Biocombustíveis – Demanda internacional fica aquém do previsto e preços despencam

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Produção cresce na região centro sul. Clique para ampliar.

Algumas usinas empreendem esforços para operar com maior teor alcoólico no vinho. Finguerut explica que o teor médio nas dornas brasileiras era de 8,5% em etanol, mas hoje já se opera com 11%. Nos EUA, o teor vai a 14%. “Só que eles deixam morrer as leveduras, enquanto nós as mantemos vivas para reciclar as mais adaptadas”, comparou. No Brasil, além disso, o tempo de residência nas dornas é menor.

Como tendências para o futuro, Finguerut aponta a busca por mais flexibilidade nas fermentações, dotando-as de controles automáticos por meio de espectrofotometria do infravermelho próximo (NIR), com detecção mais apurada e contínua do teor de açúcar e contaminantes na alimentação das dornas. Isso permitirá melhor adaptação às mais variadas variedades de cana-de-açúcar existentes.

Etanol de biomassa – O CTC também estuda formas de produzir etanol com a palha e o bagaço da cana. “Começamos os estudos com as técnicas de hidrólise, em parceria com a Dedini, na década de 80”, disse Finguerut. Essa parceria resultou no processo DHR (Dedini Hidrólise Rápida), mas já não conta com a participação do CTC. A parte referente a esse processo ficou com a Copersucar. “Talvez, no futuro, essa parceria seja redirecionada para nós”, disse.

O especialista comenta que o aproveitamento de resíduos para a geração de etanol era visto apenas como uma curiosidade nos anos 80. Só nos últimos anos é que as atenções de cientistas e governos concederam o status de prioridade para essas pesquisas.

“Estamos estudando o aproveitamento de materiais celulósicos pela via enzimática, que é mais promissora”, explicou Finguerut. O CTC estabeleceu um acordo de parceria tecnológica com a Novozymes para essas pesquisas. A parceria obteve uma verba europeia, um Frame Project – 7 (FP-7), no valor de 1,5 milhão de euros, para desenvolver ferramentas com o objetivo de determinar e estabelecer critérios, a fim de avaliar processos, matérias-primas e enzimas para essa finalidade, além de elaborar um modelo matemático para o processo. O projeto conta com o apoio de uma universidade sueca e também da Universidade Federal do Paraná.

Segundo o pesquisador, a União Europeia elegeu o Brasil e a cana-de-açúcar como alvos prioritários para projetos de energia renovável, por causa das grandes vantagens alcançadas sobre outras regiões e cultivos. A Novozymes e o CTC já contavam com uma parceria na produção de açúcar para exportação. Ele também elogiou a característica dos projetos europeus, da linha FP-7 em especial, pelo fato de eles constituírem uma ponte entre a pesquisa científica e as indústrias. O trabalho deve seguir um cronograma rígido, com prazo de dois anos para estudos, que podem ser prorrogados por mais dois anos para a conclusão. Outro aspecto interessante é a possibilidade de registrar a propriedade intelectual sobre os desenvolvimentos, que podem resultar em royalties.

Ao mesmo tempo, Finguerut observa que a crise econômica deve acertar em cheio a produção de etanol de milho dos Estados Unidos. Vários projetos eram ligados a fundos de investimento e foram descontinuados. Além disso, essa produção de etanol é muito cara, especialmente quando comparada com a brasileira, exigindo pesados subsídios governamentais que podem ser reduzidos. “É bem possível que muitos projetos de pesquisa de produção de álcool com base em materiais celulósicos venham a ser redirecionados para o Brasil”, comentou. Várias empresas de lá compraram ou estão montando usinas no país.

O assunto não é exatamente uma novidade. Segundo Finguerut, os alemães desenvolveram o processo de hidrólise ácida para aproveitamento de materiais celulósicos na Segunda Guerra. O método foi copiado e aprimorado pela antiga URSS e mantido em operação até meados dos anos 70. “Esse processo já atingiu o máximo possível de desenvolvimento”, afirmou. Ele também salienta que essa alternativa exige operar a alta pressão e usar solventes, condições ruins para integração com a atividade habitual das usinas.

Por sua vez, os métodos enzimáticos ainda estão em fase de desenvolvimento. Os líderes mundiais em enzimas para isso, a Novozymes e a Genencor, já conseguiram reduzir o custo das enzimas em vinte vezes. O pesquisador avalia que o custo de obtenção de etanol pela via enzimática ande por volta de US$ 250 por m³, e ainda pode ser reduzido.

“As enzimas têm um potencial biotecnológico a aproveitar, pois com uma pequena modificação no sítio ativo é possível melhorar os resultados”, afirmou. Além disso, ainda não foram estudados todos os recursos biológicos existentes na natureza, tanto em matérias-primas quanto em micro-organismos (bactérias, fungos e leveduras). As enzimas são entregues aos clientes prontas para uso, com grande facilidade de aplicação. Ele admite que será necessário buscar, no futuro, parceiros na área de equipamentos para suprir o mercado.

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