Biocombustíveis – Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida

Petróleo & Energia - Biocombustíveis - Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida e ambiente favorável aos produtores - Perspectivas 2021 ©QD Foto: iStockPhoto

Perspectivas 2021 – Biocombustíveis – Etanol e biodiesel projetam demanda aquecida e ambiente favorável aos produtores

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Nastari: RenovaBio conseguiu superar os objetivos iniciais biocombustíveis

O complexo industrial da cana-de-açúcar tem uma expectativa positiva para este ano, mesmo com a redução na oferta da matéria-prima. “Com um mix de produção para açúcar aproximadamente igual – 46,33% em 2020/21 e projetados 46,55% em 2021/22 –, o consumo de etanol anidro para uso combustível deve crescer de 9,72 bilhões para 10,35 bilhões de litros, e o consumo de etanol hidratado combustível deve se manter em 19,15 bilhões de litros/ano. O consumo para outros fins deve retroceder ligeiramente, de 2,228 bilhões para 2,028 bilhões de litros, com o relaxamento das medidas de isolamento”. As previsões são do presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari.

Ele trabalha com a expectativa de que a moagem de cana na região Centro-Sul caia das 607,3 milhões de toneladas da safra 2020/21 para 586 milhões de t na safra 2021/22. “Essa queda deve ser atribuída em grande ao tempo seco observado em 2020, que ocasionou atraso no desenvolvimento fisiológico dos canaviais, ao aumento dos episódios de incêndio que aumentaram as falhas de brotação, e à maior infestação de pragas (broca e cigarrinha) e de mato”, afirma Nastari.

Para o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, “vários fatores” contribuem para a redução na oferta de cana, principalmente o veranico de abril a setembro e o envelhecimento dos canaviais. Por isso, ele antecipa que a próxima safra, assim como a anterior, será mais açucareira. “Vai faltar açúcar no mercado mundial; o real está desvalorizado e muitas empresas já venderam grande parte do açúcar da próxima safra, que deverá ter de novo preços muito favoráveis. Hoje, o preço supera os 16 cents de dólar por libra peso”, considerou.

Com muitos anos de experiência, Pádua se acostumou a ver uma safra diferente da outra. Mas confessa que assistiu, em 2020, algo “muito diferente”. Lembra que o ano começou com uma expectativa muito positiva e o mercado de açúcar já sinalizando bons preços e a possibilidade de o Brasil exportar mais.

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Em março, entretanto, começaram os abalos. “O primeiro foi o choque do petróleo em consequência da disputa entre a Rússia e a Arábia Saudita, que derrubou os preços a valores negativos. Como mais de 55% da nossa cana é dedicada à produção de etanol, a preocupação foi muito grande. Logo em seguida, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para a pandemia do novo coronavírus, o que mexeu com a mobilidade em nível planetário”.

Pádua relata que o setor se preparou para começar a safra em abril com maior produção de cana. E começou dentro de um cenário não muito claro na questão da mobilidade, mas bem definido na parte do açúcar. “Grande parte da oferta de cana estava comprometida na produção e exportação de açúcar”, recorda.

Nastari analisa que, após um primeiro trimestre de 2020 muito tumultuado, com o pico da crise ocorrendo em abril, quando o consumo e o preço dos combustíveis caíram a níveis incrivelmente baixos – em 20 de abril, o preço do petróleo WTI fechou ao inédito nível negativo de US$ 43 por barril, e a gasolina RBOB (gasolina reformulada para a adição de oxigenados, como o etanol, equivalente à gasolina A no Brasil) a meros US$ 0,40 por galão –, ao longo do ano o preço e o consumo foram se recuperando. No acumulado entre janeiro e novembro, o consumo de etanol hidratado totalizou 17,313 bilhões de litros, queda de 15,2% em relação aos primeiros 11 meses de 2019.

O consumo de gasolina C atingiu 3,218 bilhões de litros em novembro, totalizando 34,602 bilhões desde janeiro, queda de 7,2% em um ano. A mesma proporção foi observada para o etanol anidro, cujo consumo caiu 7,2% em relação ao mesmo período de 2019.

Nastari conjetura que, para a safra de 2020/21, a ser encerrada em 31 de março, a demanda de combustíveis do ciclo Otto (gasolina C + etanol hidratado), em gasolina equivalente, deve cair 9,2%. O consumo de álcool para outros fins, impulsionado principalmente pelo uso em saneantes, como álcool 70% e álcool gel, aumentou de 1,925 bilhão para 2,228 bilhões de litros. O consumo para alcoolquímica deve encerrar o ciclo 2020/21 caindo de 0,2 bilhão para 0,14 bilhão de litros.

