Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Biocidas: Insumos conservam produtos de limpeza e garantem sua eficácia

Antonio C. Santomauro
15 de setembro de 2014
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    Uma das fornecedoras dessa composição é a Thor, que a comercializa com ou sem um derivado de bromo denominado bronopol (bromo-nitro propanodiol) que, de acordo com Paulo Almeida Lima, gerente de contas do segmento household dessa empresa, comparativamente às isotizaolinonas, é um ativo biocida de resposta forte e mais rápida. “Essa característica é bastante desejada no enfrentamento de fontes de contaminações reincidentes ou de difícil erradicação”, ressalta Lima.

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    Mesmo agregadas ao bronopol, ele prossegue, isotiazolinonas desempenham papel fundamental na manutenção do produto durante seu prazo de validade e, por isso, a combinação entre CIT/MIT e bronopol vem ganhando espaço crescente.

    A Anvisa, detalha Lima, permite nos produtos de limpeza uma concentração máxima de CIT/MIT até 22 ppm. Mas na União Europeia, a partir do próximo ano, o índice máximo dessa concentração será bastante reduzido. “Não sabemos quando, nem se, alguma regulamentação similar chegará ao Brasil, mas a Thor já disponibiliza uma completa linha de produtos que atendem às normas europeias, como os ativos isolados MIT ou BIT (benzo isotiazolinona) e sua mistura, combinados ou não com o bronopol e outros ativos”, relata Lima.

    A Ipel também produz a combinação CIT/MIT e, no Brasil, afirma Leite, foi a empresa pioneira em sua associação a compostos derivados de bromo. Há cerca de 1,5 ano, a Ipel lançou uma linha de biocidas denominada Olus, totalmente proveniente de fontes naturais renováveis (óleos e extratos vegetais). Segundo Leite, esses produtos proporcionam a mesma resposta antimicrobiológica dos ativos CIT/MIT e já está sendo comercializada para clientes do Brasil e de países como Argentina e Colômbia, que a utilizam na fabricação de detergentes e produtos para limpeza de pisos, entre outros.

    Por enquanto, reconhece o diretor da Ipel, a linha Olus se destina a nichos de mercado, até porque tem custo ainda mais elevado do que os biocidas convencionais. “Mas ela deve crescer bastante, creio que no médio e longo prazos as fontes renováveis constituirão o caminho mais viável para o desenvolvimento de biocidas sustentáveis”, projeta.

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    Multifuncionais e diferenciados – Ativos de combate a micro-organismos provenientes de vegetais e de outras fontes renováveis é tendência percebida também por Maria Eugênia Proença Saldanha, presidente-executiva da Abipla (Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins). “Embora os biocidas estejam presentes em concentrações muito pequenas nas formulações dos produtos finais, a sustentabilidade é hoje o principal drive dessa indústria”, justifica. “Mas não dá para dissociar essa preocupação do custo, afinal, além dos grandes players mundiais atuam no mercado nacional de domissanitários, apenas em sua vertente formal, quase 3,3 mil empresas de porte menor.”

    Bim, da Lonza, engrossa o coro daqueles que projetam maior recorrência às matérias-primas renováveis no processo de desenvolvimento de biocidas para domissanitários. E cita o segmento dos produtos destinados à limpeza de tecidos, como lava-roupas e amaciantes, como aquele no qual é mais intenso o processo de evolução desses ativos (nesse segmento, aliás, vem se consolidando uma tendência com uso mais intensivo de biocidas: os lava-roupas líquidos, nos quais tais ingredientes aparecem em concentrações maiores, quando confrontadas com as das versões em pó).

    Atualmente, prossegue Bim, o mercado amplia a demanda por ingredientes com os quais seja possível desenvolver produtos com apelos mercadológicos distintos e multifuncionais: por exemplo, um amaciante antibacteriano ou um lustra-móveis antimofo. “Novas formulações pedem novos ativos biocidas, pois sua interação com essas moléculas pode alterar a performance do sistema conservante”, realça Bim. A Lonza está investindo mais de US$ 1 milhão em sua estrutura brasileira de pesquisa, desenvolvimento e suporte técnico, localizada em Salto-SP.

    Já a Dow, conta Debora, passou a utilizar este ano, em seu serviço de auditoria de plantas, um equipamento que mediante a reação de bioluminescência realiza um diagnóstico rápido do nível de contaminação microbiológica de matérias-primas, produtos acabados, tanques e equipamentos, e assim permite, além de sugestões de limpeza e desinfecção, até mesmo indicar ajustes capazes de ajudar a reduzir as quantidades de biocidas adicionadas nos produtos. “Serviços constituem um componente muito importante no mercado de preservantes e a Dow vem investindo bastante nessa área”, destaca.



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