Negócios : Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas

Atualidades

Estimativas de R$ 2,3 milhões nos próximos meses em operações de compra e venda de produtos e serviços, aproximadamente 450 rodadas de negócios entre 103 pequenas empresas gaúchas e 21 representantes de empreendimentos de grande porte, como Petroflex, Clariant, Oxiteno, Ipiranga Petroquímica e Brasfels.

Este foi o saldo do primeiro projeto comprador nacional promovido pela Cadeia Produtiva do Petróleo e Gás/RS, em 6 de novembro último, das 14 às 19 horas, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul.

O evento foi promovido pelo Sebrae gaúcho, Petrobrás, Rede Petro e pela própria Fiergs.

O objetivo era colocar numa mesma sala os responsáveis pelos pequenos empreendimentos para proporcionar reuniões com representantes dos departamentos de compras de grandes empresas dos setores químico e petroquímico do centro do País.

Alexandre Castro, da Petroflex no Rio de Janeiro, elogiou a iniciativa. Ele já participou de eventos semelhantes, masem feiras.

No entanto, acrescentou que uma rodada com micro e pequenas empresas chanceladas por uma entidade como a Federação das Indústrias confere credibilidade a qualquer negociação.

Segundo Castro, a Petroflex tem vários equipamentos antigos como bombas e motores.

Como já não se encontram mais peças de reposição no mercado, elas precisam ser fabricadas segundo as especificações contidas nos manuais.

No Rio Grande do Sul existe um parque expressivo de usinagem de primeira linha, o que permite à Petroflex confeccionar partes de motores, bombas e compressores sempre muito importantes dentro do processo petroquímico.

Química e Derivados, Alexandre Castro, da Petroflex do Rio de Janeiro, Atualidades - Negócios - Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas
Castro: qualidade é surpreendente

“O que impressiona é que pequenas empresas conseguiram implantar programas de gestão da qualidade, modernizaram máquinas, adquiriram ISO 9000 como se fossem grandes e para isso foi muito importante a presença do Sebrae como interlocutor, consultor e responsável pela montagem dos programas de aperfeiçoamento”, assinalou o representante da Petroflex.

Atualmente, dez metalúrgicas gaúchas estão credenciadas a produzir peças para as unidades da Petroflex no Rio, Pernambuco e Triunfo.

Alexandre Pinheiro, da Clariant, definiu como válida a iniciativa. Para ele, em termos de formação de banco de dados específicos, a rodada nacional de Porto Alegre superou todas as expectativas.

Por outro lado, argumentou Pinheiro, empresas do Sudeste e Nordeste poderiam ter sido convidadas na lista de fornecedoras. “O evento alcançaria uma abrangência maior.”

O colega de Pinheiro no departamento de compras da Clariant, César Schinzari, explicou que o sistema de compras da Clariant para as três unidades no Brasil – Suzano-SP, Rezende- RJ e Novo Hamburgo-RS – é o mesmo.

Com isso, as empresas catalogadas no banco de dados de fornecedores se credenciam a vender seus produtos e serviços a qualquer uma dessas plantas industriais.

Química e Derivados, Alexandre Pinheiro,César Schinzari, da Clariant, Atualidades - Negócios - Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas
Pinheiro(esq.) e Schinzari: contato pessoal é mais eficaz

“Trocar cartão e sair um pouco do escritório é interessante. O contato pessoal é importante”, enfatizou Schinzari.

Em sua opinião, uma boa conversa para catalogar fornecedores pode funcionar melhor do que e-mails, telefonemas e pesquisas na internet.

Ele adiantou que a Clariant está interessada em adquirir serviços e peças de fundição e logística.

Por ocasião do projeto comprador da cadeia produtiva do petróleo e gás, as empresas gaúchas tiveram a oportunidade de se apresentar para uma organização interessada em prospectar negócios no exterior.

Trata-se da Golden Trade Internacional, com unidades no Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Alagoas.

