Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Biodiesel – Governo estuda antecipar metas para reanimar os produtores

Marcelo Fairbanks
16 de março de 2009
    -(reset)+

    Fontes explicou que o metanol é recirculado no processo, depois de retiradas a glicerina, a água e as impurezas. “O consumo mensal desse álcool é muito baixo”, confirmou. Todas as unidades da PBio estão equipadas para limpar o metanol para reaproveitamento posterior. As licenças ambientais, como frisou o gerente de engenharia, exigem contar com estrutura de recuperação do álcool, evitando o lançamento de resíduos perigosos.

    Cícero Salgado, coordenador da unidade de negócios de etanol da Aboissa, encontrou um quadro diferente no Centro-Oeste. “As grandes indústrias reaproveitam o metanol, as pequenas fazem alguns ciclos e depois precisam pagar por um serviço de recuperação do álcool”, informou. Há um mercado para esse tipo de serviço especializado na região. A Aboissa mantém uma parceria com a Speichim, de Iperó-SP, para eliminar a água e o residual de glicerina do metanol sujo. Isso exige contar com uma unidade de destilação. O álcool assim recuperado pode ser revendido para a produção de biodiesel, sem problemas.

    No ano passado, com o preço do petróleo e do gás natural em forte alta, associado à pujante economia mundial, o metanol passou por um período de escassez e de elevação de preços. A situação teria sido ideal para impulsionar a entrada em cena do etanol, o que não ocorreu. “Para fazer uma tonelada de B100, é preciso usar 140 litros de etanol ou 103 litros de metanol, uma diferença considerável”, explicou. A rota metílica também é cerca de 10% mais eficiente, a reação é mais rápida e a separação da glicerina mais simples.

    A Aboissa também oferece aos interessados instalações completas para produzir o éster metílico de ácidos graxos fabricadas pela Gianazza Engineering, da Itália. A empresa possui muitas instalações em operação na Europa. “Estamos querendo instalar uma no Brasil para servir de vitrine, mas a dificuldade é a importação de todos os equipamentos, que ficou cara com o dólar acima de R$ 2,00”, avaliou Salgado.

    Contar com tecnologia experimentada e aprovada evita dissabores com produtos fora das especificações da norma. “Começamos a vender o biodiesel em 2007, quando ainda não existia o padrão da ANP”, comentou Fontes. Ele saudou a instituição da norma oficial, muito parecida com a dos EUA e da Europa. “É possível exportar o éster com as especificações da ANP para esses destinos”, informou, embora reconheça que ainda há parâmetros que devam ser melhor estudados para uma perfeita harmonização com as exigências internacionais. Com a normalização, ele prevê que todos os produtores se adaptem tecnologicamente. No caso da PBio, a tecnologia exige o uso de catalisador metilato de sódio, fornecido pela Evonik. Em termos de escala, o gerente de engenharia salienta que a escala ótima para esse tipo de planta é sempre superior a 100 mil t/ano.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *