Petróleo & Energia (gás, refino e gasolina)

Biocombustíveis – Etanol celulósico enfrenta crise setorial e petróleo mais barato

Domingos Zaparolli
13 de abril de 2015
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    Química e Derivados, Sistema transporta material celulósico para o processo

    Sistema transporta material celulósico para o processo

    Investimentos programados – Antonio Alberto Stuchi, diretor executivo de produção da Raízen, companhia controladora de 24 usinas que produzem em conjunto dois bilhões de litros de etanol por ano, 4,5 milhões de toneladas de açúcar e geram mais de 900 MW de energia elétrica com o bagaço da cana, reconhece que a realidade dos preços de eleltricidade será levada em conta para a definição de novos investimentos da companhia. Os planos já anunciados, porém, estão mantidos. No ano passado, a Raízen anunciou a intenção de investir entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões para construir, até 2024, sete unidades com capacidade total de 1 bilhão de litros por ano de etanol 2G. Segundo Stuchi, a estratégia da Raízen visa reduzir os custos de produção com a utilização da infraestrutura já implantada. “Projetamos a construção das plantas de etanol 2G anexas às de etanol de primeira geração, gerando sinergia total com o processo industrial. Nosso projeto foi concebido para produzir etanol com custo competitivo”, afirma.

    No momento, a unidade de Piracicaba está parada por causa da entressafra, quando cessa o suprimento de biomassa. A produção deverá ser retomada em maio de 2015, com o início da próxima safra. O processo produtivo da unidade, relata Stuchi, “se baseia na liberação da celulose, hemicelulose e lignina do bagaço por meio de tratamento térmico. Adiciona-se um coquetel de enzimas aos compostos celulósicos para obtenção dos açúcares, que posteriormente serão fermentados para produção de etanol. Da celulose se obtém a glicose (açúcar com 6 carbonos) que é fermentada tal qual os açúcares produzidos no processo 1G. Da hemicelulose se obtém a xilose (açúcar com 5 carbonos) que será fermentada por uma levedura geneticamente modificada, ainda em fase de desenvolvimento”, explicou.

    Os planos da GranBio são de investir R$ 4 bilhões no desenvolvimento tecnológico de novas fontes de biomassa, como a cana-energia, com produtividade duas vezes superior à da cana comum, e em projetos para produzir um bilhão de litros de etanol 2G por ano e um milhão de toneladas de açúcar até 2022. A previsão é que sejam construídas mais dez unidades industriais por meio de parcerias e modelos associativos com usinas de primeira geração.

    A companhia foi criada em 2011 já com o intuito de trabalhar com o desenvolvimento de soluções em biocombustíveis e bioquímicos. A expectativa da empresa é que a Bioflex 1, sua primeira unidade, alcance ainda em 2015 sua plena capacidade de produção, de 82 milhões de litros anuais. A comercialização do biocombustível já está sendo feita em Alagoas. A fábrica é abastecida por insumos de usinas do Grupo Carlos Lyra instaladas na região. A GranBio, em parceria com os fornecedores de equipamentos agrícolas CNH, Valtra e Implanor, desenvolveu um sistema para realizar a colheita, o armazenamento e o processamento da palha de cana.

    O pré-tratamento da biomassa para que a celulose e a hemicelulose sejam acessadas é realizado com a tecnologia Proesa, desenvolvida pela Beta Renewables. Na etapa seguinte, a hidrólise enzimática é promovida pela ação de enzimas da Novozymes, que quebram a celulose e a hemicelulose em moléculas de açúcares simples, como glicose e xilose. Já na etapa da fermentação, os açúcares são transformados em etanol por leveduras desenvolvidas pela DSM.

    Química e Derivados, Instalação da Raízen aproveita estrutura de usina existente

    Instalação da Raízen aproveita estrutura de usina existente

    A estimativa da GranBio é que seja possível, com essa estratégia produtiva, alcançar um custo total 20% mais baixo do que o verificado na produção de etanol de primeira geração. A expectativa da empresa é que a demanda pelo biocombustível seja crescente no Brasil nos próximos anos para atender uma frota de veículos flex que deverá consumir por volta de 70 bilhões de litros anuais até 2020. A produção brasileira na safra 2014/15, segundo projeção da consultoria Datagro, será de 29,1 bilhões de litros, indicando uma grande necessidade de expansão da oferta nos próximos anos.

    A avaliação da GranBio é de que a redução do preço do petróleo pode tornar mais lenta a participação dos biocombustíveis na matriz energética global, mas não o inviabiliza, uma vez que a sustentabilidade é um forte alicerce dos biocombustíveis e regiões como a Califórnia e a Europa estabeleceram regras para a redução de combustíveis fósseis em sua matriz energética que devem ser adotadas independentemente do preço do petróleo. No Brasil, segundo a GranBio, as perspectivas para o etanol voltam a ser mais favoráveis já em 2015, com a política acenada pelo governo federal de ampliar a mistura obrigatória de álcool na gasolina de 25% para 27%, e a decisão de alguns estados de modificar suas alíquotas de cobrança do ICMS para favorecer o uso de etanol.



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