Ele acrescenta que, na safra 2020/21, na região Centro-Sul, a moagem deve terminar em 31 de março com 607,35 milhões de t (+2,88%), produção de açúcar de 38,82 milhões de t (+45,06%) e produção de etanol de 30,527 bilhões de litros (-8,21%). O rendimento industrial deve chegar a 144,80 kg de ATR por t de cana (+4,5%). Na soma das regiões Centro-Sul e Norte-Nordeste, a moagem deve chegar a 662,35 milhões de t (+3,06%), a produção de açúcar deve encerrar com 42,47 milhões de t (+43,5%), e a produção de etanol com 32,585 bilhões de litros (-8,45%).

Pádua agrega que o forte veranico favoreceu a velocidade da colheita, com maior concentração de açúcares por tonelada de cana. Mais de 84% da cana é processada por usinas flex, de açúcar e etanol. E os 16% restantes são processados por usinas dedicadas a etanol de cana e de milho. “A grande vedete do ano foi o açúcar que trouxe uma remuneração bem adequada. O Brasil aproveitou essa oportunidade. Nos anos anteriores, o país havia diminuído e muito a sua participação no mercado internacional”, ressalta.

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Pádua: demanda global motiva usinas a produzir mais açúcar biocombustíveis

Nastari comenta que a participação do etanol no consumo de combustíveis do ciclo Otto, em gasolina equivalente, cresceu de 30,3% em 2012, para 46% em 2019. Em 2020, com a pandemia e a queda acentuada no consumo de etanol hidratado, essa participação deverá cair para 45,3%, quando encerrados os números de dezembro de 2020.

Mesmo assim, ele considera que é uma participação muito expressiva, em particular quando se leva em conta a sua expressão nos principais Estados consumidores (em 2019), como São Paulo, 64,0%; Minas Gerais, 56,5%; Goiás, 64,8%; Mato Grosso, 70,5%; e Paraná, 51,2%.

Essa participação crescente do etanol se deveu ao aumento no consumo de etanol hidratado em relação ao de gasolina C (que leva anidro). Por outro lado, “desde 2012, o consumo de etanol para outros fins cresceu relativamente pouco, passando de 1,72 bilhões de litros para os 2,228 bilhões de litros na safra 2020/21, a terminar em 31 de março”.

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A pandemia – “Do ponto de vista da produção, a pandemia não impactou o setor, que gerou quase 40 mil novos empregos em relação à safra anterior”, declara o porta-voz da Única. Mas afetou a mobilidade. “No Brasil e no mundo, houve uma redução no mercado de combustíveis dos veículos leves”.

Cerca de 90% da produção brasileira de etanol é destinada ao mercado interno. O restante é exportável e para uso não carburante. O que mudou foi a participação do milho, que aumentou 63%, passando de 1,62 bilhão de litros para 2,65 bilhões. A maior parte é produzida nos Estados do Mato Grosso e Goiás, informa Pádua. A estimativa de Nastari é que esta produção, que partiu de 141,3 milhões de litros em 2015, deve chegar a 8 bilhões de litros em 2027/28.

Pádua conta que se vendia 1 bilhão de litros etanol para o mercado não carburante. Com a pandemia, a demanda subiu para 1,5 bilhão de litros: “O álcool 70% é um produto que veio para ficar e esse mercado deve continuar nesses patamares. Outra grande surpresa foi o aumento das exportações do etanol hidratado, também por causa do uso sanitário: álcool gel e álcool ٧٠%”. Se de um lado foi reduzido o consumo de etanol por causa da queda da mobilidade, por outro houve um incremento devido ao uso sanitário, tanto no mercado interno como no externo.

Pelas contas de Nastari, as exportações de etanol cresceram de 1,895 bilhão de litros em 2019/20, para esperados 2,9 bilhão em 2020/21. As importações retrocederam: de 1,648 bilhão de litros em 2019/20, para esperados 1,25 bilhão em 2020/21.

O etanol de segunda geração (E2G) chegou a um novo estágio. Segundo Pádua, a única planta comercial ativa, no Brasil e no mundo, é da Raízen. A Usina Costa Pinto, em Piracicaba-SP, já opera em escala industrial de produção e o objetivo do grupo é, de acordo com ele, expandir o E2G para outras plantas do grupo. O produto foi desenvolvido a partir de tecnologia que aproveita integralmente a cana-de-açúcar e tem menor pegada de carbono. Nastari revela que o E2G atingiu uma produção de 40 milhões de litros em 2020/21.

Renovabio – A era do RenovaBio, a Política Nacional de Biocombustíveis, iniciada em 2020, cumpriu “plenamente” as suas metas, destaca Pádua. Nastari contabiliza: “18,735 milhões de créditos de descarbonização (CBios) foram escriturados na B3 para venda até 30 de dezembro, 26,7% acima da meta combinada de 2019-2020, que precisava ser cumprida pelas distribuidoras de combustível até 31 de dezembro”.

