Etiquetas Adesivas – Feira promove o avanço das etiquetas adesivas

Na tentativa de abarcar um mercado com crescimento médio de 10% ao ano, São Paulo foi sede da 1ª Label Latinoamerica – Feira Internacional de Etiquetas Adesivas.

O evento atraiu cerca de 12 mil pessoas, entre os dias 9 e 12 de março, no Mart Center. Em uma área de 3.500 m2, cerca de 70 expositores apresentaram soluções em etiquetas, rótulos e adesivos, reunindo desde o insumo até o produto final. Os números ainda são modestos.

No entanto, refletem um mercado em ascensão. Para 2004, projeta-se avanço do setor de 20%, por conta do aumento da demanda de material publicitário, promovido pelas eleições.

A indústria nacional é formada por 800 empresas, as quais respondem pelo consumo anual de 8 mil toneladas de adesivos e 6 mil toneladas de tinta, além de 400 milhões de m2 de papel e película.

Na opinião de Caio de Alcântara Machado Junior, vice-presidente da Compacta, empresa organizadora da Label Latinoamerica, esses dados são os principais responsáveis pela realização de um evento exclusivo para o mercado de fitas adesivas.

“O setor carecia de uma feira própria”, comentou.

Na América Latina, essa indústria movimenta US$ 2 milhões por ano. E ainda tem muito a avançar. O consumo per capita de fitas adesivas no Brasil está muito aquém da média dos Estados Unidos e da Europa. O País demanda 1,5 m2, por habitante, enquanto cada cidadão norte-americano consome 18 m2 e o europeu 15 m2.

Porém, para Machado Junior, além do potencial do mercado, há outra justificativa para o êxito da feira. De acordo com ele, existe uma tendência mundial de setorização das exposições. Em 1988, a Label Expo, feira desmembrada da tradicional Drupa, realizada na Alemanha, teve sua primeira edição em Bruxelas. Nos anos seguintes, surgiram as versões para atender os mercados dos Estados Unidos, Cingapura, Moscou, China e Índia, até culminar com esta edição latino-americana.

Etiquetas Adesivas - Feira acompanha tendência mundial do setor. ©QD Foto - Divulgação
Etiquetas Adesivas – Segmentação da feira acompanha tendência mundial do setor.

Integração

Apesar de estar em sua primeira edição, a Label Latinoamerica surge com objetivos definidos. O evento priorizou integrar toda a cadeia produtiva do setor.

Alguns destaques ficaram por conta dos produtos para rotulagem auto-adesiva e da presença de impressoras digitais e flexográficas. A flexografia, de acordo com o diretor-secretário da Associação Brasileira Técnica de Flexografia, Marcos Augusto Araújo, cresce, no País, em torno de 20% por ano. A Betaflex, fabricante de equipamentos flexográficos, de São Paulo, confiante nesse índice, apresentou a flexográfica BT 250. Com impressão em até quatro cores e velocidade de operação a 3 mil metros lineares, por hora, a máquina possui controlador lógico programável (PCL), capaz de supervisionar e visualizar o nível de tinta dos tinteiros, quantidade de material utilizado no ajuste de produção e porcentagem da intensidade de calor do secador, entre outros itens. O modelo também conta com unidade impressora dotada de transportador de tinta, cilindro revestido pelo processo anilox e porta-clichê com diâmetro variável. De acordo com informações da empresa, os negócios durante a feira foram um sucesso, as vendas representaram cerca de R$ 400 mil.

Segundo estimativa divulgada pela Comprint, representante brasileira dos equipamentos HP Índigo para impressão digital colorida, o volume de vendas mundiais na área de impressão digital em cores pode alcançar a marca de US$ 31 bilhões, em 2005. Por trás desta perspectiva está o avanço do marketing um-a-um, ou seja, do atendimento sob medida, focado nas necessidades específicas de cada cliente. Ao encontro desse conceito, a empresa marcou sua presença na feira, com a série de impressoras off-set digitais coloridas, HP Índigo.

O destaque ficou por conta da WS4000. Trata-se de impressora industrial de banda estreita, destinada a produções de pequena e de média tiragens. Produz até 32 metros por minuto, em duas cores, e 17 metros por minuto, em quatro. O equipamento opera em uma grande diversidade de substratos, do papel até PVC, PET, poliéster e policarbonato. Uma das vantagens do processo dá conta da tinta líquida hp Electrolnk. “A tinta pode ser aplicada a camadas muito finas e com alta resolução”, explicou a especialista de produto da Comprint Alessandra Jobb. Líder em fabricação e vendas de chapas para a América Latina, a IBF Indústria Brasileira de Filmes mostrou a impressora digital DCP 320 D, da marca belga Xeikon. Alta velocidade, impressão em diversos substratos, como poliéster e etiquetas adesivas, são alguns dos benefícios do modelo. Alimentado por bobina, o equipamento imprime substratos com largura até 320 mm e opera até 130 folhas A4 frente e verso por minuto.

Novas tecnologias

A principal novidade no estande da Rotatek Brasil, de Barueri – SP, foi a impressora rotativa combinada, de formato variável, MT 180 Combi. Trata-se de uma máquina modular, capaz de agregar diferentes sistemas de impressão, como off-set, flexografia e serigrafia. “O modelo oferece ao convertedor a solução e não só uma máquina de impressão”, afirmou o gerente de vendas da Rotatek Alexandre Dalama. De acordo com ele, a máquina permite a instalação de até 14 grupos de impressores, em combinações diferentes.

A proposta da Kurz do Brasil, de São Paulo, se concentrou na divulgação da tecnologia de estampagem a frio (cold stamping). De acordo com o gerente nacional de vendas Cláudio Vidigal, o processo destaca-se, sobretudo pelo baixo custo. “Usa somente clichês de foto-polímero, dispensando ferramentas de estampagem, como o clichê cilíndrico”, explicou. Para ele, apropriado para embalagens flexíveis, o cold stamping está cada vez mais próximo do hot stamping, no quesito qualidade, agregando a possibilidade de ser aplicado a pequenas tiragens. Em linhas gerais, trata-se de um processo, no qual fitas de estampagem metalizadas são transferidas a um substrato por meio de um adesivo especial curado por luz UV. O adesivo é aplicado ao substrato por impressão flexográfica ou off-set. Em seguida, a fita de cold stamping é laminada no substrato.

Confiante nas características dessa tecnologia, a Kurz, tradicional fabricante de fitas hot stamping, mostrou duas linhas de fitas para cold stamping: Luxor (dourada) e Alufin (prateada). De acordo com o fabricante, o produto desprende-se, com facilidade, do suporte de poliéster, mesmo em altas temperaturas e também apresenta estampagem limpa e bem definida.

Adesivos

Com a proposta de oferecer soluções de alta qualidade em auto-adesivos, a Colacril, de Campo Mourão -PR, apresentou o adesivo ADC 1000. O diferencial do produto dá conta de sua resistência a temperaturas de até 30°C negativos. “É um grande incremento do setor, pois ganha mercado para aplicações da indústria frigorífica”, afirmou o gerente de marketing da Colacril Fabio Fonseca. Ele também ressaltou a dupla participação da empresa na feira, como patrocinadora do evento. Fonseca atribui essa iniciativa ao potencial do setor. “Tende a crescer o consumo de rótulos, pois o produto tem grande apelo de marketing. Ele diferencia a embalagem na prateleira”, explicou. O papel auto-adesivo de termo-transferência, Colacril Transtérmico também era novidade no estande. “Apresenta a melhor performance em ancoragem ribbon (a fita na qual é impresso o código de barra)”, disse. Fornecedora de auto-adesivos para fitas e etiquetas, a Basf, de São Bernardo do Campo-SP, destacou o adesivo removível, Acronal A 110, e o Acronal DS 3556, produto voltado para superfícies úmidas. “A grande vantagem se refere ao fato de resistir a baixas temperaturas”, comentou a analista de marketing da Basf , Ednéia Rodriguez.

Focada na produção de auto-adesivos, a Avery Dennison do Brasil, de Vinhedo-SP, mostrou as marcas Fasson e JAC. As duas famílias oferecem produtos para os segmentos de rotulagem primária, automação, folhas e especialidades. O destaque da empresa neste ano ficou por conta da linha de decoração em filmes de polietileno e polipropileno. “Há uma transição do papel para a película, por conta da transparência”, explicou a gerente de desenvolvimento de mercado da Avery Dennison Isabela Monteiro Galli. Na opinião dela, a consolidação do filme auto-adesivo reflete a tendência do fabricante de embalagem agregar à estética do rótulo maior durabilidade. “Existe uma preocupação de manter a imagem original do produto no pré e no pós-consumo”, comentou. Por conta dessa aposta no aumento da demanda, a Avery Dennison está em fase de finalização da ampliação de sua unidade fabril. Com investimento de mais de US$ 6 milhões, aumentou em cerca de 45% sua capacidade produtiva.

Criada pelo grupo UCB no início do ano, a Surface Specialties, de São Paulo, levou para a feira filmes para rótulos auto-adesivos e artes gráficas. No primeiro caso, a novidade ficou por conta do filme comprimível, feito em material de face transparente com revestimento superior, da série Rayoface. Enquanto na linha de filmes para artes gráficas se destacou a Rayoart. São filmes de BOPP de orientação biaxial, disponíveis em transparente e branco. Uma das principais vantagens trata-se do revestimento em ambos os lados com coatings especiais. A camada superior pode ser impressa utilizando processos de cura térmica e UV, assim como sistemas digitais a jacto de tinta à UV.

A Dubuit Color no Brasil, de Pindamonhangaba-SP, líder no mercado de serigrafia, apresentou na feira linha de produtos voltados para tratamento UV, com aplicações em máquinas com cabeças de impressão intercambiáveis, como screen, letterpress, flexografia e off-set. Entre os produtos figuraram a Typoplast (letterpress), série de tintas desenvolvidas para imprimir etiquetas adesivas, com aplicações em máquinas rotativas ou semi-rotativas com secagem UV. Outro destaque ficou por conta da tinta Uvflex. Trata-se de linha para impressão de adesivos em máquinas rotativas com secagem UV. As principais características são a alta reatividade, a forte intensidade de cor e a possibilidade de uso em variados substratos, como PVC, PET, PE e PP tratados.

Para a segunda edição da Label Latinoamerica, os organizadores projetam dobrar o seu tamanho. De acordo com Machado Junior, a empresa já conta com um terço do espaço vendido para a realização do próximo evento, a ser realizado em junho de 2005, quando, a partir de então, ocorrerá a cada dois anos.

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