Farmacêutico e Biotecnologia

Biotecnologia: Micro-organismos selecionados abrem rotas mais sustentáveis para a indústria química

Marcelo Fairbanks
22 de abril de 2017
    -(reset)+

    Ele considera a produção de E2G como o campo mais avançado da biotecnologia industrial hoje no país e com espaço para crescer. “O setor de celulose e papel, por exemplo, não é associado à ABBI, mas tem projetos ambiciosos de biorrefinarias alimentadas com recursos florestais”, afirmou. O programa federal RenovaBio, lançado em dezembro passado para incentivar a produção de biocombustíveis (etanol e biodiesel), já está dando frutos, segundo o executivo. “Esse programa está andando rápido, começando pelas formas convencionais de produção, mas também dará um apoio importante para processos mais sofisticados”, considerou. “Mesmo assim, ainda falta definir uma política pública de longo prazo para biocombustíveis.”

    Química e Derivados, Bagaço de cana é ponto de partida para o E2G

    Bagaço de cana é ponto de partida para o E2G

    Além do E2G, o CTC desenvolve trabalhos de melhoramento genético convencional de variedades de cana, além de modificar geneticamente algumas linhas, introduzindo genes de Bacillus thrurigienses (BT) para alcançar efeito inseticida. “Criamos uma variedade com efeito letal contra a broca da cana, está em fase de avaliação pelo CTNBio, mas temos outras variedades modificadas em experimento de campo, para avaliação futura”, explicou Janeiro. Ele salientou que, além de aprovar a variedade de cana, é preciso que o açúcar com ela produzido seja também aprovado pelo países consumidores. A broca da cana gera um prejuízo anual estimado em R$ 5 bilhões para a produção nacional do setor, portanto seu combate é prioritário.

    Janeiro salienta que o Brasil possui amplas condições para desenvolver projetos biotecnológicos de grande alcance, contando com equipes altamente qualificadas na área de pesquisa. O gargalo, como explicou, está na proteção da propriedade intelectual. “O prazo para a concessão de uma patente é muito alto no Brasil, isso preocupa quem trabalha com inovação”, salientou. Além disso, ele considera que a CTNBio está bem estruturada para atender as demandas de biotecnologia agrícola (como o desenvolvimento de novas variedade de plantas), mas nem tanto no campo industrial.

    Além dos combustíveis – Processos industriais encontram nas enzimas um auxílio importante para aumentar a produtividade e eficiência no aproveitamento de recursos. A Novozymes, líder mundial nesses catalisadores proteicos, entende que a biotecnologia é a ferramenta para eliminar gargalos que representam problemas em todo o mundo, de forma sustentável e econômica. “O mundo já tem 7 bilhões de habitantes e deve chegar a 9 bilhões até 2050; como alimentar, vestir, gerar energia e abrigar toda essa gente, sem destruir todos os recursos naturais do planeta? A biotecnologia ajudará a resolver essa questão”, enfatizou Emerson de Vasconcelos, presidente regional da Novozymes.

    Química e Derivados, Vasconcelos: antiespumante enzimático nasceu em Araucária

    Vasconcelos: antiespumante enzimático nasceu em Araucária

    A companhia de origem dinamarquesa abriu escritório comercial no Brasil em 1975, iniciando a produção de enzimas em Araucária-PR, em 1989. No mesmo sítio, montou um centro de pesquisas em 2011, contando hoje com vinte especialistas com grau de doutorado que atuam principalmente nos biocombustíveis. Esse centro de pesquisas opera em rede com os demais centros da companhia espalhados pelo mundo.

    No país, a Novozymes atua em 40 diferentes segmentos industriais, desde a produção de alimentos até acabamentos têxteis – aquele jeans desbotado e macio provavelmente foi tratado com enzimas específicas, com baixo consumo de água, em comparação com os métodos tradicionais. O maior campo de atuação das enzimas (aqui e no mundo) está nos auxiliares para detergentes de limpeza, seguido pelos insumos para alimentos e biocombustíveis. “O etanol é muito importante no Brasil, investimos nisso desde 2000 e acreditamos que os biocombustíveis devem ainda crescer pelos próximos 10 anos”, afirmou Vasconcelos. Em setembro de 2016, a empresa lançou o primeiro antiespumante enzimático para dornas de fermentação alcoólica. Trata-se de uma protease que previne a formação de espuma, substituindo até 70% dos insumos químicos dessa categoria. “O Fermax foi desenvolvido no centro de pesquisas de Araucária e será vendido também no exterior”, explicou.

    Química e Derivados, Novozymes opera unidades de produção e centro de pesquisas em Araucária-PR

    Novozymes opera unidades de produção e centro de pesquisas em Araucária-PR

    A disponibilidade de materiais celulósicos e o fato de a maior parte da frota de carros contar com motores do tipo flex-fuel colaboram para a grande aceitação do combustível e alimentam a perspectiva de crescimento de consumo. Também na produção de biodiesel as enzimas oferecem vantagens. “A via enzimática permite reduzir a temperatura da reação de transesterificação e elimina o uso do catalisador metóxido de sódio, que é um inconveniente do método tradicional, estamos divulgando a tecnologia no Brasil, que pretende chegar à mistura B10 (10% de éster no diesel) até 2019”, comentou.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *