Automação – Altus obtém contrato para oito plataformas do pré-sal

A empresa gaúcha Altus S/A, fundada em 1982 e voltada à geração de tecnologia própria em automação e controle de processos industriais, assinou em junho o maior contrato de sua história. Ela fornecerá, por R$ 115 milhões, os sistemas de automação das oito primeiras plataformas para as operações em larga escala dos campos de produção de petróleo e gás da região do pré-sal.

Única empresa brasileira que desenvolve projetos e tecnologia de automação para a produção de óleo e gás em águas profundas, a Altus nesse projeto trabalhará com doze sistemas integrados relacionados aos processos de produção. Essa integração dos sistemas possibilitará a produção de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, quando todas as plataformas estiverem atuando, por volta de 2017, como prevê a Petrobras. O número é relevante, pois representa quase a metade do volume produzido hoje no Brasil. As plataformas também terão a capacidade de processar seis milhões de metros cúbicos de gás por dia.

Segundo o presidente da Altus, Luiz Gerbase, para cumprir com esse megacontrato, será preciso ampliar o quadro funcional da organização, que deverá contratar oitenta novos colaboradores nas áreas de engenharia, pesquisa e desenvolvimento, e na parte administrativa.

Ele ressalta que cada uma das oito plataformas tem como requisito um índice de conteúdo local que vai de 20% na primeira até 80% na oitava. No caso da Altus, a primeira plataforma já terá 80% de componentes nacionais, atendendo à exigência de aumentar a participação da indústria brasileira no fornecimento de bens e serviços para gerar emprego e renda no país.

O impacto dos contratos com a Petrobras no faturamento da empresa, que em 2010 foi de R$ 72,564 milhões, será de quase 25% neste ano. A partir de 2012, a expectativa é que o crescimento continue sendo superior a 20%. Esses novos contratos fazem com que a Altus tenha um crescimento acima da média do mercado de automação e controle.

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Plataformas contratadas para o pré-sal são do tipo FPSO (acima)

As plataformas que serão automatizadas pela Altus são do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading), unidade flutuante de produção e armazenamento de óleo. Esse modelo é o mais adequado para a localização dos poços do pré-sal, em altas profundidades e muito distantes da costa. O escoamento da produção é realizado por navios aliviadores.

As oito plataformas do pré-sal constituem a maior encomenda simultânea do gênero no mercado mundial de petróleo. Elas possuem a mesma concepção, pois são réplicas de um só projeto que será seriado no Estaleiro de Rio Grande-RS. As plataformas serão ancoradas na Bacia de Santos, sendo seis nos campos de Lula e Cernambi, e duas em Guará e Carioca.

A Altus também assinou outro importante contrato com a Petrobras, no mês de junho. A empresa fará a automação das novas plataformas de petróleo em construção pela estatal brasileira, a P-58 e P-62, num valor total de US$ 8.250.000,00. Para tanto, a empresa venceu uma licitação internacional feita pela Petrobras Netherlands B.V (PNBV).

Nessa operação, a Altus fará a automação de cerca de nove mil pontos de controle por plataforma, compostos por cinco subsistemas: controle e monitoramento de produção e de utilidades; shutdown de processo (desligamento em caso de emergência); fogo e gás (responsável pela detecção de fogo e gás e combate a incêndio); hull (realiza o controle e monitoramento das variáveis relacionadas aos utilitários instalados no convés do navio e dos sistemas do navio); e hull shutdown (desligamento de emergência do hull).

Luiz Gerbase prevê que, no início de 2012, os sistemas já comecem a ser testados. Ele acrescentou que a empresa já fornece soluções para a Petrobras há mais de 20 anos, tendo adquirido larga experiência no segmento de óleo e gás, com alta qualificação técnica. A Altus já modernizou nove plataformas da Petrobras e tem seus produtos em outras oito.

Quanto à localização das plataformas, a P-58 será instalada no norte do Campo das Baleias, na região da Bacia de Campos, no estado do Espírito Santo. Por sua vez, a P-62 ficará no Campo de Roncador, na mesma bacia, mas no estado do Rio de Janeiro. Com relação à integração dos módulos das duas plataformas, a P-58 será feita em Rio Grande-RS e a P-62 em Suape-PE. As plataformas são do tipo FPSO e terão a capacidade de produzir 180 mil barris de petróleo por dia cada, devendo entrar em operação em 2013 e 2014.

Também para o segmento elétrico a Altus fornece soluções, possuindo em Camboriú-SC uma empresa com estrutura focada para o setor, que desenvolve projetos para a produtividade e disponibilidade da operação e manutenção de sistemas elétricos, além de sistemas completos de supervisão, automação, controle e proteção para instalações elétricas.

A empresa gaúcha modernizou o complexo energético de Paulo Afonso, na Usina Hidrelétrica Paulo Afonso I, II e III, da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), com a colocação de treze máquinas geradoras, produzindo uma potência total de 1,56 GW. Com essa iniciativa, é possível monitorar todo o complexo pelo Centro de Operações da Chesf, instalado em Recife-PE, a aproximadamente 500 km de distância do complexo.

Já na Região Sul, a Altus desenvolveu o projeto de ampliação da subestação de energia (SE) Xanxerê-SC da Eletrosul. A usina, com capacidade instalada de 485 MW, com a subestação conseguiu fechar o anel da rede elétrica da Região Sul do país, interligando-se com Pato Branco-PR, Salto Osório-PR e Passo Fundo-RS, sendo responsável pelo fornecimento de energia para o leste catarinense. Nesse empreendimento, foi feita a modernização e substituição integral dos sistemas de controle, comando e supervisão existentes. Com isso será possível uma detecção mais rápida sobre as origens das falhas do sistema e também uma redução do tempo de parada da operação.

No segmento de energias renováveis do Rio Grande do Sul, a Altus forneceu o sistema de controle e proteção da SE Lagoa do Quintão, localizado no Parque Eólico Ventos de Palmares, no município de Palmares do Sul. Essa solução viabilizou a integração da energia gerada pelo parque ao sistema de distribuição da concessionária. A empresa ainda realizou o fornecimento da proteção dos cubículos de 13,8 kV e diferencial do transformador para o Parque Eólico, bem como o sistema SCADA (sistemas de supervisão), responsável pela aquisição de pontos do parque e da subestação de energia.

A Altus ainda atuou no sistema de controle do gerador da Usina Hidrelétrica Apolônio Sales, também da Chesf; operou nas estações remotas da Usina de Fontes Novas, da Light; no sistema digital de supervisão e controle, da Hidrelétrica de Paraibuna, da Cesp; nos sistemas de monitoramento de seccionadores, da subestação Rio Verde, e da Usina Hidrelétrica Mascarenhas de Moraes, ambos de Furnas. No momento, a Altus trabalha para desenvolver uma solução que atenda aos novos requisitos do procedimento de rede do Operador Nacional do Sistema (ONS), responsável pela coordenação e controle da operação da geração e transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN). O operador estabeleceu no requisito de telesupervisão a necessidade de agrupamento de eventos digitais de proteção. Com isso, todos os proprietários de equipamentos integrantes de redes de operação em usinas e subestações deverão se adequar ao requisito até o final de 2012.

O agrupamento visa a permitir uma redução na quantidade de eventos de proteção recebidos pelo ONS. Entre as principais vantagens da adoção da medida estão a diminuição do número de alarmes e eventos, que exigem a atenção dos operadores, e a redução do tamanho da base de dados nas estações de supervisão. Os equipamentos que deverão ser adaptados são SCADAS (Sistemas de Supervisão), UTRs (unidades Terminais Remotas) ou CDs (Concentradores de Dados).

Essa nova solução será implementada com processadores de comunicação SMP, por meio de parceria com a empresa Cooper Power Industries. São equipamentos que operam como concentradores de dados, recebendo eventos desagrupados de IEDs do campo, realizando o agrupamento, e transmitindo eventos agrupados para o Operador Nacional do Sistema.
Essa solução já foi testada na fábrica da Altus, com a presença de engenheiros do ONS, que puderam verificar o efetivo atendimento aos requisitos da solução para o agrupamento do SOE (Sequence of Events).

Empresa do grupo Parit, holding ligada ao setor de tecnologia, a Altus opera com duas unidades de negócio: produtos e integração de sistemas. A empresa conta com uma linha com os melhores equipamentos para automação no mercado mundial, possuindo para cada necessidade específica de um sistema, a melhor combinação técnica, aliando alto desempenho à competitividade.

No segmento de integração, a Altus tem um variado histórico de projetos, combinando tecnologia própria e experiência para fornecer uma solução completa aos clientes e parceiros. Os setores de energia elétrica, óleo e gás, indústria e infraestrutura são os prioritários para a empresa.

O grupo controlador da Altus é acionista ainda da Teikon S.A., empresa que opera no mercado de Electronic Manufacturing, e da HT Micron, organização que atua no back-end de semicondutores para a indústria eletrônica. Conforme o presidente do Conselho de Administração da empresa, Ricardo Felizzola, a Altus conta atualmente com 239 funcionários e 30 estagiários. A organização investe 3,8% do seu faturamento em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D).

Felizzola acrescenta que no aspecto tecnológico, a Altus possui um compromisso de cooperação formado com instituições de ensino brasileiras, com apoio da Lei de Informática, e órgãos governamentais de financiamento, como Finep e BNDES. Também conta com parceiros internacionais para licenciamento de tecnologia e utilização de componentes e subsistemas, localizados na Alemanha, Estados Unidos e em países da Ásia.

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