Biocidas: Garantia de qualidade anima vendas

Uso de biocidas aumenta para prevenir o ataque microbiológico a diversos produtos.

Conjuntura favorece o uso de blends em vez do lançamento de novas moléculas

A demanda por biocidas segue firme, alimentada pela preocupação crescente das indústrias em garantir a qualidade de seus produtos.

Além disso, a queda dos preços internacionais de muitos princípios ativos com poder microbicida incentiva a incrementar as fórmulas, oferecendo maior espectro de proteção e maior durabilidade do tratamento.

A maior procura pelos biocidas também apresenta justificativa indireta.

Alguns setores industriais, como o de tintas, alteraram radicalmente sua composição química, principalmente ao adotar emulsões ou dispersões aquosas em substituição aos antigos sistemas com base em solventes orgânicos.

Em outros casos, como nos produtos de higiene e beleza pessoal, a palavra de ordem foi substituir ingredientes sintéticos pelos de origem natural, derivados de óleos vegetais e gorduras animais.

Em ambas as situações houve favorecimento da multiplicação de microorganismos diversos, além de, muitas vezes, introduzir contaminações elevadas nas formulações.

Diversos são os resultados da proliferação microbiológica nesses sistemas de natureza orgânica.

No aspecto físico, a mais evidente alteração é a desestabilização das emulsões, com a separação visual das fases. Freqüentemente observa-se variação de cor, situação indesejável nas tintas, por exemplo.

Na composição química, a liberação de enzimas pelos micróbios provoca o fracionamento de cadeias poliméricas, gerando moléculas curtas, de mais fácil digestão ou assimilação pelas colônias.

O resultado final é a liberação de gases, como o CO2, além dos fétidos sulfurosos.

Lotes contaminados precisam ser descartados ou retrabalhados, elevando custos ou criando inconvenientes para os usuários finais.

País com a maior parte do território na região tropical, o Brasil apresenta indiscutíveis qualidades para a proliferação de microorganismos, exigindo o uso intensivo de conservantes biocidas.

Existem muitas aplicações praticamente inexploradas pelos formuladores, como as tintas para madeira ou mesmo as linhas para ambientes de alta umidade (banheiros, por exemplo), que só há poucos anos passou a contar com produtos específicos.

Mesmo nos cosméticos, a fabricação local de artigos de qualidade superior só deslanchou a partir do Plano Real, em 1994.

Embora o potencial de demanda seja promissor, há dificuldades no caminho dos fornecedores de ingredientes ativos.

A reestruturação mundial da indústria química, em curso há quase cinco anos, cindiu alguns dos maiores grupos do setor.

A tendência foi a separação dos negócios das ciências da vida (linhas farmacêuticas, veterinárias, de biotecnologia e agroquímicos) das linhas da chamadas química básica tradicional.

Os biocidas ficaram nesse grupo.

“Antes contávamos com laboratório específico para a pesquisa e desenvolvimento de novas moléculas para controle microbiológico, um custo inaceitável hoje em dia”, comentou um executivo de empresa internacional do ramo, situação confirmada por alguns de seus concorrentes.

Ainda surgem novos produtos, em ritmo bem menos acelerado do que há cinco anos, e, em geral, são frutos de pequenas alterações químicas nas moléculas disponíveis.

“Além do custo elevado de pesquisa é preciso computar também os caríssimos estudos para conseguir a aprovação do EPA e FDA, nos Estados Unidos, e até da Vigilância Sanitária brasileira”, comentou outro executivo.

Ao mesmo tempo, várias moléculas sobejamente conhecidas e com patentes caducas continuam sendo eficientes em muitas aplicações.

Como são fabricadas em vários lugares do mundo, seus preços estão em declínio, para alegria dos compradores e preocupação da indústria química. Afinal, sem contar com margens razoáveis, torna-se impossível investir em inovações e há forte incentivo para a reestruturação das atividades.

Química e Derivados: Biocidas: Dora Alice - mercado atual pede blends eficientes com baixo custo.
Dora Alice – mercado atual pede blends eficientes com baixo custo.

“Pode ocorrer nova onda de fusões e aquisições nos próximos anos”, comentou Dora Alice F. Campos, diretora da área de proteção e higiene da Avecia (ex-Zeneca, ex-ICI).

Atualmente já acontecem acordos entre fornecedores para somar princípios ativos de modo a obstar iniciativas de concorrentes.

“A tendência atual é o desenvolvimento de blends mais eficientes e econômicos, em vez lançar moléculas multifuncionais”, avaliou.

A mesma opinião tem o gerente regional de vendas de químicos funcionais da Clariant, Dimas Carlos de Campos.

“A tendência é inovar nos blends, como forma de prestar serviço aos cientes, incluindo o controle microbiológico em todas as etapas do processo e até dos produtos finais nos pontos de venda”, comentou.

Com a aquisição, em 1999, do grupo BTP, controlador da Nipa, tradicional fornecedor mundial de parabenos (ésteres do ácido p-hidroxibenzóico), a Clariant consolidou posição estratégica favorável, atuando em todas as áreas industriais.

