Saneamento: A cada ano, Fenasan cresce mais que redes de esgoto

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É certo que a feira nacional do saneamento, a Fenasan, que realizou sua 10ª edição entre 10 e 12 de agosto em São Paulo, ainda tem muito espaço para crescer.

Não só pelo motivo mais imediato, o de que há uma lista de empresas que precisaram ficar de fora da última edição por falta de espaço, a ponto de a organizadora da feira, a Associação dos Engenheiros da Sabesp (Aesabesp), reservar para 2011 o pavilhão branco do ExpoCenter Norte, ocupando uma área 50% maior do que o pavilhão amarelo usado neste ano.

A causa maior da confiança no futuro da feira é ainda o muito a fazer no saneamento.

Confirma a percepção, além do movimento da feira – que reuniu 154 expositores e atraiu 10 mil visitantes, e do agitado encontro técnico com 2 mil congressistas e 132 palestras técnicas –, a divulgação, no dia 20 de agosto, da esperada e atualizada Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a pesquisa, a maior parte dos domicílios brasileiros não tem acesso à rede geral de esgoto, mais precisamente 56% não contam com ligação com a rede de esgoto, representando 32 milhões de unidades (2008), de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

Isso não significa, porém, que não tenha havido progressos na última década. Em 2000, 66,5% das unidades não estavam ligadas à rede de esgoto – cerca de 31,8 milhões de domicílios. Entre regiões, há diferenças bem nítidas.

Na Região Norte, domicílios sem rede de esgoto correspondem a 96,2% das unidades. No Nordeste e Sul, a proporção também era inferior à média brasileira, com 77,6% e 68,8% de domicílios, respectivamente.

Somente na Região Sudeste os números são um pouco melhores: “apenas” 31,2% das casas e apartamentos não possuíam rede de esgoto na época da amostragem.

O pior se revela quando a pesquisa aborda tratamento de esgoto: apenas 28,5% dos municípios brasileiros faziam tratamento de esgoto em 2008, com destaque negativo para as Regiões Norte (7,6% dos municípios) e Nordeste (7,6%).

De novo, o Sudeste tem desempenho um pouco melhor, com 48,4% dos municípios, seguido pelo Centro-Oeste (25,3%) e pelo Sul (42,9%).

UV – Essas perspectivas influenciaram a participação de alguns expositores na Fenasan.

Houve o caso de empresas que pela primeira vez montaram estande para tentar despertar o interesse de compradores de companhias de saneamento.

A canadense Trojan UV, por exemplo, importante fornecedora de sistemas de desinfecção por lâmpadas de ultravioleta apresentava aos visitantes o escritório de representação em São Paulo, o Tree-Bio Soluções, inaugurado em 2009.

Segundo a responsável pela Tree-Bio, Ana Carolina de Freitas, a ideia é vender para a área de saneamento público, municipalidades que estejam interessadas em um sistema de desinfecção eficiente tanto para tratamento de água potável como para esgotos.

Sua grande vantagem, além de conseguir destruir micro-organismos complicados, como a giardia, é ter a capacidade de diminuir substancialmente a quantidade de cloro no tratamento, oxidante embora obrigatório no tratamento, por manter residual ao longo da distribuição, com tendência a gerar trihalometanos, substâncias cancerígenas.

Por enquanto, a Trojan possui apenas quatro reatores instalados em Vitória-ES, na companhia estadual Cesan, que deu a concessão para a Foz do Brasil, do grupo Odebrecht, operar estação de tratamento de esgoto.

Trata-se de sistema modular com 400 lâmpadas cada, que desinfeta o esgoto final, depois do tratamento convencional, antes do seu descarte em manguezal da região metropolitana de Vitória.

Outra empresa apostando na evolução tecnológica do saneamento era a Schneider Electric, que mostrava um sistema completo de automação de estações de tratamento de água e esgotos.

De acordo com o gerente de saneamento, Carlos Alberto Crusciol, o sistema se embasa no controlador programável Modicon M340, que opera por meio de arquitetura distribuída da rede Ethernet.

O recurso integra módulos remotos e inversores de frequência, além de medidor de energia PowerLogic. Segundo Crusciol, a solução Ethernet é considerada de fácil instalação, com pouca demanda por cabos, eletrodutos e mão de obra.

O conceito principal da automação, para o gerente, é a economia de energia, fato conseguido por meio do controle da pressão do sistema pela válvula reguladora de pressão.

Fusão – A maior parte da exposição foi marcada pela presença de empresas de equipamentos, como bombas, válvulas e tubulações para saneamento.

Havia também uma ilha de associados do Sindesam (sindicato de empresas de equipamentos e sistemas de saneamento ligado à Abimaq).

Nessa ilha vale lembrar a presença da Haztec, que logo após a feira passou a ser controlada pela Estre Ambiental, que passou a deter 60% de uma nova sociedade para formar a considerada maior companhia de engenharia ambiental do país, com receita bruta anual de R$ 1,1 bilhão, cerca de 40% a mais do que a principal concorrente, a Foz do Brasil, do quase onipresente grupo Odebrecht.

As duas empresas contam agora com um portfólio conjunto de 17 aterros sanitários, que recebem cerca de 40 mil toneladas de lixo por dia, e também com o braço de engenharia de sistemas e equipamentos para saneamento ambiental, a Aquamec, vinda da carteira de empresas da Haztec.

E foi dessa divisão, aliás, que a Haztec deu destaque à sua exposição na Fenasan, além do aspecto institucional de divulgar todo o seu grande portfólio de produtos e serviços.

Na exposição, a Haztec Aquamec apresentava um novo difusor de membranas tipo bolha fina, que possibilita a oxigenação e homogeneização de reatores biológicos para a biodegradação da matéria orgânica presente no meio tratado.

O difusor pode ser montado em tubulação fixa no fundo de reatores biológicos para o tratamento de efluentes.

Além disso, outro destaque eram as grades de barras com limpeza mecanizada por cremalheira, especialmente desenvolvidas para reter sólidos médios e grosseiros em suspensão e corpos flutuantes.

O equipamento possui dispositivos constituídos por barras metálicas de aço carbono revestido ou inoxidável, paralelas e espaçadas.

Com a nova sociedade, a Estre, especializada em gerenciamento de resíduos domésticos e industriais (recentemente havia adquirido os negócios da Veolia na área), se complementa com o expertise em água da Haztec, que além da Aquamec também herdara a Geoplan, cujo foco era a terceirização de estações e a prospecção de poços artesianos.

Além do lado técnico-operacional, a sinergia ocorre em termos geográficos, visto que a Estre é mais forte em São Paulo e a Haztec no Rio de Janeiro.

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