Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Biodiesel alimenta motor da economia

Jose P. Sant Anna
25 de abril de 2003
    -(reset)+

    De acordo com a entidade, no ano passado o Brasil produziu 4,7 milhões de toneladas de óleo de soja, dos quais cerca de 1,8 milhão foram exportados. Esse volume poderia ser rapidamente incrementado por meio da expansão das áreas de cultivo na região Centro-Oeste, o que de quebra provocaria conseqüências muito agradáveis: além de gerar milhares de empregos, a exportação do farelo de soja excedente resultaria na chegada de divisas consideráveis para o País. Outro fator apontado como positivo é o das fábricas processadoras de óleo de soja estarem distribuídas pelas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, regiões de maior consumo de diesel no País.

    Para a associação, o preço relativamente competitivo do biodiesel fabricado no Brasil em relação ao seu concorrente obtido do petróleo também é motivo de otimismo. A entidade fez estudos que estimam o preço do éster de óleo de soja, livre de impostos e da margem do produtor, em torno de R$ 0,82 a R$ 0,90 por litro no Estado de São Paulo e de R$ 0,77 a R$ 0,83 na região Centro-Oeste.

    Os números são de abril de 2002 e a diferença de custos decorre da variação dos valores das matérias-primas utilizadas e dos fretes. Na mesma época, o preço médio do diesel de petróleo na distribuidora estava na casa dos R$ 0,78 em São Paulo e R$ 0,93 no Mato Grosso.

    Química e Derivados: Biodiesel: Rittner - urge definir as especificações oficiais.

    Rittner – urge definir as especificações oficiais.

    Indefinições – Enquanto muitos esbanjam entusiasmo, alguns especialistas advertem que para que as metas do Probiodiesel sejam atingidas ainda precisam ser tomadas muitas decisões fundamentais. É o caso do engenheiro Herman Rittner, um dos maiores estudiosos do tema no País, autor de seis livros sobre óleos vegetais, colaborador do Probiodiesel e consultor da Ecomat é um deles. Para Rittner, é preciso concretizar com agilidade o planejamento da produção das quantidades necessárias de biodiesel para que o B5 seja adotado nas diversas regiões do País. “O programa deve atingir de forma prioritária os grandes centros urbanos, onde o problema da poluição é mais grave”, defende o consultor.

    A criação de uma logística eficaz de distribuição do produto e de uma política de preços adequada são outras premissas que o consultor considera imprescindíveis e delicadas. A Petrobras, já demonstrou interesse de se encarregar dessas tarefas, o que pode vir a desagradar interessados em se tornar produtores.

    A definição da característica das fábricas a serem instaladas também é um aspecto crucial, na opinião do engenheiro. Para ele, o gigantismo do projeto vai exigir a construção de plantas de grande capacidade e tais instalações exigem elevados investimentos, uma vez que devem operar em regime contínuo e com sofisticado grau de automatização. Para se ter uma idéia do investimento necessário, uma planta de porte médio, com capacidade de produção da ordem de 30 mil toneladas por ano, demanda investimentos entre US$ 6 milhões e US$ 10 milhões. Para suprir a necessidade provocada pela adoção do B5 seriam necessárias 50 fábricas com essa capacidade.

    Como um avanço, Rittner vê o surgimento de uma proposta preliminar feita pelo Probiodiesel sobre as especificações do combustível de origem vegetal a ser produzido no País. Tais especificações acompanham as características do combustível renovável fabricado no exterior, desenvolvidas a partir das exigências feitas pelas empresas fabricantes de motores. O engenheiro ressalta, no entanto, que tais propostas ainda não foram aprovadas em caráter definitivo.

    Resta torcer para que a condução do Probiodiesel resolva rapidamente esses e outros dilemas que certamente surgirão na esteira de um programa de tamanha dimensão. E que o projeto deixe de ser um sonho para se transformar em uma realidade que se torne positiva para o crescimento da economia nacional.

    Motores exigem purificação dos ésteres

    Os ésteres metílicos ou etílicos de ácidos graxos podem ser obtidos a partir de dois processos de fabricação. O primeiro prevê a esterificação direta de ácidos graxos livres nos óleos a serem processados com o álcool, catalisada por intermédio de ácido sulfúrico ou de outros catalisadores ácidos. De acordo com o engenheiro Herman Rittner, colaborador do Probiodiesel e consultor da Ecomat, esse método é pouco utilizado industrialmente por ser lento e apresentar custo mais elevado. Requer a obtenção prévia de ácidos graxos de glicerídeos e exige equipamentos construídos em materiais resistentes à corrosão por ácidos graxos (geralmente o aço inox 316 L).

    O segundo método, o da transesterificação de matérias graxas (triglicerídios) catalisada por soda cáustica, ou outros catalisadores alcalinos, é o mais recomendado. Ele requer uma conversão de 97% a 98% dos triglicerídeos a ésteres monoídricos quando estes são produzidos para uso como combustível em motores diesel.

    Na transesterificação, catalisada por soda ou por metóxido de sódio, o produto obtido apresenta-se contaminado por glicerol livre residual, mono e diglicerídeos, triglicerídeos residuais, sabões formados por reação entre o catalisador (soda) e matérias graxas, além de substâncias resultantes do triglicerídeo utilizado. Tais contaminantes geram problemas sérios nos motores a diesel, como corrosão ou formação de incrustações. Torna-se necessária, dessa forma, uma purificação apropriada da mistura resultante, para que sejam separados os ésteres monoídricos com características adequadas às especificações exigidas para uso em veículos.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *