Tintas e Revestimentos

Biocidas conjugam proteção às tintas e ao meio ambiente – Abrafati 2019

Antonio C. Santomauro
21 de novembro de 2019
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    A tecnologia dos biocidas vai muito além das sínteses, exigindo muito cuidado para estabilizar as formulações nas tintas, sem interferências com o desempenho das resinas e aditivos. “Há segredos industriais em cada etapa”, afirmou Adriana Batista, gerente de vendas da Thor Brasil.

    Karina Zanetti, especialista técnica da Miracema-Nuodex, aponta mudanças no mercado de biocidas para tintas. “Houve um período de forte commoditização, com evidente orientação a preços, porém os clientes perceberam que isso é ruim, eles ficaram vulneráveis ao ataque de micróbios, agora a demanda voltou a ficar mais técnica, mais focada em resultados”, afirmou.

    Como a indústria brasileira de tintas de base água opera com o uso intensivo de slurries, diferente do que ocorre em outros países, a possibilidade de contaminações microbiológicas é mais elevada e inspira cuidados intensivos. “Por isso, a sanitização das linhas de produção é fundamental, um serviço que oferecemos aos clientes”, comentou. “Se houver biofilme instalado nas linhas, não há biocida que funcione depois.”

    A Miracema-Nuodex associou DBNPA, CMIT/MIT e liberadores de formol (dimetilol-ureia) em uma formulação que tem aplicação sanitizante e conservante in can.

    Karina observa que o crescente uso de embalagens plásticas para tintas precisa ser acompanhado de cuidados com os bactericidas. “O balde plástico não veda tanto quanto a lata, há trocas de ar no headspace, isso inviabiliza o uso de biocidas voláteis”, explicou. O blend oferecido pela Miracema-Nuodex fica ativo na tinta e não no headspace.

    A companhia internacional de origem suíça Lonza está em reestruturação. No primeiro semestre deste ano, separou as divisões farmacêutica e de produtos industriais, que passaram a operar de forma independente. No Brasil e na Argentina, as áreas internas da companhia estão sendo revisadas, com novas atribuições para a equipe remanescente, como explicou Alessandro Machado, gerente comercial para a América do Sul de produtos industriais.

    A Lonza sempre deu prioridade a um trabalho mais profundo com seus clientes, na linha de assumir toda a responsabilidade pela proteção microbiológica, desde a seleção e análise de matérias-primas, avaliação de processos produtivos, desinfecção e conservação da tinta e do filme seco. “Nós nos propomos a garantir a qualidade e o desempenho das tintas, indo além das normas, com um custo-benefício adequado, obviamente mediante contrato que estabeleça remuneração por critérios objetivos”, explicou. Há várias formas de estabelecer essa remuneração, todas negociáveis entre as partes. “Os velhos BIDs são a pior opção para quem quer oferecer um serviço melhor, o sistema está sendo melhorado, com a exigência de outros aspectos além do preço do biocida”, afirmou. “Quem optou apenas por preço quebrou a cara.”

    Machado comentou que a demanda pela BIT cresceu com algumas restrições à CMIT/MIT e também pela alcalinização das formulações das tintas base água. “A BIT funciona bem em pHs altos, ao contrário da CMIT/MIT”, explicou. A restrição de oferta global de um intermediário para a fabricação da BIT catapultou seu preço, agora voltando ao patamar usual. A Lonza ofereceu alternativas para seus clientes, aproveitando moléculas próprias, criadas para cosméticos, formando blends. “Esses blends adequados para tintas devem ocupar um espaço no mercado mesmo depois de o preço da BIT voltar ao normal, pois muitos clientes querem ter opções e não depender de apenas uma molécula”, considerou.

    Machado informou que há um movimento europeu para produzir tintas sem usar biocidas, o conceito biocide free. “É possível conseguir isso usando insumos de qualidade, em plantas higienizadas e processo GMP, também com ingredientes que tenham também efeito biocida, como o ácido benzóico”, disse Machado. “Isso é uma tendência ou apenas modismo? Ainda é cedo para dizer”.

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    Como tendência firme, ele apontou o uso de substâncias que exerçam controle biológico sem ser classificadas como biocidas. É o caso de alguns óleos vegetais e ésteres de origem natural. “É preciso avaliar se seu uso em tintas tem viabilidade”, advertiu.

    Quando se fala em biocidas, a combinação BIT e piritionatos (estes para filme seco) é dominante nos principais mercados, segundo Machado. “Com a escassez de BIT, os clientes voltaram para CMIT/MIT”, disse. De qualquer forma, com ou sem biocidas, ele acredita que o setor deve fortalecer as atividades de controle microbiológico, aplicando produtos cada vez menos agressivos, sempre na dosagem correta.

    A Lanxess opera com biocidas concentrados e formulados, todos fabricados na Alemanha, para atender à demanda de biocidas da indústria de tintas no Brasil. Os concentrados geralmente são vendidos aos distribuidores. “Atuamos mais com CMIT/MIT, bronopol e carbendazim, oferecemos formulações e apoio do nosso laboratório para os clientes”, afirmou Gabriel Morelli, da área de vendas técnicas da divisão de produtos de proteção de materiais. “Se o cliente aceitar, podemos garantir o tratamento completo da operação.”

    Morelli apontou aumento na procura pela BIT nos últimos oito meses. “É um insumo fácil de lidar, atinge amplo espectro microbiano e é menos agressivo ao ambiente, sem sofrer restrições regulatórias”, explicou.

    A Lanxes tem investido na tecnologia Next, de produtos encapsulados para filme seco. “A perda de ativos por lixiviação ou lavagem é bem menor com os encapsulados”, explicou. “Há nichos que exigem esse tipo de produto aqui no Brasil.”



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