Comércio e Distribuição de Produtos Químicos e Especialidades

Biocidas – Cresce oferta por substitutos de liberadores de formol

Antonio C. Santomauro
15 de março de 2011
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    Química e Derivados - Luiz Wilson Pereira Leite - Ipel, polímero, biocida

    Leite: polímero biocida ainda não está no mercado por ter custo alto

    Também a Clariant busca hoje desenvolver biocidas simultaneamente mais eficazes, com concentrações mais otimizadas, com baixa toxicologia e baixo VOC. Nesse processo, “a Clariant atualmente foca algumas substâncias ativas para algicidas, bactericidas para dry film, e principalmente ativos em base aquosa, eliminando os glicóis das fórmulas”, conta Marcia Rios, gerente de industrial application da empresa para a América Latina.

    Mas é necessário ainda, lembra Luis Gustavo Ligere, coordenador regional de vendas da Lanxess, conscientizar os usuários dos biocidas sobre os modelos de atuação mais sustentável: “Buscamos hoje mostrar a eles que não basta apenas preservar o produto final, é necessário trabalhar todo o processo, pois isso também diminui a necessidade de uso de ativos.”

    Busca por normas – Embora continuamente alardeado, o discurso da sustentabilidade ainda não motiva os clientes a pagar a mais por biocidas para tintas ambientalmente menos nocivos. “Ainda não existe a conscientização dos produtores de tintas para o uso de moléculas altamente agressivas, como o formol”, afirma Marcia.
    Ridnei Brenna, diretor-geral da Thor Brasil, tem opinião similar. A empresa apresenta ao mercado tanto as tecnologias avançadas quanto as mais comoditizadas e também mais agressivas. Geralmente o custo menor torna essas últimas as opções preferidas pelos clientes.

    Para comprovar essa afirmação, Brenna recorre à tecnologia de encapsulamento dos ativos fungicidas e algicidas, capaz, segundo ele, de conferir melhor desempenho tanto nos quesitos relacionados à eficácia do produto quanto nos aspectos ambientais.

    Oferecida por sua empresa há cerca de quatro anos, aqui essa tecnologia é ainda aproveitada apenas em segmentos muito específicos do mercado de tintas, por exemplo, nas destinadas a ambientes extremamente úmidos.

    No Brasil, prossegue Brenna, algumas tintas nem usam biocidas. Tal situação deverá ser alterada após a conclusão do processo de normatização que está sendo desenvolvido pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “Essa normatização definirá parâmetros mínimos de qualidade e isso ampliará a necessidade de biocidas”, crê Brenna.

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    Brenna: clientes ainda preferem opções mais agressivas

    Já existem cinco normas da ABNT relacionadas à análise microbiológica de tintas, algumas delas diretamente relacionadas a biocidas. Outros dois projetos de norma relacionados ao tema estão em discussão (os dois últimos do Quadro 1). Nas normas atuais, os biocidas são abordados apenas nos aspectos relacionados às metodologias de análises, mas o processo de revisão deve incluir também especificações.

    No caso da resistência de tintas aos micro-organismos, a primeira garantia, diz Gisele Bonfim, gerente técnica e de meio ambiente da Abrafati, deve se referir à proteção da tinta na embalagem. “Depois, precisaremos garantir a resistência do filme seco ao ataque de micro-organismos”, detalha Gisele.
    Ainda não há um cronograma definido para o estabelecimento das especificações relativas a biocidas. “Mas esse é um insumo extremamente importante. Mesmo com uma formulação muito boa, a tinta poderá sofrer deterioração caso não conte com a preservação adequada. As tintas base água constituem meio muito propício ao ataque de bactérias”, salienta Gisele.

    As normas, diz a gerente técnica, fazem parte de um amplo esforço desenvolvido pela Abrafati no âmbito do Programa Setorial da Qualidade – Tintas Imobiliárias, para criar parâmetros claros, confiáveis e científicos para a avaliação dos produtos. A norma NBR 15079, revisada recentemente, é o principal exemplo e uma das bases desse programa, voltado para o aprimoramento da qualidade das tintas: ela estabelece uma classificação das tintas imobiliárias em três níveis, conforme o cumprimento de requisitos mínimos relacionados ao poder de cobertura de tinta seca e de tinta úmida, à resistência e à abrasão.

    Química e Derivados - Tabela - Normas referentes à análise microbiológica de tintas

    Tabela: Normas referentes à análise microbiológica de tintas – Clique para

    Combinações sinérgicas – É caro, e depende de processos cada dia mais trabalhosos, o lançamento de um novo ativo biocida. Por isso, as empresas do setor privilegiam combinações sinérgicas dos ativos já existentes no desenvolvimento de seus produtos.

    Apesar disso, em meados deste ano, a Dow lançará um novo ativo para biocidas destinados a tintas, afirma Ricardo Pedro, especialista em atendimento ao cliente da Dow Microbial Control. “Será um ativo inteligente, multiperformance, com espectro de atuação mais amplo na área de controle microbiológico”, afirma, sem dar mais detalhes.

    A própria Dow, admite Pedro, também busca combinar de maneira mais eficiente os ativos disponíveis, testando as várias possibilidades de formulações e concentrações, as distintas formas físicas – por exemplo, com partículas maiores ou menores –, diferentes modelos de apresentação (líquido, pó, dispersão, ou microcápsulas). “Temos uma ampla gama de ativos, desde os mais comoditizados até os especiais”, afirma.

    Combinações entre ativos já desenvolvidos compõem o caminho para a evolução tecnológica do setor considerado mais viável também por Karina Zanetti. “Com blends é possível obter biocidas com amplo espectro de ação, e a sinergia entre os ativos otimiza ainda sua eficiência”, ressalta a assistente-técnica da Miracema-Nuodex, empresa cujo portfólio inclui grande variedade de ativos para as mais diversas funções biocidas.

    Química e Derivados - Gisele Bonfim - Abrafati, biocidas, norma,

    Gisele: norma criará parâmetros técnicos para biocida de qualidade

    Também a Troy disponibiliza leque bastante amplo de biocidas; entre eles, alguns elaborados com a molécula IBPC (iodopropilbutilcarbamato), por ela criada. Não mais resguardada por patente, essa molécula rendeu à Troy posição de destaque no segmento das tintas com base solvente, que em alguns casos têm também água e polissacarídeos em suas fórmulas – e então empregam esse biocida com ação fungicida –, e nos chamados stains, mais aplicados sobre madeira, por exemplo, em janelas e decks de piscinas.

    Carlos Alberto Gonçalves, diretor de negócios da Troy Brasil, também percebe o início de demanda, no mercado nacional, por biocidas totalmente isentos de formol, com baixos índices de VOC. “Isso não existia há três anos”, ele afirma.

    Outras possibilidades – Combinações capazes de render biocidas com índices satisfatórios de eficácia sem custos muito elevados hoje proliferam não apenas no segmento dos protetores in can, mas são objetos de pesquisas também para proteção contra fungos e algas. “Exemplo de blend mais empregado como fungicida é a combinação entre carbendazim – já com algumas restrições internacionais – e a octilisotiazolinona, ou com a molécula mais nobre do piritionato de zinco”, informa Forastieri, da Arch. “Com esse blend, consegue-se um produto razoável a custo acessível.”

    Nesse mesmo segmento dos fungicidas, a Troy começa a trabalhar mais enfaticamente um produto destinado a enfrentar concorrentes feitos de sais de prata, dirigidos ao segmento das chamadas tintas higiênicas, oferecidas em escala crescente com a promessa de maior eficácia contra micro-organismos em espaços onde é maior essa preocupação, como clínicas e hospitais.

    Química e Derivados, Evolução da produção de tintas no Brasil

    Tabela 2: Evolução da produção de tintas no Brasil: Clique para ampliar

    Baseado em benzoisotiazolinona imobilizada, capaz de liberar gradativamente o ativo biocida, esse produto une eficácia com custo mais acessível, em relação aos sais de prata. “Devemos fechar este ano a primeira venda no Brasil desse biocida patenteado pela Troy”, adianta.

    Na Ipel, há ao menos um produto cuja fórmula contém os sais de prata com os quais a Troy planeja concorrer. Destinado a paredes hospitalares e a superfícies como a fórmica, ele mescla metilisotiazolinona com nanopartículas de prata. O uso da nanotecnologia ainda é, porém, questionado nesse setor. “Não usamos esse apelo em tintas, isso ainda exige mais estudos, até porque nanotecnologia refere-se a partículas capazes de potencializar qualquer problema de penetração na pele”, destaca Pedro, da Dow.

    Leite, da Ipel, reconhece a impropriedade da nanotecnologia para produtos destinados à aplicação direta sobre a pele humana (cosméticos, por exemplo). “Mas, considerando-se a eficácia proporcionada por ela nas aplicações para as quais disponibilizamos esse produto, os nanomateriais são muito interessantes”, argumenta.



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