Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Biocombustíveis – Etanol celulósico enfrenta crise setorial e petróleo mais barato

Domingos Zaparolli
13 de abril de 2015
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    Química e Derivados, Primeira unidade de etanol 2G da Raízen, em Piracicaba-SP

    Primeira unidade de etanol 2G da Raízen, em Piracicaba-SP

    Bioquímicos derivados – A estratégia da GranBio não visa apenas o mercado de biocombustíveis, mas também o de bioquímicos, por meio da conversão direta dos açúcares celulósicos em produtos químicos, como butanol, ácidos adípico e succínico, entre outros. O primeiro projeto em desenvolvimento é fruto de uma parceria com o Grupo Solvay, controlador da Rhodia. As duas empresas se uniram em outubro de 2014 na joint venture SGBio, com o objetivo de desenvolver tecnologias para a produção de bio n-butanol, insumo utilizado na fabricação de tintas, solventes e superabsorventes, utilizados na produção de fraldas descartáveis, por exemplo.

    José Matias, CEO da Solvay Coatis, diz que o uso de biomassa na indústria química caminha para se tornar bastante competitivo com o avanço tecnológico proporcionado pela tecnologia 2G. Em sua avaliação, a GranBio já apresenta boas soluções na obtenção da matéria-prima tanto com sua técnica de recolher a palha da cana quanto no desenvolvimento da cana-energia. O pré-tratamento da biomassa também já apresenta bons resultados, mas que ainda podem ser melhorados.

    O desafio maior, que é o foco atual da atenção da joint venture, está em melhorar a conversão do açúcar em n-butanol. “Estamos trabalhando no desenvolvimento tecnológico do processo e a expectativa é chegar ao final do ano tendo mapeado as melhores opções de rotas”, diz. Matias relata que a ideia é apresentar ao conselho administrativo da Solvay no final do ano uma proposta de investimento em uma fábrica de bio n-butanol. Em princípio, porém, a viabilidade econômica do projeto só será alcançada com o preço do petróleo estabilizado num patamar superior aos US$ 50 por barril apresentado em janeiro.

    Pacotes tecnológicos – No Brasil, além da GranBio e da Raízen, também o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) desenvolve um projeto produtivo de etanol de segunda geração. Nesse caso, porém, com o objetivo de licenciar pacotes tecnológicos para investidores interessados. O projeto está em desenvolvimento pelo CTC com recursos próprios desde 2007 e também provindos do Projeto PAISS – Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico, com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).Os trabalhos de instalação da unidade ganharam impulso em 2013, após firmar um acordo com a Usina São Manoel, localizada em São Manoel-SP, que ofertará o bagaço e a palha de cana que serão empregados no processo. A engenharia do projeto é da Pöyry e os equipamentos da austríaca Andritz. A previsão era que a unidade entraria em produção em 2014, mas ocorreram atrasos.

    Química e Derivados, Janeiro: custo de produção do 2G deve ser inferior ao usual

    Janeiro: custo de produção do 2G deve ser inferior ao usual

    Viler Correa Janeiro, diretor de etanol celulósico do CTC, diz que se trata de uma planta de demonstração, com capacidade para 3 milhões de litros/ano, e que contou com um investimento superior a R$ 80 milhões. “A unidade será utilizada para ensaios de otimização das diversas etapas do processo de produção, tendo como principal diferencial a integração com o etanol de primeira geração existente”, diz. Em resumo, relata Viler Janeiro, “a tecnologia extrai da biomassa (bagaço ou palha) os açúcares como a glicose e, por fermentação, produz exatamente o mesmo etanol que hoje é feito da sacarose da cana.” No momento, a planta de demonstração está em fase de comissionamento e deve entrar em operação normal no início da próxima safra. Segundo o executivo, “com o lançamento da planta de demonstração, deveremos ter um avanço significativo na curva de aprendizado desta nova tecnologia. Além dos custos de produção, a redução do Capex (capital investido) também é fundamental para viabilizar a instalação de novas plantas de etanol 2G”, salienta.

    Viler Janeiro informa que o custo esperado de produção do etanol 2G com tecnologia da CTC integrada ao parque industrial existente deve ser inferior ao custo de produção do etanol de primeira geração. O executivo diz que a disponibilidade de biomassa no Brasil é grande, uma vez que apenas uma pequena fração da palha disponível é recolhida e aproveitada. Sendo assim, as possibilidades apresentadas pelo etanol celulósico são interessantes, permitindo um aumento de 50% na produção de biocombustíveis no país sem a necessidade de expansão da área plantada. Por outro lado, o potencial mercadológico também é positivo. “A instalação de novas unidades de etanol 2G no Brasil está lastreada no crescimento da demanda pelo biocombustível e no sucesso do desenvolvimento da tecnologia”, finaliza.



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