Biocidas: Conquista de mercados exige prestar serviços

Concorrência cresce e derruba preços, exigindo desenvolver formulações eficazes e de baixo custo, além de oferecer ampla gama de serviços, assumindo tarefas antes desenvolvidas pelos clientes

O concorrido mercado de biocidas confirma a tendência de buscar diferenciação dos fornecedores pelos serviços oferecidos aos clientes.

Como as formulações biocidas comprovam melhor relação custo/benefício contra os ingredientes ativos isolados, torna-se fundamental conhecer bem a aplicação e os problemas de cada linha produtiva, além de contar com expertise para elaborar formulações estáveis.

A mais importante justificativa dessa característica de mercado reside no elevado custo de desenvolvimento de moléculas inovadoras, além do igualmente oneroso processo de registro junto às autoridades sanitárias e ambientais, em todo o mundo.

Embora essas pesquisas continuem a ser feitas, o custo da inovação excede o das formulações, elaboradas com ingredientes ativos sobejamente conhecidos, livres da proteção das patentes, com ampla oferta de “genéricos” em todas as regiões do planeta.

O principal mercado consumidor de biocidas no Brasil é a indústria de tintas, seguida pelo tratamento de madeiras.

Ambos se tornaram muito disputados nos últimos anos. A briga por espaços entre os fornecedores de tintas fez despencar os preços, com aperto significativo das margens de lucro. Para algumas companhias, esse foi o preço a pagar para abrir brechas e conquistar pedidos.

Para outras, o comportamento retirou a atratividade desse mercado, deslocando o foco corporativo para outros consumidores, com diferentes necessidades técnicas e políticas de preços.

“Temos tecnologias inovadoras à disposição, mas faltam mercados que as absorvam”, comentou a diretora da área de proteção e higiene da Avecia, Dora Alice F. Campos.

No Brasil a companhia superou em 2002 as metas previstas de faturamento, fixadas em 2001, ano bom em vendas, mas que terminou com expectativa de momentos difíceis para o exercício seguinte, ano de Copa do Mundo e eleições presidenciais.

“Perto do que esperávamos, 2002 foi um ano muito bom, pelo menos até junho, mas, ainda assim, ficará longe do que gostaríamos”, explicou.

O saturado mercado de tintas não justifica maiores esforços, agora direcionados para a aditivação de fibras têxteis, evitando a proliferação de fungos.

Os grandes consumidores desses artigos são da área institucional, como hotéis, hospitais e fabricantes de uniformes profissionais, em especial para fábricas de alimentos.

No exterior, já se mostram relevantes os negócios com não-tecidos para cozinhas, banheiros, fraldas descartáveis e materiais cirúrgicos, além da prevenção de maus odores em materiais esportivos (palmilhas, camisetas e outros).

Química e Derivados: Biocidas: Gonçalves - faltam normas no setor.
Gonçalves – faltam normas no setor.

“Faltam normas mais rígidas sobre o uso de biocidas e seus efeitos ambientais”, disse Carlos Alberto Gonçalves, diretor de negócios da Troy Brasil.

“Enquanto for pequena a barreira à entrada de novos concorrentes no mercado, segmentos como o de tintas continuarão a ser atendidos pelos produtos tradicionais.”

Ele salienta o trabalho do comitê da ABNT para a indústria de tintas e seus fornecedores, liderado pela Abrafati, que visa estabelecer normas mínimas de desempenho e segurança ambiental.

“As normas puxam para cima a qualidade dos produtos e estimulam a aplicação de tecnologias mais modernas”, afirmou.

Nascida nos Estados Unidos durante a década de1950, a Troy sempre se fixou como fornecedora de aditivos. Desenvolveu e patenteou o IPBC (iodo propinil butil carbamato), um eficiente fungicida.

Atualmente, dois terços das vendas mundiais se referem a biocidas, pela ordem, para os segmentos de tintas, madeira e óleos de corte, seguidos por polímeros, têxteis domissanitários, couros e outros, com atuação em 95 países.

No Brasil, a Troy atua há dez anos, primeiro por meio de distribuidores, decidindo-se por abrir filial em junho de 2000, principalmente para oferecer serviços aos clientes, única forma de conquistar mercado.

As análises e ensaios para apoio ao cliente e desenvolvimento de formulações são realizadas por laboratório contratado com exclusividade.

Segundo Gonçalves, não é fácil ingressar no mercado brasileiro de biocidas. “Até a década de 1990, a reserva oficial de mercado impedia a chegada de empresas estrangeiras, permitindo o crescimento de empresas nacionais que ainda hoje dominam o cenário”, comentou.

Como os biocidas garantem a qualidade do produto que chega às mãos dos clientes, sua substituição é considerada tormentosa pelos clientes. Isso só é feito mediante trabalho de convencimento de longo prazo, além de oferecer relação custo/benefício favorável.

O próprio IPBC é interessante do ponto de visto toxicológico, mas ainda caro para brigar com o carbendazin e suas misturas.

“Dos princípios ativos conhecidos, nenhum apresenta desempenho universal, ou seja, sempre é preciso combinar dois ou mais ingredientes para se obter um produto eficaz”, explicou Gonçalves. “As formulações biocidas dominam o mundo.”

Como a maioria das moléculas já é de domínio público, a diferenciação entre fornecedores reside na prestação de serviços. “É preciso olhar toda a cadeia produtiva, indo até o fornecedor do cliente e até o usuário final para conhecer os problemas e como resolvê-los da melhor forma.”

Além do laboratório terceirizado e das linhas de biocidas e aditivos, a Troy montou estrutura nacional de distribuição com empresas especializadas, de modo a multiplicar seus esforços. A repartição de vendas estimada para biocidas no Brasil, segundo ele, é de 30% para tintas e 30% para madeira. Os 40% restantes se dividem em vários segmentos.

“Estamos nos focando nos principais mercados, mas passamos a dar atenção especial para os periféricos, como adesivos e polímeros, nos quais enxergamos possibilidades de ganhos expressivos”, avaliou. Esses segmentos ainda são usuários de derivados de formol, que tende a ser substituído em todo o mundo.

A Rohm and Haas sintetizou as isotiazolinonas em 1964, mas só lançou a linha Kathon de biocidas de amplo espectro em 1978, tendo conquistado ampla participação mundial, principalmente em tintas, cosméticos e plásticos. Esse tipo de aditivo completou a linha de produtos composta por resinas acrílicas, emulsionantes, dispersantes e outros.

O advento das formulações provocou mudanças estratégicas na companhia que, em 1997, comprou a americana Morton, especializada em fornecer biocidas formulados com base inorgânica nas formas sólida e líquida para composteiros de PVC flexível.

Esses produtos se dividem em duas linhas, para cortinas de banheiros e similares, evitando a formação de manchas de origem fúngica ao longo dos anos, e bactericidas com efeito antiodor para sandálias e calçados esportivos.

O grande passo foi dado com a aquisição, em 2000, da suíça Acima, importante formuladora no mercado europeu. “As formulações precisam ser estáveis ao longo do tempo, além de eficazes, exigindo grande experiência”, explicou Antonio José Matteucci, gerente técnico de biocidas para tintas na América Latina da Rohm and Haas.

Segundo comentou, o mercado usa não mais de seis ou sete moléculas para proteção de tintas nas latas (in can) e outras quatro ou cinco para proteção do filme seco, sem notáveis avanços técnicos e com redução dos preços de venda.

“Buscamos diferenciação por oferecermos alta confiabilidade quanto às características do produto, segurança ambiental e ocupacional, excelente logística e serviços”, afirmou.

Matteucci destaca a necessidade de acertar as formulações para as condições climáticas e às particularidades de cada cliente, trabalho realizado por laboratório próprio no País, que atende a toda a região. “Além disso, o biocida não trabalha sozinho, precisa encontrar boas práticas de fabricação e aplicação”, afirmou.

Por isso, é preciso auditar as instalações e os processos dos usuários, procurando pontos de contaminação a eliminar, além de treinar adequadamente os trabalhadores.

No caso específico das tintas, o especialista acompanhou o crescimento da oferta das segundas e terceiras linhas desde 1994. Produtos de preço inferior, voltados para clientes menos exigentes, impuseram reduções de custo inclusive nos biocidas.

“Esse produtos praticamente não usam fungicidas, originando pinturas que ficam manchadas em apenas seis meses”, avaliou. Já os bactericidas para preservação da tinta na lata não podem ser evitados, pois o consumidor não aceitaria receber um produto podre, ainda que barato. “Para isso, as isotiazolinonas mais comuns e o formaldeído são imbatíveis em custo”, explicou.

Ele mencionou a segura e eficiente benzisotiazolinona (BIT), cujas vendas são reprimidas no Brasil por apresentar preço mais elevado.

Já nas tintas decorativas de primeira qualidade, a proteção do filme seco também é desejada, incluindo a recente preocupação com a proliferação de algas, que afetam a qualidade visual da superfície. “Só os produtos mais caros usam algicidas, ou adotam dosagem maior de fungicidas, com efeito sobre as algas também”, explicou.

Alguns fungicidas permitem obter esse efeito, mas o resultado não é tão bom quanto o alcançado, por exemplo, com o diuron, produto originalmente desenvolvido como herbicida agrícola.

Química e Derivados: Biocidas: Rohr - laboratório próprio ajuda a adaptar formulações.
Rohr – laboratório próprio ajuda a adaptar formulações.

Laboratório completo – A Miracema-Nuodex atribui a liderança no mercado nacional de biocidas para tintas e slurries (pastas ou lamas) às iniciativas pioneiras adotadas no passado.

“Fomos os primeiros a formular biocidas, quando ainda se vendiam ingredientes ativos isolados, e também pioneiros em contar com laboratório microbiológico completo para desenvolvimento de produtos e controle de desempenho junto aos clientes”, afirmou o diretor-presidente Otto Rohr.

Ele salientou que os fabricantes de tintas não mais fazem análises microbiológicas, mas exigem que elas sejam feitas pelos fornecedores, também incumbidos de determinar a dosagem mais adequada e de assumir a garantia da sua eficácia. “Quem não se preparou para isso, perdeu espaço no mercado”, comentou.

O laboratório da Miracema-Nuodex funciona ininterruptamente, com trabalhos conduzidos por uma equipe de cinco técnicos bioquímicos em regime de turnos. Para monitorar as linhas de produção dos seus clientes, a empresa treinou um técnico para visitá-las periodicamente, coletando amostras diretamente dos reatores ou tachos, e levando-as para análises.

“Também avaliamos as matérias-primas e a água do processo, para identificar fontes de contaminação”, disse Marcos Pacheco, gerente de pesquisa da empresa.

As amostras de tintas coletadas são submetidas a testes para verificar a capacidade de inibição ao desenvolvimento de colônias de bactérias e também quanto à proteção da película seca ao ataque dos fungos.

Neste caso, corpos de prova pintados são colocados em câmaras tropicais, com alta umidade e temperatura favorável ao desenvolvimento microbiano, em ambiente com alta contaminação fúngica. Já a defesa contra bactérias é avaliada em meios de cultura adequados e devidamente inoculados, verificando-se a preservação do material e o halo de inibição.

Segundo Pacheco, o produto deve impedir a colonização sobre o corpo de prova, mas não precisa, necessariamente, formar grande halo inibitório.

“Um halo muito amplo pode significar que o produto está migrando para o meio, ou seja, que a proteção poderá durar menos tempo que o esperado”, comentou Pacheco.

Na sua avaliação, as bactérias mais freqüentes nas linhas analisadas são as Pseudomonas. Quanto aos fungos, os de controle mais difícil são do gênero Alternaria.

O laboratório também é fundamental para a otimização de dosagem e desenvolvimento de produtos, permitindo reduzir custos sem colocar em risco a segurança dos clientes. Rohr explica que o biocida Bodoxin, desenvolvido pela alemã Bode, é o carro-chefe de vendas da Miracema-Nuodex, mas foi criado há trinta anos, época em que o custo dos biocidas não era relevante para os compradores.

“Mal comparando, ele é como usar um canhão para matar passarinho”, afirmou, salientando que o produto contém apenas 4% de umidade, formada durante a síntese.

O Bodoxin é composto por três ingredientes ativos: um rompe a membrana celular das bactérias, expondo o núcleo aos demais ingredientes, que, em contato com o pH baixo dessa área celular, são ativados, destruindo-a por liberação de formol em quantidade muito precisa, sem liberá-lo para o ambiente.

Por meio da variação das porcentagens desses ingredientes, foi possível reduzir o uso dos ativos mais caros, sem prejudicar a eficácia da formulação. “Alguns ingredientes só são úteis na preparação da tinta, abatendo a carga microbiana inicial, mas depois não são mais necessários”, explicou.

A revisão da fórmula, porém, exigiu centenas de testes, possíveis porque o laboratório foi preparado para fabricar pequenos lotes de tintas, similares às dos clientes. “Podemos também analisar o desempenho de outros aditivos, sugerindo mudanças para os clientes”, disse.

As vendas de agosto surpreenderam a diretoria da Miracema. “Vedemos 140 t de biocidas no mês, um recorde em 48 anos de atividade”, informou Rohr. O resultado foi atribuído ao bom desempenho das exportações, que passaram de US$ 1 milhão.

A desvalorização do real impulsionou a venda de componentes para a fabricação de biocidas na Alemanha, além de garantir resultado financeiro favorável.

Embora o tradicional Bodoxin ainda represente quase 50% das vendas, a Miracema desenvolve trabalhos de tropicalização de produtos, culminando no desenvolvimento das linhas Liocide (bactericidas) e Coryna (fungicidas, alguns também algicidas).

O principal fungicida da empresa já é o Coryna DF, desenvolvido no segundo semestre de 2000, a partir do Cinon AF da Bode. O DF é apresentado como dispersão aquosa (sem glicol), com mais eficiência e menos custo que o antecessor alemão.

Segundo a fabricante, os ingredientes são os mesmos, mas as porcentagens foram otimizadas. A redução de custo, com eficiência comprovada, garantiu a vitória em importantes disputas por fornecimentos a fabricantes de tintas no Brasil.

Da mesma forma, a linha Liocide foi adaptada, evitando perder mercado pela oferta do caro Bodoxin usual. Todos os componentes já são produzidos no Brasil, segundo Rohr.

Química e Derivados: Biocidas: Leite - formuladores são mais ágeis.
Leite – formuladores são mais ágeis.

Antecipando-se às exigências do mercado, a Miracema desenvolveu o Liocide 195, bactericida isento de formol e fenol, com boa eficiência e custo razoável.

“Ele é mais caro que os convencionais, mas atende à onda de eliminar os liberadores de formol das tintas”, disse Rohr. Essa tendência surgiu há uns dez anos na Alemanha, levando à criação de uma norma limitando o teor de formol no ambiente de trabalho ao máximo de 0,5 ppm.

“Depois de um período de inquietação, a indústria resolveu pesquisar o ambiente de trabalho, e não encontrou nenhum teor de fenol acima de 0,3 ppm”, comentou. “Ficou provado que não havia necessidade de mudar nada, e os liberadores de formol seguiram adiante.”

Apesar disso, a Miracema prosseguiu nas suas pesquisas até chegar ao Liocide 195, formulado como isotiazolinonas e compostos nitrogenados. Segundo Rohr, embora a norma não exija, alguns nichos de mercado poderão preferir esses biocidas, como a pintura de salas cirúrgicas e quartos hospitalares.

A empresa pretende desenvolver aplicações de seus biocidas para outros mercados, a exemplo da indústria de couros e a de papel e celulose, além de adesivos e produtos têxteis.

Atualmente, 90% das vendas segue para a produção de tintas e fabricação de insumos para esse segmento, como os slurries de caulim ou carbonato de cálcio precipitado.

Para melhor atender aos clientes, a empresa lhes fornece isotanques de mil litros, com equipamento dosador adequado. O abastecimento é mantido usando contêineres retornáveis, feitos de polietileno de alta densidade.

Alta flexibilidade – Vice-líder no mercado brasileiro de biocidas para tintas, a Itibanyl Produtos Especiais Ltda. (Ipel) conquistou volume expressivo de negócios com uma política elástica de prestação de serviços, podendo ser mais ou menos abrangente conforme a necessidade dos clientes.

A Ipel já desenvolve atuação em outros mercados, mantendo a distribuição de vendas com 40% para tintas, 16% para couros, 10% para cosméticos, e o restante para emulsões, polímeros e outros.

Cabe mencionar a grande flexibilidade da companhia, que espalhou suas atividades pelas várias regiões do País, bem como na Argentina, onde possui fábrica, laboratório e 40% do mercado de tintas, e ainda na Europa, com fábrica e laboratório em Barcelona (Espanha), além de uma unidade de distribuição no México.

“Temos planos ainda maiores de expansão internacional, mas a instabilidade econômica mundial os atrapalhou”, informou o diretor Luiz Wilson Pereira Leite.

Na avaliação do diretor, o mercado europeu de biocidas é mais complexo que o brasileiro, mas não difere muito quanto aos produtos consumidos. “Os contaminantes microbiológicos são parecidos, há alterações provocadas pelo clima e situação ambiental que exigem adaptar as fórmulas”, disse.

