Automação Industrial

Automação – Mercado aquecido estimula fornecedores

Antonio C. Santomauro
17 de dezembro de 2011
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    Na opinião de Mário Weiser, diretor comercial da Altus, ainda há muito potencial de realização de negócios no mercado brasileiro de automação: “O Brasil corresponde a apenas 1% do mercado mundial de PLCs, e tem recebido investimentos de muitas empresas, inclusive de concorrentes da Altus.”

    Expositores da feira – Ampliar a presença de empresas de outros países, como Alemanha, China e Taiwan, é um dos objetivos de Jorge Ramos, do Distrito 4 da ISA, para as próximas edições da Brazil Automation. “Assim como o Brasil está cada vez mais internacionalizado, queremos ampliar a participação internacional no evento”, justifica.

    Por enquanto, apesar da presença esporádica de representantes de outros países, predominam de maneira quase absoluta empresas nacionais ou com operação direta no Brasil. Como mostram os textos das páginas seguintes, nessa edição essas empresas privilegiaram a exibição de produtos e sistemas capazes de tornar mais amplos e mais completos seus pacotes de soluções, menos dotados de fios, mais capazes de integrar informações de automação e dados referentes a insumos – como energia –, e mais aptos a disponibilizar as informações em equipamentos móveis, como tablets e smartphones.

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    Haddad: mercado pede integração entre processos e parte elétrica

    ABB– A integração entre sua solução de automação DCS para projetos maiores – de setores como óleo e gás, mineraçãoe papel e celulose – com o sistema de gestão de energia elétrica foi destaque no estande da ABB. E, de acordo com Raphael Ramos Haddad, gerente de produto da área de tecnologias de controle da empresa, a demanda por esse tipo de solução integrada vem crescendo, pois, além de gerar economia nos sistemas, na operação e no treinamento, ela tem capacidade de resposta da ordem de milésimos de segundo, muito mais rápida que os controles convencionais de energia.

    Segundo Haddad, “quando a planta possui um sistema de cogeração e um sistema de descarte de carga, em uma eventual queda de um gerador essa resposta rápida ajuda a evitar uma parada inesperada”. Além disso, ele prossegue, “essa integração do DCS com a parte elétrica produz muito mais informações de diagnóstico, referentes, por exemplo, a erros, falhas, conexão com a rede e versão do software”.

    A Repar (refinaria da Petrobras localizada em Araucária-PR) promove essa integração por meio de um sistema fornecido pela ABB, conta Haddad. “Para implementar essa solução, é necessário apenas utilizar relés inteligentes – agora chamados IEDs –, que se comunicam com o sistema de controle por meio do protocolo IEC61850”, ressalta.

    Altus – Nome já consolidado no mercado dos PLCs, a Altus lançou na Brazil Automation um software SCADA de uma empresa israelense chamada Pulse, uma solução WirelessHART para captação das informações de instrumentos sem fio, e a série de IHMs iX (os dois últimos de fabricação própria). “Esses lançamentos complementam nosso mix, e nos permitem disponibilizar um conjunto completo de produtos de qualidade mundial”, destaca Mário Weiser, diretor comercial da empresa.

    A Altus mantém hoje duas unidades de negócios: uma oferece seu portfólio de produtos a diversos setores de atividade, e a outra se posiciona como integradora de soluções para os mercados de óleo e gás, energia e transporte.

    Com essa segunda unidade, saiu-se vitoriosa na licitação promovida pela Petrobras para escolher a empresa responsável pela automação das oito primeiras unidades de exploração do pré-sal. Como base, esse projeto terá a série de PLCs Nexto, lançada pela Altus em 2009. “É uma série muito inovadora em termos de performance, tecnologia, comunicação e, graças aos inúmeros níveis de redundância, confiabilidade”, afirma Weiser.

    Aselco – Com um mix composto por produtos de fabricação própria e de marcas representadas, essa empresa destacou os visores de nível da norte-americana Clark-Reliance. Eles têm versões distintas: por exemplo, visor de nível de vidro ou magnético. “O equipamento magnético tem ímãs muito mais poderosos que a maioria disponível no mercado, e isso permite sua utilização em dutos com paredes mais espessas”, frisa Miguel D’Avilla, diretor comercial da Aselco.

    Segundo ele, a Aselco começou a comercializar esses equipamentos há cerca de 1,5 ano, e eles têm sido muito bem recebidos pelo mercado. Atenta a essa receptividade, em 2012 a Clark-Reliance projeta montar uma operação direta no Brasil – inicialmente, ela cuidará apenas da montagem dos equipamentos, permanecendo com a Aselco a comercialização.

    AspenTech – Mostrou na feira uma aplicação destinada a levar para tablets e smartphones as informações de seu sistema de monitoramento IP.21. Atualmente, observa Mark Walls, diretor mundial de operação de canais da AspenTech, é crescente a percepção de valor em ferramentas associadas à mobilidade, mas a efetiva consolidação mercadológica dessas soluções precisa ainda superar uma barreira cultural, pois a disponibilização em celulares e em outros equipamentos móveis de dados referentes à operação de plantas industriais ainda gera insegurança nos gestores dessas operações. “Mas essa barreira será vencida”, prevê Walls.

    Filipe Soares Pinto, vice-presidente regional da AspenTech na América Latina, associa a demanda pelas soluções móveis à expansão do quesito mobilidade em todo o contexto da tecnologia da informação. “E ter acesso móvel a informações de monitoramento ajuda a melhorar a eficácia dos processos”, argumenta.

    Mas a IP.21, salienta Soares Pinto, é apenas uma das ferramentas do AspenOne, pacote de aplicativos destinado a otimizar operações de processos contínuos, utilizado especialmente pela indústria petrolífera, pela petroquímica e pela atividade de engenharia. Segundo ele, a atual estratégia de expansão da companhia prioriza um trabalho mais próximo e mais conjunto com seus clientes, entre os quais se incluem empresas do porte de Petrobras e Braskem. “Queremos também aumentar nosso quadro, dotando-o de mais engenheiros”, finaliza Soares Pinto.



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