Tintas e Revestimentos

Biocidas conjugam proteção às tintas e ao meio ambiente – Abrafati 2019

Antonio C. Santomauro
21 de novembro de 2019
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    Química e Derivados - Biocidas conjugam proteção às tintas e ao meio ambiente - Abrafati 2019

    O mercado de biocidas para tintas tenta alcançar um equilíbrio entre dois grandes problemas que se entrelaçam. O primeiro são as exigências para limitar o uso da clorometil metil-isotiazolinona (CMIT/MIT), insumo que domina a maioria das formulações do mercado. O seu substituto imediato seria a butil-isotiazolinona (BIT), inclusive com vantagens tecnológicas. Ocorre que a explosão ocorrida em 2018 em uma grande fábrica de intermediários químicos na China reduziu a oferta mundial da BIT, cujos preços dispararam, embora tenham começado a recuar a partir do segundo trimestre de 2019. O desafio atual, portanto, é garantir aos clientes produtos eficazes e seguros, mas que tenham custos adequados à situação do mercado de tintas.

    “As tintas decorativas no Brasil usam muito CMIT/MIT, que é barato e eficiente”, comentou Luiz Wilson Pereira Leite, diretor de marketing e de negócios internacionais da Ipel, que fabrica esses insumos no Brasil e na China. “Percebemos que, embora não existam restrições regulatórias sobre isso no país, alguns clientes estão reduzindo o uso de CMIT/MIT por iniciativa própria, motivando a buscar soluções.” A Ipel oferece alternativas, além da BIT, cujos preços ainda estão elevados, mas, como admite o diretor, são produtos mais caros que a CMIT/MIT. “O mercado não paga, o preço dos biocidas está abaixo do praticado pelas resinas.”

    No entanto, produtos de nicho, como tintas para dormitório de crianças e para clínicas, aceitam bem biocidas mais sofisticados, alguns encapsulados, sem problemas. “Nos produtos premium, a diferenciação e a garantia qualidade falam mais alto”, disse Pereira Leite.

    “O Brasil precisa instruir seu povo para que se desenvolva uma demanda mais qualificada por tudo, inclusive pelas tintas”, observou Ridnei Brenna, diretor-gerente da Thor Brasil. Como o consumidor não exige grande durabilidade do filme seco, as indústrias aplicam poucos biocidas nas formulações, em comparação com os fabricantes europeus, por exemplo. “No caso da proteção ao filme seco, indicamos nossos produtos encapsulados AMME, cuja dosagem na Europa é de 2%; aqui no Brasil, formuladores usam doses de 0,3%, como uma parte já é liberada no momento da pintura, o residual é zero, ou seja, o filme não ficará protegido”, criticou.

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    Ele aponta que todos os fabricantes de tintas econômicas recebem uma dose de fungicidas, quase sempre muito baixa. Mas só as tintas standard ou premium recebem fungicidas e algicidas, em dosagem um pouco melhor, mas ainda baixa. “Percebemos que o comprador de tintas decorativas imobiliárias procura preço e está pouco preocupado com a proteção do patrimônio que as tintas podem proporcionar”, disse.

    Brenna apontou que os clientes buscam por inovações que reduzam custos, especialmente na parte logística. Isso motivou a Thor a produzir formulações biocidas muito concentradas, reduzindo os gastos com embalagem, transporte e armazenamento. As formulações vendidas no país passaram por um processo de tropicalização, adequando-se melhor ao mercado. “Temos 62 formulações LPB, desenvolvidas no Brasil com apoio da matriz, usando os ingredientes ativos, em sua maioria, da própria Thor, que mantém produção integrada”, explicou.

    Da mesma forma, o estabelecimento de uma rede de distribuidores químicos para essas formulações também impulsionou a presença regional da companhia. “A distribuição é efetiva aqui e em sete países da região, sempre por meio de empresas estabelecidas, com pessoal técnico qualificado e estruturas de pós-venda, com elevados índices de segurança”, informou Brenna. O distribuidor recebe formulações prontas e as entrega aos clientes, mediante acompanhamento, sem fracionar ou alterar o produto.

    A questão do uso da CMIT/MIT é vista com tranquilidade por ele. “Lá fora, os produtos usados como biocidas são os mesmos que vendemos por aqui, não há grandes problemas com isso”, disse. Caso se queira deixar de lado a CMIT/MIT, a Thor pode oferecer soluções alternativas, como a BIT, em mesclas com outros ativos ou isoladamente, a BIT/MIT, mistura com alta sinergia, que pode ser incrementada com bronopol e liberadores de formol.

    “Na Europa e nos Estados Unidos são muito usadas as misturas de MIT com piritionatos”, comentou. Ele destacou uma tecnologia exclusiva da Thor de obtenção de cloro-isotiazolinona, a CIT, com processo produtivo que prevê a aplicação de um terminador de reação, impedindo a formação de MIT. “A CIT pode ir direto para a lata, sem mistura com outros bactericidas e sem a necessidade de rotulagem específica, é um produto de vanguarda na Europa”, comentou.



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