Química e Derivados: Biocidas: Campos espera crescer nas tintas com pacote amplo de insumos.
Campos espera crescer nas tintas com pacote amplo de insumos.

“Já tínhamos atuação ampla na área de surfactantes, que nos permite abrir mercados em muitos negócios.”

Os parabenos são muito usados na indústria cosmética, sob as denominações de Nipagin e Nipasol.

A linha anterior da Clariant enfatizava as aminas quaternárias, área na qual conta com acordo mundial de cooperação com a Lonza, esta mais forte no campo dos domissanitários.

Ele ressaltou que a formulação de blends apresenta complexidade, a ponto de alguns países, como os Estados Unidos, oferecerem aos produtoresproteção contra cópias desautorizadas.

“Os países desenvolvidos também protegem seus mercados internos, nos quais praticam preços mais elevados”, afirmou.

Também por força do portfólio e do histórico de atuação, a Clariant pretende reforçar sua atuação em biocidas para tintas.

“Temos condições de formar pacotes completos de aditivos para essa indústria”, comentou Campos.

Trata-se de mercado que, segundo o gerente, não quer usar mais o formol como conservante, até pelo fato de se tratar de empresas globais, nas quais se exige o atendimento das normas mais rigorosas do mundo em saúde ocupacional e meio-ambiente.

A área de tintas já não é a mais interessante para a Avecia. “Esse mercado não absorve produtos de maior valor, que constituem o foco de nossas atividades”, informou Dora Alice.

Na sua análise, desde 1994 o mercado de tintas, em especial as imobiliárias, cresceu na direção das linhas mais populares, obrigando os fabricantes a reduzir custos e reorganizar atividades, pressionando os fornecedores de insumos a reduzir preços.

“Embora os biocidas pouco representem no preço final das tintas, a opção por linhas menos sofisticadas prevaleceu”, considerou.

Ela reconhece a evolução empreendida pelos fabricantes nacionais de tintas, que deixaram de lado os produtos à base de mercúrio, substituindo-os pelos liberadores de formol e, mais recentemente, pelas isotiazolonas.

Nesse grupo, a Avecia atua mais com a moderna benzisotiazolona do que com a clorometilistotiazolona, já considerada uma commodity.

“Embora sejam mais tóxicas, com uso limitado a 15 ppm na Europa, e menos estáveis em pH acima de 7, as clorometil são as mais consumidas no ramo de tintas, principalmente em misturas com outros ativos”, explicou a diretora.

Denominados CMT, esses biocidas são fabricados em muitos países, inclusive na Índia e China, apresentando preços reduzidos.

Química e Derivados: Biocidas: Rohr - serviço completo diferencia os fornecedores de biocidas.
Rohr – empresas nacionais precisam ser engajadas.

“A Europa está criando uma regulamentação harmônica para todos os países da comunidade, com grande possibilidade de instituir limites estreitos tanto das CMT quanto das benzisotiazolonas”, comentou Otto Rohr, diretor-presidente da Miracema-Nuodex, empresa nacional líder de vendas de aditivos biocidas para tintas.

No entanto, ele considera que essas restrições de uso refletem exageros por parte dos órgãos reguladores.

“Tentaram banir o formaldeído, mas só colocaram um limite de concentração que não pode ser superior a 5 ppm no local de trabalho”, comentou.

“Nas medições feitas, o teor de formaldeído nunca passou de 3 ppm, dois cigarros acesos criam mais problema que isso”, afirmou.

A Miracema-Nuodex vende o Bodoxin, biocida que combina propriedades das metilcloroisotiazolonas com hemiacetais estabilizados.

Segundo informou, as primeiras atacam a parede celular das bactérias, tornando inviável sua sobrevivência.

Já os hemiacetais são liberadores de formol, estáveis na faixa de pH de 4 a 10. “O núcleo protéico das bactérias tem pH 2, que desestabiliza os hemiacetais, liberando formol que destrói essas proteínas, impossibilitando sua multipicação posterior”, explicou Rohr.

Como reage com a proteína do núcleo, o formol não é liberado para o ambiente.

O Bodoxin é um dos mais antigos produtos da Bode Chemie (Hamburgo, Alemanha), representada no Brasil pela Miracema-Nuodex desde 1980.

“Esse produto é o responsável pela nossa grande participação no mercado de tintas”, admite Rohr. Sua empresa vendeu 1,2 mil t de biocidas em 2000 para todos os setores de aplicação. O Bodoxin e suas variações responderam pela metade dessa quantidade.

Também para controle da proliferação de bactérias nas latas de tintas, a Ipiranga Comercial Química distribui o Bioban CT (nitroidroximetilpropanodiol), fabricado pela Dow.

“O Bioban amplia o espectro biológico controlado e reduz a dose de aplicação das caras isotiazolonas”, explicou Nixon Cláudio Sakazaki, assessor de desenvolvimento de produtos da ICQ.

As isotiazolonas são eficientes e de alto poder residual, mas requerem um período de tempo para iniciarem a atuação antibacteriana, enquanto o Bioban funciona imediatamente, embora por pouco tempo.

“O aditivo é compatível com todas as resinas usadas nas formulações imobiliárias de base aquosa e também em algumas linhas industriais”, comentou.

A demanda por esse biocida permanece estável, alimentada pelas fórmulas de tintas mundiais, nas quais o Bioban já vem especificado do exterior.

Como os princípios ativos são conhecidos por todos e possuem vários fornecedores mundiais, a concorrência se dá no desenvolvimento de formulações mais eficientes e menos custosas, aliado a serviço técnico complementar de qualidade.

“Praticamente todos os fornecedores internacionais de biocidas já estão atuando no Brasil, mas nem todos contam com laboratórios microbiológicos no País”, disse Otto Rhor, cuja empresa investiu US$ 250 mil no ano passado em dois novos laboratórios próprios.

A necessidade de contar com equipe e estrutura para análise do problema do cliente, desenvolvimento da formulação biocida mais adequada e também responder pelo controle microbiológico do processo e dos produtos finais é confirmada pelos entrevistados.

A justificativa reside nos planos de reengenharia empreendidos nos últimos anos, que vitimou as áreas de serviços de apoio aos processos produtivos. Hoje, os fornecedores respondem por essas atividades, remunerando-as pelo valor de venda das formulações.

A disponibilidade de ingredientes ativos e as facilidades logísticas contribuem para o bom atendimento ao mercado.

Química e Derivados: Biocidas: Mauro Majerowicz - assistência aos pequenos clientes.
Mauro Majerowicz – assistência aos pequenos clientes.

“Nossa preocupação é atender bem os pequenos e médios clientes, desprovidos de estrutura para análises e registro de produtos nos órgãos competentes”, comentou Mauro Majerowicz, diretor comercial da Polyorganic Tecnologia, empresa que distribui produtos da Bayer há oito anos, complementando a linha de mais de 130 itens com outros fornecedores não conflitantes.

Ele estima em US$ 15 milhões/ano o mercado potencial de biocidas para tintas no Brasil.

Proteção variada – O setor de tintas se preocupa duplamente com a proliferação de microorganismos.

De início, o fabricante precisa garantir a durabilidade da tinta enlatada, ambiente no qual pode haver proliferação bacteriana, suportada pelas condições do meio.

Essa proteção in can é conseguida com o uso dos bactericidas já mencionados.

No entanto, eles não atuam na etapa seguinte, impedindo o desenvolvimento de fungos e também de algas sobre os filmes de tinta seca aplicados a diversas superfícies, como alvenaria e madeira.

Dessa forma, o fornecedor de aditivos biocidas precisa compor uma fórmula capaz de defender a tinta nas duas situações.

A Bayer apresentará no próximo Congresso Internacional de Tintas, em setembro, novos componentes da linha Preventol, elaborados com o objetivo de apresentar desempenho superior ao já disponível, porém com menor custo total de aplicação.

O TSP 80025 combina três ingredientes ativos para controlar bactérias, fungos e leveduras dentro das latas.

“Conseguimos uma fórmula com alta velocidade de inibição de enzimas, impedindo danos à tinta embalada”, explicou Roberto Griebel, representante técnico da divisão SP/CH/FS da Bayer para o Mercosul, esclarecendo tratar-se de desenvolvimento para as linhas de base aquosa.

Já o Preventol 80036 combina princípios ativos com ação fungicida e algicida para ampliar a durabilidade da pintura seca.

“A contaminação com algas cresceu muito nos últimos anos”, informou. Segundo o técnico da Bayer, a lixiviação do produto é muito baixa e seu custo permite uso até mesmo nas tintas da chamada segunda linha.

Griebel comenta que os principais fungicidas hoje usados na indústria de tintas são problemáticos.

Química e Derivados: Biocidas: Griebel - nova regulamentação européia pode mudar o mercado.
Griebel – nova regulamentação européia pode mudar o mercado.

“A n-octilisotiazolona sofre lixiviação, enquanto o TCMTB (metiltiocianato de benzotiazol) é instável a variações de pH, provocando amarelecimento”, comentou.

Esse produtos também são pouco eficientes contra algas.

Quanto à atualização tecnológica, ele explicou que a Bayer norteia os desenvolvimentos de produtos pelas diretrizes normativas européias, atualmente em fase de consolidação, com previsão de apresentar uma lista final de produtos aprovados até o final de 2002.

“A partir dessa lista, é possível que o mundo todo revise suas normas, principalmente na área ambiental”, disse.

O técnico salientou que vários princípios ativos antes usados apenas na indústria cosmética hoje são aplicados a outros ramos, a exemplo do nitropropanodiol (Bromopol) e do IPBC (iodopropinilbutilcarbamato).

No caso dos fungicidas e dos algicidas, vários ativos foram desenhados inicialmente para aplicação agrícola, como o diuron, um conhecido herbicida que hoje também aditiva tintas antifouling para casco de navios.

Ponto fundamental para o bom desempenho dos biocidas em tintas é dispor de formulação equilibrada.

