Química

Atualidades – Tensoativos: Estudos comprovam segurança no uso do LAS

Marcelo Fairbanks
15 de julho de 2010
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    Química e Derivados, Francisco Díaz, Vice-presidente de desenvolvimento de negócios e inovação da Cepsa, Atualidades - Tensoativos: Estudos comprovam segurança no uso do LAS

    Díaz: LAS resiste a altas temperaturas na lavagem

    Mesmo assim, toda a toxicologia humana e ambiental do LAS e seus metabólitos foi estudada, atestando seu baixíssimo impacto. López citou que a toxicidade do LAS para as algas e micro-organismos presentes nos lodos ativados (usados nos sistemas de tratamento de efluentes) é de 550 mg/l, concentração capaz de matar 50% da população desses organismos em três horas. “É quase impossível alcançar essa concentração”, informou.

    A meia-vida do LAS em sistemas de tratamento biológico não chega a duas horas, e menos de 2% da quantidade do tensoativo que ingressa nas estações de tratamento permanece no efluente final. Em geral, na entrada das estações, o LAS representa 4% da matéria orgânica, porcentagem que cai para 1% na água tratada. “Ou seja, o LAS é mais degradado que outras formas orgânicas presentes no esgoto”, disse.

    Os riscos do LAS e seus metabólitos para a saúde humana são igualmente ínfimos. “Eles não se acumulam na cadeia alimentar, não atuam como disrruptor endócrino e não são cancerígenos”, comentou o pesquisador. O LAS não foi incluído na lista de substâncias perigosas da Europa. O tensoativo só não é usado nas fórmulas de cosméticos por apresentar uma taxa de remoção da gordura superficial da pele muito elevada, uma característica indesejada para esses artigos.

    Química e Derivados, José Luis de Almeida, Diretor-geral da Deten, Atualidades - Tensoativos: Estudos comprovam segurança no uso do LAS

    Almeida: parte da produção da Deten é exportada

    Estimulados pelas críticas ao LAS que exploram a presença visível de grossas camadas de espuma no Rio Tietê, na altura de Santana do Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus, ambas no entorno da capital paulistana, os pesquisadores analisaram os dados obtidos pelo monitoramento promovido pela Cetesb. “Estudamos os dados registrados em 2005 e eles mostram, sem dúvida, que o problema do Tietê é a falta de oxigênio dissolvido, fato que inviabiliza a existência de micro-organismos decompositores de moléculas orgânicas”, afirmou López.

    A relação entre DBO (demanda biológica de oxigênio) e a DQO (demanda química de oxigênio) foi determinada entre 0,2 e 0,4, indicando alta carga poluente nas águas do rio. O nível de compostos nitrogenados na forma amoniacal também se revelou muito elevado, mais uma indicação da falta de oxigênio dissolvido. Segundo López, outros fatores além do LAS explicam a formação de espuma no rio: tensoativos industriais, efluentes de processos de papel e de couro, presença de material proteico e ácido húmico, originados da decomposição de materiais orgânicos, e a presença de tensoativos naturais derivados de processos biológicos. “No lago Ontário, a presença de células de algas provocava a formação de espuma, enquanto no caso do Rio Reno a causa era a biodegradação de plantas”, elencou.

    Outro alvo constante das críticas ambientais é o tripolifosfato de sódio (STPP), um coadjuvante dos tensoativos na lavagem de roupas, usado para facilitar o contato dos detergentes com a sujeira acumulada nas fibras, especialmente na presença de sais de cálcio e magnésio. Acusado de fertilizar as águas, com efeito na proliferação de algas em corpos de água (eutrofização), o STPP é usado sob controle estrito dos órgãos ambientais. “A contaminação com fezes humanas, muito mais ricas em fósforo que o STPP, é a maior contribuição para a eutrofização”, afirmou Maria Eugênia Saldanha, diretora-executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla). Desde 2008, uma resolução do Conama estipula quantidades máximas de STPP em detergentes vendidos no Brasil, além de impor um teto para aplicação do insumo por fabricante de produto de limpeza. “É um controle desnecessário, porque ninguém usa mais STPP do que realmente precisa, por se tratar de um ingrediente caro”, disse.

    A Abipla aproveitou o encontro setorial para apresentar a quinta edição do seu anuário, que contém dados de produção e consumo de produtos de limpeza e afins, incluindo análises de importação e exportação de insumos e artigos acabados. A parte final da publicação traz um diretório de produtos e serviços do setor, com os respectivos fornecedores.

    Os especialistas da Cepsa ressaltaram a necessidade de avaliar os ingredientes de forma mais abrangente, avaliando toda a sua pegada ambiental, desde o berço até a sepultura (from the cradle to the grave). “Quando considerados os dispêndios de energia e de água durante todo o ciclo de vida do produto, vários ingredientes naturais se mostram menos vantajosos ao meio ambiente que alguns produtos totalmente sintéticos”, ponderou López. No caso paulistano, especificamente, a solução apontada para a espuma visível é investir em mais estações de tratamento de esgotos e na sua sofisticação.



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    2 Comentários


    1. Marcus

      Então a produção de sabão líquido para lavar roupa, seguindo as fórmulas milagrosas do YouTube, não passa de uma grande trapaça?


    2. Clovis Dalaqua

      Gostei do artigo.Não li referencia à absorção do produto e ação sistêmica. Qual o perigo para o organismo, pela absorção desse produto em nível de pele? Com ou sem lesões de pele. Obrigado.



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