Química

Atualidades – Empresas – Basf planeja crescer 8% na América do Sul

Marcelo Fairbanks
18 de agosto de 2010
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    O futuro da química, porém, está nos processos fermentativos. “Serão produzidos vários building blocks [tijolinhos] de base natural para compor os produtos químicos necessários”, comentou. Já existe tecnologia para produzir esses tijolinhos de açúcares, de celulose ou de resíduos. O problema, segundo Hackenberger, está na fase de purificação. “São fermentações realizadas em meio aquoso e esse tijolinhos contêm ligações com oxigênio que lhes confere caráter hidrofílico, isso quer dizer: fica difícil e caro fazer a separação da água”, explicou.

    As pesquisas da companhia indicam que o ácido succínico será a molécula chave desses bioprodutos. “Temos uma planta piloto na Alemanha que usa glicerina de biodiesel em um processo de fermentação anaeróbia, que tem a vantagem de aproveitar o gás carbônico existente e liberar ar puro”, afirmou. O ácido succínico pode reagir com álcoois naturais (como o etanol brasileiro) ou de origem petroquímica (butanol, por exemplo) dando origem a poliésteres. Ele também pode ser usado para a produção de butenodiol, um importante building block para sínteses posteriores.

    A vasta experiência em pesquisas permite a Hackenberger analisar com propriedade a evolução das técnicas empregadas. Ele admite que a taxa de sucesso no desenvolvimento de novas moléculas sofisticadas, como fármacos e agroquímicos, é menor do que foi no passado. “Mas hoje temos mais ferramentas disponíveis, incluindo softwares para design de moléculas, que aceleram muito os trabalhos e evitam desperdícios”, disse. Ele mesmo atuou no desenvolvimento de testes in vitro para substituição de ensaios in vivo, por meio de sistemas biotecnológicos capazes de simular os efeitos com alta precisão. “Apenas os testes de longa duração ainda são feitos com animais”, explicou.

    Uma área que poderá ter importância crescente nos negócios da Basf no Brasil está nos produtos para aumentar a recuperação de petróleo nos poços. “O desafio consiste em encontrar dispersantes, surfactantes e espessantes que suportem as altas temperaturas e a salinidade dos poços profundos e, além disso, serem biodegradáveis”, comentou. Os poços do pré-sal, por exemplo, atingem temperaturas acima de 100ºC.

    A Basf já vende algumas formulações desses produtos para reservatórios com temperaturas menos altas, especialmente na Argentina, onde a subsidiária petroleira Wintershall opera com a tecnologia de recuperação avançada (enhanced oil recovery). No Brasil, a companhia vende anti-incrustantes para a produção de petróleo.

    Além dessa oportunidade, a Basf já identificou outra, dessa vez no campo dos biocombustíveis: está construindo em Guaratinguetá-SP uma fábrica para 60 mil t/ano de metilato de sódio, um catalisador para a produção de biodiesel, que entrará em operação em 2011. Nos agroquímicos, a companhia conseguiu a aprovação oficial para comercializar a soja geneticamente modificada Cultivance, desenvolvida em parceria com a Embrapa. Essa variedade é tolerante a herbicidas e tem comercialização prevista para a safra 2011/2012.



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