“Normalmente, um produto bom no Brasil também funciona por lá.” No entanto, ele salienta ser fundamental observar a compatibilidade das fórmulas com as normas européias.

“Entramos no mercado europeu a pedido de alguns clientes específicos”, explicou, considerando a iniciativa boa oportunidade para conhecer melhor as tendências modernas de produtos e de controle.

Como exemplos, Leite mencionou o uso de fungicidas e algicidas novos, para substituir o carbendazin e o diuron, que já sofrem restrições de uso.

“Nosso objetivo não é desenvolver moléculas novas, mas aproveitar o conhecimento existente e disponível, modificando-o”, comentou, afirmando que a Ipel já conta com novidades em estágio de laboratório, dependendo ainda dos ensaios toxicológicos para registro.

“Priorizamos a busca de produtos de origem natural, menos agressivos ao homem e ao ambiente”, comentou. A Ipel investe 4% do faturamento em pesquisa. Leite ressalta a alta qualificação dos 40 funcionários, dos quais 27 têm curso superior, sendo três com títulos de mestre ou doutor.

Na área de couros, a Ipel lançou o FBP 48, uma combinação de ativos com a vantagem de usar menor quantidade do TCMTB (metiltiocianato de benzotiazol), o mais usado no segmento.

“O TCMTB é agressivo, tem odor forte e é de difícil manipulação”, afirmou. Formulado com outros produtos, no entanto, os inconvenientes são atenuados, com vantagens.

O principal mercado é a preservação das peles bovinas frescas, antes do processamento industrial dos curtumes. Atualmente, o abate de bovinos está se deslocando para a região Centro-Oeste, exigindo montar estrutura de atendimento regional. “A alternativa para o biocida, nesse caso, é salgar”, considerou.

Os biocidas também são aplicados na reumectação das peles e como conservantes do material curtido intermediário (wet blue), em formulações específicas para cada caso. Todos eles com uma característica comum: são biodegradáveis nas concentrações indicadas.

“Caso contrário, os resíduos poderiam inativar os tanques de tratamento biológico de efluentes dos curtumes, com graves prejuízos”, explicou.

A Ipel conta com laboratório próprio para suporte e controle de qualidade, apoiando o conceito de negócios da companhia de oferecer serviços ao mercado, em vez de vender produtos.

“Fazemos o diagnóstico e elaboramos o programa de aplicação, além de poder projetar equipamentos de dosagem ou de assumir o controle microbiológico do processo do cliente”, disse Leite.

Em alguns casos, a empresa desenvolve junto com o cliente um produto específico, que será produzido e vendido com garantia de confiabilidade e confidencialidade.

De modo a precaver-se contra oscilações de mercado e problemas de abastecimento, a Ipel sintetiza seis das 27 moléculas biocidas que emprega nas suas formulações. As demais são produzidas por terceiros mediante contrato de toll manufacturing.

“Não compramos produtos no mercado spot, pois queremos ter mais segurança de qualidade e suprimento”, explicou. A produção local dispõe de um parque de reatores em Jarinu-SP.

A expectativa da Ipel para 2002 é de ampliar em 12% seu faturamento em relação a 2001.

O bom resultado é atribuído à expansão da base de clientes pelo crescimento do mercado e também pela conquista de empresas antes atendidas pela concorrência.

Leite considera que a situação atual de mercado favorece os formuladores, em detrimento dos fabricantes isolados de ingredientes ativos biocidas.

“Os formuladores apresentam mais flexibilidade para resolver os problemas dos clientes”, disse.

Ele considera razoável que as indústrias químicas de síntese se concentrem na produção dos ativos, abastecendo os formuladores, que respondem pelos altos custos da prestação de serviços.

“Embora os fabricantes de ativos tenham se concentrado em um pequeno número de grandes corporações, eles não adquiriram a cultura da atividade formulação.”

Química e Derivados: Biocidas: Majerowicz - atuação em vários mercados.
Majerowicz – atuação em vários mercados.

Nova proteção – Atenta ao bom desempenho do mercado de tintas, a Bayer lançou nova linha de biocidas para proteção da tinta na lata e dos filmes secos.

Sob a denominação de Preventol TPSP 80036, a empresa combinou diuron, carbendazin e octilisotiazolinona em proporções adequadas, de modo a proteger o filme aplicado contra fungos e algas.

“Esse produto surgiu há menos de um ano e já está sendo vendido para os grandes fabricantes de tintas”, afirmou Mauro Majerowicz, diretor comercial da Polyorganic, distribuidor exclusivo da Bayer.