“Não adianta usar o melhor aditivo se a tinta apresenta ancoragem ruim e baixa solidez à radiação UV”, comentou.

Otto Rohr, diretor-presidente da Miracema-Nuodex recomenda cuidado com o ataque de fungos ao filme seco.

“O Aspergillus niger, por exemplo, está presente nas manchas do teto dos banheiros e é venenoso para os seres humanos”, explicou.

Hospitais da Alemanha, segundo ele, proíbem a entrada de flores com terra, meio onde se encontra esse fungo, identificado como causador de várias infecções letais em pacientes.

A Miracema-Nuodex produz o fungicida Coryna BF, obtido por meio da tecnologia da Bode Chemie (Cinon de alto peso molecular), que aliou octilisotiazolonas com derivados do ácido carbâmico.

“O problema dos fungicidas para tintas reside no desejo de contar com aditivos que sejam dispersáveis em água e, ao mesmo tempo, sejam insolúveis, de modo a reduzir a lavabilidade do material, garantindo poder residual por longo período”, afirmou Otto Rohr.

A experiência própria na produção de soluções e dispersões complexas ajudou a desenhar a formulação. Além disso, eram freqüentes, no passado, problemas de interferência dos fungicidas na cor da tinta acabada, provocando amarelecimento.

Rohr explicou que isso se devia à presença de impurezas na composição dos fungicidas, problema resolvido, pelo menos nos principais fornecedores.

Uma explicação para o uso de aditivos tradicionais nas formulações reside na falta de normas oficiais para ensaios e avaliações de tintas.

Atualmente, o Comitê Brasileiro da Construção (Cobracon) conta com uma comissão de especialistas preparando as primeiras propostas, que resultarão, ao final do processo, em normas oficiais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A existência de normas para ensaios vai obrigar todos os fabricantes a atender requisitos mínimos de qualidade, hoje ignorados, principalmente nas marcas mais econômicas do mercado. Muitos fabricantes recorrem às normas internacionais, como a ASTM, dos EUA.

“Os contaminantes variam de uma região geográfica para outra, exigindo normas de estudo diferenciadas, com temperaturas, tempo de teste e condições mais adequadas”, considerou a bióloga Cecília Canales,membro da comissão do Cobracon e consultora em microbiologia industrial, atuando junto à Logos Química.

Higiene industrial – Mesmo com toda a evolução técnica, o uso intensivo de biocidas não compensa a falta de práticas adequadas de manipulação e processamento de materiais, incluindo a higienização das linhas e o controle de qualidade de insumos.

A Avecia verifica aumento da procura pelo programa SAPH, de abordagem sistemática da higiene de fábricas.

“Não se trata de vender moléculas da companhia, mas de desenvolver uma estratégia de controle da contaminação biológica, como atividade preventiva”, explicou Dora Alice Campos.

Segundo avaliação da companhia, apenas as indústrias de alimentos, cosméticos e farmacêutica dão a devida atenção ao problema, em parte por serem obrigadas a isso pelos regulamentos sanitários nacionais e internacionais.

Porém, todas as indústrias sofrem, em graus variados, com a proliferação de microorganismos, capazes de formar camadas estáveis nas paredes de tubulações e equipamentos, chamadas biofilme, que constituem focos de contaminação e também provocam perdas na troca térmica, além de aumentar os prejuízos com a corrosão.

“O programa de prevenção precisa ser avaliado não só pelo custo de aplicação, mas pela manutenção da qualidade final dos produtos, redução de perdas e retrabalhos e diminuição do desgaste por corrosão”, afirmou a diretora.

Química e Derivados: Biocidas: Débora - uso indevido de biocidas pode selecionar cepas resistentes.
Débora – uso indevido de biocidas pode selecionar cepas resistentes.

“O uso inadequado de biocidas pode induzir o aparecimento de cepas resistentes de bactérias e também a formação de biofilme, uma forma de autoproteção desses micróbios, nas linhas de produção”, afirma Débora Figueiredo Deda, especialista de suporte técnico da Clariant para biocidas.

A empresa conta com produtos específicos para combate ao biofilme, escolhidos após análise adequada de cada caso para determinar a metodologia de tratamento.

“Às vezes é possível usar o biocida combinado com um surfactante”, afirmou. “Em outros casos, o surfactante dispersa o biocida e ele pára de funcionar.”

Desinfecção avançada – O problema da resistência de microorganismos aos ativos biocidas deve ser considerado nas operações de limpeza e desinfecção de instalações e nos processos que admitam recirculação de produtos e insumos.

No caso de artigos fabricados e destinados ao consumidor final, como as tintas e os cosméticos, isso não acontece.

Nesses casos, pode haver mudanças no tipo de contaminação, exigindo correção da formulação biocida. Já nos sistemas de água, como utilidade de processo, com várias recirculações, é possível identificar casos de resistência induzida.

“Não é comum, até porque as moléculas modernas atuam com elevada eficácia contra amplo espectro de microorganismos, quando aplicadas na dosagem adequada”, disse Dora Alice Campos, da Avecia.

No campo dos desinfetantes institucionais, porém, a preocupação assume caráter de saúde pública.

Química e Derivados: Biocidas: Araújo - água e cosméticos alavancam negócios.
Araújo – água e cosméticos alavancam negócios.

“Já foram identificadas em salas cirúrgicas bactérias resistentes ao poderoso antibiótico vancomicina”, comentou Selmo Araújo, gerente regional de vendas para o Mercosul da unidade de negócios de especialidades químicas da Lonza.

A empresa fornece ingredientes ativos biocidas para os formuladores de produtos domissanitários e de desinfecção institucional (para hospitais, hotéis, bares e outros), com destaque para modernos sais de amônio quaternário, com cadeias duplas, que pretendem deslocar o cloreto de benzalcônio de várias aplicações.

“Os novos produtos oferecem maior espectro bactericida e são aplicados em menor dosagem, reduzindo custos e minorando impactos ambientais”, afirmou Araújo.

Ele informou que a linha da Lonza conta com produto, uma amina terciária (Lonzabac 12), capaz de combater em ambiente hospitalar o bacilo de Koch, causador da tuberculose.

“O Ministério da Saúde está preocupado com o aumento das infecções hospitalares e está reavaliando uma portaria para permitir a adoção mais rápida de novos produtos desinfetantes, desde que já aprovados pelo FDA (Estados Unidos) ou congênere europeu”, informou.

O biocida ideal deve atuar com eficácia no momento desejado, para depois ser degradado, química ou biologicamente, em substâncias inofensivas.

Um produto de longa durabilidade, aplicado em alta concentração, poderia inativar tanques de tratamento biológico de esgotos, causando sério prejuízo para a sociedade.

Além de contar com moléculas eficientes, os usuários devem ficar atentos para a sua correta manipulação e aplicação.

“O biocida exige respeito, senão acaba criando uma bomba-relógio, por meio do desenvolvimento de resistência”, afirmou.

Os formuladores devem desenvolver mentalidade compatível com a tarefa de desinfecção, adotando práticas de GMP (good manufaturing practices). “Existem até corantes contaminados vendidos para a fabricação de domissanitários”, alertou Araújo.

Os produtos para limpeza doméstica e institucional absorvem a metade das vendas (em valor) da Lonza no Brasil, deixando outros 30% para cosméticos e 20% para tratamento de água.

A empresa também fornece para a indústria de tintas, mas esse mercado é suprido preferencialmente pela Clariant, com quem mantém acordo mundial de colaboração.

Esse perfil de negócios deve ser alterado nos próximos anos, segundo Araújo, dado o crescimento contínuo da demanda nas linhas de água e cosméticos.

“Temos acordos internacionais de suprimento para 90% dos líderes em domissanitários”, disse Araújo, ainda dependendo dodeslanche dos produtos de formulação mundial.

A área de biocidas da empresa estaria crescendo de 20% a 30% ao ano no Brasil, embora o mercado local se expanda a taxa pouco superior à da elevação do PIB.

A desinfecção médica e veterinária poderá contar com derivados de clorexidrina, já ofertados pela Bayer na Europa.

“O produto substitui com vantagem o iodo, desencadeador de processos alérgicos em profissionais da saúde e pacientes operados”, afirmou o representante técnico Roberto Griebel.

A clorexidrina não entra na corrente sanguínea e não é carcinogênica, segundo dados da empresa.

“O aumento da produção permite reduzir custos e abrir outros mercados”, afirmou, apontando usos atuais no tratamento de canais dentários e até na ordenha de vacas, dado o amplo espectro de ação e poder residual.

A área de domissanitários, assim como a produção de cosméticos, consta da relação de objetivos do trabalho da Clariant, porém sem alimentar grandes pretensões.

“Vamos tomar algumas posições de mercado nesses setores, justificadas por acordos de fornecimento global, mas não são campos prioritários”, disse Dimas Carlos de Campos.

Os esforços serão direcionados para o setor de tintas, aproveitando a expertise e o portfólio complementar da companhia, e mercados altamente especializados, como petróleo, preservação de madeira e mineração.

Cosméticos preservados – Enquanto o acirramento da competição faz arrefecer o interesse de alguns fornecedores pelo mercado de tintas, a fabricação de cosméticos desponta como alternativa para o lançamento de biocidas mais sofisticados.

“Esse setor reconhece produtos diferenciados, mais seguros e menos agressivos para o usuário final”, explicou Dora Alice Campos, da Avecia, que está lançando mais duas adaptações das famílias das biguanidinas e isotiazolonas, além de formular blends.

Na sua opinião, a produção nacional de cosméticos cresceu em volume e qualidade, incentivando a atualização tecnológica e a adoção de formulações globais.

“O maior uso de derivados de óleos vegetais e gorduras animais, em substituição aos tensoativos sintéticos exige biocidas melhores, porque o aumento da dosagem dos aditivos mais antigos acaba prejudicando o consumidor”, comentou.

Às vezes é preciso auxiliar o fabricante a formular e aplicar corretamente o biocida.

