Empresas: Bayer superou a crise com produtos sustentáveis

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Como pano de fundo na apresentação das projeções de negócios até o final de 2010, após o balanço dos resultados do grupo em meio às convulsões econômicas globais do ano passado, a Bayer brasileira deixou estampada uma paisagem do planeta colorido na visão futurista de um menino de treze anos, Murilo Hideki Ashiguti, escolhida entre outras 2,4 milhões de pinturas de outras crianças de cem nacionalidades num concurso em parceria da empresa com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e a Fundação para a Paz e Meio Ambiente (FGPE), corroborando o slogan publicitário da companhia aludindo a química para uma vida melhor.

Da aparente abstração conceitual de uma filosofia de trabalho para a rotina da prática em pesquisa e desenvolvimento, dois projetos consolidando as megatendências tecnológicas globais nos laboratórios da Bayer atualmente servem como emblema desse esforço concreto nas suas divisões para a criação de produtos ambientalmente corretos para a produção de energia limpa – além de novos materiais, revestimentos e soluções originais para o setor agrícola e de saúde.

A nanotecnologia e os polímeros estão na base desses chamados “megaprojetos de tendências globais” em desenvolvimento, como o Solar Impulse – um avião construído com placas de policarbonato e aplicações de espuma rígida de PU, que alcançou o máximo de leveza (1.660 kg) graças aos seus componentes estruturais e baterias à base de nanotubos de carbono.

Com a mesma envergadura de um Boeing 747 – 63 metros –, o Solar Impulse será movido exclusivamente por meio de 12 mil células de captação de energia solar e está sendo programado para realizar seu primeiro voo ao redor do mundo dentro de quatro anos.

A outra pesquisa da Bayer sobre as tendências tecnológicas globais desenvolve um conversor marítimo como solução factível para a geração, transmissão e distribuição limpa de energia elétrica – reduzindo os impactos sobre o clima a praticamente zero, em relação aos processos tradicionais.

Os protótipos do conversor marítimo são fabricados com filmes de poliuretano com eletrodos elásticos e, entre 2013-14, deverão ser apresentados pela Bayer MaterialScience ao mercado.

Inovação, alternativa anticrise – No balanço de desempenho da comercialização em 2009, os produtos e insumos embutindo os pressupostos de sustentabilidade ambiental foram determinantes para com sucesso as turbulências da crise global com seus inevitáveis reflexos no mercado nacional.

A inconstância que se alojou na indústria durante 2009 por conta da drástica queda de demanda mundial e a desaceleração do compasso de produção industrial, segundo o presidente da Bayer Material Science, Ulrich Ostertag, demonstrou a necessidade de inovar aumentando a aplicação de matérias-primas renováveis nos produtos e, naturalmente, também as táticas e apelos de comercialização – que foram reformuladas para propulsionar os negócios da unidade – se preparando para enfrentar os terremotos e tsunamis no cenário econômico planetário.

Química e Derivados, Horstfried Laepple, presidente da Bayer brasileira, Atualidades - Empresas: Bayer superou a crise com produtos sustentáveis
Laepple: BRICs representaram 14% do faturamento mundial em 2009

O presidente da Bayer brasileira, Horstfried Laepple, explicou que, pela primeira vez, a direção do grupo posiciona o Brasil, que atualmente ocupa o sétimo mercado no ranking entre os mercados mais importantes para a Bayer, à condição de “país-chave como polo estratégico regional e global para a companhia manter a posição de liderança no mercado”.

Conforme acrescentou, por simples inferência dos resultados de fluxo de caixa: a crise iniciada em 2009 varreu o mercado norte-americano e o europeu, mas no bloco dos emergentes – Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) – os negócios cresceram 1,5% (4,3 bilhões de euros), representando 14% do total das vendas mundiais da Bayer.

Segundo Laepple, um ponto forte no fator competitividade brasileira: 45% da produção nacional é exportado para mais de trinta países da América do Sul e Ásia.

Rainer Krause, diretor-geral da Bayer Schering Pharma brasileira, esclareceu que a área de pesquisa e desenvolvimento continuará centralizada na matriz alemã da companhia, em parceria com centros avançados de pesquisa universitária transnacional, com previsão de investimentos de 2,9 bilhões de euros em 2010.

Segundo ele, a legislação e os estatutos de normas técnicas de farmacovigilância vigentes oferecem um diferencial de competitividade determinante para a expansão das áreas de gestão e a atração de investimentos no Brasil, em comparação com outros mercados emergentes.

“A qualificação da mão-de-obra formada por cientistas e profissionais de bom nível universitário sem dúvida é importante para a produção de novos medicamentos e novas linhas de outros produtos”, esclareceu Krause.

“Mas o compromisso da Bayer na escolha desse novo polo regional para a América Latina está mais relacionada com a capacidade do país de comportar novas responsabilidades e seu potencial de mercado interno”, disse Krause.

Até o final de 2010, os investimentos que irão estofar essa posição estratégica em que o país foi colocado no planejamento do grupo totalizarão R$ 180 milhões, reservados para atualizar tecnologicamente os laboratórios e fábricas de medicamentos do grupo no Rio de Janeiro (Belford Roxo) e São Paulo (Cancioneiro).

Uma plataforma nova deverá ser instalada nas fábricas de MDI e anilina para padronizar as unidades locais com as da divisão em outros países, o que deverá aumentar as condições de segurança da planta, a confiabilidade e a qualidade dos processos.

Uma parcela dos investimentos deverá ser destinada ao laboratório de revestimentos, adesivos e especialidades na base paulistana da empresa. A ideia é estabelecer como função do laboratório a prestação de serviços de apoio a clientes.

“É algo a mais para nos mantermos sempre à frente da concorrência”, afirma Ostertag, o presidente da divisão MaterialScience.

Ele acredita que o laboratório pode e deve apresentar como diferencial ao cliente a oportunidade de ver de perto a aplicação das tecnologias.

“O nível de qualidade exigido por um cliente, por exemplo, na aplicação de um verniz resistente a raios ultravioleta, poderá ser testado em seu carro, na sua presença”, exemplifica Ostertag.

No bojo desses investimentos, em julho próximo deverá entrar em operação no Rio uma nova divisão para toda a experiência acumulada pelo grupo nas áreas química, farmacêutica, de proteção ambiental e de infraestrutura – a Bayer Technology Services, que se propõe a oferecer um espectro de soluções desde engenharia e tecnologia à automação e inovação para seus clientes.

Ecologia lucrativa – O presidente Horstfried Laepple explicou que em seu “alinhamento estratégico” o grupo Bayer conseguiu limitar o impacto da crise econômica nos negócios mundiais o ano passado.

Apesar disso, Laepple acrescentou que a empresa sentiu a queda nas vendas (5,7% em relação a 2008) e também no lucro (6,6% em relação a 2008).

Essas reduções em relação ao período anterior não impediram que, depois dos cálculos de reajustes de câmbio e de portfólio, historicamente a Bayer registrasse o seu terceiro recorde de lucro (6,5 bilhões de euros) e um ano de resultados positivos do grupo Bayer no país, com crescimento de 3% no faturamento (R$ 3,8 bilhões).

Esses resultados econômicos e financeiros atestaram o acerto das estratégias para dobrar a crise com a alternativa da inovação dos produtos ambientalmente responsáveis.

No cômputo total dos resultados das atividades da Bayer MaterialScience, a divisão de materiais inovadores do grupo, registrou queda de 14% no faturamento no país.

Por exemplo, segundo o presidente da divisão MaterialScience, Ulrich Ostertag, a inovação das dispersões aquosas de poliacrilato (PAC, da linha de produtos Bayhydrol A) combinadas com reticuladores de poliisocianatos hidrofilizados Bayhydur para a formulação de sistemas de revestimentos foi um dos produtos que teve boa aceitação e consequências para a superação da crise, “por estabelecer novos padrões de sustentabilidade com economia”, como frisa Ostertag.

Com essa orientação, o dirigente da Bayer MaterialScience acrescenta que o grupo também decidiu partir para a comercialização de revestimentos à base de resinas alifáticas poliaspárticas aplicáveis em obras infraestruturais e de construção civil.

O novo revestimento funciona como uma espécie de catalisador na secagem da tinta, acelerando-a, com benefícios imediatos em termos de produtividade e durabilidade no longo prazo – revelando-se “um produto contemporâneo e simpaticamente ecológico”, como definiu Ostertag.

No século passado, a Bayer pesquisou, desenvolveu e lançou o poliuretano mundialmente.

Agora, após avançar nos procedimentos para a produção de dormentes de poliuretano em ferrovias, sistemas de isolamento térmico na construção civil e a formulação de resinas para vernizes que garantem eficiência e rapidez na remoção de pichações, restos de colas, poeira e outras formas de poluição arquitetônica urbana, o grupo se concentra também no segmento de policarbonato, firmando parcerias para o desdobramento tecnológico desse material para as mais diversas aplicações.

A elevação nas vendas de poliuretano termoplástico (TPU) e a consolidação dos produtos da Bayer MaterialScience manufaturados com poliuretano – de modo particular, o setor calçadista – também serviram de suporte para atravessar o ano de 2009.

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Vista parcial de reator da linha de poliuretanos em Belford Roxo_RJ

Na fatia de matérias-primas mais específicas para obras e serviços públicos, a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 foram identificadas como nichos de possibilidades de negócios para a divisão Bayer MaterialScience, que detém a tecnologia da chapa de policarbonato transparente para a cobertura de ginásios e estádios esportivos.

Durante 2009, o policarbonato, com a marca Makrolon, teve sua demanda aquecida pela indústria eletrônica audiovisual de CDs e DVDs, agora com a tecnologia Blu-Ray. Também os sistemas de pintura e repintura de veículos e revestimentos para interior de carros, ao lado dos bens de consumo da chamada linha branca, reforçaram o portfólio da área.

Na indústria automotiva, a demanda de policarbonato se concentrou na instalação de lentes para faróis e extrusões.

Além da criatividade dos produtos inovadores que ajudaram a romper com as limitações impostas pelas circunstâncias econômicas e a se empenhar para a retomada dos resultados do período pré-crise, durante 2009 a Bayer conseguiu abrir o fornecimento de um novo material para o setor de identificação na área de segurança pública.

Com a aprovação do Makrofol, um filme funcional de policarbonato para documentos, o material deverá ser utilizado na nova carteira de identidade nacional que, segundo Ostertag, será mais segura, de falsificação praticamente impossível.

Na busca de alternativas, o grupo não hesitou quando surgiu a possibilidade de estrear no segmento de cosméticos na América Latina, com o lançamento de BayQsan – uma série de produtos de dispersões poliuretânicas inovadoras, para formulações de cosméticos para proteção solar, cuidados com a pele e os cabelos.

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