Para proteger a tinta in can, surgiu o Preventol TPSP 80025, que combina bronopol e isotiazolinonas para atuar contra bactérias, leveduras e fungos, na faixa de pH de 4 a 9, e temperatura máxima de 45ºC.

“É um produto de amplo espectro de cobertura, e não libera componentes orgânicos voláteis”, explicou.

A linha de preservação in can também compreende produtos recentes, como o Preventol BIT-20, com base em benzisotiazolinona, que está encontrando boa aceitação junto aos fabricantes de tintas, segundo o distribuidor.

A linha Preventol tradicional continua sendo oferecida aos clientes, mas Majerowicz identifica uma preferência de mercado por biocidas mais específicos.

Para atender melhor o mercado, a Bayer montou laboratório equipado inclusive com câmaras tropicais na sua sede brasileira, no bairro de Santo Amaro, na capital paulista.

A forte competição pelo mercado de tintas força a reduzir preços e atuar com tecnologia diferenciada.

Na proteção de madeiras, por exemplo, a Bayer lançou o Preventol HS 12 CE 50, com o piretróide ciflutrin a 50 mg/l dissolvido em glicol. “É possível impedir e remediar o ataque de insetos xilófagos, como cupins e brocas, mas com um produto de baixo cheiro e altamente seguro”, afirmou.

O produto é indicado para a indústria moveleira, podendo ser aplicado por imersão ou por pressão (autoclave) em aglomerados, compensados e MDF (painéis de média densidade). “Testes feitos no IPT comprovaram a eficácia do Preventol, já registrado no Ibama”, explicou.

Além disso, a companhia fornece IPBC (Preventol MP) em formulação aquosa, visando o controle de fungos manchadores de madeira, incorporável a stains e primers. O IPBC também é usado em óleos de corte e tintas de impressão para plásticos.

Para os domissanitários, a linha Preventol CD, já registrada nos rígidos padrões da Europa, pretende conquistar a aditivação de desinfetantes para áreas altamente contaminadas, como salas cirúrgicas, hospitais e clínicas veterinárias.

Mesclando ativos fenólicos e glutaraldeído, a empresa conseguiu uma fórmula capaz de eliminar amplo espectro de micróbios, incluindo alguns vírus patogênicos.

O produto será vendido para fabricantes de desinfetantes especiais, sendo recomendado para limpeza de superfícies, sem contato humano. “Havia preconceito contra os fenólicos, mas alguns deles se revelaram de baixa toxidez e alta biodegradabilidade, além de muito eficientes”, comentou.

A limpeza doméstica também conta com ativos da Bayer, derivados de fenol, todos funcionais e de baixa toxicidade. Materiais cirúrgicos e utensílios para manicures e cabeleireiros podem contar com o Preventol GDA, com glutaraldeído a 50% e baixo índice de metanol.

O ativo é esporicida e permite esterilização a frio das peças, desde que seguidas as instruções de uso.

A linha de biocidas para uso em cosméticos foi reforçada com os parabenos metílico e propílico incorporados à linha Solbrol, indicados para xampus, cremes, desodorantes e pasta dental, entre outros. “Com isso, a Bayer completou a linha de parabenos, com uso possível também na indústria farmacêutica”, afirmou.

Já os sabões e desodorantes ganharam novo fornecedor de triclorocarbanilida (TCC), com a entrada da Bayer nos fornecimentos. Segundo Majerowicz, a idéia é aproveitar brechas de mercado, além de tentar conquistar aplicações do líder de mercado triclosan.

A Polyorganic também oferece derivados de clorexidrina para a fabricação de anti-sépticos, fabricados por terceiros mediante contrato.

A mesma estratégia é usada para o cloreto de dialquilmetilamônio. “Estamos analisando a possibilidade de fabricarmos outros quaternários, diferenciados, com cadeia linear”, afirmou Majerowicz.

Ele identifica a expansão da demanda por biocidas em várias áreas, atendidas por formulações elaboradas com base em moléculas disponíveis. “A Polyorganic registrou aumento de 20% nas vendas de biocidas em 2002”, disse.

Triclosan mantém mercado – O gerente da área de personal care da Ciba Specialties no Brasil, Mário Carvalho, não vê concorrência direta entre o conhecido triclosan e os biocidas.

“Nos cosméticos, o triclosan é referendado internacionalmente como bacteriostático, um campo diferente de atuação”, explicou. Bacteriostáticos preservam as fórmulas contra o desenvolvimento de bactérias, enquanto os biocidas abatem cargas microbianas existentes ou incidentes.

Carvalho admite que o triclosan e o irgasan podem ser até usados em conjunto com bactericidas, pois eles permanecem ativos durante longos períodos. O álcool etílico, por exemplo, é um bom desinfetante, mas que evapora rápido e deixa o local desprotegido contra novas contaminações.

Química e Derivados: Biocidas: Araújo - venda clandestina prejudica domissanitários.
Araújo – venda clandestina prejudica domissanitários.

“Por ter grande afinidade com a pele humana, o triclosan permanece no local aplicado durante longo tempo, característica importante, por exemplo, para os desodorantes”, comentou.

Segundo Carvalho, as vendas de triclosan para cosméticos permanecem crescentes, embora tenha décadas de uso. “O produto é conhecido quanto às suas características e é seguro para os usuários finais”, afirmou.

A longa existência e os freqüentes embates contra sucedâneos levaram à redução de preço, fato típico da maturidade da aplicação.

Matteucci, da Rohm and Haas, afirma que o mercado de biocidas para cosméticos é muito diferente do de tintas.

“Cosméticos contam com normas de uso, exigem aprovação pela Anvisa e mais investimentos para lançar produtos”, avaliou. “Mas o setor não deixa de ser altamente competitivo.”

Novos quaternários – A Lonza espera manter o ritmo de crescimento de vendas no Brasil nos próximos anos. Em 2002, o aumento foi de 10%, mas a estimativa para os próximos exercícios deve ficar por volta de 20%.

“Este ano foi muito turbulento e o mercado de domissanitários sofreu a concorrência desleal dos fabricantes clandestinos”, explicou Selmo Araújo, gerente de desenvolvimento de negócios pra o Mercosul.

A expectativa de crescimento é justificada pelo fato de a companhia deter plataformas diversas de produtos, incluindo quaternários de amônio, hidantoínas, isotiazolinonas, clorexidrina e biguanidas, permitindo a ampla combinação e o desenvolvimento de produtos.

Além disso, ela desenvolveu o sistema High Troughtput Technology (HITT) para avaliação molecular. “O sistema acelera até oito vezes as análises para determinação de blends e otimização de dosagens eficazes”, explicou a gerente de marketing Gabriela Fleury.

Segundo eles, a companhia realizou estudos amplos sobre o mercado nacional que identificaram 22 novos mercados para biocidas, todos com aplicações já desenvolvidas no exterior. “Basta desenvolvê-las”, disse Araújo. A meta é dobrar o volume atual de vendas até 2008.

Uma das armas consiste no estabelecimento da linha Geogard, um blend de quatro moléculas aprovadas em todos os países do mundo, inclusive o Japão, para uso como bacteriostático e fungiostático, indicado inicialmente para cosméticos.

“As grandes companhias mundiais queriam um produto que pudesse ser usado em todas as suas unidades globais”, explicou.

O desenvolvimento de novos mercados ganhou um reforço de US$ 460 mil, representado pelo moderno laboratório de desenvolvimento e suporte aos clientes da Lonza. Montado em São Paulo, pode desenvolver análises microbiológicas, físico-químicas e ensaios de formulação.

Segundo Gabriela, o mercado de produtos veterinários será o primeiro a se beneficiar dos esforços laboratoriais, permitindo a formulação de biocidas eficientes para as soluções de limpeza de tetas de vacas leiteiras e também para desinfecção de aviários.

“Temos biocidas que não provocam ardor mesmo em contato com fissuras na pele sensível dos úberes leiteiros”, comentou.

“Estamos avaliando a possibilidade de formar parcerias com formuladores que tenham acesso a mercados interessantes”, comentou Araújo. A primeira dessas parcerias foi firmada com um importante player nacional e será restrita ao setor de celulose e papel. A Lonza já fornece ativos biocidas para formuladores em alguns segmentos, como o de tintas. “Não nos interessa brigar por preços, mas buscar inovações tecnológicas”, salientou.

No campo dos domissanitários, a companhia domina o fornecimento de biocidas para desinfetantes, oferecendo ampla variedade de quaternários de amônio, desde os mais simples, de primeira geração (como o cloreto de benzalcônio), até as modernas moléculas de cadeias duplas (twin chain) da terceira geração.

