Automação – Sistemas avançam para unificar controle de processos e de energia

Do ponto de vista específico do setor, Santos afirma que a tecnologia digital distribuiu muitas tarefas e responsabilidades para os instrumentos inteligentes. Além disso, o fato de contar com esse avanço tecnológico reduziu muito o consumo de horas de pessoal especializado na instalação, comissionamento e partida da instalação. “Usamos menos gente, porém com mais capacitação técnica”, explicou.

Essa situação se reflete na forma de negociação com os interessados. Antigamente, os departamentos internos de engenharia das companhias químicas e petroquímicas contavam com especialistas capazes de apontar as necessidades e de selecionar os produtos e sistemas que melhor as atendessem. O enxugamento dos quadros técnicos eliminou esses especialistas da maioria das empresas, que hoje se valem do apoio de consultores terceirizados, de integradores, ou mesmo do conhecimento dos próprios fornecedores.

Ninin recomenda uma seleção cuidadosa do consultor ou do integrador que venha a orientar os investimentos dos clientes. Setor muito dinâmico, a área de automação e controle exige acompanhamento freqüente. Às vezes, um consultor só trabalhou com um tipo de produto ou fabricante de sistema, desconhecendo os avanços dos demais, que podem ser mais adequados para necessidades específicas dos clientes. Da mesma forma, Ninin elogia o trabalho dos integradores independentes quando eles se especializam em um determinado segmento ou processo industrial, reunindo qualificações de grande valia. Porém, quando começam a expandir seus serviços para outras áreas, alguns problemas podem surgir. Em todos os casos, os fornecedores oferecem orientação e suporte de aplicações.

“No caso dos grandes projetos, o mercado mundial tende a estabelecer relações do tipo MAC – main automation contract, nas quais um fornecedor assume a responsabilidade pelo detalhamento da automação, compra todos os produtos, os instala e põe para funcionar, sendo responsável pelo desempenho de todo o conjunto”, comentou. A Yokogawa tem assinado muitos desses acordos, especialmente no Oriente Médio, onde brotam novas refinarias e unidades petroquímicas. O dirigente explicou que, no modelo tradicional (de EPC, engenharia, licitação e construção), o projeto é totalmente detalhado e disputado entre vários concorrentes. O fornecedor selecionado reestuda o projeto e aponta as alterações necessárias. Isso implica refazer o detalhamento. O MAC elimina esse desperdício.

Santos, da Emerson, aponta outra modalidade de contratação, o PEpC. Nesse modelo, o fornecedor do sistema é definido (por escolha do cliente ou por licitação) antes da fase de detalhamento do projeto, que é feita pelo contratado ou com o suporte dele. “Essa modalidade foi criada nos Estados Unidos e já está começando a ser usada no Brasil, porém não nas estatais, que precisam seguir a Lei 8.666”, explicou. Tanto o PEpC como o MAC ajudam a reduzir custos, prazos e riscos. O conceito básico do MAC começa a ser aceito até pela Petrobras. Segundo Ninin, o projeto da Refinaria do Nordeste (em Pernambuco), que está em fase de concorrência pública, prevê o fornecimento de Controle e Automação Geral (CAG). “É parecido, mas não tão intenso quanto o MAC”, explicou Ninin. O setor espera que o vencedor seja definido até o final deste ano.

Além da vantagem no custo dos projetos, eleger um único responsável pela automação dos processos pode evitar problemas futuros de comunicação entre dispositivos e o sistema de controle. “A situação atual da comunicação nos sistemas de controle e automação melhorou muito, mas ainda ocorrem alguns contratempos que podem dificultar o aproveitamento máximo do investimento”, considerou Ninin.

Ele mesmo informou que são raros os casos de fornecedores que fabricam todos os itens, dos sensores e transmissores às válvulas de controle, incluindo os sistemas de controle. Daí a importância de homologar produtos compatíveis e garantir a sua interoperabilidade.

Migração e atualização – Há que se considerar as diferenças entre projetos de automação e controle na instalação de uma fábrica totalmente nova e na atualização de indústrias existentes. “Ainda há no Brasil um grande número de empresas químicas de médio porte que não contam com sistemas de controle, nas quais a operação ainda depende de intervenção direta dos operadores”, comentou Ninin. Existe, portanto, um mercado amplo a ser explorado. Na visão atual, os operadores deixam a rotina das operações para os sistemas de controle e, por isso, podem dedicar o seu tempo a tarefas mais nobres, como estudar o aumento da efi ciência produtiva e a redução de custos. Além disso, os sistemas propiciam melhores condições de trabalho e de segurança.

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