Álcool e Açúcar (usinas)

Biogás abre nova fronteira energética no interior – Meio Ambiente

Marcelo Furtado
19 de maio de 2020
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    Química e Derivados - Biodigestores da Coopcana, em Tamboara-PR, servem de modelo para setor

    Biodigestores da Coopcana, em Tamboara-PR, servem de modelo para setor

    Há um grande potencial energético nos resíduos de praticamente todos os setores da economia e com alternativas de aproveitamento já de pleno domínio no mundo e, em alguns casos, no Brasil. No caso brasileiro, a geração de biogás e biometano é a vertente com possibilidades imediatas de expansão, não só por conta da alta disponibilidade de resíduos como pelo desenvolvimento da cadeia de fornecedores, as várias experiências em curso e a demanda firme e em ascensão.

    Obtido pela digestão anaeróbica de resíduos agrícolas, pecuários confinados, do lodo de esgoto e do lixo urbano – pela biodigestão controlada ou pela captação em aterros –, o energético tem um potencial de geração, segundo a Associação Brasileira de Biogás e Biometano (Abiogás), de 75,2 bilhões de Nm3/ano, sendo 38,2 bilhões de Nm3 da agroindústria, 26,4 bilhões provenientes da vinhaça, torta de filtro e da palha do setor sucroenergético, e 10,4 bilhões de Nm3 de aterros e do lodo do tratamento de esgoto.

    Mesmo que o país ainda esteja distante de aproveitar todo esse potencial de biomassa residual, as iniciativas crescem anualmente, com a implantação de mais usinas, projetos e até novas regulamentações para favorecer a expansão. No momento, segundo a Abiogás, há no país 406 usinas, em levantamento de 2019, um aumento de 11% sobre o ano anterior. Juntas, elas geram aproximadamente 5,5 milhões de m3/dia de biogás. Isso daria por volta de 2 bilhões de Nm3/ano, ou seja, apenas 2,6% do potencial apontado pela associação.

    A maior parte das usinas (316) gera energia elétrica, 75 se dedicam à produção de calor, 9 transformam o biogás no combustível biometano, e as 6 restantes são utilizadas para acionamento de bombas. Segundo a Abiogás, 273 usinas se concentram no setor agropecuário, principalmente na suinocultura, avicultura e bovinocultura, mas também em laticínios e na biodigestão de resíduos agrícolas. Mais 63 estão em aterros e estações de tratamento de esgoto, 61 na indústria, 5 no setor sucroenergético e 4 em abatedouros.

    Em geração de biogás, por conta dos grandes volumes de substratos concentrados em uma só área, os aterros e, em menor escala, usinas que aproveitam lodo de esgoto são os líderes atuais. O setor de saneamento responde por cerca de 4,2 milhões de m3/dia de biogás, seguido pela agropecuária e alimentos, com 790 mil m3/dia, sucroenergética com 430 mil m3/dia e a codigestão de resíduos, com 32 mil m3/dia. As nove usinas que produzem biometano geraram aproximadamente 305 mil Nm3 por dia do biocombustível em 2019.

    No sucroenergético – Apesar de ainda não ser o principal gerador de biogás, o setor sucroenergético é o que reúne as melhores condições de se expandir na próxima década, por conta do alto volume disponível de vinhaça, torta de filtro e palhas nas usinas, que podem seguir para biodigestores anaeróbicos para gerar o gás renovável. Além disso, pesa a favor a vocação natural do setor para gerar e comercializar energia.

    O aproveitamento do biogás pelas usinas pode se dar por três vias: a simples queima para geração de energia elétrica, agregando capacidade aos seus já estruturados sistemas de cogeração de bagaço de cana; a purificação do biogás, para obter o biometano, com índice de 95% de metano para utilização como substituto do gás natural, que poderia ser injetado na rede para uso industrial, comercial ou residencial; ou ainda como biometano para uso como combustível automotivo, comprimido para venda a distribuidoras e/ou para emprego na frota das usinas, com grande economia de diesel nos seus caminhões.

    Para o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2029, elaborado como diretriz nacional da matriz energética pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), as projeções de produção de etanol e açúcar indicam um volume de resíduos que será suficiente para gerar 7,2 bilhões de Nm3 em 2029, o que representa, pós-purificação, 3,9 bilhões de Nm3 de biometano.

    Com o potencial técnico para exportar energia elétrica a partir do biogás, o PDE fez cálculo baseado em dados da Usina Bonfim, da Raízen, em Guariba-SP, que deve inaugurar até o começo de 2021 unidade de geração elétrica a biogás, vencedora de leilão de energia em 2016. A conclusão foi a de que seria possível o setor agregar 2,2 GWmédios em 2029 com energia elétrica do biogás das usinas.



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