Automação Industrial

 

Automação: Sistemas cortam custos e ligam fábrica à diretoria

Marcelo Fairbanks
10 de setembro de 2000
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    Em geral, o comprador de sistemas deseja preservar os investimentos anteriores de IT, impulsionando o desenvolvimento de plataformas independentes, capazes de suportar programas de qualquer fornecedor. Isso permite atualizar ou mudar de sistema com grande facilidade. “Os clientes não querem perder tempo, nem no processo de compra, nem na operação da sua fábrica, nem nas vendas”, disse. Se dispõem de sistemas de atualização rápida, eles podem comprar novos itens mais tarde, perto do momento de instalação. “O fluxo de caixa fica bem melhor pelo adiamento do desembolso”, explicou Monteiro.

    Ao mesmo tempo, os clientes desmontaram as equipes próprias de engenharia e também cortaram a área de compras. Esse custo foi transferido para os fornecedores, cujas operações de pré-venda se tornaram mais complexas, exigindo conhecer profundamente os sistemas e os processos dos clientes. A tendência, por isso, é buscar sistemas completos ou mesmo fábricas completas, nas modalidades turn key, BOT (build, operate and transfer) ou BOO (build, own and operate), EPC (engineering, procurement and construction) e outros.

    Química e Derivados - Automação - De Paula controle avançado exige operador qualificado.

    De Paula controle avançado exige operador qualificado.

    “Estamos vivendo um período de muitas consultas e freqüentes adiamentos de pedidos”, disse o gerente de contas da Foxboro (grupo Invensys) Carlos Henrique de Paula. O resultado da demora em contratar a instrumentação de controle reduz os prazos para a elaboração dos projetos finais e para a entrega de instrumentos e sistemas. Em 1999 as vendas da empresa somaram perto de US$ 20 milhões, incluindo instrumentos, sistemas de controle e automação de processos. Para este ano, a expectativa da empresa é chegar aos US$ 25 milhões. “Há alguns projetos de médio a grande porte em fase de decisão, como Polibrasil, Degussa e Aracruz”, comentou.

    Atendendo às exigências do mercado, o grupo Invensys comprou várias empresas, reunindo tecnologia e produtos suficientes para formar sistemas completos. Segundo o gerente de contas, nos instrumentos de campo são oferecidos produtos Foxboro, Eckard e Eurotherm, além das válvulas de controle NAF e Gestra. Nas salas de controle estão disponíveis o sistema IA (Foxboro), a linha de segurança Triconex (TMR) e o sistema Intouch. Para os sistemas de gestão empresarial, os ERP, o grupo confirmou a compra da BaaN, um dos maiores nomes do ramo em todo o mundo. “Apesar da ligação, nossos sistemas podem conversar com qualquer programa de ERP”, disse de Paula.

    Reforços nos CLPs – Há quase cinco anos, os controladores lógico-programáveis deixaram de ser dispositivos de controle de equipamentos isolados, assumindo cada vez mais tarefas junto aos processos contínuos, com ampla conectividade e simplicidade de configuração. “Antes disso, os sistemas de controle digital (DCS) usavam plataformas fechadas, com sistema operacional Unix e equipamentos dedicados, com baixa flexibilidade e grande dificuldade de operação”, comentou Ricardo Vilaça Reis, engenheiro de marketing e vendas da divisão de sistemas industriais da Siemens.

    Química e Derivados - Automação - Vilaça CLP ampliou o leque de aplicações.

    Vilaça CLP ampliou o leque de aplicações.

    Os CLPs ganharam capacidade de processamento elevada, adotaram plataformas abertas e sistemas operacionais mais conhecidos, como o Windows NT, e amplo interfaciamento para outros programas, inclusive de ERP. “O conceito mudou, por isso adotamos a denominação PCS, de process control system”, disse. Para processos contínuos, a Siemens produz a linha PCS-7-400, dotada de CPUs com 8 megabytes de memória aleatória e tempos de processamento avaliados em nanosegundos.

    A família PCS-7-400 aceita módulos extras de programação, que lhe permitem atuar em controle avançado de processos, bem como adotar lógica fuzzy. Para atuar em áreas classificadas com rede Profibus PA, a empresa oferece módulos blindados. Estão disponíveis também sistemas redundantes e sistemas de parada de emergência das unidades produtivas em caso de falha (shutdown), atendendo às normas internacionais para instalações classe 5.

    As redes Profibus DP (para operações descontínuas) permitem tráfego de dados a 31,25 kbits/segundo nas malhas de processo com 10 a 20 instrumentos conectados, permitindo tempos de resposta de 40 milisegundos. Entre o CLP e o sistema de supervisão a velocidade sobe para 100 Mbits/segundo, com fast Ethernet.

    “Já há mais de 800 projetos no mundo usando o PCS-7, entre eles a maior unidade de tratamento de água de Paris e dez projetos instalados no Brasil”, comentou Vilaça. Com isso, já é grande a biblioteca de parâmetros e rotinas operacionais disponível para o equipamento. A idéia é satisfazer as novas tendências de mercado que exigem integração total de fábricas e escritórios, com automação total dos processos, formando uma única base de dados. Também atenta aos desejos de compra de sistemas completos, a Siemens adquiriu a Applied Automation, fornecedora de instrumentos analíticos, como analisadores dedicados de linha para gás; a Moore Automation, especializada em dispositivos de segurança à prova de falhas; e a Miltronics, voltada aos medidores de vazão para líquidos. “No ISA Show [23 a 26 de outubro, em São Paulo] mostraremos que podemos oferecer soluções completas para todas as aplicações”, afirmou.

    Análise parecida da evolução dos sistemas tem a Rockwell Automation, detentora da marca Allen Bradley, que disputa com a Siemens a liderança no mercado mundial de CLPs. “Os CLPs que antes ficavam na parte discreta das operações passaram a ter mais funcionalidade, enquanto os DCS se tornaram mais acessíveis”, comentou José Dalvio Garcia, gerente da filial da Rockwell para o Rio de Janeiro, ainda ligado à divisão de suporte técnico. Há poucos anos, a empresa lançou a linha Logix, um sistema híbrido de CLP e DCS.



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