A diretora da Avecia percebe grande potencial no mercado de cosméticos e artigos de higiene no Brasil.

“Há muitos produtos para lançar, como lenços umedecidos e produtos para retirar maquiagem, que garantem o crescimento da demanda”, confirmou.

Mesmo assim, os focos para crescimento da companhia destacam os segmentos de aditivação para plásticos, fibras, fluidos de corte e sanitizantes.

A participação do setor de tintas para as vendas de biocidas da Avecia caiu de históricos 50% para atuais 20% a 25%, limitados às aplicações especiais, como as linhas para banheiros, cozinhas e fachadas.

“Falta regulamentação moderna para a fabricação de artigos de higiene pessoal e cosméticos no Brasil”, criticou Dimas Carlos de Campos, da Clariant.

O alvo da crítica é o uso freqüente de formaldeído em itens diversos, como sabonetes e xampús para cabelo.

“Esse produto é irritante tanto na manipulação quanto para o consumidor final, já sendo contra-indicado para os produtos de limpeza”, afirmou.

Normas oficiais mais exigentes poderiam abrir mercado para linhas mais modernas de biocidas.

A Clariant, embora conte com a linha da antiga Nipa (parabenos) e com vários quaternários de amônio, vai atuar apenas nos contratos de fornecimento global na área cosmética.

“Xampús com formaldeído exigem colocar mais fragrâncias na fórmula, aumentando custos”, comentou Selmo Araújo, da Lonza.

Ele aposta no desempenho de mercado das novas hidantoínas da companhia como conservantes para cosméticos e produtos para higiene pessoal.

“Elas agem como buffers, liberando formol gradativamente, em pequenas quantidades que não alteram o cheiro, nem atacam o consumidor final”, disse.

Com base em pesquisas próprias, a companhia definiu um blend de cinco ingredientes ativos aprovados mundialmente, que será fornecido para companhias internacionais, sob a denominação Global Preservative. Segundo Araújo, fabricantes globais de cosméticos e produtos para higiene desejavam contar com fórmulas únicas para suas linhas de produtos.

A associação dos ativos permitiu obter efeitos sinérgicos muito favoráveis, com reflexos importantes no custo dos biocidas.

“Fazer a mistura não é o problema, o segredo está na estabilização”, informou. O Global Preservative já está sendo vendido no exterior, e deve apresentar as primeiras encomendas locais em pouco tempo, frutos das negociações mundiais.

A Miracema-Nuodex nunca atuou muito no campo dos cosméticos. “É uma atividade complexa, que exige registro na Vigilância Sanitária, mas que pode aceitar bactericidas mais sofisticados”, comentou Otto Rohr.

Na sua avaliação, lidera o mercado a clorometilisotiazolona específica para esse fim, cuja disponibilidade é limitada aos fabricantes internacionais.

“A Bode tem uma formulação para cosméticos livre dessa isotiazolona, estamos estudando a viabilidade de lançá-la no Brasil em 2002”, informou.

A Bayer quer substituir os parebenos, os derivados de ácido benzóico e os bacteriostáticos (como o triclosan) pelo Preventol SB, produto registrado composto de triclorocarbanilida (triclorocarban ou TCC), que apresenta melhor custo/benefício para a indústriade cosméticos, segundo Griebel.

Além dos cosméticos, A Lonza estuda aplicar as promissoras hidantoínas em nove outras situações, com destaque para as lamas de caulim e o branqueamento sanitizante de roupas hospitalares.

“No caso do bleach hospitalar, a vantagem é a eliminação do hipoclorito de sódio, que ataca os tecidos”, afirmou Araújo. Nesse caso, a hidantoína libera aos poucos o cloro necessário para a limpeza das peças.

Essa propriedade permite abrir outro mercado, o de tratamento de água, eliminando a aplicação direta de compostos com bromo e cloro.

“Antes se usavam formulações líquidas nesses casos, com dificuldade de manuseio e causando problemas ambientais com resíduos”, informou.

Essa hidantoína é vendida na forma sólida e também serve para eliminar o limo, característica desejável no setor de papel e celulose e em torres de resfriamento de água.

Bromo na torre – A aplicação de hipobromito de sódio em torres de resfriamento apresenta tendência de crescimento no Brasil, justificada pela necessidade de promover maior número de ciclos de aproveitamento da água usada para troca térmica em processos industriais.

Química e Derivados: Biocidas: Santiago - bromo conquista torres com alta recirculação de água.
Santiago – bromo conquista torres com alta recirculação de água.

“O bromo é cinco vezes mais caro que o cloro, porém é mais eficiente na faixa de pH de 4 a 9 e em sistemas com elevada contaminação”, explicou Paulo Santiago, gerente de marketing da área industrial pesada da Nalco.

“Em circuito fechado, é preferível trabalhar com pH mais alto, para prevenir incrustações e a corrosão das linhas, favorecendo o uso do bromo.”

Segundo explicou, o hipobromito de sódio com a água forma ácido hipobromoso e bromoaminas que oxidam a parede celular das bactérias, impedindo sua sobrevivência.

