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Álcool e Açúcar (usinas)

Biocombustíveis geram escala para projetos industriais

Marcelo Fairbanks
25 de junho de 2018
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    Condições econômicas – Contar com uma fonte abundante e barata de açúcares é a base dos investimentos biotecnológicos. “Se o preço do petróleo estiver alto, então, é o melhor dos mundos”, disse Gorescu. A conjunção desses fatores embasou a primeira onda de investimentos biotecnológicos, de cinco a dez anos atrás. “Muita gente nisso, mas, com a queda do petróleo e do gás, houve um desânimo, especialmente nos biocombustíveis”.

    Depois disso, houve um amadurecimento global, e os novos projetos são menos bombásticos, mas com foco em alcançar rentabilidade em prazos longos. No caso brasileiro, o RenovaBio está criando o mecanismo de C-Bio, um bônus para quem comprove a remoção de carbono. “Isso vai apoiar projetos de etanol 2G, biodiesel e biogás, e o valor de mercado dos C-Bio virá das distribuidoras”, explicou. Não se sabe se esse volume de recursos será suficiente para viabilizar sozinho novos projetos. “Para quem já opera, será um bom auxílio.”

    O panorama de negócios deve considerar que o Brasil é importador de gás natural, óleo diesel, gasolina e etanol. Portanto, existe demanda local a ser atendida, com a vantagem de reduzir emissões de CO2.

    A Solvay não prioriza o desenvolvimento de biocombustíveis (além do biobutanol), mas considera que o estabelecimento desse negócio poderá criar uma base de biomassa e derivados capaz de suportar outras iniciativas. “Será a hora de criar um RenovaBio dos produtos químicos”, afirmou. Como informou, a meta do Grupo Solvay para 2023 prevê obter a metade de seu faturamento global com a venda de soluções sustentáveis. “Isso também ajudará a melhorar a imagem global da indústria química”, comentou Gorescu.

    O aproveitamento bioquímico da biomassa deverá receber mais atenções do que os açúcares diretos. “A desconstrução da biomassa abre um leque grande de produtos que originam diferentes cadeias químicas, fundamentais para viabilizar economicamente o processo”, explicou.

    Isso não significa, necessariamente, que uma indústria deva desenvolver sozinha todas essas cadeias. Isso representaria um consumo gigantesco de capital. “Haverá um processo de integração de empresas, parecido com o que existe hoje na indústria química, com algumas diferenças”, prevê Gorescu.

    Como exemplo, ele apontou a produção de eucalipto, atividade já estabelecida no Brasil. “É uma fonte muito interessante de biomassa, de rápido crescimento, que daria origem a um leque de 8 a 20 produtos diferentes, muita coisa para uma empresa só”, comentou. É preciso lembrar que, além de estabelecer a tecnologia de produção, é necessário também desenvolver aplicações e mercados para cada produto.

    Segundo Gorescu, a Brasil não tem tradição em criar consórcios público-privados para resolver problemas, ao contrário da Europa e dos Estados Unidos. Também as start-ups ainda são escassas no setor de biotecnologia, embora tenham um grande potencial de crescimento.

    “Resumindo: a biotecnologia é um campo promissor para investimentos no Brasil, mas ainda há um longo caminho pela frente”, concluiu.



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