Automação Industrial

 

Automação: Sistemas cortam custos e ligam fábrica à diretoria

Marcelo Fairbanks
10 de setembro de 2000
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    Química e Derivados - Automação - Garcia híbridos CLP-DCS ganham mercado.

    Garcia híbridos CLP-DCS ganham mercado.

    Os sistemas ControlLogix se assemelham mais aos CLPs, enquanto os ProcessLogix têm funções de DCS. “Ambos compartilham redes, placas de entrada e saída (I/O) e fontes de energia, mas são processadores diferentes”, disse Garcia. Embora mais antiga nos EUA, a linha ProcessLogix está sendo lançada apenas neste ano no Brasil, sendo aplicada a processos contínuos. “Precisávamos treinar nosso pessoal para apoiar os clientes”, explicou. Segundo informou, a arquitetura do ProcessLogix é semelhante à dos SDCDs (DCS), contando com processadores redundantes, base única de dados para processamento e interface homem/máquina. A programação do sistema usa diagramas de blocos, com base nos elementos comuns de controle regulatório, inclusive para programação de alarmes.

    Já o ControlLogix, lançado nos EUA em 1998 e atualizado em 1999, já estava sendo trabalhado no Brasil, com aplicações de intertravamento e seqüenciamento de sistemas. As relações de desempenho e segurança com o custo favorecem a conquista de aplicações em vários setores industriais. “Temos a expectativa de negócios para US$ 20 milhões a US$ 30 milhões em prazo de 12 a 18 meses”, disse Garcia. Ele ressalta que o setor químico oferece alguma resistência à adoção dessa linha de controles, por ainda estar muito ligado ao conceito já ultrapassado de SDCD. “Isso está mudando, tanto que as unidades de processamento de gás natural (UPGN) da Petrobrás em Arara, Cabiúnas e Guararé usam CLP”, afirmou. Sistemas Logix foram oferecidos para a Rio Polímeros e para a ampliação da Refinaria de Manguinhos, já tendo sido cotados para uso em unidades da Vale do Rio Doce e fábricas de papel e celulose. “Já temos processadores gerenciando a polimerização de poliéster, incluindo os pontos críticos”, disse.

    O desenho de um sistema prevê uma interface homem/máquina em processador ProcessLogix, interligado por rede ControlNet a vários outros semelhantes e alguns ControlLogix. Seria possível integrar o sistema com malhas controladas por instrumentação inteligente da linha fieldbus. É possível também aproveitar as informações de campo que vão além dos parâmetros de controle, como as informações sobre desgaste de válvulas e interferências externas ao processo, bastando agregar módulos específicos. “Está chegando ao Brasil um novo acessório para gerir a manutenção de unidades, desenvolvido por empresa recentemente adquirida pelo grupo”, comentou Garcia. Para ele, as redes do tipo ControlNet ou DeviceNet permitem o tráfego de dados sobre as medições e sobre a qualidade destas.

    “A nossa meta é garantir a operacionalidade dos sistemas”, disse. Para isso, existem linhas de módulos I/O dotadas de lógica própria (processamento de dados) que permite realizar algumas operações por conta própria, como equipamentos Fieldbus. Isso é feito, por exemplo, para acionamento de motores em linhas produtivas. O intertravamento conta com o FlexLogix, processador que pode ser espalhado por toda a fábrica, operando em rede.

    Fim de briga – A evolução tecnológica dos sistemas de controle eliminou muitas diferenças entre conceitos de controle distribuído (DCS) e os CLPs. Aliás, para muitos especialistas, esses conceitos já não têm mais significado, tantos foram os avanços feitos em ambos os lados.

    “Os sistemas DCS e CLP estão se aproximando em termos de desempenho, tanto que hoje já se confundem”, disse Ari Silveira, consultor em automação da área de elétrica e instrumentação da engenharia central da Rhodia no Brasil. Ainda persistem diferenças a favor de uma ou outra linha. “Os DCS contam com biblioteca de algoritmos mais completa e mais sofisticada, com ampla documentação, além de facilitar as operações de controle avançado”, comentou. Isso tudo pode ser feito com os CLPs, mas seria preciso escrever e testar os algoritmos, atividades que tomam tempo e muito trabalho. “Já para o controle de máquinas específicas, os CLPs apresentam respostas e leituras mais rápidas.”

    “Os CLPs e os DCS são complementares, não antagônicos”, disse Carlos Henrique de Paula, da Foxboro. Ele defende a adoção do conceito de sistema integrado, eliminando a duplicidade de base de dados. A configuração mais tradicional de sistema com CLPs ligados ao DCS central previa o uso de portas (gateways) com 19.200 kbps de velocidade, considerada muito baixa. “No nosso sistema de controle IA já temos CLPs da Rockwell ligados diretamente à rede de comunicação, com alta velocidade”, comentou. Nos sistemas de segurança Triconex, a ligação também é direta. “Estamos testando a ligação do IA a CLPs com fast Ethernet”, comentou. Outra alternativa é usar o micro IA, um controlador de pequeno porte ligado a CLPs com protocolo de comunicação da linha Profibus.

    “Os CLPs e os DCS são equivalentes, do ponto de vista funcional”, considerou Wilson Monteiro, da ABB, para quem as diferenças de número de pontos de controle ou de tipo de sinal (analógico ou digital) já foram superadas. Os DCS ainda oferecem mais recursos por contar com elevada padronização, uma vez que são fornecidos completos por pequeno número de fabricantes em todo o mundo. Já nos CLPs é preciso usar controladores de uma marca, estrutura operacional de outro fornecedor e a montagem de outra empresa. “Nesse caso não se sabe direito quem é o responsável pelo funcionamento do conjunto, fato que pode dar alguma dor de cabeça para o cliente”, comentou Monteiro.



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