Álcool e Açúcar (usinas)

Biogás abre nova fronteira energética no interior – Meio Ambiente

Marcelo Furtado
19 de maio de 2020
    -(reset)+

    No Sul – Além do potencial do biogás em setores em que é possível erguer unidades de maior porte para gerar energia elétrica ou biometano, caso dos aterros e das usinas sucroenergéticas, a outra frente com chance de expansão envolve unidades menores, em grande quantidade, com a construção de várias micro e miniusinas. Trata-se, por exemplo, das plantas que aproveitam dejetos da bovinocultura, suinocultura e avicultura para gerar biogás com biodigestores, ou de resíduos de abatedouros, laticínios e processadores de mandioca, no ambiente rural, na maioria das vezes afastado de gasodutos de gás natural e em áreas com frequentes quedas de abastecimento de energia.

    Química e Derivados - Unidade de purificação produz o biometano

    Unidade de purificação produz o biometano

    Esse potencial, já com muitos projetos e usinas em operação no Brasil (a estimativa é de 235 a partir de substratos da agroindústria), fica muito claro pela movimentação em curso nas atividades pecuárias do sul do País. Com cerca de 75 mini e microusinas a biogás em operação, a região, com destaque nacional na suinocultura e avicultura, e na produção agrícola em geral, tem conseguido criar modelos de negócios para os produtores investirem no aproveitamento dos dejetos animais e nos resíduos agroindustriais.

    Esses modelos, que privilegiam soluções para cooperativas e regiões com vários produtores de uma mesma ou similar cultura, têm surgido muito por conta da ação do Centro Internacional de Energias Renováveis-Biogás, o Cibiogás, que opera dentro da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu-PR, na estruturação de vários projetos para produtores rurais dos estados do Sul, com destaque suinocultores e avicultores paranaenses.

    Há projetos em curso, por exemplo, no município de Toledo-PR, responsável pelo maior plantel de suínos de engorda do país (880 mil cabeças). Com potencial para gerar 31,7 milhões de Nm3/ano de biogás, segundo estudo do Cibiogás, o que seria capaz de substituir 25 mil toneladas de gás natural, a cidade vai receber investimento da empresa alemã Mele Biogas, que pretende erguer usina para produzir biometano a partir de dejetos coletados de mais de 20 granjas suínas da região, além de resíduos de agroindústrias e frigoríficos.

    O projeto de R$ 60 milhões contempla um biodigestor anaeróbico central, na área destinada à usina, que foi cedida pela prefeitura de Toledo no aterro municipal. Nele serão digeridos os dejetos e os resíduos que geram o biogás para, em seguida, ser purificado por um sistema de membranas, para produzir 700 m3/h do gás natural renovável, o biometano.

    Com previsão de entrar em operação no começo de 2022, a ideia é comprimir o biometano para venda por carretas, em uma primeira etapa para uso industrial e mais para a frente como combustível veicular, disponível em postos de abastecimento. Além disso, segundo o gerente de projetos da Mele, Christian Belt, com a separação por membranas do biogás, o dióxido de carbono removido, com alto grau de pureza, será comercializado para indústrias de bebidas.

    Também em Toledo, agora em projeto liderado pelo Cibiogás, será construída uma miniusina térmica com potência instalada de 1 MW, que vai gerar eletricidade para conexão à rede. Com recursos da Itaipu Binacional, de R$ 11 milhões, também por volta de 20 produtores de suínos terão esterqueiras individuais e com transporte para biodigestor da usina. A opção pela geração elétrica não demandará sistema de purificação do biogás.

    Em outro município paranaense, Entre Rios do Oeste, desde julho de 2019 funciona outro projeto, estruturado pelo Cibiogás e com recursos de R$ 17 milhões da distribuidora paranaense, a Copel, com concepção diferente. Por ele foi construída uma rede de gasodutos de 22 km que interliga o biogás gerado por 18 biodigestores de suinocultores da região a uma miniusina térmica de 480 kW.

    Os 3 GWh/ano gerados pela usina, injetados na rede no regime de geração distribuída, são compensados no consumo de quase 70 prédios públicos da prefeitura de Entre Rios do Oeste. A estimativa é de economia mensal de até 12% na conta de energia da prefeitura. Os suinocultores são remunerados pelo biogás entregue ao projeto, em até R$ 5 mil mensais.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *