Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Biodiesel alimenta motor da economia

Jose P. Sant Anna
25 de abril de 2003
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    Álcoois – O álcool monoídrico mais usado no processo de transesterificação é o metanol, matéria-prima abundante e barata nos países do primeiro mundo. Isso faz com que exista um grande acervo de informações técnicas sobre a obtenção de ésteres metílicos. O mesmo não ocorre com o uso do etanol, mais adequado para mercado brasileiro. De acordo com Rittner, no entanto, não há grandes diferenças nos procedimentos de fabricação e nas características dos ésteres obtidos a partir do metanol ou do etanol. Com algumas adaptações, os dois podem ser fabricados na mesma instalação.

    As vantagens econômicas do etanol sobre o metanol no mercado brasileiro são a abundância de produção, distribuição geográfica ampla das plantações de cana no território nacional e economia de divisas, uma vez que a maioria do metanol utilizado no País é importado.

    Mas o etanol também apresenta algumas vantagens químicas, como a obtenção de um biodiesel com poder calorífico de 5% a 6% mais elevado, maior ponto de fulgor e número de cetana. O etanol também apresenta maior índice de solubilidade do triglicerídeo. Como desvantagens químicas, o etanol apresenta menor reatividade química. Outros aspectos negativos são a necessidade de se utilizar etanol em sua versão anidro (álcool absoluto a 99,5%) e a eventual necessidade de retificar e desidratar o álcool etílico excedente recuperado da transesterificação.

    Glicerina – Um dos efeitos colaterais da fabricação do éster etílico ou metílico é a produção de glicerina – cerca de 10% do volume total. Com o grande incremento de produção previsto para os próximos anos, esse mercado deve sofrer um desequilíbrio nos próximos anos. De acordo com Rittner, nos Estados Unidos, a queda do preço do produto já provocou o fechamento de muitas fábricas de glicerina sintética.

    “Este era um mercado onde não havia sobras, o que gera problemas para os atuais fabricantes. Mas trata-se de um problema que deve ser resolvido no futuro. Muitos derivados que não são produzidos hoje por causa do custo da glicerina podem absorver o acréscimo de produção”, explica o engenheiro. Entre as aplicações hoje restritas pela falta de glicerina encontram-se a produção de detergentes sintéticos totalmente biodegradáveis e a de plásticos especiais.

    Diesel aditivado aceita álcool

    Antes mesmo de implantar uma fábrica especializada na produção de biodiesel, a Ecomat, empresa que surgiu em novembro do ano 2000 por iniciativa dos usineiros do Mato Grosso e que tem como principal objetivo encontrar aplicações que incrementem a utilização do álcool combustível, já avaliava outras oportunidades de encontrar substitutos para o derivado do petróleo.

    Química e Derivados:  AEP-102 vem sendo testado com sucesso. O primeiro produto que lançou com essa finalidade foi o aditivo AEP-102, processado a partir do óleo de soja. O aditivo é biodegradável, possui alto índice de cetano e excelentes propriedades lubrificantes e solubilizantes. Adicionado ao álcool, permite que este possa ser misturado ao diesel obtido do petróleo, obtendo-se mistura que, como ocorre com o biodiesel, não exige qualquer modificação dos motores aos quais é destinada e provoca sensível redução de emissão de poluentes. Para que seja eficaz, a mistura deve conter 89,4% de óleo diesel, 8% de etanol anidro e 2,6% de AEP-102.

    “É uma opção a mais que o Brasil tem para diminuir o consumo do diesel, mais uma oportunidade para o Brasil se tornar no futuro um grande fornecedor mundial de combustíveis renováveis”, explica Sílvio Rangel, diretor administrativo da Ecomat. A distribuição do produto pode ser feita utilizando-se processos similares aos da preparação da mistura álcool/gasolina, uma vez que o álcool já aditivado pelos usineiros permite sua imediata mistura com o diesel.

    Rangel explica que o produto foi testado com sucesso pelos laboratórios do Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar), Instituto de Tecnologia do Combustível e Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP (IPT). A mistura combustível vem sendo aproveitada em frotas cativas, e já alimentou veículos que percorreram cerca de 260 mil quilômetros nas cidades de Curitiba, Cuiabá e Campo Grande. Para esses testes foram empregados motores OM 366 LA da Mercedes Benz, atendendo às especificações Euro 1 e Conama fase 4, que são, respectivamente, as legislações internacional e brasileira que regulam as emissões automotivas.



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