Química

Atualidades: Petróleo – Indústria gaúcha quer vender para a Petrobras

Fernando C. de Castro
15 de fevereiro de 2010
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    No máximo, complementa Menezes, surgirão espaços para subcontratação e fornecimento de peças, partes de equipamentos eletromecânicos, alguns modelos de tubulações ou válvulas, que o Rio Grande do Sul já vem fornecendo. Além desses itens, uma empresa gaúcha desenvolve e vende uma nova geração dos chamados cavalos-de-pau, as sondas de extração de petróleo em terra, mais utilizadas no Rio Grande do Norte.

    Química e Derivados, Álvaro Alves Teixeira, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Atualidades: Petróleo - Indústria gaúcha quer vender para a Petrobras

    Teixeira é contra os impostos sobre os investimentos

    Apesar das dificuldades, a reunião dos empresários em torno do aperfeiçoamento de gestão de negócios, para atender as indústrias de energia e petróleo, já conta com alguma organização. O vice-presidente da RS – Óleo e Gás, entidade aglutinadora dos micro, pequenos e médios empreendedores, Átila Mentz, informou a existência de quinze dessas empresas gaúchas no cadastro da Petrobras, que realizaram enorme esforço nos últimos anos para entender e participar do ambicionado mercado.

    Surgiram iniciativas como o desenho de um mapa estratégico produzido em conjunto com a Refinaria Alberto Pasqualini. Para Mentz, existe um grupo de empresas que evoluiu para o conceito de gestão avançada – de 45, 15 receberam essa avaliação. Até 2010 todas devem estar cadastradas. Mentz afirma que acompanha o pré-sal e que num primeiro momento a nova fronteira do petróleo do país de fato não interessa às associadas da RS – Óleo e Gás, confirmando a avaliação de Guilherme Menezes. Como a Fiergs, por meio do grupo liderado por Coester monitora as operações, ele admite, num segundo momento, entrar neste debate, mas reafirma não ser a prioridade.

    Para Mentz, a urgência das micro, pequenas e médias empresas gaúchas compreende a atuação nas ampliações de refinarias, participação na construção de novos pontos de transporte de gás e de unidades de biocombustíveis. Ele exemplifica que, depois de passar por uma duplicação completa, a Refap, próxima a Porto Alegre, entrará em obras para modernizar a parte antiga das instalações, com investimentos de US$ 100 milhões em operações de desgargalamento e reforma de equipamentos. “Nós acompanhamos de perto o Plano Nacional de Óleo e Gás e estamos habilitados a participar das contratações também para a refinaria de Pernambuco”, complementa Mentz.

    A preocupação em aumentar a participação gaúcha na indústria do petróleo, gás e energia é antiga, remonta há pelo menos dez anos. Culminou com a criação do chamado Programa de Adensamento da Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás e Energia. Este operativo é comandado pela Redepetro, uma entidade capitaneada pelo governo estadual, à qual se soma o Sebrae, a própria Fiergs, o grupo de empresas interessadas, universidades e centros tecnológicos.

    A coordenadora da Redepetro, Suzana Sperry, explica que de fato é um enorme desafio abrir a cabeça dos pequenos empreendedores para as oportunidades de negócios. “Estamos criando horizontes para que os empresários possam se enxergar como fornecedores”, pontifica Suzana. De acordo com ela, a Redepetro trabalha em conjunto com a Petrobras, que cede executivos e consultorias técnicas para romper a cultura da resistência ao novo. “O nosso microempresário tem problema para entender a dimensão estratégica, a demanda, a escala e os altos volumes de negócio que envolvem a próxima geração da cadeia de petróleo e energia do país”, reconhece a executiva.

    Química e Derivados, Ana Carolina Borges, gestora do Sebrae, Atualidades: Petróleo - Indústria gaúcha quer vender para a Petrobras

    Carolina: falta mão-de-obra específica no Rio Grande

    Suzana lembra que a Redepetro do Rio Grande do Sul foi a pioneira no Brasil. Atualmente, existem redes estaduais em onze unidades da federação, mas sem a mesma finalidade. A do Rio de Janeiro, por exemplo, aceita empresas multinacionais, independentemente do porte. Portanto, não está empenhada necessariamente em focar sua atuação na preparação de quem precisa de fato ser preparado. “A nossa só aceita até a média gaúcha, porque são essas que nós queremos colocar na cadeia produtiva do petróleo e gás”, reforça Suzana.

    Mas a situação prática da participação gaúcha na nova corrida do petróleo registrou momentos de caos recente. A gestora do Sebrae, Ana Carolina Borges, revela que para terminar a plataforma P-53, cujo casco e torres chegaram prontos à cidade portuária de Rio Grande-RS, a empreiteira contratada, a Queiroz Galvão, foi obrigada a recrutar equipes de corte e solda para as chapas, pintura e montagem de partes de equipamentos navais do Rio de Janeiro, pois descobriu que a mão-de-obra específica praticamente inexistia na região gaúcha.

    Entretanto, o estado não está parado para enfrentar os desafios da nova corrida do petróleo. Rio Grande vem passando por grandes modificações em seu espaço urbano para construir duas novas plataformas inteiras e navios-petroleiros já encomendados. Um estaleiro novo será entregue em 2010. A ampliação do calado do porto, o segundo maior do país, prossegue acelerada. Uma série de investimentos em infraestrutura está em andamento.

    A cidade deverá receber obras de serviço de apoio, tais como: nova rede hoteleira, restaurantes, melhoria das instalações de logística e pavimentação. Além disso, por conta das escolas do Senai, existem quatro mil trabalhadores em treinamento específico para atender às novas demandas da indústria naval e de construção pesada.



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