Automação contribui para gerar empregos qualificados

Química e Derivados - Controle de processos: Investir em automação contribui para gerar empregos qualificados

Controle de processos: Investir em automação contribui para gerar empregos qualificados

Todos sabem que o avanço da tecnologia promove a automação de processos industriais, com aumento da qualidade e eficiência. Há também quem aponte a automação como ceifadora de empregos em massa, com potencial para criar um caos social.

“Não é bem assim”, responde Peter Terwiesch, PhD em engenharia elétrica, também presidente da divisão Industrial Automation e membro do Comitê Executivo do grupo ABB. Ele advertiu que, embora a robótica não seja sinônimo perfeito de automação, a experiência mundial com a introdução dos robôs nas fábricas permite traçar um paralelo ilustrativo. “Países que aplicam mais robôs na manufatura, como a Coreia do Sul, Alemanha e Japão, foram capazes de gerar mais empregos e com boa qualidade de vida na sociedade, isso porque se tornaram mais competitivos globalmente”, considerou.

A experiência acumulada pela companhia mostra que o uso intensivo de práticas de automação resulta de um processo adaptativo que incluiu a participação dos sindicatos de trabalhadores. “Há benefícios para os trabalhadores, que ficam livres de atuar nas áreas perigosas da produção e deixam de fazer atividades repetitivas e pouco interessantes.” Além disso, sem competitividade, os empregos desaparecem de vez.

Química e Derivados - Terwiesch: integração de sistema eleva produtividade
Terwiesch: integração de sistema eleva produtividade

Quanto mais crítica a operação, mais fácil aceitar a automação. É o caso das plataformas de exploração offshore de óleo e gás, ambientes típicos de alto risco, com trabalhadores sujeitos a longos períodos embarcados. “A automação cresce muito em offshore porque permite aumentar a produção e a produtividade, precisando de menos gente no local, ou seja, só permanece quem realmente precisa estar lá”, explicou. A ABB automatizou 95% da partida de novos poços de petróleo no mundo, alcançando melhores índices de segurança e rapidez.

Terwiesch salienta, porém, que processo automatizado não quer dizer “sem ninguém”. A ideia é retirar as pessoas dos trabalhos meramente rotineiros, transferindo-os para atividades mais nobres, que exigem qualificação. “As pessoas devem estar no centro das mudanças, elas são a parte mais importante”, considerou.

Ele se recorda dos tempos em que as áreas de utilidades eram mantidas à distância dos processos industriais, com grandes dificuldades de comunicação entre elas, gerando perdas. “Hoje, as empresas trabalham com suas áreas totalmente conectadas, do chão de fábrica até a alta administração, e também com outras plantas, bem como com os fornecedores estratégicos e clientes, de forma colaborativa”, informou.

Antes, quando um cliente tinha um problema novo ou queria ampliar a produção, era preciso deslocar uma equipe de especialistas da prórpia companhia ou de terceiros até lá. “Hoje, a ABB acompanha 900 clientes em todo o mundo, em sua maioria do setor de óleo e gás, monitorando à distância seus processos e buscando melhorar continuamente a eficiência e resolver problemas com rapidez”, disse. A unidade situada em São Paulo, em Pirituba, possui uma sala de comando de onde os especialistas da ABB acompanham as operações dos clientes 24 horas por dia, recebendo dados e imagens em tempo real. Caso necessário, os técnicos podem recorrer aos especialistas da companhia situados em outros países.

Demandas variadas – O executivo da ABB Industrial Automation identifica dois tipos básicos de demanda: a dos grandes projetos novos e a dos empreendimentos de menor porte. “Os grandes investimentos, na casa dos bilhões de dólares, consideram a automação como ponto crítico, buscando redução do prazo de retorno do capital, redução de riscos desde o início da construção e excelência operacional”, comentou.

Os clientes de menor porte buscam melhorar seus índices de segurança e de economia de energia, além de ampliar a disponibilidade dos equipamentos, que pode chegar nos casos mais avançados a 99%, contra a média de 95%. Isso se consegue evitando paradas desnecessárias, mediante o melhor conhecimento sobe a linha de produção. “Esse grupo demanda aproximar as áreas de processos do controle de eletricidade e energia, antes considerados isoladamente; estamos fazendo esse controle integrado há mais de dez anos com excelentes resultados”, afirmou Terwiesch.

No caso de plantas existentes, ele recomenda observar com cautela a introdução de novas tecnologias de controle e automação de processos. “É preciso avaliar o que é necessário em cada caso e evoluir sempre por etapas, observando o critério de custo-benefício”, recomendou.

Terwiesch conhece bem o parque industrial brasileiro, em especial dos setores de óleo e gás e também de refino e petroquímica. “As indústrias brasileiras desses setores não estão muito defasadas em relação ao estado da arte mundial, há vários profissionais atualizados e clientes inovando”, avaliou. Ele admite que a situação de crise econômica atrapalha um pouco os negócios locais.

Com relação aos desenvolvimentos futuros, Terwiesch considera a possibilidade de ampliar o uso de redes de controle sem fio (wireless), reduzindo a passagem de cabos de comunicação e de energia, especialmente em áreas de segurança ou locais distantes. “Já há instrumentos de campo que geram sua própria energia, há tecnologia para isso”, informou.

Ele também apontou o uso de drones para monitorar tubulações, identificando com rapidez os vazamentos e emissões fugitivas, especialmente de gás natural. “Basta colocar sensores adequados nos drones, mas há a possibilidade de usar dados de satélites para isso, a EPA americana usa essa tecnologia”, afirmou.

Ao mesmo tempo, ele ressaltou a importância de contar com medições precisas e consistentes, obtidas pelos instrumentos e sistemas digitais. “Os sistemas digitalizados conseguem digerir os dados acumulados do processo para identificar problemas nem sempre evidentes e também apontar as vantagens das correções”, comentou. “Sem medições confiáveis, não há dados para analisar.”

Interação com clientes – Existe fidelidade entre clientes e fornecedores de tecnologia de controle e automação, mas só quando a tecnologia implantada se revela eficiente e eficaz. “O fornecedor de tecnologia precisa ser o melhor e ser percebido como o melhor pelo cliente”, resumiu Terwiesch.

Ele citou o caso de clientes globais com os quais mantém relacionamentos duradouros, como a Dow e a Sasol. “Temos a capacidade de atualizar continuamente os produtos ao longo dos anos, desenvolvendo soluções customizadas que, posteriormente, podem ser aplicadas para outras situações”. Por oferecer bom suporte de pós-venda e assistência técnica permanente, a parceria se aprofunda, chegando a orientar investimentos futuros dos clientes.

O longo relacionamento com a Dow permitiu à ABB conquistar o fornecimento de todo o sistema de controle e automação das 26 plantas petroquímicas integradas do projeto Sadara, em Al Jubail (Arábia Saudita), um investimentos conjunto entre Dow e Saudi Aramco, que iniciou operações em 2017. “Foi um grande desafio e aprendizado para toda a companhia, trabalhamos junto com dezenas de empreiteiros, mas a partida foi rápida e sem problemas”, comentou. O projeto contou com 18 sistemas de controle, 150 mil pontos de entrada e saída de dados (I/O), 260 controladores redundantes, 450 servidores, 260 estações de trabalho, e 40 consoles de operação.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.