Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Biocidas – Cresce oferta por substitutos de liberadores de formol

Antonio C. Santomauro
15 de março de 2011
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    Na opinião de Leite, os provedores de biocidas para tintas não desenvolvem atualmente muitos novos ativos não apenas por questões financeiras, mas porque a indústria do agronegócio – origem de muitos de seus atuais insumos – expandiu sua atuação para outros campos de pesquisas (caso dos produtos transgênicos). “Atualmente, a indústria farmacêutica se tornou uma provedora importante de ativos para a indústria de biocidas”, comenta.

    Atenção às oportunidades – Nichos específicos, distintos daqueles nos quais a demanda privilegia produtos mais comoditizados, recebem mais atenção dos produtores de biocidas para tintas. Entre eles, aparecem os produtos destinados a evitar a proliferação de micro e macro-organismos em embarcações, plataformas e outras estruturas projetadas para o ambiente marinho. Conhecidos pela denominação genérica de craca, em navios esses organismos exigem custosos processos periódicos de manutenção, pois reduzem sensivelmente o desempenho, e aumentam o consumo de combustível.

    Nos períodos críticos, “as cracas podem elevar o consumo de combustível em algo entre 20% e 30%”, explica Pedro. Na Dow, o segmento dos produtos antifouling inclui uma linha de ativos microencapsulados que, de acordo com o especialista, “apresenta liberação gradual e sob demanda dos ativos, assegurando eficácia adequada em mínimas concentrações”.

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    Pedro: Dow vai lançar ativo de multiperformance microbiológica

    Pedro Bojaca, gerente de vendas da Lanxess na América Latina, também aponta o segmento dos produtos antifouling como campo de negócios promissor para a indústria de biocidas para tintas. “A exploração do pré-sal e a crescente importância de novos portos – como Suape, em Pernambuco – devem fortalecer esse segmento”, justifica.

    Há ainda a possibilidade de atendimento de necessidades diferenciadas da simples proteção do produto, qualificadas por Pedro, da Dow, como “demandas intangíveis”. Associadas a conceitos como saúde e bem-estar, tais demandas abrem espaço para artigos como tintas sem cheiro, que exigem biocidas totalmente isentos de formol, e também as tintas higiênicas ou antimicrobianas, por enquanto utilizadas no Brasil especialmente em ambiente hospitalar, mas com potencial de expansão para o ambiente doméstico.

    As antimicrobianas, como explica Pedro, geralmente combinam a proteção no filme seco de um fungicida e de um bactericida, que não é o mesmo empregado na proteção in can, pois, enquanto esse último deve ser solúvel, o destinado à película não pode ser. “Em outros países da América Latina, como Argentina e Chile, alguns de nossos clientes já usam esse apelo da tinta antimicrobiana”, conta Pedro.

    Karina, da Miracema, também cita as tintas higiênicas como segmento capaz de ampliar os negócios do setor. Vê potencial ainda nos esmaltes sintéticos, utilizados em aplicações industriais e em determinados segmentos das tintas imobiliárias (por exemplo, aquelas próprias para portas e janelas). “Alguns fabricantes desses produtos já usavam biocidas – especialmente fungicidas –, mas sinto haver hoje aumento nessa demanda”, informa.

    Há também, complementa Brenna, da Thor, espaço em segmentos como as tintas específicas para espaços como cozinhas e banheiros, e nas chamadas tintas de litoral, cuja utilização em locais próximos ao mar requer doses mais elevadas de fungicidas e algicidas. Apesar de ser ainda pequeno o interesse comercial por esses produtos, a indústria de biocidas presente no Brasil segue a tendência internacional de promoção da sustentabilidade, mudando as formulações de base solvente para base água, com ativos de menor toxicidade e baixos índices de VOC. “Um mercado consumidor mais exigente e uma legislação mais rigorosa poderiam acelerar este processo”, ele finaliza.

     

     



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