“As partes obrigadas (distribuidoras de combustível) compraram 15,096 milhões de CBios até 30 de dezembro, 1,3% acima da meta de 2019-2020, dos quais 14,609 milhões de CBios foram aposentados (outros 289 mil CBios podem ter sido aposentados em 31 de dezembro). Devido ao excesso de oferta, o preço do CBio se estabilizou em torno de R$ 36 a 37/t CO2 equivalente. Ao todo, o mercado CBio gerou R$ 651 milhões de valor em 2020 a um preço médio de R$ 43,06/t de CO2 equivalente”.

Julio César Minelli, diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) diz que “nenhuma distribuidora aposentou CBios acima de sua meta, 32 não aposentaram qualquer CBio ou uma quantidade muito inferior à sua meta, enquanto 3 cumpriram mais de 80% da meta. Destaque-se que das dez maiores distribuidoras em termos de metas de CBios, apenas uma não fez aquisições”. Neste ambiente, complementa, “também temos os biocombustíveis avançados, como o diesel verde e o combustível para aviação renovável, que serão indispensáveis para combater as mudanças climáticas e cumprir as metas de redução de gases de efeito estufa”.

Conforme Pádua, 2021 começou com um estoque de mais de 3,5 milhões de CBios. Hoje, o país conta com 238 unidades certificadas, das quais 215 são de etanol, 22 de biodiesel e 1 de biogás e biometano. A meta para 2021 é de 24,86 milhões de CBios.

“A expectativa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para 2021 é chegar ao final do primeiro semestre com ٦٠٪ das unidades produtivas certificadas. Já em relação aos CBios, a agência estima que a emissão de títulos varie entre 30,9 milhões e 32,4 milhões, ultrapassando novamente a meta estipulada”, comunica Minelli. Tanto Minelli como Pádua desejam que, por ocasião da revisão das metas para os próximos 10 anos, elas sejam reavaliadas para cima.

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Biodiesel – O diretor-superintendente da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Donizete Tokarski, acredita que “as perspectivas para 2021 são muito boas porque a lei possibilitou e o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) decidiu pelo aumento da mistura de 12% (B12) para 13% (B13) do biodiesel no diesel fóssil, a partir de março”.

Além disso, prossegue, “espera-se a retomada do crescimento econômico e o consequente aumento no consumo de combustíveis em geral. Isso implicará no consumo de mais de 7 bilhões de litros de biodiesel, o que representa significativo impacto na economia setorial. O B14 entrará em março de 2022 e o B15 em 2023”.

Minelli entende que a capacidade instalada e autorizada atualmente de 28.992 m³/dia permitiria atender uma demanda estimada para a mistura de 18% (B18). E assevera: “O fortalecimento do RenovaBio e a consolidação do modelo de previsibilidade, bem como a continuidade do aumento da mistura obrigatória mínima prevista na Lei do Biodiesel e resolução do CNPE são requisitos para o setor que saberá responder com os investimentos necessários para o atendimento da demanda, como já tem feito até aqui desde quando o biodiesel começou a se tornar realidade no Brasil, em 2008, com a adoção da mistura obrigatória de 2%”.

Tokarski argumenta que “o principal desafio é ter uma previsibilidade segura de consumo do diesel para os próximos anos. O setor precisa ter segurança no incremento do percentual de mistura a cada ano até chegar em 2028 com 20%”. Também se espera a regulamentação da utilização do diesel verde e do bioquerosene.

Minelli expressa que “é importante seguir com as decisões que fortalecem o RenovaBio, com a garantia de todos os avanços que envolvem a consolidação do nível de previsibilidade, de parâmetros de operação comercial, de qualidade, de planejamento e de investimento para os produtores de biocombustíveis. Também é preciso intensificar a industrialização da soja, fortalecendo a agregação de valor à cadeia com mais processamento para produzir mais farelo e óleo, gerando emprego e alimento no país e reforçando a produção de biodiesel e a exportação de carne, o que representa grande valor adicionado”.

A entidade lançou o Selo de Qualidade (Selo Aprobio de Qualidade, o Biodiesel Super A) e está fazendo um trabalho com as usinas para que todas sejam certificadas em breve. “Também estamos aguardando a convocação para o Workshop de Qualidade proposto pelo Ministério de Minas e Energia para discutirmos a questão da qualidade em toda a cadeia. Não adianta as usinas produzirem o melhor biocombustível do mundo e ele não chegar até o cliente”, adverte.

No ano passado, a produção de biodiesel atingiu 6,4 bilhões de litros, uma alta de 9,3% em relação a 2019, e nível recorde para um ano, o que gerou um faturamento de R$ 27 bilhões. Dados da ANP mostram que a capacidade de produção anual é de 10,4 bilhões de litros. Quatro plantas industriais estão sendo ampliadas e outras sete estão em construção, o que elevará a capacidade para mais de 12,5 bilhões de litros/ano.