“Já estamos lançando a quarta geração dos quaternários, cada vez mais biodegradáveis, mais seletivos e usados em menor dosagem”, explicou.

A companhia pretende auxiliar os fabricantes regulamentados a combater a produção clandestina, feita sem fiscalização e sem garantia de desempenho, que ocupa boa parte do mercado de domissanitários.

“Analisamos alguns produtos informais e encontramos teores altos de amida-amina, produto que não está aprovado pela Portaria 15 da Anvisa e representa perigo para os consumidores”, criticou Araújo, membro de comissões setoriais que estudam o problema.

Para ele, o governo já faz exigências corretas, mas deveria analisar os produtos finais para comprovar se elas estão sendo atendidas.

Fato que poderá ter reflexos favoráveis foi o banimento das vendas de álcool na forma líquida como material de limpeza. “Isso abre espaço para a venda de produtos mais evoluídos, que certamente incluirão biocidas”, disse Araújo, sem identificar ainda modificações de demanda por esse motivo.

O banimento do álcool foi justificado por ser o produto responsável pelo maior número de acidentes domésticos, principalmente queimaduras em crianças.

Segundo o gerente, os produtos clandestinos, vendidos em frascos de refrigerantes, também merecem combate, pois é freqüente a ingestão por crianças, atraídas pela embalagem.

Química e Derivados: Biocidas: Cecília - salicilatos se firmam no PVC.
Cecília – salicilatos se firmam no PVC.

Dora Alice, da Avecia, informa que várias companhias mundiais estão atualizando a composição de domissanitários, incluindo biocidas.

“Esse movimento ainda não chegou ao Brasil, porque a crise econômica está brecando o desenvolvimento de novos projetos”, explicou.

Para ela, a produção de domissanitários enfrena problemas com a carga microbiana inicial, oriundo de insumos de origem natural e até da água.

“Eles procuram o nosso programa SAPH de higiene industrial”, comentou. Setores ainda mais receptivos à consultoria em sanidade de processo são a industria de alimentos e a de cosméticos.

Plásticos – A Logos Química intensificou os negócios com a venda de salicilatos por ela mesma sintetizados como biocidas para evitar o ataque de fungos ao PVC flexível.

“Sempre surgem novos problemas, ou por sazonalidade climática, ou pela introdução de novos contaminantes no processo dos clientes, ou ainda pelo aparecimento de formas resistentes”, observou a bióloga Cecília Canales. A empresa estuda a dificuldade apresentada pelos clientes e propõe o controle eficiente.

Segundo ela, a maioria das empresas faz ensaios com base na norma ASTM para determinar a resistência do material ao ataque de fungos. “Só que a norma está desatualizada, pois sua mais recente revisão foi feita em 1996”, informou.

Alguns usuários nem sempre seguem a norma, ou tentam resolver problemas apenas aumentando a dosagem. “Os grandes transformadores de plásticos já exigem o atendimento da norma”, salientou. Esses mercados compreendem aplicações variadas, desde cortinas de banheiro até revestimento de piscinas.

Cecília verifica que muitas pessoas se impressionam com a formação de halo de inibição nos ensaios. “O biocida só precisa preservar o corpo de prova”, afirmou. A migração do produto para o meio é problema sério, por exemplo, nas piscinas.

“Poderia haver risco para os usuários”, criticou. A Logos contratou testes de irritabilidade e toxicidade dos salicilatos em instituição de pesquisa, com resultados que garantem a segurança do produto. “O biocida não migra para o meio, nem é irritante na concentração recomendada”, explicou.

Os anos de 2001 e 2002 foram dedicados à entrada no mercado de PVC e consolidação da prestação de serviços. Para 2003, dependendo da situação de mercado, a empresa poderá investir na proteção de produtos feitos de poliuretano.

Além disso, a companhia está investindo na construção da fábrica em Leme-SP. Lá já funcionam algumas linhas de mistura, enquanto as instalações de síntese ainda estão em Barueri-SP, onde também se localizam os escritórios.

“Até o final do ano, a área produtiva deve ir para Leme, mas o laboratório e administração ficam por aqui”, mencionou.

Na área de tintas, a empresa apenas faz testes com formulações para desenvolvimento de aplicações. Como não possui moléculas próprias e específicas, esse mercado é pouco atrativo.

Em papel e celulose, a Logos já atua em um grande projeto de desinfecção industrial junto com um produtor de peróxido de hidrogênio.

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