Por apresentar efeito dispersante, o produto pode dispensar o uso de tensoativos combinados.

“Apenas no caso de contaminação orgânica nas torres será necessário usar um surfactante complementar para evitar depósitos”, disse.

Embora também seja um halogênio, o bromo é menos problemático que o cloro do ponto de vista ambiental, além de apresentar menor volatilidade.

O produto é descartado da linha nas correntes de purga, geralmente na forma de bromoaminas, incapazes de atacar algas e espécimes aquáticos.

As concentrações de bromo recomendadas para torres de resfriamento são limitadas a 1 ppm, ficando, em média, a 0,2 ppm.

“O hipobromito de sódio é um produto conhecido, mas só a Nalco descobriu como estabilizá-lo”, afirmou Santiago.

No Brasil, a empresa importa o brometo de sódio, promovendo mistura com o hipoclorito de sódio, com a posterior incorporação de estabilizante (igualmente importado).

Essas operações são realizadas na fábrica de Suzano-SP, originando o produto denominado Stabrex.

Papel e celulose – Operar em circuito fechado, com alta taxa de recirculação de água, tornou-se corriqueiro na indústria de celulose e papel, elevando o consumo de biocidas.

“O fechamento de circuitos de água favorece o crescimento das bactérias anaeróbias, que elevam a taxa de corrosão dos tubos e equipamentos”, explicou a bióloga Cecília Canales, da Logos Química.

Além disso, a presença de bactérias redutoras de sulfato também provocam emissões gasosas malcheirosas, capazes de criar problemas de vizinhança para algumas fábricas.

“Isso é mais comum quando processam aparas para reaproveitamento das fibras”, disse.

A partir do avanço da política interna de atender às necessidades dos clientes, a Logos Química desenvolveu uma formulação específica, feita com base no THBS (sulfato de tetraidroxietilsulfônio), fornecido pela Rhodia.

Química e Derivados: Biocidas: Gabrielli - tecnologia própria avança em celulose e plásticos.
Gabrielli – tecnologia própria avança em celulose e plásticos

“Já conquistamos 6% de mercado de biocidas para celulose e papel, estimado em US$ 5 milhões por ano”, comemorou o diretor Valério M. Gabrielli.

A aplicação do biocida requer estudo apurado e serviços, como análises de água no processo e também avaliações microbiológicas do papel seco, segundo normas internacionais.

“No caso dos papéis tissue isso é fundamental, pois entrarão em contato com a pele do consumidor e não podem apresentar contaminações”, comentou Cecília, salientando que as normas ficam mais detalhistas a cada dia.

Como a Logos oferece produto único para o tratamento, é preciso identificar o melhor ponto para sua colocação no sistema, de modo a obter concentração homogênea.

A preocupação básica da indústria de papel é impedir a formação de limo, que poderia causar danos graves aos caros equipamentos. Segundo relatou, a fórmula da Logos já está sendo usada há dois anos em uma indústria do setor, sem apresentar problemas.

Para a Logos, os ramos de atuação mais promissores são a área de papel, tintas e plásticos. Dos três, a área de tintas é a menos atraente.

“Nossa participação ainda é pequena, porque o mercado usa produtos tradicionais, e já exige novos desenvolvimentos, talvez um tripla ação”, comentou Gabrielli.

No futuro, a empresa pretende estender os trabalhos com biocidas para o ramo petrolífero e para tratamento de água em torres de resfriamento.

Levantamentos da companhia apontam para mercado efetivo de biocidas da ordem de US$ 2,3 milhões/ano em tintas e de US$ 1 milhão na aditivação de plásticos, campo no qual deteria 8% de participação.

Plásticos – Sob a denominação Logos 3203, a empresa desenvolveu molécula própria, a partir de um derivado do ácido acetilsalicílico, que permitiu oferecer proteção adequada ao cloreto de polivinila (PVC) com redução de 50% no custo dos concorrentes.

“Já fornecíamoslubrificantes, antiestáticos e antifoulings para a transformação dessa resina, e identificamos uma oportunidade de negócio que nos permitiu tomar a liderança, com mais de 50% das vendas”, afirmou Gabrielli.

Nesse caso, o alvo foi a substituição de preservantes arsenicais. Outros plásticos, como o poliuretano (PU) estão na mira dos desenvolvimentos da Logos.

Já no ano passado, a Avecia iniciou a divulgação de uma benzisotiazolona modificada e específica para controlar o ataque de microorganismos aos produtos feitos de PU, como solados de calçados e peças automotivas, causando esfarelamento.

“Antigamente se achava que isso acontecia por hidrólise do material, mas hoje já se sabe que os micróbios se alimentam do plastificante usado no sistema”, afirmou Dora Alice Campos.

O mesmo princípio ativo pode ser usado para outros materiais, como o PVC das lonas de caminhão e revestimentos de piscinas. “Essa molécula é estável e não migra para a água”, explicou.

No mesmo ano, a Avecia lançou também aditivos para impregnação de fibras celulósicas e sintéticas, com o objetivo de conter a proliferação de fungos nos tecidos.