O Brasil é o 3º maior produtor mundial, atrás da Indonésia, que adota o B30, e os EUA, com percentual de adição mais comum de 20%. A soja representa cerca de 72% da matéria-prima utilizada por aqui. Com participação em torno de 11% a 15%, estão as gorduras animais (bovina, suína e avícola).

Cabe evidenciar o crescimento na utilização do óleo de palma, que em 2020 já ultrapassou 2,4%, e do óleo de fritura usado, com 1,3%, além das demais matérias-primas como óleo de algodão, óleo de milho e óleo de canola. O óleo de fritura é reciclado por 49 indústrias espalhadas por todas as regiões brasileiras, em 13 estados e 37 municípios.

Dificuldades – “2020 foi um ano duro”, sublinha Minelli. “Sinalizações imprecisas de consumo de diesel no curto prazo somadas à forte demanda internacional pela principal matéria-prima utilizada na produção de biodiesel, a soja, amplificada pela grande desvalorização do real frente ao dólar, desbalancearam o mercado”.

Em 2020, descreve Tokarski, as indústrias enfrentaram “um complicador extra”. Com a elevação da cotação do dólar e o aumento nos preços da soja no mercado internacional, o produtor rural preferiu exportar ao invés de vender sua safra no mercado interno para a produção de farelo destinado à alimentação animal e o aproveitamento do óleo para a produção do biodiesel.

Esse fato levou à importação da matéria-prima e à redução no percentual de biodiesel de 12% para 10%, de forma excepcional. “Em março, o percentual da mistura voltará a seguir o previsto na lei, chegando a 13%”, indica.

Tokarski informa também que, no final de março de 2020, o setor sofreu “com uma drástica redução das retiradas de biodiesel por parte das distribuidoras no 71º leilão de aquisição para o abastecimento do segundo bimestre. Na sequência, apesar de todos os esforços empreendidos e de alertas às autoridades competentes, o segmento sofreu imposição da redução de percentuais de obrigação de retiradas de biodiesel de 95% para 80% e, ao mesmo tempo, com uma subestimativa acentuada da demanda por parte das distribuidoras antes do leilão 72, referente ao terceiro bimestre. Essa estimativa subdimensionada flexibilizou ainda mais a exportação de soja e óleo, deixando o mercado com baixo estoque de matéria-prima para a produção de biodiesel”.

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Indagado sobre como os produtores que já tinham vendido o produto nos leilões fizeram para produzir sem perder dinheiro, Tokarski responde que a Ubrabio alertou sobre esta situação e sugeriu uma adequação da previsibilidade da demanda de diesel B e, consequentemente, de biodiesel, mas não teve apoio, o que resultou em expressiva queda na retenção do óleo de soja.

“Já durante o 3º bimestre houve uma brusca retomada de demanda de diesel B, especialmente pela pujança do setor agropecuário. Esta situação desnudou uma realidade que vem se intensificando nos últimos anos: a priorização da exportação do grão em detrimento à retenção da oleaginosa para utilização no mercado interno e a consequente desindustrialização do país. Processar apenas 35% de toda a soja que produzimos, quando há 20 anos esse percentual era de 65%, é um desperdício de potencial produtivo. Nesse aspecto, o biodiesel contribui sobremaneira, por ser responsável pela destinação de cerca de 50% de todo o óleo de soja gerado pelo esmagamento do grão. Com isso, induz a oferta e barateia o farelo proteico”, pondera.

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Tokarski: país precisa ampliar o processamento local da soja

De qualquer modo, ele expõe que o “modelo de leilões organizados pela ANP é um verdadeiro alicerce do PNPB (Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel) pautado pela transparência, previsibilidade e indutor de um ambiente de concorrência saudável”. E deve continuar.

Tokarski afiança que o Brasil pode viabilizar a coexistência entre os diversos combustíveis fósseis e biocombustíveis (biodiesel, etanol, biometano, diesel verde (HVO), BioQAv) de forma individualizada ou combinada entre si. “Esse marco deverá viabilizar mercado e previsibilidade de longo prazo. A ideia é possibilitar uma mistura tripartite, com diesel fóssil, biodiesel e o diesel verde, preservando-se, contudo, as externalidades do biodiesel, o cronograma de evolução do mandato já previsto até 2023 com o B15. Além da desejável continuidade de novos incrementos de mistura por intermédio também de Novo Marco Regulatório que alcance o B20 até 2028, mantendo-se a cadência de aumento de um ponto percentual ao ano”.

A Aprobio defende uma complementariedade, com mandatos independentes para cada biocombustível. “O diesel verde é outro produto e deve ser considerado como um mercado próprio em substituição ao combustível fóssil, mas nunca concorrendo com outro biocombustível”, conclui Minelli.

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