Química

Atualidades – Empresa – Dow Brasil completa 50 anos com estrutura reformulada

Marcelo Fairbanks
22 de setembro de 2007
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    Do ponto de vista da Dow, atuar em todas as regiões do mundo ajuda a distribuir riscos e dificuldades na cadeia produtiva. Também a atuação diversificada contribui no mesmo sentido. “Nossos investimentos em petroquímicos básicos contam com parcerias regionais, tanto na Arábia Saudita como no Brasil, com o intuito de agregar valor à operação”, explicou. Além da importância política de contar com sócios locais, a divisão dos investimentos permite à companhia reservar mais capital para investir em tecnologia e desempenho de produtos.

    Além disso, unindo produtos e tecnologia de aplicação, a Dow reforça suas unidades de negócio, conceito relativamente novo para quem sempre atuou por famílias de produtos. “As unidades de negócio têm o foco nos clientes e suas necessidades; temos equipes e estruturas especializadas para sistemas de poliuretano, tintas, calçados produtos de limpeza, construção civil, tratamento de água e outros, com a possibilidade de abrir novas unidades que se mostrem promissoras”, afirmou.

    A mudança na forma de atuação incentivou a companhia a adquirir empresas especializadas, como a chinesa Omexell (tratamento de água) e a alemã Wolff Walsrode (ex-Bayer, produtora de celulósicos), entre outras. Novos nomes poderão ser agregados às unidades de negócios, desde que tenham produtos e tecnologias complementares aos da Dow.

    Em relação ao controle das atividades, a companhia mantém ainda as divisões geográficas e as divisões por produtos, em especial nas commodities. “Precisamos aproveitar ao máximo os ativos que recebemos, no caso do Brasil, distribuídos por Aratu, Camaçari e Guarujá”, afirmou Suarez. Isso implica renovar investimentos nas linhas existentes e construir novas unidades quando necessário.

    Executivo tem experiência global

    O presidente da Dow para a América Latina e vice-presidente comercial para químicos de performance na região, Pedro E. Suarez, nasceu na Argentina, onde se graduou em Engenharia Química, ingressando na subsidiária da companhia naquele país em 1979, na área de látex. Em 1984, assumiu a gerência de mercado dos produtos uretânicos e látices, sendo transferido para a gerência de vendas de especialidades plásticas e polímeros de emulsão na América Latina, no escritório regional de Coral Gables (EUA), em 1986, tornando- se gerente de marketing dois anos depois. Em 1990, assumiu a gerência de negócios de produtos de performance. Três anos depois, foi nomeado gerente de negócios da área de polímeros de emulsão e gerente de produtos de performance para o Brasil. Foi promovido a diretor no ano seguinte e, em 1996, assumiu a direção comercial para a América Latina. Mais tarde, em 2000, tornou-se vice-presidente da área de poliolefinas e elastômeros para a Europa, Oriente Médio e África. Dois anos depois, acumulou a gerência nacional para Espanha e Portugal, atividades que manteve até 2004, quando foi apontado para a vice-presidência para os negócios de plásticos da Dow na América do Norte. Exerceu o cargo até o ano passado, quando assumiu suas funções atuais, que incluem a responsabilidade comercial sobre químicos básicos na América Latina, com assento no comitê gerencial e geográfico da companhia.

    Em Camaçari, por exemplo, atua a Dow Automotive, uma das divisões mais rentáveis da companhia, fabricando pára-choques plásticos para veículos e entregando-os pintados e montados nos carros. Há também negócios com adesivos para os vidros dos veículos. Na linha de produtos básicos, a Dow mantém as unidades de poliestireno (a antiga EDN) e diisocianato de tolueno (TDI, da antiga Pronor). Ambas sofrem com humores do mercado internacional, com ameaças ocasionais de fechamento.

    “A fábrica de TDI não fechou porque a nossa equipe foi competente para estruturar a operação e torná-la competitiva”, explicou Suarez. Segundo informou, a companhia cogita a expansão da fábrica, que ainda tem vida útil considerável. Trata-se de avaliar o crescimento da demanda por poliuretano flexível, com destaque para a fabricação de colchões e de bancos para automóveis, os maiores consumidores desse produto.

    No poliestireno, a situação é mais complicada. “Buscamos alternativas tecnológicas para tornar mais viável a produção de monômero e polímeros”, explicou. O mercado dos estirênicos tem alternado picos e depressões, sem perspectivas firmes a longo prazo.

    Em Aratu, a companhia possui operações muito competitivas de soda/ cloro, óxido de propeno, polióis, propilenoglicóis e solventes clorados, além da unidade de hidróxi-etil-celulose (HEC) oriunda da Union Carbide.

    O sítio do Guarujá também tem recebido fluxo constante de investimentos nas suas linhas de polimerização de estireno, produção de epóxis, poliglicóis e látices. Em Jundiaí-SP, fica a unidade de sistemas de poliuretano, enquanto os concentrados de cor e aditivos para plásticos têm por base a unidade do bairro do Limão,em São Paulo.

    A Dow, segundo Suarez, projeta um futuro com resultados muito positivos para o Brasil, suportados pela estabilidade econômica. Falta alcançar índices de crescimento do PIB mais ambiciosos, que justificariam intensificar os investimentos. Um dos grandes problemas nacionais, compartilhados com toda a América Latina, reside na área de infra-estrutura, em especial nos transportes e energia.

    Os negócios da Dow no Brasil apresentam a preponderância dos produtos de fabricação local no total do faturamento. “Isso é coerente com nossa visão: se os projetos são integrados, têm escala global e matérias-primas competitivas, podemos produzir no País”, ressaltou.



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