Automação Industrial

 

Automação: Sistemas cortam custos e ligam fábrica à diretoria

Marcelo Fairbanks
10 de setembro de 2000
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    Ele citou como exemplo a recente concorrência da Cia. Vale do Rio Doce para automatizar sete fábricas de pelotização de ferro com 48 mil pontos de controle. Embora tivesse disponível dois sistemas de DCS (da ABB e da Bailey), a empresa venceu com o sistema híbrido de controle Freelance, contando com o programa Maestro para supervisão. “Os níveis referentes à instrumentação de campo, otimização e integração a ERP ainda estão sendo licitados, o que pode gerar alguns problemas de dimensionamento”, disse Monteiro. Embora todas (ou quase todas) as empresas do mercado atuem com protocolos de comunicação abertos, o diretor da ABB identifica situações nas quais seria preferível optar por ter apenas um fornecedor. “O gerenciamento de energia em plataformas de petróleo, por exemplo, não deve ser dividido entre fornecedores, de modo a evitar a colocação de interfaces que prejudiquem o desempenho do conjunto”, afirmou.

    Química e Derivados - Automação - Costa propõe contrato de risco para reduzir variabilidades.

    Costa propõe contrato de risco para reduzir variabilidades.

    “DCS e CLP pertencem à arquitetura convencional de controle de processos, que está sendo substituída por novas alternativas”, comentou Gustavo Costa, diretor-presidente da Fisher-Rosemount do Brasil. A empresa desenvolveu os sistemas Delta V e PlantWeb, que tomam por base a instrumentação inteligente no campo, capaz de se autogerenciar e enviar informações completas e diferenciadas sobre o processo e as condições ambientais. “Desenvolvemos um programa específico, o AMS, para lidar com os dados além do processo, como os de manutenção e validação”, informou. O Delta V contém pacote completo de programas de controle, que permite visualizar cada uma das malhas de campo envolvidas no sistema, apontando falhas e sugerindo intervenções por parte do operador. Além disso, a comunicação com sistemas gerenciais (ERP) é feita com facilidade.

    Protocolos definidos – O máximo proveito dos sistemas integrados depende muito dos instrumentos de campo e equipamentos de controle, mas também se apóia na qualidade dos protocolos de comunicação. Na Europa e no Brasil, a linha Profibus ganhou mais adeptos, embora tenha origem nas indústrias manufatureiras, de processos discretos. “O Profibus está bem estruturado, tem velocidade de transmissão boa, de 12 Mbits/s por 100 m, mas oferece pouca flexibilidade”, avaliou Carlos Henrique de Paula, da Foxboro. Ele lamentou a demora na aprovação do protocolo Foundation Fieldbus, que foi padronizado admitindo-se oito diferentes protocolos. “Talvez seja o caso de verificar para cada rede de campo qual o protocolo que se adapta melhor”, disse. Tendo por base as consultas feitas pelos clientes, ele comentou que já houve exigências fortes para fornecer sistemas com o protocolo Foundation. As pressões diminuíram com a demora na aprovação e agora estão voltando.

    “Os clientes só exigem que o protocolo seja aberto, o que já oferecemos desde 1987”, comentou. Nas plataformas informatizadas a preferência atual recai no Windows NT, apesar da instabilidade típica. Isso se dá pela facilidade de adaptação dos operadores, que antes eram obrigados a aprender programação Unix. Além disso, com uma plataforma mais popular, fica mais fácil usar computadores comuns nas salas de controle, no lugar dos modelos industriais, muito caros. “É preciso considerar que os micros ficam obsoletos com muita rapidez, exigindo substituição, porque as peças de reposição desaparecem do mercado”, comentou.

    “Imaginar o Foundation Fieldbus como sendo apenas um protocolo de comunicação é aproveitar mal o conceito”, comentou Gustavo Costa. Por trás do protocolo surge nova forma de operar e controlar os processos contínuos, com maior rapidez e informação superior, em quantidade e qualidade. “Só o Foundation oferece diagnóstico completo dos posicionadores das válvulas de controle, além de permitir o uso de instrumentos multivariáveis [mais de uma função]”, apontou.

    Dessa forma, análises de sistemas de controle devem ser iniciadas nos instrumentos de campo, verificando rapidez, precisão e dispensa de calibrações freqüentes. “Tudo precisa ser feito para eliminar a variabilidade de processo, a principal vilã da indústria de transformação”, disse Costa. A redução da variabilidade é feita no chamado controle avançado.

    “É preciso esclarecer as vantagens do sistema para o usuário”, afirmou Nelson Ninin, da Yokogawa, empresa com maior base instalada de DCS no Brasil. O trabalho não será muito difícil, pois os próprios clientes demonstram interesse em conhecer o sistema. “O fieldbus vai ser uma grande frente de mercado nos processos con tínuos”, comentou. Na sua opinião, a adoção do conceito nas indústrias com etapas críticas, como a petroquímica, seguirá rotina tradicional de iniciar a implantação pelas áreas periféricas, como as utilidades. “Já estamos indo para o coração desses sistemas”, disse.



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