Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Biodiesel – Governo estuda antecipar metas para reanimar os produtores

Marcelo Fairbanks
16 de março de 2009
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    Aboissa comentou que, enquanto a soja registrava picos de preços no ano passado, os produtores de biodiesel passaram a disputar o sebo animal com as saboarias. “Não há alternativas graxas para a fabricação de sabão”, explicou. “Os saboeiros puxaram o preço do sebo para cima, desestimulando o uso na produção do éster, situação já revertida.”

    A cadeia produtiva da soja está muito bem estruturada no Brasil, país onde se encontram alguns dos maiores produtores mundiais do grão. Há muitos anos esse ramo do agronegócio acompanha as tendências mundiais de preços, sabe negociar e planejar as safras futuras. “Os produtores são arrojados e o parque industrial reúne os maiores players globais”, comentou. Alguns deles já entraram na produção de biodiesel.

    Alternativas – Outros cultivos podem oferecer vantagens à produção do biodiesel. Embora a soja seja a alternativa mais viável hoje, é preciso salientar que ela não é a mais produtiva. “Um hectare de soja gera 450 kg de óleo, enquanto o pinhão-manso pode dar três vezes mais óleo em extração física sem solvente”, comentou Adam Gutz, coordenador de negócios de óleos especiais da Aboissa. O pinhão-manso ainda não está suficientemente desenvolvido para plantio no Brasil, gerando frutos de maturação desuniforme que impõem alto custo de colheita. O nacionalíssimo dendê, ou óleo de palma, também é mais produtivo que a soja, mas também é usado para fins alimentares e encontra bom valor de mercado.

    Gutz revela alguma preocupação com a tecnologia que está sendo aplicada nas unidades de transesterificação. “Há investimentos usando todos os tipos, desde as mais conhecidas marcas internacionais e desenvolvimentos da pesquisa universitária nacional, até instalações caseiras, sem nenhuma comprovação de resultados”, relatou. Geralmente, as do terceiro grupo não atingem as especificações da ANP (Resolução nº 7, de 19 de março de 2008) e sua glicerina exige purificação, acrescendo custos.

    A existência de vários tipos de produtores, muitos dos quais sem canais diretos de comercialização, está criando um mercado secundário. “As grandes companhias compram a produção das pequenas que não têm cadastro para entrar nos leilões”, explicou. O mecanismo dos leilões deve acabar até 2011. Depois disso, cada distribuidora de diesel deverá comprar o B100 para fazer a mistura em suas instalações. Por enquanto, essa operação está sendo feita nas refinarias.

    Projetos ousados – O uso do biodiesel ajuda o Brasil a reduzir a importação de óleo diesel puro, um problema da matriz nacional de combustíveis. A cada ano, em média, a importação supre entre 5% e 7% da demanda nacional. Esse volume pode ser substituído pelo biodiesel, com vantagens ambientais, a exemplo da redução de fumaça e da emissão de poluentes. Estima-se que os motores atuais possam operar sem problemas com misturas com 20% de éster (B20), já vendidas na Alemanha, por exemplo.

    A PBio vai investir US$ 480 milhões entre 2009 e 2013 para deter uma capacidade produtiva total de 858 milhões de litros de B100, dos quais 640 milhões no Brasil, ao final do período. Isso será feito com unidades novas e também pela aquisição de instalações prontas. “Ainda neste ano, a PBio deve comprar duas usinas de biodiesel no país”, informou Kardec. “Estamos avaliando as oportunidades.”

    O plano da estatal é alcançar uma posição de 24% no mercado nacional do éster em 2013. As unidades existentes estão ampliando suas capacidades, inclusive a de Guamaré, que tem perfil adequado para desenvolvimento de processos. Kardec comentou que essa usina é pequena, porém abastece o Rio Grande do Norte. Uma usina inteiramente nova será construída na Região Norte, para 115 milhões de litros/ano.

    A PBio também conta com uma parceria com a portuguesa Galp para instalar uma fábrica de 318 milhões de litros de biodiesel com uso preferencial de óleo de dendê, a ser instalada até 2013. “A parceria com a Galp é importante por abrir uma porta para o mercado europeu”, comentou Kardec. Na África, a estatal pretende instalar uma usina para 115 milhões de litros.

    O uso de plantas alternativas à soja é uma das prioridades da PBio. “A soja e o algodão são as matérias-primas mais usadas, mas a médio prazo teremos um uso maior de dendê, girassol e mamona”, comentou Kardec. O pinhão-manso está em estudos e deve ter seu plantio comercial liberado em 2010.

    Química e Derivados, Alberto Oliveira Fontes Jr., Gerente de engenharia da PBio, Biocombustíveis

    Alberto Oliveira Fontes Jr.: óleo de mamona exige equipamentos mais robustos

    “O processamento do óleo de soja é muito semelhante ao dos outros óleos, exceto o de mamona”, explicou Alberto Oliveira Fontes Jr., gerente de engenharia da PBio. O óleo de mamona gera um biodiesel muito denso e viscoso, fora das especificações oficiais, impondo a blendagem com outros ésteres. Processar óleo de mamona exigiria equipamentos mais robustos, com mais etapas de lavagem e de separação. Em geral, dependendo de cada tipo de óleo, basta aumentar ou diminuir a dosagem do antioxidante na formulação para evitar problemas.
    A PBio comprou tecnologia da Crown Iron (EUA) e usa metanol em todos os processos. “Já conseguimos fazer biodiesel com etanol a título de experiência”, informou. “O metanol é melhor no custo e na eficiência de processo.” Por ser a PBio uma subsidiária da Petrobras, segue as mesmas normas rigorosas de saúde, segurança e meio ambiente, e não tem problemas em manipular e estocar o metanol, produto químico muito tóxico.



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