Biodiesel

Biocombustíveis – Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida

Hamilton Almeida
5 de abril de 2021
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    Renovabio – A era do RenovaBio, a Política Nacional de Biocombustíveis, iniciada em 2020, cumpriu “plenamente” as suas metas, destaca Pádua. Nastari contabiliza: “18,735 milhões de créditos de descarbonização (CBios) foram escriturados na B3 para venda até 30 de dezembro, 26,7% acima da meta combinada de 2019-2020, que precisava ser cumprida pelas distribuidoras de combustível até 31 de dezembro”.

    “As partes obrigadas (distribuidoras de combustível) compraram 15,096 milhões de CBios até 30 de dezembro, 1,3% acima da meta de 2019-2020, dos quais 14,609 milhões de CBios foram aposentados (outros 289 mil CBios podem ter sido aposentados em 31 de dezembro). Devido ao excesso de oferta, o preço do CBio se estabilizou em torno de R$ 36 a 37/t CO2 equivalente. Ao todo, o mercado CBio gerou R$ 651 milhões de valor em 2020 a um preço médio de R$ 43,06/t de CO2 equivalente”.

    Julio César Minelli, diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) diz que “nenhuma distribuidora aposentou CBios acima de sua meta, 32 não aposentaram qualquer CBio ou uma quantidade muito inferior à sua meta, enquanto 3 cumpriram mais de 80% da meta. Destaque-se que das dez maiores distribuidoras em termos de metas de CBios, apenas uma não fez aquisições”. Neste ambiente, complementa, “também temos os biocombustíveis avançados, como o diesel verde e o combustível para aviação renovável, que serão indispensáveis para combater as mudanças climáticas e cumprir as metas de redução de gases de efeito estufa”.

    Conforme Pádua, 2021 começou com um estoque de mais de 3,5 milhões de CBios. Hoje, o país conta com 238 unidades certificadas, das quais 215 são de etanol, 22 de biodiesel e 1 de biogás e biometano. A meta para 2021 é de 24,86 milhões de CBios.

    “A expectativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para 2021 é chegar ao final do primeiro semestre com ٦٠٪ das unidades produtivas certificadas. Já em relação aos CBios, a agência estima que a emissão de títulos varie entre 30,9 milhões e 32,4 milhões, ultrapassando novamente a meta estipulada”, comunica Minelli. Tanto Minelli como Pádua desejam que, por ocasião da revisão das metas para os próximos 10 anos, elas sejam reavaliadas para cima.

    Biodiesel – O diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, acredita que “as perspectivas para 2021 são muito boas porque a lei possibilitou e o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu pelo aumento da mistura de 12% (B12) para 13% (B13) do biodiesel no diesel fóssil, a partir de março”.

    Além disso, prossegue, “espera-se a retomada do crescimento econômico e o consequente aumento no consumo de combustíveis em geral. Isso implicará no consumo de mais de 7 bilhões de litros de biodiesel, o que representa significativo impacto na economia setorial. O B14 entrará em março de 2022 e o B15 em 2023”.

    Minelli entende que a capacidade instalada e autorizada atualmente de 28.992 m³/dia permitiria atender uma demanda estimada para a mistura de 18% (B18). E assevera: “O fortalecimento do RenovaBio e a consolidação do modelo de previsibilidade, bem como a continuidade do aumento da mistura obrigatória mínima prevista na Lei do Biodiesel e resolução do CNPE são requisitos para o setor que saberá responder com os investimentos necessários para o atendimento da demanda, como já tem feito até aqui desde quando o biodiesel começou a se tornar realidade no Brasil, em 2008, com a adoção da mistura obrigatória de 2%”.

    Tokarski argumenta que “o principal desafio é ter uma previsibilidade segura de consumo do diesel para os próximos anos. O setor precisa ter segurança no incremento do percentual de mistura a cada ano até chegar em 2028 com 20%”. Também se espera a regulamentação da utilização do diesel verde e do bioquerosene.

    Minelli expressa que “é importante seguir com as decisões que fortalecem o RenovaBio, com a garantia de todos os avanços que envolvem a consolidação do nível de previsibilidade, de parâmetros de operação comercial, de qualidade, de planejamento e de investimento para os produtores de biocombustíveis. Também é preciso intensificar a industrialização da soja, fortalecendo a agregação de valor à cadeia com mais processamento para produzir mais farelo e óleo, gerando emprego e alimento no país e reforçando a produção de biodiesel e a exportação de carne, o que representa grande valor adicionado”.

    A entidade lançou o Selo de Qualidade (Selo Aprobio de Qualidade, o Biodiesel Super A) e está fazendo um trabalho com as usinas para que todas sejam certificadas em breve. “Também estamos aguardando a convocação para o Workshop de Qualidade proposto pelo Ministério de Minas e Energia para discutirmos a questão da qualidade em toda a cadeia. Não adianta as usinas produzirem o melhor biocombustível do mundo e ele não chegar até o cliente”, adverte.

    No ano passado, a produção de biodiesel atingiu 6,4 bilhões de litros, uma alta de 9,3% em relação a 2019, e nível recorde para um ano, o que gerou um faturamento de R$ 27 bilhões. Dados da ANP mostram que a capacidade de produção anual é de 10,4 bilhões de litros. Quatro plantas industriais estão sendo ampliadas e outras sete estão em construção, o que elevará a capacidade para mais de 12,5 bilhões de litros/ano.

    O Brasil é o 3º maior produtor mundial, atrás da Indonésia, que adota o B30, e os EUA, com percentual de adição mais comum de 20%. A soja representa cerca de 72% da matéria-prima utilizada por aqui. Com participação em torno de 11% a 15%, estão as gorduras animais (bovina, suína e avícola).

    Cabe evidenciar o crescimento na utilização do óleo de palma, que em 2020 já ultrapassou 2,4%, e do óleo de fritura usado, com 1,3%, além das demais matérias-primas como óleo de algodão, óleo de milho e óleo de canola. O óleo de fritura é reciclado por 49 indústrias espalhadas por todas as regiões brasileiras, em 13 estados e 37 municípios.



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