“Os fungos alimentam os ácaros, que causam alergia”, explicou a diretora. As fibras tratadas podem ser usadas na confecção de toalhas, roupas de cama, ataduras cirúrgicas e meias, nesse caso evitando o indesejável “chulé”, provocado por Staphylococcus aureus e epidermides.

Metalurgia – A usinagem de peças metálicas atrai o interesse dos fornecedores de biocidas para conservar melhor os fluidos de corte.

“Esses produtos usam muito o formaldeído, que prejudica a saúde dos trabalhadores”, comentou Dora Alice Campos.

“As montadoras, os principais clientes, exigem padrões mundiais de saúde e segurança ambiental inclusive dos seus fornecedores, exigindo a atualização das formulações.”

A Avecia lançou neste ano um biocida à base de butilbenzisotiazolona, complementada com fungicidas específicos, para essa aplicação, com perspectiva de bons negócios a curto prazo.

Para a Ipiranga Comercial Química, as vendas do Bioban, da Dow, para fluidos de corte está estável. “Esse mercado é muito ligado às variações da produção automobilística e de autopeças no Brasil, que esfriou nos últimos meses”, explicou Nixon Sakazaki.

Ele ressaltou que essa aplicação é muito atraente em termos de potencial de consumo.

“Os óleos de corte solúveis são um bom mercado para nós”, comentou Otto Rohr, da Miracema-Nuodex. Ele ressaltou que os biciodas são importantes em todas as emulsões e soluções de base aquosa, a exemplo das colas brancas.

Uma das aplicações mais interessantes desenvolvidas pela empresa é o tratamento das pastas de carbonato de cálcio, importante carga para a indústria de tintas.

“Antigamente, esse material era vendido na forma de pó, mas o mercado mudou, preferindo a forma de slurry, que exige muito cuidado com o desenvolvimento microbiológico”, comentou Rohr.

Essa negociação obrigou a Miracema-Nuodex a montar estrutura para coletar amostras durante o processo de produção e também nos clientes, de modo a garantir a qualidade da pasta.

As análises são feitas no laboratório próprio, que funciona 24 horas por dia.

Na mineração também há oportunidades para aplicação de novas tecnologias. “Nos processos de lixiviação bacteriana de minérios, é preciso manter a flora viva e saudável, sem contaminações indesejáveis, exigindo elevado grau de conhecimento do problema”, afirmou Dimas Carlos de Campos, da Clariant.

Madeira tratada – País tropical, com facilidade para a produção florestal sustentável, o Brasil representa elevado potencial de mercado para os preservantes de madeira, incentivando a formular biocidas específicos.

A Clariant está lançando três novos produtos, obtidos a partir da tecnologia da antiga Nipa, para tratar esse material sem causar danos ambientais”, afirmou Campos.

Segundo disse, a empresa já é forte nesse segmento no Chile, onde vende tribromofenol, produto considerado agressivo, com a possibilidade de substituição breve.

Alguns produtos orgânicos para preservação de madeira tiveram origem na área agrícola.

É o caso do clorotalonil, do IPBC e do hexaconazol, por exemplo, citados por Dora Alice Campos, da Avecia.

“Somos mais fortes na Europa, e precisamos avaliar o desempenho das formulações no Brasil”, comentou.

Petróleo – A abertura da exploração de petróleo, empreendida pelo governo federal, deve impulsionar os negócios com produtos específicos para fundo de poço no Brasil.

“É um ramo para o qual temos tecnologia disponível e poucos concorrentes capazes”, afirmou Campos, da Clariant.

O petróleo aparece contido em rochas porosas, de onde precisa ser retirado por vários meios, entre eles a injeção de líquidos. Essa operação pode inocular bactérias indesejáveis, que proliferam no óleo, prejudicando sua qualidade e dificultando a remoção.

“É preciso matar os micróbios, sem interferir na produção”, disse. Sem a tecnologia adequada, as bactérias podem ser mortas e seus restos se sedimentarem nos pequenos canais da rocha continente, impedindo o fluxo de óleo para bombeamento. “Isso pode condenar um poço, gerando prejuízo de milhões de dólares”, afirmou.

Além desse prejuízo, Campos salienta que algumas bactérias degradam o petróleo em ácido sulfídrico, extremamente tóxico e corrosivo, exigindo controle rígido.

“Esse é um dos ramos mais promissores para biocidas, tanto noBrasil, como no mundo”, disse.

A Clariant acompanha todas as etapas da extração,  processamento e distribuição de óleo e derivados. “Até na gasolina vai um biocida”, revelou.

Classificação ampla

A Organização para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade que reúne mais de trinta países, classifica biocidas como pesticidas não-agrícolas.

Precisamente, trata-se de classe extensa de agentes químicos e, às vezes, biológicos, usados para sanitizar, desinfetar ou controlar micróbios ou outras pestes fora da atividade agrícola.

Fazem parte desse grupo os desinfetantes/sanitizantes; preservativos ou microbicidas; antifoulants; preservativos para madeira; e controladores de pestes, como ratos, pulgas etc.

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