Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Biodiesel alimenta motor da economia

Jose P. Sant Anna
25 de abril de 2003
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    Made in Brazil – O Brasil apresenta condições invejáveis para se tornar um grande fornecedor mundial de biodiesel por tratar-se do único país do mundo onde ainda existem grandes territórios agriculturáveis disponíveis. É também o país que possui maior experiência como produtor de combustível renovável. Sua capacidade atual de produção de álcool etílico, em condições de substituir o metanol utilizado para produzir o éster no exterior, é da ordem de 16 bilhões de litros por ano.

    Química e Derivados: Biodiesel: grafico2.Quadro similar ocorre com a produção de óleos vegetais, principalmente de soja e de palma, que se encontram entre os que melhor atendem às especificações ténicas exigidas para a produção do substituto do diesel comum. O biodiesel, aliás, pode ser uma saída econômica muito interessante para o destino da produção da polêmica soja transgênica, cuja utilização tem provocado acaloradas discussões entre governo e produtores rurais.

    A caminhada para transformar tamanho potencial em um projeto concreto, no entanto, não é tranqüila. Os primeiros passos já foram dados. Com o objetivo de criar um projeto de aproveitamento do combustível de origem vegetal no mercado nacional, o Ministério da Ciência e Tecnologia criou, em outubro de 2002, e hoje dirige o Probiodiesel – Programa Brasileiro de Biocombustíveis. O programa tem o apoio da Rede Brasileira de Biodiesel, que realiza experiências há mais de dois anos e reúne mais de 200 especialistas, entre eles técnicos da Petrobras, do Instituto Nacional de Tecnologia e de vários outros órgãos públicos, universidades, empresas privadas e produtores rurais. Também conta com a cooperação informal dos ministérios do Meio Ambiente, de Minas e Energia, da Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

    Apesar de criado no final da era Fernando Henrique Cardoso, o projeto é visto com entusiasmo pela equipe do presidente Luís Inácio Lula da Silva. “O programa tem tudo para se transformar em um novo Pró-álcool”, garante Roberto Amaral, ministro da Ciência e Tecnologia do novo governo, entusiasmado com a possibilidade do projeto gerar 200 mil empregos no campo.

    Números assustadores – O Probiodiesel nasceu com metas ambiciosas. O projeto estima que dentro de um prazo aproximado de três anos o país já esteja utilizando um blend chamado B5, composto por 5% de biodiesel e 95% de diesel comum, para abastecer picapes, ônibus, caminhões e demais veículos hoje movidos apenas pelo óleo convencional. No futuro, a idéia é que o B5 dê lugar ao B20, blend cuja formulação conta com a presença de 20% de biodiesel.

    Hoje o Brasil consome cerca de 34 milhões de m³/ano de óleo diesel, dos quais quase 30 milhões são destinados ao setor de transporte. Para substituir 5% do total consumido por veículos, portanto, será necessário produzir em torno de 1,5 milhão de metros cúbicos/ano de biodiesel. A substituição geraria uma economia de divisas bastante razoável para os cofres nacionais. Hoje são importados cerca de 6 milhões de m³/ano de diesel, a um custo próximo dos US$ 1,22 bilhão (valor sujeito a alterações devido às constantes oscilações da cotação internacional do petróleo). Nos números de hoje, a adoção do B5 reduziria as necessidades de importação em 25%. Já com o B20, as importações se tornariam desnecessárias.

    Os ganhos ambientais também seriam muito vantajosos. Números levantados por produtores de álcool estimam que com a adoção do B5 deixariam de ser jogadas na atmosfera cerca de 4,5 milhões de toneladas de CO2. Também haveria uma grande redução da emissão de partículas de enxofre, ausentes no combustível de origem vegetal.

    Química e Derivados: Biodiesel: A Ecomat pode produzir 1,2 tonelada-mês de biodiesel.

    A Ecomat pode produzir 1,2 tonelada-mês de biodiesel.

    Otimismo – Será possível atingir metas tão ambiciosas? Entusiastas do uso do biodiesel garantem que sim. Neste time, é lógico, encontram-se alguns dos principais interessados, caso dos fornecedores de matérias-primas. Silvio Rangel, diretor-administrativo da Ecomat, empresa de capital privado criada em novembro de 2000 pelos produtores de álcool de Mato Grosso para desenvolver aplicações que elevem a produção de álcool, é um dos otimistas. A empresa é pioneira no assunto e já conta, desde o final do ano passado, com uma planta industrial capaz de produzir biodiesel.

    Rangel explica que o incremento necessário na produção de álcool para atender a necessidade do mercado caso seja adotado o B5 é algo em torno de 300 milhões de litros, número que não assusta os produtores. O diretor também garante que o biodiesel obtido a partir do etanol atende às especificações técnicas das montadoras assim como o produzido no exterior a partir do metanol. “Começamos a fazer testes com etanol há ano e meio e conseguimos bons resultados. Amostras do biodiesel que produzimos já foram aprovados pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (TecPar) e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Atualmente estamos realizando testes nos laboratórios da Bosch, na Alemanha”, explica.

    A fábrica da Ecomat tem capacidade de produção de 1,2 tonelada por mês de biodiesel. “Mas com algumas adaptações podemos elevar essa capacidade de maneira significativa e rápida”, revela Rangel. O executivo explica que no momento a empresa está produzindo o necessário apenas para a realização de testes no Brasil. “Vários veículos estão rodando com nosso biodiesel em Curitiba”, informa.

    O desafio também não assusta a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), que recentemente publicou um relatório sobre a viabilidade econômica do projeto. A entidade garante não ter grandes problemas para ampliar em grande escala e em curto prazo o fornecimento do óleo de soja, matéria-prima que considera a ideal para o projeto a partir das condições da agricultura brasileira.



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