Química e Derivados, Paulo Afonso dos Santos, Diretor da Golden, Atualidades - Negócios - Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas
Santos: trader abre portas no Brasil e no exterior

De acordo com o diretor da empresa, Paulo Afonso dos Santos, a Golden tem contrato com a Petrobrás para prospectar fornecedores, mas atua ainda em nome de empresas da Espanha e Argentina.

A principal novidade da Golden Trade é uma parceria com a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol).

Por conta da pacificação política interna daquele país da África, começam a surgir oportunidades de negócios relacionadas com a exploração das jazidas petrolíferas como parte de um amplo programa de expansão econômica patrocinado pelo governo local.

Conforme Afonso, sua empresa consegue vislumbrar onde cada micro ou pequena empresa se encaixa para atender aos níveis de exigência da indústria do petróleo para os sistemas relacionados com o processo, como no caso de uma válvula de pressão para gás natural em plataforma, que deve oferecer níveis de confiabilidade previstos nas normas internacionais, uma vez que o equipamento não pode apresentar vazamentos.

Já as torneiras e canos de água para as instalações hidráulicas comuns de uma plataforma, como banheiros e cozinhas, são as convencionais, disponíveis no mercado da construção civil.

Santos assinalou ainda que essa foi sua primeira participação em rodadas de negócios na Região Sul, porém citou eventos semelhantes nos quais esteve na Espanha.

Ele gostou da organização do evento gaúcho. “É muito bom saber que no Sul existem empresas chanceladas para promover negócios na área de energia, petróleo e gás”, sublinhou o empresário.

Ele descobriu uma empresa com potencial para desenvolver sistemas de combate a incêndio em plantas críticas, os quais são 100% importados.

Desde outubro, a abertura de novas oportunidades de negócios para pequenos empreendimentos fornecerem produtos e serviços na área de petróleo e energia tomou conta da agenda empresarial no Rio Grande do Sul.

Em 24 de dezembro, o Seminário Gaúcho de Gestão de Suprimentos, evento paralelo à 16ª edição da Feira de Subcontratação e Inovação Industrial (Mercopar), em Caxias do Sul, reservou espaço para as indústrias químicas e petroquímicas divulgarem suas prioridades.

Na oportunidade, o vice-presidente da Comissão de Suprimentos da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Márcio Hiller, assinalou que coordena um grupo de trabalho formado por 27 empresas, como 3M, Innova – à qual Hiller está ligado como executivo –, Roche, Braskem, Petrobrás, Copesul e Bayer.

Química e Derivados, Márcio Hiller, Vice-presidente da Comissão de Suprimentos da Associação Brasileira da Indústria Química, Atualidades - Negócios - Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas
Hiller: setor químico exige segurança

Ele expôs os propósitos da equipe da Abiquim: “A comissão orienta e subsidia as associadas em relação à gestão de suprimentos e apresenta todas as normas técnicas e legais necessárias pertinentes à indústria química.”

Hiller recordou que a operação do grupo de suprimentos da Abiquim foi desencadeada em 1983, com base em um trabalho elaborado por gerentes do Pólo de Capuava,em São Paulo. Em1999, o grupo foi integrado à Abiquim na condição de comissão interna da entidade.

“Nosso negócio é potencialmente perigoso. Um acidente que cause danos ao meio ambiente pode arruinar todo o trabalho que tivemos para construir nossa credibilidade”, emendou o gestor da área de suprimentos da Copesul, Jader Weber Brum.

O gerente de suprimentos do grupo Gerdau, Mauro Mocellin, apresentou as ações e os resultados do programa de desenvolvimento de fornecedores do grupo siderúrgico.

O programa é impulsionado em parceria com o Sebrae/RS. Iniciado em outubro do ano passado, o projeto envolve hoje 38 micro e pequenos empreendimentos.

Em 2008 e 2009, o projeto entra em uma nova etapa com a participação dos estabelecimentos com melhor atuação na primeira fase e com o ingresso de outras 20 empresas na ação.

Até o momento, o programa resultou em 538 horas de assessorias, 461 horas de capacitações e tem índice de 92% de satisfação entre os participantes.

O investimento total foi de R$ 230,9 mil. Mocellin afirmou que a adoção de indicadores para medir os resultados obtidos pelas empresas constitui o diferencial do programa.

