Automação Industrial

Automação – Comunicação sem cabos avança na indústria e chega à instrumentação dos processos

Marcio Azevedo
15 de dezembro de 2009
    -(reset)+

    A Siemens oferece produtos para aplicações sem fio há cerca de quatro anos e já vende alguns deles por aqui. Um exemplo de aplicação é na manufatura de produtos eletrônicos, especifi camente nos mecanismos transportadores, pois há problemas de conexão elétrica por trilhos ou cabos do tipo festoon. “É muito comum esse tipo de aplicação adotar o wireless mais rapidamente”, diz Petroff, por causa da característica de movimentação mecânica que acarreta problemas aos contatos elétricos ou aos cabos. Para quem precisa, o investimento inicial nos produtos sem fi o e a própria novidade da tecnologia não têm sido empecilhos para as vendas. Dado o emprego, pela Siemens, de um protocolo de Ethernet aberto, já conhecido pelas equipes de TI do mercado, há uma certa facilidade para apropriar o conhecimento de aplicação sem fi o que o cliente tem (eventualmente até em sua casa, por exemplo) para as aplicações industriais. “Os conhecimentos de TI estão chegando ao ambiente industrial”, testemunhou o gerente de produto.

    Química e Derivados, Augusto Baptista, Gerente de produto da SoftBrasil, Automação

    Augusto Baptista vê o preço menor por conta da tecnologia GPRS

    GPRS – A denominação wireless, bastante genérica, ainda engloba outras tecnologias, como o GPRS (Serviço de Rádio de Pacote Geral), que utiliza redes de telefonia celular para a transmissão dos dados. Sua efetividade, desse modo, está diretamente conectada à efi ciência do serviço da operadora de celular. Esse, todos sabemos, não está disponível na totalidade do tempo e, por isso, o GPRS é, normalmente, utilizado em aplicações cujo requisito de segurança é baixo, caso de sistemas apenas de coleta de dados, como os auxiliares e os de telemetria.

    A SoftBrasil, uma especialista em gestão da informação industrial, otimização de processos, telemonitoramento e automação industrial, é uma das fornecedoras locais de serviços de GPRS. Durante a exposição promovida pela ISA, a empresa divulgou o serviço, prestado por meio de um conjunto de hardware e software que recebe dados de medidores ou outros equipamentos e os envia usando redes de telefonia celular para o centro de controle da SoftBrasil, hospedado no provedor de internet UOL. Este também abriga um programa de gerenciamento de informações e um aplicativo Web, que permite ao usuário fi nal consultar as medições realizadas. Segundo Augusto Baptista, gerente de produto da SoftBrasil, nesse mesmo modelo de transmissão de dados, poderiam ser utilizadas as redes 3G, que possuem uma banda um pouco mais rápida e, em locais onde o celular não recebe sinal, a internet por satélite. Porém os dados enviados costumam rondar o tamanho de 1 quilobyte e não demandam uma banda como a 3G, que, ademais, possui custo mais elevado.

     

    Os maiores filões para esse tipo de tecnologia, no país, estão na indústria química, na indústria de gás e óleo e, de modo geral, onde houver equipamentos que forneçam informações por saída serial, utilizando protocolo ou sensor, como equipamentos de ar-condicionado e no-breaks. O campo de aplicação, porém, se restringe a aplicações que não sejam críticas, pois o sistema não oferece a confi abilidade necessária para tal. A SoftBrasil já fornece seu serviço há mais de uma década, e iniciou a oferta com produtos para a Petrobras, mas utilizando a internet por satélite. Porém, Baptista ressalta que a disponibilização do serviço com os preços que são praticados hoje, graças ao GPRS, é recente.

    Outra empresa nacional presente à exposição Brazil Automation foi a Medikron, que apresentou o medidor de nível, compatível com protocolo WirelessHART, capaz de realizar a tarefa de transmissão do sinal para receptores posicionados a até um quilômetro de distância, dependendo da visada. O sinal, após conversão realizada pelo receptor, é transmitido para um sistema do cliente, que pode ser um PLC (Programador Lógico Programável), um indicador ou uma IHM (Interface Homem- Máquina).

    de Química e Derivados, Vilson Alves dos Santos, Engenheiro de aplicação/vendas da Medikron, Automação

    Vilson Alves dos Santos: clientes optam por controle redundante

    Na visão de Vilson Alves dos Santos, da área de engenharia de aplicação/vendas da Medikron, esse tipo de produto sem fi o, se usado em controle, requer redundância. Nesse caso, o que 90% dos clientes desse tipo de aplicação faz é utilizar um instrumento com transmissor contínuo de sinal para a medição do nível e, adicionalmente, um instrumento pontual (uma chave de nível) para fazer o controle de segurança.

    A Medikron é representante exclusiva no Brasil da alemã Vega, e o medidor apresentado na exposição é o primeiro produto wireless da representada no país, uma especialista em medição de nível (e introdutora da tecnologia de medição de nível por radar). Santos afi rmou que há grande interesse da clientela pela tecnologia sem fi o em petroquímica e mineração, indústrias habituadas à difi culdade para a passagem de cabeamento ou a distâncias de cabeamento muito grandes, com custo elevado. “O cliente muitas vezes opta pelo sistema sem fio porque ele é pago com o custo que o cabeamento teria, se fosse implantado”, explicou. Ainda há a vantagem de evitar a manutenção dos cabos, operação que pode acarretar a parada de produção, gerando alto custo. A indústria de mineração opta pela tecnologia wireless porque muitas vezes não é possível a parada para manutenção dos cabos, por causa dos problemas que seriam criados nos altos-fornos.

    WirelessHART e ISA100 – Toda tecnologia de comunicação de dados passa por uma fase na qual são definidos sua abrangência e o tipo de dado comunicado naquele padrão, além de outros parâmetros. A transmissão sem fio por rádio se encontra justamente nessa fase. Uma boa parte dos equipamentos disponíveis no mercado hoje utiliza o protocolo de comunicação WirelessHART, que não é universal. Entretanto, no último mês de abril, a ISA, que possui atribuições de normatização, publicou a norma ISA100, aprovada pela ANSI (o Instituto de Padrões Nacionais Americano) com o objetivo de estabelecer um padrão global, padrão esse que, até o momento, não engloba o protocolo WirelessHART. A Yokogawa, fornecedora tradicional do segmento de automação, embora já tenha desenvolvido sua própria série de transmissores de temperatura e de pressão (diferencial e estática) equipados com tecnologia sem fio, adotou uma postura conservadora, e optou por esperar a publicação da norma ISA100, adotando esse protocolo para a sua linha de produtos, de olho na chance da norma ISA vir a englobar o padrão WirelessHART.



    Recomendamos também:








    0 Comentários


    Seja o primeiro a comentar!


    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *