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Biocombustíveis geram escala para projetos industriais

Marcelo Fairbanks
25 de junho de 2018
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    Aprovada em dezembro de 2017, a Lei de Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) terá efeitos maiores que os elencados em sua introdução. Além de complementar a matriz de oferta de combustíveis, porém com substâncias de origem renovável, e descarbonizar as emissões atmosféricas dos veículos de transporte, cumprindo as metas previstas no Acordo de Paris, esse dispositivo legal também dará grande impulso aos esforços brasileiros em biotecnologia.

    “O RenovaBio premia a eficiência produtiva e a inovação dos geradores de biocombustíveis, isso pode ser um exemplo para outros programas voltados ao desenvolvimento tecnológico no país”, comentou Bernardo Silva, presidente executivo da Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial – ABBI, entidade civil que reúne as empresas pioneiras na atividade, com o intuito de apoiar a consolidação da biotecnologia no país. Como explicou, a nova lei prioriza a remoção das emissões de carbono, sem indicar uma tecnologia específica. “O governo precisa cumprir as metas do Acordo de Paris, que são ambiciosas, isso se refletirá no valor a ser atribuído aos créditos de descarbonização que beneficiarão os produtores”.

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    Ainda falta regulamentar a Lei 13.576, mas isso deve ser feito até 15 de junho próximo, prazo final estabelecido para definição das metas anuais da política, com metas individuais (para cada produtor) com indicação prevista para julho de 2019. Segundo Silva, a meta prevê duplicar a produção atual de biocombustíveis, mas o RenovaBio não prevê fontes de financiamento para tanto. “Até agora, a política aponta o tamanho e o valor da pizza, mas não diz como será feita”, comparou.

    Pelo tamanho, o setor de biocombustíveis é um forte indutor de projetos biotecnológicos mais avançados que os usados atualmente para produzir etanol e biodiesel. O etanol celulósico (chamado 2G) exigiu o desenvolvimento de enzimas e fermentos, já estando tecnicamente ajustado, embora ainda sofra com problemas de engenharia mecânica e logística. Além dele, há outros projetos promissores, como o da produção de butanol por fermentação de açúcares.

    “Nem todos os sócios da ABBI atuam com biocombustíveis, mas têm vários projetos no âmbito de várias indústrias”, comentou. A lista de associados reúne nomes de peso no panorama global, como Solvay, Amyris, DSM, Novozymes, Dow, DuPont, Basf, além de locais, como GranBio, Raízen e CTC.

    A ABBI mapeou o tamanho das operações biotecnológicas industriais no país e estimou que o produto interno bruto gerado por biocombustíveis e químicos biotecnológicos pode chegar a US$ 53 bilhões por ano daqui a vinte anos, desde que o ambiente para sua evolução seja favorável. “Esse valor considera apenas os resultados diretos, sem contar o efeito multiplicador na economia”, afirmou Silva.

    Dentro do seu papel institucional, a entidade mantém grupos multivariados para monitorar estratégias voltadas para o desenvolvimento do setor, de modo a apontar caminhos a seguir. “A Alemanha e os Estados Unidos mantêm conselhos semelhantes, pois a biotecnologia é um campo muito amplo que exige ajustar o foco para evitar dispersão de esforços”.

    Como exemplo, ele citou os bids, certames para contratação de projetos de inovação com objetivos determinados pelos governos desses países. “Nos Estados Unidos, a marinha promoveu bids que ajudaram a desenvolver o biobutanol, por exemplo, é um mecanismo que o Brasil poderia adotar”, avaliou.

    Ao mesmo tempo, Silva salienta que a associação se coloca frontalmente contrária à criação de modelos protecionistas. “O Brasil poderá ter uma indústria inovadora de porte mundial, usando políticas públicas definidas com sólido embasamento técnico, sem distorções”, comentou. Como informou, o setor petroleiro não apoiou a elaboração do RenovaBio, sendo acompanhado pelas distribuidoras de combustíveis.

    Nesse ponto, Silva elogiou a atuação do Ministério de Minas e Energia, que buscou harmonizar interesses, permitindo ao governo federal lograr a aprovação da lei pelas casas legislativas com rapidez. “A imagem da biotecnologia industrial é boa na sociedade, todos percebem o valor que ela agrega aos produtos finais”, salientou.



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