Química

Atualidades – Negócios – Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas

Fernando C. de Castro
18 de novembro de 2007
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    Na oportunidade, o vice-presidente da Comissão de Suprimentos da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Márcio Hiller, assinalou que coordena um grupo de trabalho formado por 27 empresas, como 3M, Innova – à qual Hiller está ligado como executivo –, Roche, Braskem, Petrobrás, Copesul e Bayer. Ele expôs os propósitos da equipe da Abiquim: “A comissão orienta e subsidia as associadas em relação à gestão de suprimentos e apresenta todas as normas técnicas e legais necessárias pertinentes à indústria química.”

    Química e Derivados, Alexandre Pinheiro,César Schinzari,  da Clariant, Atualidades - Negócios - Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas

    Pinheiro(esq.) e Schinzari: contato pessoal é mais eficaz

    Hiller recordou que a operação do grupo de suprimentos da Abiquim foi desencadeada em 1983, com base em um trabalho elaborado por gerentes do Pólo de Capuava,em São Paulo. Em1999, o grupo foi integrado à Abiquim na condição de comissão interna da entidade. “Nosso negócio é potencialmente perigoso. Um acidente que cause danos ao meio ambiente pode arruinar todo o trabalho que tivemos para construir nossa credibilidade”, emendou o gestor da área de suprimentos da Copesul, Jader Weber Brum.

    O gerente de suprimentos do grupo Gerdau, Mauro Mocellin, apresentou as ações e os resultados do programa de desenvolvimento de fornecedores do grupo siderúrgico. O programa é impulsionado em parceria com o Sebrae/RS. Iniciado em outubro do ano passado, o projeto envolve hoje 38 micro e pequenos empreendimentos. Em 2008 e 2009, o projeto entra em uma nova etapa com a participação dos estabelecimentos com melhor atuação na primeira fase e com o ingresso de outras 20 empresas na ação.

    Até o momento, o programa resultou em 538 horas de assessorias, 461 horas de capacitações e tem índice de 92% de satisfação entre os participantes. O investimento total foi de R$ 230,9 mil. Mocellin afirmou que a adoção de indicadores para medir os resultados obtidos pelas empresas constitui o diferencial do programa. “Alinhamos dez indicadores. As empresas participantes tiveram a possibilidade de escolher cinco. Os resultados são avaliados mensalmente”, observou Mocellin.

    O gestor do Sebrae para o Projeto Estruturante da Cadeia do Petróleo, Guilherme Menezes, explicou como as micro e pequenas empresas gaúchas passaram a se qualificar depois de uma ampla radiografia para se saber o que cada uma precisaria fazer para melhorar. Na visão de Menezes, gestão de suprimentos resulta em redução de custos, porque o setor petroquímico é demasiadamente concorrido e nunca se pode falar em redução de qualidade e de segurança, apenas em redução de gastos e custos. Atualmente, o Sebrae busca com as empresas a melhoria da eficiência energética como forma de diminuir as despesas de produção. “Eficiência energética nem sempre é reduzir consumo, mas usar melhor a energia com a modernização das instalações elétricas, regulagem de máquinas e equipamentos e capacitação do operador”, opinou Menezes.

    Química e Derivados, Márcio Hiller, Vice-presidente da Comissão de Suprimentos da Associação Brasileira da Indústria Química, Atualidades - Negócios - Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas

    Hiller: setor químico exige segurança

    Grupo unido – Diante do alto nível de exigência preconizado pela cadeia produtiva do petróleo e gás, as micro e pequenas empresas gaúchas criaram a RS Óleo e Gás, uma associação voltada às negociações em conjunto com os grandes players do setor. As empresas compradoras como a Petrobrás e as petroquímicas locais resolveram se associar em uma cooperativa de compras. Com isso, as fornecedoras também decidiram montar um pool de negociação. Hoje são 42 empresas associadas.

    O presidente da entidade, Luciano Weber, adverte que um produto de qualidade já não é mais o único quesito para se tornar um parceiro ou fornecedor. É preciso atender a todas as condições legais relacionadas com dispositivos fiscais como ICMS, IPI, legislação ambiental, Consolidação das Leis do Trabalho, e uma série de informações que acabam gerando dificuldades para as pequenas empresas. “É preciso pagar insalubridade, periculosidade, percentuais por atividade em área de confinamento. Somente depois de preenchidas essas normas é possível sentar para discutir os aspectos técnicos”, avisou Weber.

    Gilberto Moraes, da Globo Alumínio, especializada em fundição de peças fundidas para equipamentos da indústria petrolífera, em especial sistemas para atracadores de dutos e peças de uma grande válvula por acionamento a distância, salientou que durante o Projeto Estruturante a empresa conquistou a ISO 9001. Por conta disso, consolidou a posição no mercado como empresa com excelência em forja líquida do alumínio, que resulta em peças chanceladas pela Petrobrás graças à alta estabilidade a preços competitivos. Com a Globo Inox, outra ramificação do grupo, ganhou a conta da Copesul.

    Química e Derivados, Paulo Afonso dos Santos, Diretor da Golden, Atualidades - Negócios - Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas

    Santos: trader abre portas no Brasil e no exterior

    A coordenadora da Rede Petro-RS, Suzana Sperry, explica que na primeira etapa do projeto estruturante, em 1999, 45 empresas participaram de 14 cursos, por onde passaram 135 pessoas envolvidas em mais de 2 mil horas de treinamento. São empreendimentos dos ramos de manutenção industrial, transporte, metal-mecânica, eletroeletrônicos (motores, circuitos e painéis elétricos), construção e montagem, engenharia, refrigeração, manutenção, projeto e montagem.

    Há ainda programas para firmas voltadas à tecnologia da informação, equipamentos de segurança, pintura, automação e controle de processo, serviços gerais, procedimentos comerciais e financeiros entre outros. Um curso específico ensina como preencher os quesitos das licitações do sistema Petrobrás e capacitação para cadastramento na empresa e suas subsidiárias.

    A cadeia do petróleo e gás engloba 170 empresas, dez universidades e 90 laboratórios de centros de pesquisa. De acordo com dados tabulados no Sebrae desde a primeira articulação há oito anos, a cadeia produtiva do petróleo e gás gerou 2% ao ano em empregos diretos. Ainda assim, as empresas fornecedoras tiveram um valor adicionado positivo de 37%, e crescimento das vendas líquidas de 34%.



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