Biodiesel

Biocombustíveis – Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida

Hamilton Almeida
5 de abril de 2021
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    Dificuldades – “2020 foi um ano duro”, sublinha Minelli. “Sinalizações imprecisas de consumo de diesel no curto prazo somadas à forte demanda internacional pela principal matéria-prima utilizada na produção de biodiesel, a soja, amplificada pela grande desvalorização do real frente ao dólar, desbalancearam o mercado”.

    Em 2020, descreve Tokarski, as indústrias enfrentaram “um complicador extra”. Com a elevação da cotação do dólar e o aumento nos preços da soja no mercado internacional, o produtor rural preferiu exportar ao invés de vender sua safra no mercado interno para a produção de farelo destinado à alimentação animal e o aproveitamento do óleo para a produção do biodiesel.

    Esse fato levou à importação da matéria-prima e à redução no percentual de biodiesel de 12% para 10%, de forma excepcional. “Em março, o percentual da mistura voltará a seguir o previsto na lei, chegando a 13%”, indica.

    Tokarski informa também que, no final de março de 2020, o setor sofreu “com uma drástica redução das retiradas de biodiesel por parte das distribuidoras no 71º leilão de aquisição para o abastecimento do segundo bimestre. Na sequência, apesar de todos os esforços empreendidos e de alertas às autoridades competentes, o segmento sofreu imposição da redução de percentuais de obrigação de retiradas de biodiesel de 95% para 80% e, ao mesmo tempo, com uma subestimativa acentuada da demanda por parte das distribuidoras antes do leilão 72, referente ao terceiro bimestre. Essa estimativa subdimensionada flexibilizou ainda mais a exportação de soja e óleo, deixando o mercado com baixo estoque de matéria-prima para a produção de biodiesel”.

    Indagado sobre como os produtores que já tinham vendido o produto nos leilões fizeram para produzir sem perder dinheiro, Tokarski responde que a Ubrabio alertou sobre esta situação e sugeriu uma adequação da previsibilidade da demanda de diesel B e, consequentemente, de biodiesel, mas não teve apoio, o que resultou em expressiva queda na retenção do óleo de soja.

    “Já durante o 3º bimestre houve uma brusca retomada de demanda de diesel B, especialmente pela pujança do setor agropecuário. Esta situação desnudou uma realidade que vem se intensificando nos últimos anos: a priorização da exportação do grão em detrimento à retenção da oleaginosa para utilização no mercado interno e a consequente desindustrialização do país. Processar apenas 35% de toda a soja que produzimos, quando há 20 anos esse percentual era de 65%, é um desperdício de potencial produtivo. Nesse aspecto, o biodiesel contribui sobremaneira, por ser responsável pela destinação de cerca de 50% de todo o óleo de soja gerado pelo esmagamento do grão. Com isso, induz a oferta e barateia o farelo proteico”, pondera.

    Petróleo & Energia - Biocombustíveis - Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida e ambiente favorável aos produtores - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhoto

    Tokarski: país precisa ampliar o processamento local da soja

    De qualquer modo, ele expõe que o “modelo de leilões organizados pela ANP é um verdadeiro alicerce do PNPB (Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel) pautado pela transparência, previsibilidade e indutor de um ambiente de concorrência saudável”. E deve continuar.

    Tokarski afiança que o Brasil pode viabilizar a coexistência entre os diversos combustíveis fósseis e biocombustíveis (biodiesel, etanol, biometano, diesel verde (HVO), BioQAv) de forma individualizada ou combinada entre si. “Esse marco deverá viabilizar mercado e previsibilidade de longo prazo. A ideia é possibilitar uma mistura tripartite, com diesel fóssil, biodiesel e o diesel verde, preservando-se, contudo, as externalidades do biodiesel, o cronograma de evolução do mandato já previsto até 2023 com o B15. Além da desejável continuidade de novos incrementos de mistura por intermédio também de Novo Marco Regulatório que alcance o B20 até 2028, mantendo-se a cadência de aumento de um ponto percentual ao ano”.

    A Aprobio defende uma complementariedade, com mandatos independentes para cada biocombustível. “O diesel verde é outro produto e deve ser considerado como um mercado próprio em substituição ao combustível fóssil, mas nunca concorrendo com outro biocombustível”, conclui Minelli.



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