Química

Atualidades – Negócios: Wacker planeja recuperar lucros em 2010

Marcio Azevedo
15 de abril de 2010
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    Fontes renováveis – O esforço da Wacker para tornar suas atividades mais sustentáveis poderá levá-la a substituir parte de seus principais insumos industriais por sucedâneos derivados de biomassa na sua principal instalação industrial, localizada em Burghausen, na Alemanha, próximo à fronteira com a Áustria.

    Esse parque industrial é alimentado por quatro matérias-primas principais: etileno, metanol, sal-gema e silício metalúrgico. Graças ao avanço da biotecnologia, e dados os preços crescentes das matérias-primas petroquímicas no mercado mundial, a empresa estuda alternativas para a substituição do etileno e do metanol, obtidos do petróleo, por insumos renováveis, nesse caso, o ácido acético biotecnológico e o etileno derivado de bioetanol. Segundo informações de Fridolin Stary, vice-presidente sênior de Pesquisa e Desenvolvimento Corporativos, a Wacker iniciou, em 2009, a produção de ácido acético obtido de etanol em uma planta piloto com capacidade para 500 t/ano. O ácido é obtido da oxidação em fase gasosa de etanol, produzido, por sua vez, da fermentação de biomassa, realizada por leveduras. Conforme afirmou Stary, o processo leva a excelentes rendimentos, superiores a 90%, e boa seletividade, que poderia ser melhorada com o desenvolvimento de um catalisador otimizado. Outra vantagem está no fato de que essa rota de produção evita a formação de ácido fórmico, um produto químico muito corrosivo e que destrói o aço comum. O sucesso na produção do ácido acético usando biotecnologia tornaria a Wacker livre do metanol, que é utilizado exatamente na obtenção do ácido. Para Stary, entretanto, a rota preferida no futuro para a obtenção do ácido acético deverá ser a fermentação “homoacética”. Nesse processo, o ácido acético é obtido pela fermentação de açúcares por bactérias estritamente anaeróbicas. Até o momento, porém, a cinética dessas reações não é rápida o suficiente para as necessidades industriais. Para conquistar a independência total das matérias-primas petroquímicas, a Wacker também está apostando na obtenção de etileno pela desidratação do bioetanol, a princípio derivado da cana-de-açúcar. Após o sucesso com a planta piloto de ácido acético, uma nova deverá ser construída para a produção do etileno “verde”.

    Stary, que viveu muitos anos no Brasil, se mostrou atento às polêmicas envolvendo as condições de trabalho na indústria canavieira local – afinal, o pilar social da sustentabilidade não pode se compatibilizar com trabalho escravo ou infantil, se ele existir – e, caso a Wacker venha se abastecer de bioetanol brasileiro, será cuidadosa na seleção de seus parceiros. No futuro, no entanto, Stary acredita no sucesso das biorrefinarias de 2ª geração, que utilizam como matérias-primas as plantas inteiras ou o seu bagaço, o que livraria a Wacker também da dependência da indústria de cana.



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