela via biotecnológica; a redução do impacto ambiental é enorme, pois cada tonelada de plástico produzida pelo processo tradicional lança duas toneladas de CO2 na atmosfera. Com o eteno de etanol, a empresa retira da atmosfera três toneladas de CO2 a cada tonelada de plástico produzida”, destacou.

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