“Alinhamos dez indicadores. As empresas participantes tiveram a possibilidade de escolher cinco. Os resultados são avaliados mensalmente”, observou Mocellin.

O gestor do Sebrae para o Projeto Estruturante da Cadeia do Petróleo, Guilherme Menezes, explicou como as micro e pequenas empresas gaúchas passaram a se qualificar depois de uma ampla radiografia para se saber o que cada uma precisaria fazer para melhorar.

Na visão de Menezes, gestão de suprimentos resulta em redução de custos, porque o setor petroquímico é demasiadamente concorrido e nunca se pode falar em redução de qualidade e de segurança, apenas em redução de gastos e custos.

Atualmente, o Sebrae busca com as empresas a melhoria da eficiência energética como forma de diminuir as despesas de produção.

“Eficiência energética nem sempre é reduzir consumo, mas usar melhor a energia com a modernização das instalações elétricas, regulagem de máquinas e equipamentos e capacitação do operador”, opinou Menezes.

Grupo unido – Diante do alto nível de exigência preconizado pela cadeia produtiva do petróleo e gás, as micro e pequenas empresas gaúchas criaram a RS Óleo e Gás, uma associação voltada às negociações em conjunto com os grandes players do setor.

As empresas compradoras como a Petrobrás e as petroquímicas locais resolveram se associar em uma cooperativa de compras.

Com isso, as fornecedoras também decidiram montar um pool de negociação. Hoje são 42 empresas associadas.

O presidente da entidade, Luciano Weber, adverte que um produto de qualidade já não é mais o único quesito para se tornar um parceiro ou fornecedor.

É preciso atender a todas as condições legais relacionadas com dispositivos fiscais como ICMS, IPI, legislação ambiental, Consolidação das Leis do Trabalho, e uma série de informações que acabam gerando dificuldades para as pequenas empresas.

Química e Derivados, Atualidades - Negócios - Pequenas gaúchas vendem para as petroquímicas
Luciano Weber: setor preenche requisitos

“É preciso pagar insalubridade, periculosidade, percentuais por atividade em área de confinamento. Somente depois de preenchidas essas normas é possível sentar para discutir os aspectos técnicos”, avisou Weber.

Gilberto Moraes, da Globo Alumínio, especializada em fundição de peças fundidas para equipamentos da indústria petrolífera, em especial sistemas para atracadores de dutos e peças de uma grande válvula por acionamento a distância, salientou que durante o Projeto Estruturante a empresa conquistou a ISO 9001.

Por conta disso, consolidou a posição no mercado como empresa com excelência em forja líquida do alumínio, que resulta em peças chanceladas pela Petrobrás graças à alta estabilidade a preços competitivos. Com a Globo Inox, outra ramificação do grupo, ganhou a conta da Copesul.

A coordenadora da Rede Petro-RS, Suzana Sperry, explica que na primeira etapa do projeto estruturante, em 1999, 45 empresas participaram de 14 cursos, por onde passaram 135 pessoas envolvidas em mais de 2 mil horas de treinamento.

São empreendimentos dos ramos de manutenção industrial, transporte, metal-mecânica, eletroeletrônicos (motores, circuitos e painéis elétricos), construção e montagem, engenharia, refrigeração, manutenção, projeto e montagem.

Há ainda programas para firmas voltadas à tecnologia da informação, equipamentos de segurança, pintura, automação e controle de processo, serviços gerais, procedimentos comerciais e financeiros entre outros.

Um curso específico ensina como preencher os quesitos das licitações do sistema Petrobrás e capacitação para cadastramento na empresa e suas subsidiárias.

A cadeia do petróleo e gás engloba 170 empresas, dez universidades e 90 laboratórios de centros de pesquisa. De acordo com dados tabulados no Sebrae desde a primeira articulação há oito anos, a cadeia produtiva do petróleo e gás gerou 2% ao ano em empregos diretos.

Ainda assim, as empresas fornecedoras tiveram um valor adicionado positivo de 37%, e crescimento das vendas líquidas de 34%.

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